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Audiolab 8300A – regresso ao futuro

Audiolab A8300 A  - capa.jpg

A Audiolab nasceu humilde, acessível ao povo, travestiu-se de Fórmula 2 com a TAG McLaren, e voltou ao ponto de partida com a IAG. O 8300A é o herdeiro desse passado atribulado e glorioso.O icónico amplificador integrado de origem britânica Audiolab 8000A, concebido por Philip Swift e Derek Scotland, foi um sucesso de vendas nos anos oitenta.

Era barato, tinha boa qualidade de construção; aguentava-se bem com as colunas de sensibilidade e impedância baixa, cada vez mais difíceis de alimentar, que iam surgindo no mercado; e tinha um som tonalmente equilibrado, que se adaptava à aridez do CD, então a dar os primeiros passos.

Hoje pertence ao grupo chinês IAG, assim como a Quad e a Wharfedale, mas já andou nas ‘alta esfera’ da sociedade, quando a TAG McLaren comprou a Audiolab em 1998, como plataforma de ingresso direto nas pistas de corrida do hifi, sob a designação ‘F3 Series’, que era a ‘8000 Series’ com mais e melhores botões. Os botões em alumínio sólido eram produzidos na fábrica da McLaren, no mesmo equipamento que cortava as peças de alumínio sólido para os carros de Fórmula 1. Eu sei porque assisti in loco à moldagem por laser de um botão.

Nota: leia toda a história, abrindo os pdfs ‘TAG McLaren acelera nas pistas de corrida’ (reportagem na fábrica dos carros da McLaren) e ‘Na Pole Position do Hifi’ (entrevista a Udo Zucker), disponíveis no final deste artigo.

Dr. Udo Zucker concedeu , no HiFi Show 98 Londres, uma entrevista a JVH, que podem ler na integra, abrindo o pdf respetivo no final deste artigo.

Dr. Udo Zucker concedeu , no HiFi Show 98 Londres, uma entrevista a JVH, que podem ler na integra, abrindo o pdf respetivo no final deste artigo.

Udo Zucker, audiófilo confesso, foi o homem que levou a TAG McLaren e Ayrton de Senna ao sucesso, ao introduzir a eletrónica digital nos carros de Fórmula 1. Mas, tal como Senna, a TAG McLaren Audio, apesar da inegável qualidade, não teve um final feliz. Hélas, a morte de Senna deixou marcas profundas; a da TAG Mc Laren Audio, nem por isso. E hoje já poucos se lembram que existiu.

Dr. Udo Zucker, na fábrica da McLaren (1998). Os leitores podem ler a reportagem integral, abrindo o pdf respetivo, no final deste artigo.

Dr. Udo Zucker, na fábrica da McLaren (1998). Os leitores podem ler a reportagem integral, abrindo o pdf respetivo, no final deste artigo.

Udo Zucker tinha em casa umas Apogee, alimentadas a amplificadores Krell, e o seu sonho era atingir este nível, começando por baixo e melhorando a estética para agradar também às mulheres, e à sua esposa brasileira (Udo tinha casa em Portugal e falava algumas palavras de Português).

Afrodite, a deusa do amor

TAG McLaren Audio, F2 Series, modelo Aphrodite c/ colunas

TAG McLaren Audio, F2 Series, modelo Aphrodite c/ colunas

Esta promessa foi cumprida com a ‘F2 Series’, que foi lançada no ano seguinte, com destaque para o adorável e muito ‘feminino’ modelo Aphrodite, que testei para o Notícias Magazine.

Nota: podem ler o teste na integra abrindo as 3 páginas do pdf ‘TAG McLaren Afrodite – poema de amor’, no final deste artigo.

Em 2003, a TAG McLaren Audio ‘encostou às boxes’ e não voltou a sair para a pista - o sonho de Udo Zucker desvaneceu-se, assim como alguns milhões investidos no projeto.

Após um hiato prolongado, a IAG voltou a comprar a Audiolab e passou a produzir os diferentes modelos 8000 A/P/C/M na China, embora projetados no RU por Nick Clarke, mantendo a forma sóbria original e o conteúdo com provas dadas, sem as variações delirantes da TAG das linhas redondas e cores vistosas a lembrar os eletrodomésticos SMEG.

Cada macaco no seu galho

A linha Audiolab 8300A mantém as linhas sóbrias do original, com a novidade de um mostrador OLED.

A linha Audiolab 8300A mantém as linhas sóbrias do original, com a novidade de um mostrador OLED.

Os modelos da Audiolab, a partir da 8200 Series, foram todos concebidos pelo famoso projetista John Westlake, que trabalha hoje para outras marcas como a Pro-Ject.

O Audiolab 8300A parece ser mais do mesmo. De facto, é um modelo completamente novo, e o primeiro a exibir um mostrador OLED, embora a Audiolab mantenha a filosofia de ‘cada macaco no seu galho’, apostando na ‘especialização’ dos diferentes modelos: um amplificador integrado limita-se a amplificar, com a vantagem aqui de se poder separar o prévio e o ‘amp’. Tudo o que é digital é servido por outros modelos específicos.

…é a ‘simplicidade’ que torna o Audiolab 8300A tão apetecível…

É esta ‘simplicidade’ que torna o Audiolab 8300A tão apetecível para quem já tem leitor-CD, DAC externo e ‘Streamer’, e apenas pretende integrar um interface de potência entre eles e as colunas, sem esquecer os amantes do LP (Phono MM/MC), que hoje em dia são quase todos editados a partir de matrizes digitais, mas enfim…

O 8300A não é um amplificador luxuoso, de linhas irreverentes. Tem apenas aquilo que é preciso...

O 8300A não é um amplificador luxuoso, de linhas irreverentes. Tem apenas aquilo que é preciso...

A caixa (80 x 44 x 33 cm, com 8 Kg de peso) é sólida e bem construída, com um painel frontal em alumínio espesso, o que permite gravar (e não apenas pintar) a marca e o modelo, exibindo ainda 3 botões rotativos iguais: Selector (fontes, incluindo balanceadas), Mode (Menu) e Volume.

O segredo do 8300A reside na fonte de alimentação (já Mark Levinson e o seu rival Dan D’Agostino diziam que a construção dos amplificadores começa pela PSU).

Um toroidal de 300VA, apoiado por um reservatório de 60.000 uF, permite-lhe gerar 15A de corrente.

...‘damping’ é superior a 100, garantindo um excelente controlo do grave.

Não é por acaso que o Audiolab 8300A se aguenta bem com colunas difíceis, e tem potência mais do que suficiente para aplicações domésticas civilizadas: 75W/8 e 120W/4.

A construção tendencialmente dual-mono (partilha o toroidal) favorece a separação estereofónica, patente na boa dimensão do palco sonoro, e a dinâmica; ao mesmo tempo que os extremos de frequência têm agora mais liberdade para se expandirem sem compressão. Isto se bem me lembro do som do 8000A original, que era muito centrado na gama média, ao gosto britânico (BBC).

…soa muito mais potente do que as especificações deixam adivinhar…

A limitação de corrente (para evitar que entre em oscilação) é agora controlada por um microprocessador, o que permite deixá-lo ir até muito perto do limite de segurança, sem perigo de queimar (acende-se Protection no mostrador durante 3 segundos, e depois desliga-se automaticamente se o ‘dono’ exagerar). 

Sem parecer prévio

Audiolab 8300 A: bornes duplos de colunas para bicablagem; 6 entradas RCA + 1 x XLR; dupla saída de pré; e entrada de sinal diretamente para a secção de amplificação, que revela o verdadeiro som do 8300A (ler artigo)

Audiolab 8300 A: bornes duplos de colunas para bicablagem; 6 entradas RCA + 1 x XLR; dupla saída de pré; e entrada de sinal diretamente para a secção de amplificação, que revela o verdadeiro som do 8300A (ler artigo)

Se gosta de fazer experiências, o Audiolab 8300A oferece não só Pre Output, mas também Power In, permitindo ligar uma fonte (um DAC com controlo de volume, por exemplo) diretamente à secção de amplificação, fazendo bypass ao prévio.

Claro que perde as funcionalidades do prévio, mas deixe-se surpreender pelo ganho e pela maior transparência do som…

Liguei-lhe um Chord Hugo II direto e o Audiolab 8300A passou a jogar noutro campeonato.

…a secção de amplificação joga na Primeira Liga!...

Enquanto integrado, o Audiolab 8300A não é o mais transparente e envolvente que já ouvi, admito. Nem podia ser, a este preço. Podia dar-lhe alguns exemplos, mas são todos muito mais caros. Surpreendentemente, a secção de amplificação joga na Primeira Liga!...

Para os que não gostam de…misturas

Portanto, sejamos honestos. Se não quer gastar mais que 1300 euros, e não anda à procura de um tudo-em-um, que, quantas vezes, acaba por não tocar bem nenhum dos instrumentos, deve colocá-lo na sua short list de amplificadores a ouvir.

A versatilidade é limitada mas suficiente. A potência é mais do que suficiente. A qualidade do som idem.

E quais são os pontos fortes do Audiolab 8300A?

  • Boa capacidade para alimentar colunas difíceis;
  • Boa dinâmica e baixa distorção, dentro de limites razoáveis;
  • Boa separação estereofónica;
  • Muito bom equilíbrio tonal entre graves, médios e agudos, criando um corpus sonoro coeso e agradável de ouvir em longas audições;
  • Uma secção de amplificação de qualidade superior;
  • E não esquecer o andar de Phono MM/MC.

Produto: Audiolab 8300A

Preço: 1.299 euros

Distribuidor Ibérico: Sarte Audio

Agente Oficial em Portugal: IMACUSTICA

Audiolab A8300 A capa

Dr. Udo Zucker concedeu , no HiFi Show 98 Londres, uma entrevista a JVH, que podem ler na integra, abrindo o pdf respetivo no final deste artigo.

Dr. Udo Zucker, na fábrica da McLaren (1998). Os leitores podem ler a reportagem integral, abrindo o pdf respetivo, no final deste artigo.

TAG McLaren Audio, F2 Series, modelo Aphrodite c/ colunas

A linha Audiolab 8300A mantém as linhas sóbrias do original, com a novidade de um mostrador OLED.

O 8300A não é um amplificador luxuoso, de linhas irreverentes. Tem apenas aquilo que é preciso...

Audiolab 8300 A: bornes duplos de colunas para bicablagem; 6 entradas RCA + 1 x XLR; dupla saída de pré; e entrada de sinal diretamente para a secção de amplificação, que revela o verdadeiro som do 8300A (ler artigo)

A história da McLaren Audio contada em artigos e reportagens por JVH (formato pdf)


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