Editorial

Delfim Yanez e a Bala de Prata - Follow Up

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Tenho com o Delfim uma relação de amizade. Isto não é um ‘disclaimer’ ou uma ‘declaração de interesse’, apenas um facto da vida. As nossas carreiras, ele na área comercial de retalho e distribuição, e eu na área da crítica, têm seguido caminhos paralelos e muitas vezes convergentes, há mais de 30 anos. Nada que me impeça de ser mais ou menos ‘crítico’ sobre a qualidade dos produtos que vende. Aliás, não é preciso, porque Delfim, ele próprio, é o mais exigente crítico dos produtos que vende e – não poucas vezes – denuncia junto dos fabricantes aquilo que considera menos conseguido, propondo mesmo soluções, como é o caso da substituição – ou mesmo eliminação - das fichas RCA, que ele considera um obstáculo para a fluidez do som.

Delfim tem uma filosofia muito própria sobre o que considera um bom som, que nem sempre tem só a ver com a resposta em frequência ou a potência. Sobretudo, um sistema de som e os componentes que o compõem não devem – ou melhor, não podem – afectar os ‘tempos’ sob pena de destruir a integridade da música. Quer sejam fontes digitais, amplificadores, colunas ou cabos, não lhe interessa apenas se o agudo é assim ou o grave assado, o importante é que a coerência temporal e a integração das unidades permitam a reprodução da alma da música, tal como o compositor a concebeu e os músicos a interpretaram.

Ao longo dos anos, regularmente, telefona-me para eu o acompanhar em audições críticas sempre que ‘descobre’ um produto que contribui para a boa manutenção do ‘tempo’, que não deve limitar-se aos conceitos de ‘ritmo’ ou ‘cadência’, embora estejam naturalmente interligados, pois é algo de mais intrínseco à natureza da música.

Por esse facto, ele foi desde sempre adepto dos ‘relógios digitais’, que regulam a precisão da conversão D/A (ver ‘ O mistério do Relógio Atómico’ em Artigos Relacionados). Mas eu já o vi entusiasmado, pelas mesmas razões, com cabos (ver ‘O cabo que veio do espaço’ em Artigos Relacionados’) e até fichas (ver Monitor Audio Controlled Performance’ em Artigos Relacionados).

Delfim, ele próprio, é o mais exigente crítico dos produtos que vende..

Das nossas tertúlias, podem abrir e ler vastas notícias e reportagens nos ‘Artigos Relacionados’, no final deste artigo. Mas, mais recentemente, telefonou-me entusiasmado com a nova Silver Series da Monitor Audio.

Primeiro, tinham-lhe enviado um par de colunas que não lhe tinham agradado. Propôs que simplificassem o filtro divisor, que é agora mais suave e de segunda ordem, para dar mais fluidez, liberdade e, cá esta, coerência temporal ao som. O resultado da nossa audição conjunta das ‘200’ e ‘300’ foi publicado aqui, em Outubro de 2017, num artigo que aconselho a ler, pois este é apenas um ‘follow up’, tendo eu concluído que:

‘A nova Monitor Audio Silver 200 vai dar água pela barba à concorrência próxima e dar cartas no mercado dentro da sua categoria e preço. Este é um modelo de combate que utiliza…balas de prata!

Isto depois de durante a audição ter verificado o seguinte também:

‘…nada soa estranho com as ‘200’. As vozes têm textura e presença, o grave tem corpo e extensão q.b. e o ‘baixo’ não se ‘arrasta’ atrás dos médios, tornando os músicos sonolentos, como acontece com outros sistemas ‘reflex’; a imagem é sólida e o posicionamento dos intervenientes em palco bem definido.

É notável o que é hoje possível comprar com 1500 euros, pois a escolha há uns anos era entre o som dito ‘hifi’, com coloração artificial, e o ‘highend’ a preços incomportáveis…’.

Entretanto, já em 2018, o meu colega Keith Howard, da Hifi News, com quem colaboro regularmente em testes que tenho vindo a publicar nesta revista britânica, mediu as ‘300’ em laboratório e obteve a resposta ‘mais plana de sempre entre os 300-20kHz’, assim como John Atkinson que a considerou ‘impressively flat’ e a What Hifi?, a Hifi + e a The Absolute Sound concederam-lhe o galardão do ano na sua categoria.

Não que o Delfim – ou eu - precise que alguém lhe diga se uma coluna toca bem ou não. Mas todos sabemos como estas opiniões ‘vindas de fora’ têm influência nas vendas, mesmo quando são eles a pedir que eu publique a minha opinião nas revistas…deles!

No fundo, o importante é que os leitores possam tirar as suas próprias conclusões, ouvindo as ‘Silver’ na Delaudio, num revendedor autorizado ou, quem sabe, no Audioshow 2018, que se avizinha.

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