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Plinius Hautonga

Plinius Hautonga, o poder da cultura maori

Hautonga é uma expressão maori que significa “vento forte e limpo”. No caso deste amplificador integrado da Plinius, eu diria que é um autêntico furacão! A Plinius é um fabricante da Nova Zelândia conhecido pela qualidade, solidez e durabilidade dos seus produtos, um misto de Classé (na forma) e Krell (no conteúdo), mas relativamente mais acessível (5 445 euros), apesar de vir do outro lado do mundo, pois estamos a falar de audio highend e não de kiwis.

O Hautonga debita 200W sobre 8 ohms com incrível facilidade, desdenhando as cargas de impedância das colunas que ousaram fazer-lhe frente (Sonus Faber Concertino, Martin Logan Clarity e Magico S1), e reproduzindo um grave prodigioso: tenso, intenso e extenso, até aos limites que as leis da física permitem às colunas referidas.


Há aqui ritmo, resposta rápida e presença, resultante da frontalidade da apresentação dos intervenientes em palco; e uma luz viva e homogénea que não esconde nada do ouvinte mas também não o ofusca com detalhe excessivo.


É como se a Plinius pretendesse fazer uma homenagem à cultura maori. Já todos viram a dança guerreira da selecção de râguebi da Nova Zelândia: sonora, viril e até assustadora para os adversários, quando parecem avançar sobre eles. E contudo, tem grande beleza plástica e artística. É assim também o Hautonga:


Um guerreiro poderoso, que dança conforme a música, com grande sentido rítmico, velocidade, entrega total ao jogo e uma capacidade fantástica de “pára-arranca”, no melhor estilo do “futebol” audiófilo americano de equipas como a Krell.

Apresentou-se na versão prata (também há em negro) e, em termos de funcionalidades, será para muitos talvez demasiado simples: 6 botões de selecção, dois identificados (Phono e CD) e 4 anónimos (Line 1...4), todos com uma luz piloto branca demasiado brilhante, que pode ser reduzida ou até apagada na função display do controlo remoto. Para o botão rotativo de volume, a ordem de subir o volume significa mesmo subir - o ganho podia ser um pouco mais gradual! 


O remoto é demasiado longo, parece o testemunho de uma corrida de estafetas, talvez por ser comum a outros componentes como o leitor-CD. Só para utilizar com o amplificador não era preciso exagerar. Aliás, é uma peça de alumínio tão sólida e pesada que podia servir de arma de defesa e arremesso...


O Hautonga tem bornes de saída para bicablagem e permite bypass para integração num sistema com processador de cinema em casa (cuidado: nível de sinal sem atenuação!), além de saída separada de prévio (pre-out). Além das Line Out 1...4, tem outra extra que deve ser para Tape. 


Enfim, a uns costumes diz sim; a outros menos usuais diz não: balance (equilíbrio entre canais); phase (inversão de polaridade); tone controls (ajuste fino de agudos e graves), por exemplo.


Mas inclui um andar phono compatível como MM/MC, o que vai sendo raro. Contudo, a impedância de entrada é fixa (47Kohm), daí a minha dúvida sobre se as divergências de opinião entre críticos não terão sido fruto das características e necessidades de carga das células de leitura MC utilizadas, pois o carácter do Hautonga soou-me como essencialmente neutro nas saídas lineares.


Já li algures que o Hautonga era macio e quente, e o seu contrário noutro lado qualquer. Eu mantenho que estas diferenças de apreciação são sobretudo decorrentes da utilização do andar de phono.


Estou a especular claro, com base nas especificações, porque só utilizei as entradas lineares, a balanceada com o Oppo 63 e Chord DAC64 e as RCA com o delicioso Micromega MyDAC para ouvir os meus ficheiros áudio de alta resolução. Quando se utiliza a entrada não-balanceada, que eu aconselho porque soa melhor, a posição do selector traseiro do tipo toggle switch é indiferente. Com fichas XLR o selector deve estar na posição XLR. Não há, contudo, diferença no ganho, porque a saída é pseudo-balanceada.

O controlo remoto do Plinius Hautonga podia servir de arma de defesa

O controlo remoto do Plinius Hautonga podia servir de arma de defesa

Como sempre, quem paga deve decidir por si. Tenha a humildade de aceitar o que outros dizem, alegadamente com mais fundamento e conhecimento, e também a coragem de não se deixar influenciar. Afinal, o dinheiro é seu, e os críticos não pagaram nada para o ouvir em casa...


Admito que o Hautonga a quente (e ele aquece depressa) é mais macio, carinhoso e delicado com os sons que o Hautonga a frio, o que é igualmente verdade para os seres humanos – e para o vento!


Posto isto, o Oppo 63 soou-me algo “seco”, como sempre, melhorando com SACD e Blu-ray/DVD audio em alta resolução. O DAC64 é muito mais cheio, encorpado, natural. Já o MyDAC soou como um suave milagre, considerando que custa menos de 300 euros.


Em todos os casos, creio que o Hautonga se limitou a amplificar o carácter do sinal à entrada. É essa a definição prática de neutralidade.


Este potente amplificador integrado a transístores está nos antípodas de um amplificador a válvulas, cuja paleta é mais impressionista, juntando a beleza das cores e o conforto do calor e da luz crepuscular da deliciosa modorra das tardes quentes dissolvendo-se na noite. Há quem ache isto romântico sempre. Eu tenho dias, mas admito que me cativa...


Não é o caso de Delfim Yanez, da distribuidora Delaudio, que me propôs a audição do Hautonga, com um sorriso enigmático, quando sabia de antemão que com um par prévio/amp highend da Pass em Classe A tinha garantida à partida uma glowing review, tal a qualidade e engenho do guru Nelson Pass.

Hautonga, painel traseiro

Hautonga, painel traseiro

Delfim considera que as válvulas mentem como os poetas. Já as vendeu no passado, mas é hoje um acérrimo defensor da neutralidadel: no tempo e no modo, e as válvulas exageram o contraste cromático e puxam o equilíbrio tonal para as cores quentes.


Para Delim Yanez um amplificador não deve ser poderoso apenas para poder tocar mais alto que os outros. A potência deve ser posta ao serviço do controle da coluna, da resposta transitória, do ritmo que decorre de uma correcta gestão dos silêncios.


Ao serviço da música, tal como ela está registada no disco e não como gostaríamos que estivesse! E, sobretudo, da música, como o intérprete a quis transmitir, respeitando-o sempre.


Música não é só som – é mensagem!


E se a mensagem não passa, com todo o seu conteúdo estrutural (tonal, harmónico e tímbrico) e emocional (o estado de espirito dos intérpretes e a alma do compositor), há algo de errado na reprodução.


O sistema pode continuar ligado, mas o ouvinte já está desligado. Eu ainda não desliguei, desde que o liguei.


Dinâmica não é só a variação de amplitude entre picos – é o tempo justo que separa a presença do som da sua ausência: o silêncio é um elemento fundamental da música!

E se um altifalante continua a vibrar depois de cessar o sinal que o colocou em movimento, então há algo de errado com o amplificador.


É esta a filosofia de Delfim Yanez, para quem a importância do factor temporal é tão fundamental que, e cito-o: “já não sou capaz de ouvir música sem o relógio”.


Claro que não se está a referir ao relógio de pulso, mas sim ao Esoteric G0Rb, o “clock” de rubídio com precisão atómica que elimina variações de tempo (jitter) infinitesimais (ver Artigos Relacionados) na reprodução dos CDs. Ora, o G0Rb é um investimento substancial que não se pode perder depois a jusante no estágio de amplificação e transdução (colunas).


Parafraseando o ditado popular:


O Hautonga soprou forte nos antípodas e, da Nova Zelândia chegou bom vento e bom... tempo.


Vá ouvir o Hautonga soprar na Delaudio, e sinta o poder da cultura maori.


Produto em análise: amplificador integrado Plinius Hautonga


Preço: 5 445 euros


Distribuidor: Delaudio


 


 

Plinius Hautonga, o poder da cultura maori

O controlo remoto do Plinius Hautonga podia servir de arma de defesa

Hautonga, painel traseiro