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Ferrum OOR: a arte do ferro para ouvidos de ouro - follow up

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Follow Up: JVH ouviu o Ferrum OOR+Hypsos a 30V. Veja no final o resultado.

Depois da PSU Hypsos (995 euros), a Ferrum descobriu mais OOuRo. Descubra também os segredos escondidos dos seus auscultadores, por 1.995 euros.

Ferrum, uma subsidiária da polaca HEM, que produz os famosos Mytek, surgiu no mercado em 2020 com a Hypsos, uma fonte de alimentação universal capaz de saciar a sede de volts (e amperes) de praticamente todos os DAC conhecidos, com óbvios ganhos na dinâmica, logo na qualidade de som em geral.

Em Março deste ano, em plena pandemia, o Hificlube publicou uma análise intitulada ‘Ferrum Hypsos by HEM – o poder universal’, que podem e devem (re)ler clicando sobre o título a azul.

Deixo aqui a conclusão:

O som tem menos grão, é mais fluido e o silêncio é mais negro, logo há uma sensação de maior dinâmica e também de mais ‘ar’. Tonalmente, as cores são mais saturadas, menos ‘esbotadas’, com os contornos mais definidos. E o grave é mais robusto. Dei comigo a subir o volume mais e mais, sem sentir distorção ou desconforto.

Há quem diga que isto não passa de ‘conversa da treta’e um mero incentivo velado para a compra compulsiva de ‘tralha’ eletrónica.

São os mesmos que acham que o povo não sabe votar, porque não tem capacidade para escolher, e é enganado pois vota com o coração e não com a razão das sondagens científicas. E depois há surpresas...

Ferrum Hypsos: sumo de energia que dá vida ao som

Ferrum Hypsos: sumo de energia que dá vida ao som

A Hypsos é pequena, relativamente leve e barata, e a Ajasom terá todo o gosto em emprestar-lhe uma por umas horas ou dias.

Se ouvir uma melhoria em relação aos habituais ‘adaptadores’ (fontes comutadas de origem chinesa) que alimentam normalmente os DACs, como se fossem apenas telemóveis, não se sinta culpado, nem tenha receio de o admitir aos seus pares lá porque são negacionistas: eppur si muove!

Ferrum OOR: circuito integralmente analógico, incluindo o potenciómetro de volume ALPS.

Ferrum OOR: circuito integralmente analógico, incluindo o potenciómetro de volume ALPS.

A Ferrum lançou agora o OOR (orelha em holandês, ou melhor, neerdelandês) *, com a mesma caixa, o mesmo design mas conteúdo diferente: um amplificador analógico puro (Classe A/B)** para auscultadores, de topologia integralmente discreta (sem recurso a amplificadores operacionais) que é já um sério candidato a produto do ano.

*Nota: a Ferrum promete que um dia vai dar um nome Português a um dos seus produtos. Eu proponho: ALMA.

**Nota: OOR inspira-se no FirstWatt de Nelson Pass, com realimentação de corrente para aumentar a dinâmica e baixar a distorção; e uma variante de Classe A/B com polarização pré-regulada de forma a manter os duplos transístores de potência por canal sempre ativos, mas sem a dissipação de calor da Classe A pura.

No fundo, é a quadratura do círculo, pois comporta-se como um amplificador operacional, de banda muito larga, como os utilizados no Moonriver, mas de topologia discreta a la Daniel Weiss.

‘Injeta’ 8W sobre 60 Ohm, uma ‘barbaridade’ capaz de colocar em órbita qualquer par de auscultadores, de qualquer tipo de transdução (menos os eletrostáticos, claro) impedância e sensibilidade (arrisco incluir aqui os Hifiman HE6 SE), com uma assinalável qualidade de som.

The Sound Of Silence

Ferrum OOR a simplicidade das coisa complexas.

Ferrum OOR a simplicidade das coisa complexas.

OOR é totalmente silencioso, sobretudo não sofre de ‘hum’ ou sopro, duas maleitas terríveis quando se ouve música com auscultadores, por serem tão audíveis. Para evitar isto, a PSU é comutada de forma a não amplificar o ruído dos 50/60Hz da corrente de setor.

OOR é totalmente silencioso, sobretudo não sofre de ‘hum’ ou sopro…

Mas comecemos pelo princípio:

A Idade do Ferro

A caixa de chapa de aço galvanizado, pintada de preto mate, tem as mesmas dimensões da Hypsos, já a prever o casamento para o qual me fiz convidado.

No painel frontal em alumínio de 4mm, exibe-se no lado esquerdo o logo recortado e iluminado da Ferrum, numa moldura quadrada cor de Ferru(ge)m.

O restante painel é ocupado por uma ficha de 4-pinos XLR (balanceada), a saída para jack de 6,35mm TRS; seletor de fontes RCA e XLR (Off ao centro), seletor de ganho: -dB e +dB para ajuste de volume à sensibilidade dos auscultadores, com posição central para ganho unitário; e, claro, o botão rotativo de volume que controla um potenciómetro ALPS (analógico).

Ferrum OOR: circuito balanceado e alimentação por adaptador de 24V ou com a Hypsos via FPL.

Ferrum OOR: circuito balanceado e alimentação por adaptador de 24V ou com a Hypsos via FPL.

Na traseira, entradas e saídas (pode funcionar como prévio) analógicas XLR e RCA; comutador da função bypass (é melhor não mexer); roda de regulação da luminosidade do logo; ficha de ligação ao setor via PSU comutada fornecida (transformador 24V) e uma ficha FPL (ver teste da Hypsos). Nota: cabo especial não incluído no preço.

Primeiro liguei-o como veio ao mundo, com a PSU própria. O sinal via RCA foi fornecido por um Chord Hugo 2 DAC.

Na outra ponta, via Jack de 6,35 mm, um par de difíceis Hifiman HE1000. Com o comutador no modo de baixo ganho -dB, o botão de volume andava pelas 3 horas. No modo de alto ganho, não passava do meio-dia. E com o cabo balanceado dos Hifiman HE1000 (do tipo aberto), às 10 da noite (refiro-me a posição no relógio virtual do botão de volume) já a minha mulher adivinhava lá em baixo o que eu estava a ouvir cá em cima. E não era o tirulirulu, tiruliruló

Nota: também utilizei um par de Pryma (muito mais sensíveis, logo no modo de baixo ganho) e uns Hifiman Ayra, que felizmente ainda andam por cá (no modo unitário).

Viva os noivos!

Ferrum OOR+HYPSOS: a starway to heaven

Ferrum OOR+HYPSOS: a starway to heaven

Faltava o upgrade definitivo: casar o jovem OOR com a bela HYPSOS.

Além dos ‘noivos’, a Ajasom juntou ao dote o cabo FPL. Só precisei de desligar o OOR do ‘transformador’ e fazer a cópula com a Hypsos.

Mas o OOR ainda não faz parte da lista de equipamentos compatíveis da Hypsos – o amor tem destas coisas…

E agora? Que tensão introduzo manualmente (ver teste da Hypsos)? Nas especificações pode ler-se: entre 24 e 30V. Mas o transformador AC/DC é de 24V. Joguei pelo seguro: 24V.

Nota: estou à espera que o Nuno Cristina me diga se posso ir até aos 30V: quanto mais tensão, mais… paixão!...

A neutralidade, claridade, transparência e velocidade transitória do OOR é de tal ordem que, aliadas à linearidade, elevada (íssima) potência disponível (8W/60Ohm!) e à baixa (íssima) impedância de saída (0,3 Ohm), obriga os auscultadores a contar-lhe a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade. Mesmo que doa. O amor tem destas coisas…

OOR obriga os auscultadores a contar-lhe a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade. Mesmo que doa.

Há muito tempo que não ouvia os HE1000 sem qualquer tipo de igualização paramétrica (Roon) e sem me importar com a ‘franqueza’, por vezes a roçar a ‘impertinência’(não peça ao OOR para ser hipócrita), com que me apresentou os restantes ‘convidados’ da boda musical, todos harmonicamente saudáveis e de barriga bem cheia de graves tensos, intensos e extensos.

Incentivado pela Hypsos, OOR abriu o livro e provou que não tem o (mau) hábito de levar desaforo para casa:

Lista de convidados

Ferrum OOR: o amplificador de auscultadores (acessível) mais potente do mercado

Ferrum OOR: o amplificador de auscultadores (acessível) mais potente do mercado

Abro sempre as hostilidades com Norbu, do álbum Himalaya, para testar a extensão controlada do grave e respirar o ar frio e puro da montanha, as vozes lá longe, longe...;

Sigo com Adios do álbum At Least For Now, de Benjamin Clementine, que ‘martela’ as palavras e o piano com uma energia que escapa a muitos conjuntos amp/auscultadores;

Sinto-me nostálgico com You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go, do SACD Blood On The Tracks, de Bob Dylan, com recurso ao meu transporte Oppo e cabos balanceados Siltech, já a pensar na partida do OOR, deliciando-me com a harmónica limpa e a voz (não tão limpa assim…) pairando sobre um cama de pétalas rítmicas de guitarra e baixo;

Hesito feliz entre Sei de Um Rio, por Camané, e A tua Frieza Gela, por António Zambujo, porque só pode ser uma win-win situation: soam as duas vozes tão naturais...;

Perco-me por uma Woman Child cantada por Cécile McLorin Salvant, só acompanhada por guitarra semi-acústica. Uma perdição!, não a criança, ela, a mulher, Cécile...

Espanto-me com o virtuosismo de Anne-Sophie Mutter, ‘Live From Yellow Lounge' (música clássica num cabaret), e dos seus virtuosi, interpretando o Presto (prestissimo) do Verão das Quatro Estações, com uma velocidade estonteante;

Não vale a pena continuar porque as bodas foram mais longas que as de Figaro - e vão continuar, pois estamos perante um instrumento de referência. Como será com 30V?...

Jogo de pares

A ficha FPL que liga o OOR à HYPSOS

A ficha FPL que liga o OOR à HYPSOS

Bom, já devem ter percebido que eu gostei (muito) deste dueto OOR/HYPSOS, ligado por cordão umbilical FPL.

Do melhor que já ouvi (a qualquer preço), ideal para quem é adepto das audições solitárias.

Um sistema politicamente correto, porque é inclusivo: trata todos os auscultadores com o mesmo respeito, seja qual for a ‘raça’.

Todos os auscultadores têm o direito de fazer ouvir a sua verdadeira voz.
Ferrum OOR alimentado pela Hypsos à máxima potência: 30V

Ferrum OOR alimentado pela Hypsos à máxima potência: 30V

Follow Up

Ferrum OOR&Hypsos - follow Up – 30V de prazer

Eu já calculava que era possível ‘injetar’ os 30V da Hypsos no Ferrum OOR para obter o máximo de performance. E, de facto, a resposta da Ferrum chegou célere via Ajasom:

‘Hypsos with firmware v1.2.0 has a preset for the OOR and it is set to 24V however the Sweet Spot Tuning feature allows you to change this voltage from 22V to 30V - so as you can see the OOR can operate at different voltages.’

Agora com a garantia de que não ia ‘fritar’ o OOR com 30V, fiz a experiência e, meus amigos, confesso que estou ainda mais rendido às suas virtudes de transparência, controlo sobre grave e agudo, ataque e riqueza de pormenor, com uma imagem estéreo ampla, num círculo completo à volta da minha cabeça, quase com numa experiência binaural.

Nunca os meus HE1000 soaram tão bem. Sobretudo, no modo High-Gain (+dB), regulando eu toda esta potência disponível no acelerador, perdão, no controlo de volume.

Com 30V o OOR aquece um pouco mais, o que pode significar (não necessariamente) que, a longo prazo (10 anos?), a esperança de vida dos componentes é de 10% menos. Claro que pode jogar pelo seguro e optar por 24V, ou mesmo 22V.

Mas eu também já não vou durar muito mais, portanto, que se lixe! Tudo vale a pena quando a tensão não é pequena…

O melhor sistema de amplificação de auscultadores abaixo de 5000 euros do mercado: Ferrum OOR + Hypsos.

Vá ouvi-lo no fórum da Ajasom. E leve os seus auscultadores. Eles vão agradecer-lhe por poder finalmente mostrar o que valem. Ou não…

Produtos:

Ferrum Hypsos - 995,00€

Ferrum Oor - 1.995,00€

Distribuidor: AJASOM

Ferrum OOR detalhe logo Capa

Ferrum Hypsos: sumo de energia que dá vida ao som

Ferrum OOR: circuito integralmente analógico, incluindo o potenciómetro de volume ALPS.

Ferrum OOR a simplicidade das coisa complexas.

Ferrum OOR: circuito balanceado e alimentação por adaptador de 24V ou com a Hypsos via FPL.

Ferrum OOR+HYPSOS: a starway to heaven

Ferrum OOR: o amplificador de auscultadores (acessível) mais potente do mercado

A ficha FPL que liga o OOR à HYPSOS

Ferrum OOR alimentado pela Hypsos à máxima potência: 30V


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