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Vimberg Tonda Diamante

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JVH foi ouvir as Vimberg Tonda D ao auditório da Ultimate Audio, e veio de lá convencido que estava a ouvir as Tidal, por uma fracção do preço (apenas 20%!!)…

A Vimberg é filha da Tidal, uma das marcas icónicas da indústria de áudio alemã, que não tem nada a ver com a fornecedora de serviços de streaming.

Ao contrário de outras ‘filhas’ rebeldes, que saem de casa e batem com a porta, a subsidiária Vimberg não é o resultado de qualquer dissidência interna de engenheiros que resolvem ‘estabelecer-se’ por conta própria com ideias alheias.

Não, a Vimberg é fruto da consciência da administração da Tidal de que nem toda a gente pode comprar colunas, que custam tanto como um carro alemão de topo, ou até um apartamento mobilado.

Assim, as Vimberg são concebidas pelos mesmos engenheiros (dirigidos pelo maestro Jörn Janczak) e artesãos da Tidal, com tecnologia Tidal, na fábrica da Tidal, utilizando os mesmos altifalantes Accuton. Com uma diferença: cada projecto tem um limite de preço pré-estabelecido, ao contrário dos modelos Tidal que são do tipo money-no-object. Primeiro, produzem-se, depois logo se vê quanto se pede por elas...

...as Vimberg são concebidas pelos engenheiros e artesãos da Tidal, com tecnologia Tidal, na fábrica da Tidal, utilizando os mesmos altifalantes Accuton...
Vimberg Tonda D, no auditório da UAE - Lisboa

Vimberg Tonda D, no auditório da UAE - Lisboa

Não admira, pois, que tenham a qualidade de som Tidal: excepcionalmente sólido, preciso, focado, com transparência e claridade sem perda de textura e de corpo. E, sobretudo, com um ataque, uma velocidade de resposta transitória (em toda a gama audível) só possível de apreciar com colunas ‘highend’ de preço muito superior ao que se pede por estas notáveis Vimberg Tonda D (tweeter de diamante): 39.500 euros, que podem baixar para 32.500 euros, isto se dispensar o tweeter de 30mm diamante e optar pelo tweeter cerâmico.

De cerâmica (magnésio pulverizado com mica), é a unidade de médios de 90 mm da Accuton. Os 3-woofers de 190 mm têm cones de alumínio prensado sobre uma estrutura ultra-leve em favo de abelha.

O filtro foi concebido exclusivamente para este conjunto de altifalantes e utiliza componentes Mundorf e Duelund para garantir uma resposta linear e dinâmica exemplar. A resposta impulsiva medida é impressionante (ao nível de uma coluna electrostática pura!), e isso reflecte-se na audição: tudo soa em fase e temporalmente alinhado.

Nota: Não foi possível confirmar, mas o woofer superior deve ter o filtro a cortar um pouco mais acima para acompanhar a gama inferior do médio. Só assim se explica o corpo e poder da gama média baixa e a projecção das vozes centrada na zona dos 1-2kHz, que em captações close-up pode soar espectacular ou excessivo, dependendo da qualidade da gravação e dos microfones, nunca das colunas.

Vimberg - o espelho da qualidade Tidal

Vimberg - o espelho da qualidade Tidal

A base da coluna é composta por peças sólidas de alumínio que assentam sobre deslizadores de metal com isolamento de Teflon.

As caixas são fabricadas pela Tidal em aglomerado de alta densidade fibrolaminado. O painel frontal é multi-facetado estilo-Avalon e os acabamentos em lacado branco e negro-piano são luxuosos. Cada coluna pesa cerca de 96 quilos e tem as medidas de 40 x 170 x 64.

A sensibilidade é de 90 dB e a impedância nominal de 4 ohm. Em princípio, não constitui uma carga demasiado difícil, mas aconselha-se um bom amplificador, com capacidade de gerar corrente.

Luxman CL1000 + M900u

Luxman CL1000 + M900u

O Luxman M-900u (€ 14 990) portou-se à altura, acolitado pelo clássico-moderno CL-1000 (ambos estilo retro, o prévio nem comando remoto tem…), mas aqui e ali fiquei com a ideia de que as Tonda D ainda podiam ter ido mais longe com dupla amplificação monofónica Gryphon.

Por outro lado, com amplificação mais ‘sólida’ – e não me refiro a solid state pois os M-900 também são a transístores – talvez se perdesse alguma da ‘doçura valvular’ do som Luxman, pelo que esta terá sido a combinação ideal, com base na vasta experiência de Rui Calado e as exigências dinâmicas de Miguel Carvalho.

Como fonte privilegiada, os retornados Playback Designs Dream Transport/ DAC

Como fonte privilegiada, os retornados Playback Designs Dream Transport/ DAC

As Vimberg soam como as Tidal

E como é que eu sei que as Vimberg soam como as Tidal? Porque há muitos anos que sigo a carreira da Tidal (vejam os vídeos no final do artigo das CES2010 e Highend Show 2011 e 2013), numa relação que nem sempre foi pacífica, admito.

Não pela qualidade do som, sempre acima de qualquer suspeita, mas da técnica de apresentação e demonstração, com selecção musical duvidosa, algo em que nós, Portugueses, somos claramente superiores aos alemães, como se prova com o relatório de audição crítica que se segue, dirigida por Miguel Carvalho, com a colaboração de Rui Calado, no auditório principal da Ultimate Audio, em Benfica.

Apresentação mundial das Vimberg no Highend 2018, Munique

Apresentação mundial das Vimberg no Highend 2018, Munique

As Vimberg Tonda D c/ amplificação Luxman CL1000/m900U e fonte Playback Designs Dream , no auditório principal da UAE, em Benfica.

As Vimberg Tonda D c/ amplificação Luxman CL1000/m900U e fonte Playback Designs Dream , no auditório principal da UAE, em Benfica.

A nova marca da Tidal, composta pelos modelos de 3-vias Mino e Tonda, foi lançada com grande sucesso no High End 2018 (ver foto). A Tonda é a versão ‘comprável’ da Tidal Akira (180 000 euros), exibindo, aliás, o mesmo tweeter de diamante, na versão ‘D’ aqui em apreço, embora sem os 5xwoofers passivos na traseira, antes com dois simples pórticos reflex. Seguiu-se mais recentemente a monitora Amea de 2-vias c/suporte.

Mas esta foi a minha primeira audição formal, e suficientemente longa (e privada) para me permitir tirar já algumas conclusões, que os leitores podem confirmar (ou não) pessoalmente, bastando para isso contactar a Ultimate Audio, em Lisboa ou no Porto.

Análise auditiva

As Tonda D conseguem aliar a extraordinária claridade, transparência, neutralidade, velocidade e dinâmica explosiva à textura harmónica e estrutura rítmica, que lhes confere inusitado corpo e presença nos registos médios, com excelente projecção das vozes, num contexto tridimensional amplo, onde cada elemento tem lugar cativo no palco resultante da estabilidade da focagem e da mise-en-phase de banda larga perfeita que estão na base da ‘nitidez’ e definição da imagem estereofónica.

Tudo isto foi patente na audição das múltiplas faixas seleccionadas por Miguel Carvalho e Rui Calado para esta audição, do pop ao jazz e à música clássica, das quais refiro apenas algumas, tendo eu aqui assumido o papel de ouvinte passivo/crítico activo.

Registei toda a audição, incluindo os comentários, em formato digital a 96/24, mas apenas publico aqui duas das faixas em vídeo, que vos ofereço em baixo já editadas no You Tube.

Nota: A captação de imagens e de áudio foi feita em separado – logo não em simultâneo – para garantir uma melhor qualidade de som e o vídeo foi depois editado sem processamento áudio posterior. O que se ouve é o som ‘real’ do sistema no auditório da Ultimate, em Benfica. Na medida em que um registo vídeo/sonoro, já por si um fac-simile, pode ‘soar bem’ no YouTube, a qualidade do que se ouve aqui é, apesar de tudo, notável, se utilizar um bom DAC e auscultadores. Se quer ouvir melhor, olhe vá lá ouvir e diga de sua justiça…

René Marie, ‘It’s All Right With Me

Diálogo equilibrado entre voz e sax, disputando a mesma gama de frequências sem se atropelarem, com sublinhados a negro do contrabaixo e perfeita definição de timbres, dinâmicas e nuances. Notável riqueza de informação nas inflexões vocais, com dicção sensual, sem perda de inteligibilidade. Conjunto harmónico polvilhado de detalhes dos lábios, das chaves do saxofone e da vibração das cordas.

Mina Agossi, ‘Aquellos Ojos Verdes’

No mesmo estilo da faixa anterior, com voz e contrabaixo (Manola Badrena). Cantada em sussurro soprado de elevada sensualidade, com sibilância sob controlo, sem se perder uma palavra. Recorte e definição das cordas do contrabaixo e incrível focagem dos sons de percussão das claves que iluminam o palco em pontos precisos como pirilampos acústicos, deixando o rasto da sua presença no ar do palco.

Anette Askvik, ‘Liberty’

Faixa espectáculo para efeitos de demonstração com ‘efeitos especiais’ que tornam a voz de Anette e o sax bigger-than-life , tudo envolto numa atmosfera gasosa que não nos rouba a visão interior, resultando num palco 3D de grandes dimensões.

As Tonda D permitem-nos ignorar a electrónica subjacente e mergulhar fundo na mistura hipnótica e acompanhar a preocupação de Anette com a liberdade, os sonhos quebrados e o futuro da humanidade, tudo sob o embalo dolente do violoncelo e a ‘gravitas’ de um saxofone soprado com técnica e sentimento sobre um substrato de teclas sintetizadas.

Uma super produção acústica, com bom gosto e arte. Um disco demo por excelência.

Cyrus Chestnut, ‘Lord, Lord, Lord’

Do álbum ‘Revelation’, um cocktail de jazz, com infusões de blues e gospel, perfeito para revelar as potencialidades das Tonda D na resposta transitória, no ataque e na microdinâmica que sublinham o ‘swing’ da técnica interpretativa de Chestnut e do seu quarteto; pureza cristalina dos timbres, sobretudo do piano, com um contrabaixo ‘falante’ de grande eloquência rítmica.

Princezito, ‘Lua’

Mais uma faixa de demonstração. Esta de grande simplicidade voz/guitarra, com Princezito cantando ‘Lua’ em crioulo, acompanhado à guitarra. A claridade, neutralidade, pureza tímbrica e velocidade de resposta que já se adivinhavam no piano de Chestnut, aqui patente também nas cordas dedilhadas das guitarras. A voz rouca de Princezito soa poderosa, com excelente projecção e inteligibilidade (não domino o crioulo mas vivi 27 meses na Guiné…). Manga de ronco!, que é como quem diz ‘bué da festa!

Para mais informações sobre as Vimberg:

Ultimate Audio Elite

As Tidal nas reportagens do  Hificlube

Tidal na CES 2010

Tidal no Highend 2011

Tidal no Highend 2013

Vimberg Tonda mirror on1

Vimberg Tonda D, no auditório da UAE - Lisboa

Vimberg - o espelho da qualidade Tidal

Luxman CL1000 + M900u

Como fonte privilegiada, os retornados Playback Designs Dream Transport/ DAC

Apresentação mundial das Vimberg no Highend 2018, Munique

As Vimberg Tonda D c/ amplificação Luxman CL1000/m900U e fonte Playback Designs Dream , no auditório principal da UAE, em Benfica.