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HIGH END 2026 – Vienna: Reportagem Hificlube.net

HIGH END 2026 – VIENNA – Wrap-Up

Constellation Statement 2.jpg

Sumário das audições que mais nos agradaram em Viena: certezas (há marcas que nunca desiludem), surpresas e desilusões, pois nem sempre os sistemas mais famosos e caros reproduziram o melhor som. Aqui ficam as nossas notas breves de audição.

Depois da publicação das Photo Highlights e Video Highlights, que é a forma mais rápida de mostrar por onde andámos, nos quatro dias do High End 2026, e antes de iniciarmos a edição de artigos exclusivos por distribuidor/patrocinador, que se vão estender pelas próximas duas semanas (vai ter muito para ler, ver e ouvir), com incidência apenas nas marcas e produtos que representam em Portugal e Espanha, é tempo de fazer um apanhado geral, ou seja, aquilo a que os anglo-saxões chamam ‘wrap-up’, que é, no fundo, um ‘embrulho’ final do evento, enfeitado com laçarotes fotográficos.

ACV, a nova casa do High End Show

Primeiro, vamos falar da nova casa do High End, em Viena: o ACV, um centro de congressos, com condições muito superiores às do MOC, em Munique, para hospedar um evento desta natureza, que atrai cerca de 20 mil visitantes, entre jornalistas, profissionais e público em geral.

No ACV há muito mais espaço: corredores amplos, casas de banho em cada esquina e vários níveis (-2 a +3), ligados por passadeiras rolantes, além de halls com stands, tipo feira do livro. A organização caprichou ao colocar jovens em pontos estratégicos, com informações sobre os locais de exibição, o que não impediu que eu me perdesse no labirinto.

No edifício principal, há muito onde nos sentarmos nos corredores, longe do barulho dos subwoofers, para ganhar alento para subir em espiral até lá acima, ao nível 3, desta espécie de torre de Babel, onde se falam muitas línguas e se ouvem músicas de todos os géneros. E até o ar-condicionado funciona!

Na sala de imprensa, sempre cheia, fomos recebidos com a habitual simpatia, com café fresco, bolinhos e chocolates. De modo geral, a oferta gastronómica do MOC era mais variada e acessível. No AVC é mais o estilo ‘grab a bite and go’, porque o espaço é pequeno. Mas havia muitos quiosques de fast food junto à entrada e esplanadas cheias de malta armada de cerveja na mão, que o tempo soalheiro convidava ao convívio ao ar livre.

Mas há coisas que nunca mudam: a acústica das salas não é a melhor, embora haja mais conforto e silêncio do que no MOC, em Munique (há menos portas a bater); e alguns sistemas estavam montados para ficarem bem na fotografia, não na audição, enquanto as faixas de demonstração continuam a ser as mesmas de sempre, que já não as posso ouvir! Por outro lado, houve quem tentasse mudar para pior, com faixas inaudíveis, como vão constatar depois nos vídeos com som gravado ao vivo…

Certezas, surpresas e desgostos

Assim, à medida que fui entrando e saindo das salas (é preciso fazer escolhas), comecei a ter algumas certezas (há marcas que nunca desiludem), surpresas e desilusões, pois nem sempre os sistemas mais famosos e caros reproduziram o melhor som.

Já sei que querem saber qual foi o melhor som do High End 2026 e que vão ler por aí muitas opiniões e contradições. Viena tem muitas igrejas e não falta água benta – cada um usa a que quer…

Melhor som

Eu e o Pedro Henriques só podemos falar sobre aquilo que ouvimos, que foi muito, mas apenas um terço do que havia para ouvir. Logo, nunca podemos garantir qual é o ‘’Melhor Som, apenas quais foram as demonstrações que mais gostámos de ouvir, embora as ‘combinações’ de sistemas sejam diferentes em Portugal e na Áustria, pois os distribuidores representam marcas distintas.

Sem mais demoras, e ressalvando que as opiniões se baseiam em audições inevitavelmente apressadas, sem controlo sobre a música selecionada e o volume, nem sempre nas melhores condições de conforto, e num ambiente de feira, logo não permitem aferir da real qualidade dos sistemas.

Óperade Viena à noite (Lembram-se do filme Missão Impossível?)

Óperade Viena à noite (Lembram-se do filme Missão Impossível?)

Adoração a Deus e ao Áudio

Em Viena, pode escolher entre os templos da música e os religiosos, embora por vezes se confundam, pois os concertos de música clássica também acontecem em igrejas. Mas houve quem optasse pela Carmen, na monumental Ópera de Viena, e ficasse de pé durante três horas, porque os bons lugares são marcados com muita antecedência. São opções. Eu fui à igreja de Karlskirche ouvir Vivaldi (sentado a 3 metros da orquestra) e assisti de pé a uma missa em português (do Brasil) na Peterskirche.

Altar da Peterskirche (Viena)

Altar da Peterskirche (Viena)

É, pois, com espírito cristão que vamos confessar-nos aos leitores, esperando que nos perdoem os erros e os pecados de omissão. O que vão ler nas legendas das fotos é apenas a transcrição das nossas notas breves de audição por ordem alfabética. Não são descrições completas dos sistemas, complementadas aqui pelas fotografias, nem extensas análises subjetivas.

Notas de audição

Acapella Audio Arts La Campanella Alto 2 Mark II, com amplificação Acapella Energeia e fontes MSB: uma presença tão fotogénica quanto musicalmente convincente.  A imagem sonora revelou-se excelente, com uma reprodução particularmente notável da altura do palco, dando aos intérpretes uma escala vertical rara e uma presença quase física no espaço. O som combinava musicalidade, transparência e um detalhe doce, nunca agressivo, deixando a música respirar com naturalidade.  Um sistema que não se limitava a impressionar pelo olhar: confirmava ao ouvido a elegância visual da sua arquitetura.

Acapella Audio Arts La Campanella Alto 2 Mark II, com amplificação Acapella Energeia e fontes MSB: uma presença tão fotogénica quanto musicalmente convincente. A imagem sonora revelou-se excelente, com uma reprodução particularmente notável da altura do palco, dando aos intérpretes uma escala vertical rara e uma presença quase física no espaço. O som combinava musicalidade, transparência e um detalhe doce, nunca agressivo, deixando a música respirar com naturalidade. Um sistema que não se limitava a impressionar pelo olhar: confirmava ao ouvido a elegância visual da sua arquitetura.

Aries Cerat Symphonia open-back. Imagem enorme, larga, quase panorâmica. O som tinha profundidade e corpo, talvez corpo a mais, possivelmente por culpa das dimensões e comportamento da sala. É, muito provavelmente, um gosto adquirido. Mas ficou a sensação clara de que merecia uma audição mais demorada, menos condicionada pelo ambiente de feira.

Aries Cerat Symphonia open-back. Imagem enorme, larga, quase panorâmica. O som tinha profundidade e corpo, talvez corpo a mais, possivelmente por culpa das dimensões e comportamento da sala. É, muito provavelmente, um gosto adquirido. Mas ficou a sensação clara de que merecia uma audição mais demorada, menos condicionada pelo ambiente de feira.

Audio Note. A Audio Note continua a surpreender-me. Há sempre qualquer coisa de contra-intuitivo — e, ao mesmo tempo, de deliciosamente musical — em ouvir umas colunas a tocar encostadas não apenas às paredes, mas também aos cantos da sala. Algo que seria proibido, ou pelo menos altamente desaconselhável, com quase todas as outras colunas. Ainda assim, resulta. E resulta com aquela naturalidade desarmante que a Audio Note sabe tão bem cultivar. A escolha da faixa que ouvimos deixou um pouco a desejar, mas fizemos uma gravação que apresentaremos na reportagem exclusiva da Exaudio.

Audio Note. A Audio Note continua a surpreender-me. Há sempre qualquer coisa de contra-intuitivo — e, ao mesmo tempo, de deliciosamente musical — em ouvir umas colunas a tocar encostadas não apenas às paredes, mas também aos cantos da sala. Algo que seria proibido, ou pelo menos altamente desaconselhável, com quase todas as outras colunas. Ainda assim, resulta. E resulta com aquela naturalidade desarmante que a Audio Note sabe tão bem cultivar. A escolha da faixa que ouvimos deixou um pouco a desejar, mas fizemos uma gravação que apresentaremos na reportagem exclusiva da Exaudio.

Avalon Isis, com amplificação Doshi a válvulas. Som demasiado cheio, claramente condicionado pelo efeito da sala. Já ouvi as Avalon Isis tocar melhor em Munique, e isso basta para recordar uma regra básica das feiras: nunca se deve julgar definitivamente uma coluna — ou um sistema — nestas circunstâncias. A sala pode ser cúmplice, mas também pode ser carrasco.

Avalon Isis, com amplificação Doshi a válvulas. Som demasiado cheio, claramente condicionado pelo efeito da sala. Já ouvi as Avalon Isis tocar melhor em Munique, e isso basta para recordar uma regra básica das feiras: nunca se deve julgar definitivamente uma coluna — ou um sistema — nestas circunstâncias. A sala pode ser cúmplice, mas também pode ser carrasco.

B&W 800 D5, com amplificação Mark Levinson. Provavelmente a melhor demonstração de sempre de umas colunas Bowers & Wilkins que ouvi numa feira. Excelente projeção da imagem, grave controlado, escala convincente e uma rara combinação de poder e classe. Nada de músculo gratuito: havia autoridade, mas também compostura. Gravámos a apresentação para publicação posterior.

B&W 800 D5, com amplificação Mark Levinson. Provavelmente a melhor demonstração de sempre de umas colunas Bowers & Wilkins que ouvi numa feira. Excelente projeção da imagem, grave controlado, escala convincente e uma rara combinação de poder e classe. Nada de músculo gratuito: havia autoridade, mas também compostura. Gravámos a apresentação para publicação posterior.

Canvas L. Sim, the world's first audiophile soundbar não é apenas marketing. É grande e cara. Mas é a única barra de som que não soa a 'barra de sabão'.

Canvas L. Sim, the world's first audiophile soundbar não é apenas marketing. É grande e cara. Mas é a única barra de som que não soa a 'barra de sabão'.

Cessaro. As cornetas são assim: ou se amam ou se detestam. Não costumam deixar ninguém em território neutro. Com um gira-discos Döhmann, equipado com bomba de vácuo, como fonte sonora principal, a Cessaro produziu um som que fazia jus à cor dominante da instalação: dourado. Dourado no olhar, dourado no timbre, dourado na memória.

Cessaro. As cornetas são assim: ou se amam ou se detestam. Não costumam deixar ninguém em território neutro. Com um gira-discos Döhmann, equipado com bomba de vácuo, como fonte sonora principal, a Cessaro produziu um som que fazia jus à cor dominante da instalação: dourado. Dourado no olhar, dourado no timbre, dourado na memória.

Cinnamon Audio, com Galle DAC Model II e Galle Network Transport, amplificação Engström e colunas Kroma Thaïs. A Cinnamon Audio é uma marca portuguesa, fundada por Ricardo Canelas, e por isso fomos lá ouvir, claro. Foi uma visita de médico, porque num certame com perto de mil marcas expostas ou em demonstração não há tempo para tudo, muito menos para a justiça plena que alguns sistemas merecem. Ainda assim, gostámos do que ouvimos. Havia ali bom gosto, coerência e uma identidade sonora própria. A faixa escolhida, é verdade, já anda demasiado estafada nestas andanças, e isso retirou alguma frescura à audição. Mas ficou a impressão de uma proposta séria, tecnicamente ambiciosa e com alma portuguesa — o que, só por si, já justificava a paragem.

Cinnamon Audio, com Galle DAC Model II e Galle Network Transport, amplificação Engström e colunas Kroma Thaïs. A Cinnamon Audio é uma marca portuguesa, fundada por Ricardo Canelas, e por isso fomos lá ouvir, claro. Foi uma visita de médico, porque num certame com perto de mil marcas expostas ou em demonstração não há tempo para tudo, muito menos para a justiça plena que alguns sistemas merecem. Ainda assim, gostámos do que ouvimos. Havia ali bom gosto, coerência e uma identidade sonora própria. A faixa escolhida, é verdade, já anda demasiado estafada nestas andanças, e isso retirou alguma frescura à audição. Mas ficou a impressão de uma proposta séria, tecnicamente ambiciosa e com alma portuguesa — o que, só por si, já justificava a paragem.

Clarisys Aria MkII, com amplificação Aries Cerat. Colunas de fita integral, numa sala com uma vista deslumbrante sobre a cidade. Neste caso, a vista era melhor do que o som. Dizem que são herdeiras espirituais da Apogee, mas há ali algo que continua a não me convencer. Talvez um problema de fase, talvez uma secura estrutural, talvez uma artificialidade que não consigo ignorar. O som é interessante, sem dúvida, mas parece-me demasiado seco e pouco orgânico. Ainda não foi desta.

Clarisys Aria MkII, com amplificação Aries Cerat. Colunas de fita integral, numa sala com uma vista deslumbrante sobre a cidade. Neste caso, a vista era melhor do que o som. Dizem que são herdeiras espirituais da Apogee, mas há ali algo que continua a não me convencer. Talvez um problema de fase, talvez uma secura estrutural, talvez uma artificialidade que não consigo ignorar. O som é interessante, sem dúvida, mas parece-me demasiado seco e pouco orgânico. Ainda não foi desta.

Viena. Vista sobre o Danúbio (azul).

Viena. Vista sobre o Danúbio (azul).

Constellation Statement, com Wilson Audio Sasha V. O melhor som que ouvi em Viena. A imagem estereofónica era simplesmente deslumbrante: ampla, estável, focada, com uma autoridade rara. Nunca tinha ouvido umas Sasha V soarem assim, sobretudo no controlo absoluto do grave. O Pedro e a Leonor concordaram. Este é, de longe, o melhor amplificador que ouvi da Constellation — e um dos melhores que ouvi em qualquer lugar. Custa uma fortuna, mas eu não paguei nada para ouvir...

Constellation Statement, com Wilson Audio Sasha V. O melhor som que ouvi em Viena. A imagem estereofónica era simplesmente deslumbrante: ampla, estável, focada, com uma autoridade rara. Nunca tinha ouvido umas Sasha V soarem assim, sobretudo no controlo absoluto do grave. O Pedro e a Leonor concordaram. Este é, de longe, o melhor amplificador que ouvi da Constellation — e um dos melhores que ouvi em qualquer lugar. Custa uma fortuna, mas eu não paguei nada para ouvir...

ELAC Concentro 809 — 100.º aniversário. A ELAC comemorou 100 anos. E de que maneira. As novas Concentro 809 Anniversary impunham-se pela presença e pela escala, mas também pela forma como desenhavam um palco sonoro amplo, estável e bem organizado. Uma celebração com substância, não apenas com velas no bolo.

ELAC Concentro 809 — 100.º aniversário. A ELAC comemorou 100 anos. E de que maneira. As novas Concentro 809 Anniversary impunham-se pela presença e pela escala, mas também pela forma como desenhavam um palco sonoro amplo, estável e bem organizado. Uma celebração com substância, não apenas com velas no bolo.

Electrocompaniet com TAD. Boa escolha da Electrocompaniet: TAD. O resultado foi um som musical, coerente e agradável, daqueles que não precisam de gritar para se fazer ouvir. Havia equilíbrio, fluidez e uma sensação de conforto auditivo que, no meio do bulício da feira, é sempre de agradecer.

Electrocompaniet com TAD. Boa escolha da Electrocompaniet: TAD. O resultado foi um som musical, coerente e agradável, daqueles que não precisam de gritar para se fazer ouvir. Havia equilíbrio, fluidez e uma sensação de conforto auditivo que, no meio do bulício da feira, é sempre de agradecer.

ESD Acoustic Super Dragon. Finalmente, consegui ouvir as ESD sem sair ao primeiro acorde. Tanto que voltei no dia seguinte para tirar uma fotografia com elas, só para terem uma ideia do tamanho desta monstruosidade.. Poder. Dinâmica. Escala. Extensão de grave até ao centro da Terra. A entrada abrupta de uma polka de Strauss fez-nos dar um salto na cadeira. Literalmente. Há sistemas que impressionam; este, quando quer, ataca. Como o Bruce Lee...

ESD Acoustic Super Dragon. Finalmente, consegui ouvir as ESD sem sair ao primeiro acorde. Tanto que voltei no dia seguinte para tirar uma fotografia com elas, só para terem uma ideia do tamanho desta monstruosidade.. Poder. Dinâmica. Escala. Extensão de grave até ao centro da Terra. A entrada abrupta de uma polka de Strauss fez-nos dar um salto na cadeira. Literalmente. Há sistemas que impressionam; este, quando quer, ataca. Como o Bruce Lee...

ESD Dragon

ESD Dragon

Franco Serblin. Um oásis de sanidade musical. No meio de tanta demonstração concebida para esmagar o visitante, a Franco Serblin voltou a lembrar que a beleza sonora também pode ser uma forma de moderação. Sem excesso, sem exibicionismo, sem necessidade de provar nada a ninguém.

Franco Serblin. Um oásis de sanidade musical. No meio de tanta demonstração concebida para esmagar o visitante, a Franco Serblin voltou a lembrar que a beleza sonora também pode ser uma forma de moderação. Sem excesso, sem exibicionismo, sem necessidade de provar nada a ninguém.

Göbel Divin. Não é exactamente a minha ideia de divino. Mas lá que tocam bem, isso tocam. Há ali escala, limpeza, autoridade e uma capacidade evidente de encher a sala sem perder compostura. Faltou-me talvez emoção, ou intimidade, ou aquela centelha que transforma a competência em memória.

Göbel Divin. Não é exactamente a minha ideia de divino. Mas lá que tocam bem, isso tocam. Há ali escala, limpeza, autoridade e uma capacidade evidente de encher a sala sem perder compostura. Faltou-me talvez emoção, ou intimidade, ou aquela centelha que transforma a competência em memória.

Goldmund Gaia. Nunca as tinha ouvido. O som pareceu-me neutro, cheio, algo escuro — mas um escuro carregado de informação, como nos quadros de Rembrandt ou de Caravaggio. Não era obscuridade por falta de luz; era antes uma densidade tonal, uma sombra rica, onde os detalhes surgiam sem se denunciarem.

Goldmund Gaia. Nunca as tinha ouvido. O som pareceu-me neutro, cheio, algo escuro — mas um escuro carregado de informação, como nos quadros de Rembrandt ou de Caravaggio. Não era obscuridade por falta de luz; era antes uma densidade tonal, uma sombra rica, onde os detalhes surgiam sem se denunciarem.

Innuos, com amplificação EMM e fonte Nazaré. Outro refúgio de sanidade musical, embalado pelas ondas gigantes da Nazaré. A apresentação tinha calma, organização e uma naturalidade que não procurava impressionar pela força bruta. Voltaremos à Innuos na reportagem exclusiva da Ajasom.

Innuos, com amplificação EMM e fonte Nazaré. Outro refúgio de sanidade musical, embalado pelas ondas gigantes da Nazaré. A apresentação tinha calma, organização e uma naturalidade que não procurava impressionar pela força bruta. Voltaremos à Innuos na reportagem exclusiva da Ajasom.

Summit Everest. Cento e sessenta mil dólares para tocar música de discoteca. Ouvimos The Future Is Unknown a níveis capazes de parar a digestão. Não foi uma audição: foi uma experiência física. Podem ouvir uma amostra no nosso Day Two Video Highlights no YouTube.

Summit Everest. Cento e sessenta mil dólares para tocar música de discoteca. Ouvimos The Future Is Unknown a níveis capazes de parar a digestão. Não foi uma audição: foi uma experiência física. Podem ouvir uma amostra no nosso Day Two Video Highlights no YouTube.

Kharma Enigma Veyron EV-1D. Classe pura. No design, no som e no ambiente. A Kharma sabe criar uma atmosfera própria, entre o luxo silencioso e a engenharia de precisão. Nada parecia deslocado. Tudo respirava exclusividade, mas sem cair no excesso vulgar.

Kharma Enigma Veyron EV-1D. Classe pura. No design, no som e no ambiente. A Kharma sabe criar uma atmosfera própria, entre o luxo silencioso e a engenharia de precisão. Nada parecia deslocado. Tudo respirava exclusividade, mas sem cair no excesso vulgar.

Klipsch The Fives, The Sevens e The Nines ativas. Fantástica demonstração de poder, que gravámos para a posteridade. Com som de cinema, estas colunas agigantam-se. Literalmente. Há nelas uma energia direta, quase física, que faz esquecer as dimensões reais e coloca a sala em modo grande ecrã. Dizer que ficámos impressionados, é pouco.

Klipsch The Fives, The Sevens e The Nines ativas. Fantástica demonstração de poder, que gravámos para a posteridade. Com som de cinema, estas colunas agigantam-se. Literalmente. Há nelas uma energia direta, quase física, que faz esquecer as dimensões reais e coloca a sala em modo grande ecrã. Dizer que ficámos impressionados, é pouco.

Kroma Maribel, com amplificação Engström Eric Encore e fontes Wadax e Kuzma. Gostei mais de ouvir as Callas em Munique. Aqui, pareceu-me que o som estava demasiado alto e que as Maribel talvez sejam carga a mais para os Engström a válvulas. A sala, fora do ACV, era enorme e estava praticamente vazia, o que também não ajudou. Ficou a sensação de um sistema de qualidade evidente, mas aquém do seu verdadeiro potencial.

Kroma Maribel, com amplificação Engström Eric Encore e fontes Wadax e Kuzma. Gostei mais de ouvir as Callas em Munique. Aqui, pareceu-me que o som estava demasiado alto e que as Maribel talvez sejam carga a mais para os Engström a válvulas. A sala, fora do ACV, era enorme e estava praticamente vazia, o que também não ajudou. Ficou a sensação de um sistema de qualidade evidente, mas aquém do seu verdadeiro potencial.

Linn Klimax DSM, Linn 360 e monoblocos Klimax Solo 800. A Linn apresentou o novo streamer Klimax DSM, a alimentar as colunas Linn 360 com monoblocos Klimax Solo 800. No entanto, não conseguiu atingir o mesmo nível de qualidade sonora que ouvimos em Munique. Sala? Seleção musical? Ambas, digo eu. A competência estava lá, mas faltou a magia.

Linn Klimax DSM, Linn 360 e monoblocos Klimax Solo 800. A Linn apresentou o novo streamer Klimax DSM, a alimentar as colunas Linn 360 com monoblocos Klimax Solo 800. No entanto, não conseguiu atingir o mesmo nível de qualidade sonora que ouvimos em Munique. Sala? Seleção musical? Ambas, digo eu. A competência estava lá, mas faltou a magia.

Magico S7. Trouxeram tratamento acústico consigo, mas não foi suficiente. A sala tinha anca larga e bunda grande — e isso ouvia-se. Ainda assim, havia ali um som de grande qualidade, com a precisão e a densidade que se esperam da Magico. Apenas não completamente livre das amarras do espaço.

Magico S7. Trouxeram tratamento acústico consigo, mas não foi suficiente. A sala tinha anca larga e bunda grande — e isso ouvia-se. Ainda assim, havia ali um som de grande qualidade, com a precisão e a densidade que se esperam da Magico. Apenas não completamente livre das amarras do espaço.

MBL 101 X-treme MkIII. As incríveis MBL 101 X-treme, agora em versão MkIII. Não sei exatamente qual foi o upgrade, mas não se perdia nada se tivessem tido mais cuidado na seleção musical. Não que as MBL não possam tocar rock. Podem. Mas o som estava tão alto que deitava chispas. O distribuidor austríaco precisa de falar com o distribuidor alemão para aprender como se faz. Ou com a Ajasom.

MBL 101 X-treme MkIII. As incríveis MBL 101 X-treme, agora em versão MkIII. Não sei exatamente qual foi o upgrade, mas não se perdia nada se tivessem tido mais cuidado na seleção musical. Não que as MBL não possam tocar rock. Podem. Mas o som estava tão alto que deitava chispas. O distribuidor austríaco precisa de falar com o distribuidor alemão para aprender como se faz. Ou com a Ajasom.

PMC e Dominique Fils-Aimé. Uma hora de paz budista no meio do bulício da feira. Dominique Fils-Aimé apresentou o seu último disco, gravado em Atmos multicanal. Antes de cada faixa explicou o seu processo de criação. Foi um daqueles momentos em que a música volta a ocupar o centro da conversa, sem ruído promocional à volta. Gravámos parte da apresentação, que será publicada na reportagem exclusiva da Ajasom.

PMC e Dominique Fils-Aimé. Uma hora de paz budista no meio do bulício da feira. Dominique Fils-Aimé apresentou o seu último disco, gravado em Atmos multicanal. Antes de cada faixa explicou o seu processo de criação. Foi um daqueles momentos em que a música volta a ocupar o centro da conversa, sem ruído promocional à volta. Gravámos parte da apresentação, que será publicada na reportagem exclusiva da Ajasom.

ProAc Response DB1R. Um leitor pediu-nos para as ouvir. E nós cumprimos. A Response DB1 existe em duas versões: a DB1D, com tweeter de cúpula de seda, e a DB1R, com tweeter de fita. Foi esta última que ouvimos. Para uma coluna de dimensões tão reduzidas, a escala é surpreendente. Há palco, há corpo e há uma capacidade invulgar de projectar som para lá da caixa. O agudo traz muita informação, talvez informação a mais para alguns ouvidos, sobretudo em salas menos controladas ou com electrónica mais incisiva. Quem preferir uma apresentação mais macia poderá optar pela versão com cúpula de seda. Mas a gama média e o grave impressionam: a DB1R não joga em bicos de pés, domina o meio-campo como o Vitinha — discreta, inteligente, tecnicamente irrepreensível e sempre no sítio certo.

ProAc Response DB1R. Um leitor pediu-nos para as ouvir. E nós cumprimos. A Response DB1 existe em duas versões: a DB1D, com tweeter de cúpula de seda, e a DB1R, com tweeter de fita. Foi esta última que ouvimos. Para uma coluna de dimensões tão reduzidas, a escala é surpreendente. Há palco, há corpo e há uma capacidade invulgar de projectar som para lá da caixa. O agudo traz muita informação, talvez informação a mais para alguns ouvidos, sobretudo em salas menos controladas ou com electrónica mais incisiva. Quem preferir uma apresentação mais macia poderá optar pela versão com cúpula de seda. Mas a gama média e o grave impressionam: a DB1R não joga em bicos de pés, domina o meio-campo como o Vitinha — discreta, inteligente, tecnicamente irrepreensível e sempre no sítio certo.

Prodigio Audio Vitrola. As melhores colunas electrostáticas que ouvi em Viena. Um prodígio, sem dúvida. Abaixo dos 50 Hz há pouco ou nada, mas, no resto, soam praticamente perfeitas. É verdade que não foram demonstradas no ACV, beneficiando, por isso, de um ambiente mais calmo e menos contaminado pelo ruído da feira. São de origem húngara. Não faço ideia se são distribuídas em Portugal, mas deviam ser. Ainda por cima são bonitas e têm elevado WAF.

Prodigio Audio Vitrola. As melhores colunas electrostáticas que ouvi em Viena. Um prodígio, sem dúvida. Abaixo dos 50 Hz há pouco ou nada, mas, no resto, soam praticamente perfeitas. É verdade que não foram demonstradas no ACV, beneficiando, por isso, de um ambiente mais calmo e menos contaminado pelo ruído da feira. São de origem húngara. Não faço ideia se são distribuídas em Portugal, mas deviam ser. Ainda por cima são bonitas e têm elevado WAF.

Soulution e Alsyvox Caravaggio. Má escolha de colunas. Mais umas 'fitas' que nunca me convenceram, mesmo com amplificação acima de qualquer suspeita. Talvez porque vivi demasiados anos com Apogee. Talvez porque continuo à espera daquele equilíbrio impossível entre transparência, escala e corpo. Aqui, a promessa foi maior do que a emoção.

Soulution e Alsyvox Caravaggio. Má escolha de colunas. Mais umas 'fitas' que nunca me convenceram, mesmo com amplificação acima de qualquer suspeita. Talvez porque vivi demasiados anos com Apogee. Talvez porque continuo à espera daquele equilíbrio impossível entre transparência, escala e corpo. Aqui, a promessa foi maior do que a emoção.

TAD. Tal como a Audio Note, as TAD parecem soar bem em qualquer terreno. E, tal como as Franco Serblin, foram um dos meus locais de repouso — dos ouvidos, entenda-se. Há marcas que não precisam de espetáculo para nos prender. Basta-lhes tocar música.

TAD. Tal como a Audio Note, as TAD parecem soar bem em qualquer terreno. E, tal como as Franco Serblin, foram um dos meus locais de repouso — dos ouvidos, entenda-se. Há marcas que não precisam de espetáculo para nos prender. Basta-lhes tocar música.

T&W. Colunas planares sem filtro, compostas por 12 módulos. Eis uma das surpresas do show: tocavam música. Não apenas som, não apenas tecnologia, não apenas conceito. Música. E isso, numa feira de alta-fidelidade, continua a ser mais raro do que devia. Notei uma ligeira vibração num dos módulos, que não afetou o desempenho geral. Vicissitudes dos transportes aéreos...

T&W. Colunas planares sem filtro, compostas por 12 módulos. Eis uma das surpresas do show: tocavam música. Não apenas som, não apenas tecnologia, não apenas conceito. Música. E isso, numa feira de alta-fidelidade, continua a ser mais raro do que devia. Notei uma ligeira vibração num dos módulos, que não afetou o desempenho geral. Vicissitudes dos transportes aéreos...

Thyvan. Não faço a mínima ideia de quem são. Mas, para mim — e para o Pedro Henriques — estas colunas tinham o melhor tweeter que ouvimos em Viena. E não só o tweeter. Havia ali uma frescura, uma limpeza e uma capacidade de desaparecer que nos apanharam de surpresa. Uma daquelas salas onde se entra sem expectativas e se sai a tomar notas.

Thyvan. Não faço a mínima ideia de quem são. Mas, para mim — e para o Pedro Henriques — estas colunas tinham o melhor tweeter que ouvimos em Viena. E não só o tweeter. Havia ali uma frescura, uma limpeza e uma capacidade de desaparecer que nos apanharam de surpresa. Uma daquelas salas onde se entra sem expectativas e se sai a tomar notas.

YG Acoustics Sonja 3.3, com amplificação Ypsilon. Havia várias salas com colunas YG Acoustics em Viena. Esta ficava fora do ACV, num hotel próximo, e juntava um par de Sonja 3.3 a uma verdadeira artilharia grega da Ypsilon. E que artilharia. A Sonja 3.3 tem pelo na venta: não se limita a desenhar a música com precisão cirúrgica, também a empurra para a sala com escala, autoridade e uma tensão dinâmica que prende a atenção. Há nela aquela mistura rara de elegância e músculo, como quem fala baixo mas não precisa de repetir. Um sistema de grande classe, a lembrar que a alta resolução só faz sentido quando vem acompanhada de vida, corpo e intenção musical. Mereciam melhor sala e seleção de faixas.

YG Acoustics Sonja 3.3, com amplificação Ypsilon. Havia várias salas com colunas YG Acoustics em Viena. Esta ficava fora do ACV, num hotel próximo, e juntava um par de Sonja 3.3 a uma verdadeira artilharia grega da Ypsilon. E que artilharia. A Sonja 3.3 tem pelo na venta: não se limita a desenhar a música com precisão cirúrgica, também a empurra para a sala com escala, autoridade e uma tensão dinâmica que prende a atenção. Há nela aquela mistura rara de elegância e músculo, como quem fala baixo mas não precisa de repetir. Um sistema de grande classe, a lembrar que a alta resolução só faz sentido quando vem acompanhada de vida, corpo e intenção musical. Mereciam melhor sala e seleção de faixas.

Western Electric. Cem anos depois, continuam a reproduzir música como muito poucas colunas modernas conseguem. Há aqui uma lição de humildade para a alta-fidelidade contemporânea: nem tudo o que é novo é necessariamente mais verdadeiro. Às vezes, o tempo não envelhece a tecnologia; apenas confirma a sua razão de existir.

Western Electric. Cem anos depois, continuam a reproduzir música como muito poucas colunas modernas conseguem. Há aqui uma lição de humildade para a alta-fidelidade contemporânea: nem tudo o que é novo é necessariamente mais verdadeiro. Às vezes, o tempo não envelhece a tecnologia; apenas confirma a sua razão de existir.

dCS Varèse, SME, Dan D’Agostino e Wilson Audio XVX + Subsonics. Uma companhia de artilharia audiófila de três milhões de euros, mais coisa menos coisa. Quando entrei, pensei que ia ouvir as Autobiography. Talvez por isso tenha ficado um pouco desiludido. Grande som, sem dúvida: escala ampla e profunda, ataque, corpo, extensão do grave a ameaçar a acústica da sala, e aquela dinâmica e coerência tonal, que são a identidade da Wilson Audio. Mas não foi o som que gostei mais de ouvir em Viena. E nem sequer estou a falar de Vivaldi ao vivo. Um sistema destes não pode falhar durante uma audição. A Imacustica mantém o recorde do melhor som que ouvi de um sistema D’Agostino/Wilson. Que tal um workshop em Portugal para os distribuidores europeus?...

dCS Varèse, SME, Dan D’Agostino e Wilson Audio XVX + Subsonics. Uma companhia de artilharia audiófila de três milhões de euros, mais coisa menos coisa. Quando entrei, pensei que ia ouvir as Autobiography. Talvez por isso tenha ficado um pouco desiludido. Grande som, sem dúvida: escala ampla e profunda, ataque, corpo, extensão do grave a ameaçar a acústica da sala, e aquela dinâmica e coerência tonal, que são a identidade da Wilson Audio. Mas não foi o som que gostei mais de ouvir em Viena. E nem sequer estou a falar de Vivaldi ao vivo. Um sistema destes não pode falhar durante uma audição. A Imacustica mantém o recorde do melhor som que ouvi de um sistema D’Agostino/Wilson. Que tal um workshop em Portugal para os distribuidores europeus?...

Wilson Audio Alexx V, com amplificação VTL. Há muito tempo que não ouvia uma reprodução tão realista de Frank Sinatra. Não era apenas a voz; era a presença, o peso do corpo, a respiração, a sala à sua volta. Temos o registo para prová-lo, e será publicado na reportagem exclusiva da Imacustica.

Wilson Audio Alexx V, com amplificação VTL. Há muito tempo que não ouvia uma reprodução tão realista de Frank Sinatra. Não era apenas a voz; era a presença, o peso do corpo, a respiração, a sala à sua volta. Temos o registo para prová-lo, e será publicado na reportagem exclusiva da Imacustica.

Veja abaixo alguns vídeos, nos quais estes sistemas (não todos) surgem em ação:

Constellation Statement 2

Óperade Viena à noite (Lembram-se do filme Missão Impossível?)

Altar da Peterskirche (Viena)

Acapella Audio Arts La Campanella Alto 2 Mark II, com amplificação Acapella Energeia e fontes MSB: uma presença tão fotogénica quanto musicalmente convincente. A imagem sonora revelou-se excelente, com uma reprodução particularmente notável da altura do palco, dando aos intérpretes uma escala vertical rara e uma presença quase física no espaço. O som combinava musicalidade, transparência e um detalhe doce, nunca agressivo, deixando a música respirar com naturalidade. Um sistema que não se limitava a impressionar pelo olhar: confirmava ao ouvido a elegância visual da sua arquitetura.

Aries Cerat Symphonia open-back. Imagem enorme, larga, quase panorâmica. O som tinha profundidade e corpo, talvez corpo a mais, possivelmente por culpa das dimensões e comportamento da sala. É, muito provavelmente, um gosto adquirido. Mas ficou a sensação clara de que merecia uma audição mais demorada, menos condicionada pelo ambiente de feira.

Audio Note. A Audio Note continua a surpreender-me. Há sempre qualquer coisa de contra-intuitivo — e, ao mesmo tempo, de deliciosamente musical — em ouvir umas colunas a tocar encostadas não apenas às paredes, mas também aos cantos da sala. Algo que seria proibido, ou pelo menos altamente desaconselhável, com quase todas as outras colunas. Ainda assim, resulta. E resulta com aquela naturalidade desarmante que a Audio Note sabe tão bem cultivar. A escolha da faixa que ouvimos deixou um pouco a desejar, mas fizemos uma gravação que apresentaremos na reportagem exclusiva da Exaudio.

Avalon Isis, com amplificação Doshi a válvulas. Som demasiado cheio, claramente condicionado pelo efeito da sala. Já ouvi as Avalon Isis tocar melhor em Munique, e isso basta para recordar uma regra básica das feiras: nunca se deve julgar definitivamente uma coluna — ou um sistema — nestas circunstâncias. A sala pode ser cúmplice, mas também pode ser carrasco.

B&W 800 D5, com amplificação Mark Levinson. Provavelmente a melhor demonstração de sempre de umas colunas Bowers & Wilkins que ouvi numa feira. Excelente projeção da imagem, grave controlado, escala convincente e uma rara combinação de poder e classe. Nada de músculo gratuito: havia autoridade, mas também compostura. Gravámos a apresentação para publicação posterior.

Canvas L. Sim, the world's first audiophile soundbar não é apenas marketing. É grande e cara. Mas é a única barra de som que não soa a 'barra de sabão'.

Cessaro. As cornetas são assim: ou se amam ou se detestam. Não costumam deixar ninguém em território neutro. Com um gira-discos Döhmann, equipado com bomba de vácuo, como fonte sonora principal, a Cessaro produziu um som que fazia jus à cor dominante da instalação: dourado. Dourado no olhar, dourado no timbre, dourado na memória.

Cinnamon Audio, com Galle DAC Model II e Galle Network Transport, amplificação Engström e colunas Kroma Thaïs. A Cinnamon Audio é uma marca portuguesa, fundada por Ricardo Canelas, e por isso fomos lá ouvir, claro. Foi uma visita de médico, porque num certame com perto de mil marcas expostas ou em demonstração não há tempo para tudo, muito menos para a justiça plena que alguns sistemas merecem. Ainda assim, gostámos do que ouvimos. Havia ali bom gosto, coerência e uma identidade sonora própria. A faixa escolhida, é verdade, já anda demasiado estafada nestas andanças, e isso retirou alguma frescura à audição. Mas ficou a impressão de uma proposta séria, tecnicamente ambiciosa e com alma portuguesa — o que, só por si, já justificava a paragem.

Clarisys Aria MkII, com amplificação Aries Cerat. Colunas de fita integral, numa sala com uma vista deslumbrante sobre a cidade. Neste caso, a vista era melhor do que o som. Dizem que são herdeiras espirituais da Apogee, mas há ali algo que continua a não me convencer. Talvez um problema de fase, talvez uma secura estrutural, talvez uma artificialidade que não consigo ignorar. O som é interessante, sem dúvida, mas parece-me demasiado seco e pouco orgânico. Ainda não foi desta.

Viena. Vista sobre o Danúbio (azul).

Constellation Statement, com Wilson Audio Sasha V. O melhor som que ouvi em Viena. A imagem estereofónica era simplesmente deslumbrante: ampla, estável, focada, com uma autoridade rara. Nunca tinha ouvido umas Sasha V soarem assim, sobretudo no controlo absoluto do grave. O Pedro e a Leonor concordaram. Este é, de longe, o melhor amplificador que ouvi da Constellation — e um dos melhores que ouvi em qualquer lugar. Custa uma fortuna, mas eu não paguei nada para ouvir...

ELAC Concentro 809 — 100.º aniversário. A ELAC comemorou 100 anos. E de que maneira. As novas Concentro 809 Anniversary impunham-se pela presença e pela escala, mas também pela forma como desenhavam um palco sonoro amplo, estável e bem organizado. Uma celebração com substância, não apenas com velas no bolo.

Electrocompaniet com TAD. Boa escolha da Electrocompaniet: TAD. O resultado foi um som musical, coerente e agradável, daqueles que não precisam de gritar para se fazer ouvir. Havia equilíbrio, fluidez e uma sensação de conforto auditivo que, no meio do bulício da feira, é sempre de agradecer.

ESD Acoustic Super Dragon. Finalmente, consegui ouvir as ESD sem sair ao primeiro acorde. Tanto que voltei no dia seguinte para tirar uma fotografia com elas, só para terem uma ideia do tamanho desta monstruosidade.. Poder. Dinâmica. Escala. Extensão de grave até ao centro da Terra. A entrada abrupta de uma polka de Strauss fez-nos dar um salto na cadeira. Literalmente. Há sistemas que impressionam; este, quando quer, ataca. Como o Bruce Lee...

ESD Dragon

Franco Serblin. Um oásis de sanidade musical. No meio de tanta demonstração concebida para esmagar o visitante, a Franco Serblin voltou a lembrar que a beleza sonora também pode ser uma forma de moderação. Sem excesso, sem exibicionismo, sem necessidade de provar nada a ninguém.

Göbel Divin. Não é exactamente a minha ideia de divino. Mas lá que tocam bem, isso tocam. Há ali escala, limpeza, autoridade e uma capacidade evidente de encher a sala sem perder compostura. Faltou-me talvez emoção, ou intimidade, ou aquela centelha que transforma a competência em memória.

Goldmund Gaia. Nunca as tinha ouvido. O som pareceu-me neutro, cheio, algo escuro — mas um escuro carregado de informação, como nos quadros de Rembrandt ou de Caravaggio. Não era obscuridade por falta de luz; era antes uma densidade tonal, uma sombra rica, onde os detalhes surgiam sem se denunciarem.

Innuos, com amplificação EMM e fonte Nazaré. Outro refúgio de sanidade musical, embalado pelas ondas gigantes da Nazaré. A apresentação tinha calma, organização e uma naturalidade que não procurava impressionar pela força bruta. Voltaremos à Innuos na reportagem exclusiva da Ajasom.

Summit Everest. Cento e sessenta mil dólares para tocar música de discoteca. Ouvimos The Future Is Unknown a níveis capazes de parar a digestão. Não foi uma audição: foi uma experiência física. Podem ouvir uma amostra no nosso Day Two Video Highlights no YouTube.

Kharma Enigma Veyron EV-1D. Classe pura. No design, no som e no ambiente. A Kharma sabe criar uma atmosfera própria, entre o luxo silencioso e a engenharia de precisão. Nada parecia deslocado. Tudo respirava exclusividade, mas sem cair no excesso vulgar.

Klipsch The Fives, The Sevens e The Nines ativas. Fantástica demonstração de poder, que gravámos para a posteridade. Com som de cinema, estas colunas agigantam-se. Literalmente. Há nelas uma energia direta, quase física, que faz esquecer as dimensões reais e coloca a sala em modo grande ecrã. Dizer que ficámos impressionados, é pouco.

Kroma Maribel, com amplificação Engström Eric Encore e fontes Wadax e Kuzma. Gostei mais de ouvir as Callas em Munique. Aqui, pareceu-me que o som estava demasiado alto e que as Maribel talvez sejam carga a mais para os Engström a válvulas. A sala, fora do ACV, era enorme e estava praticamente vazia, o que também não ajudou. Ficou a sensação de um sistema de qualidade evidente, mas aquém do seu verdadeiro potencial.

Linn Klimax DSM, Linn 360 e monoblocos Klimax Solo 800. A Linn apresentou o novo streamer Klimax DSM, a alimentar as colunas Linn 360 com monoblocos Klimax Solo 800. No entanto, não conseguiu atingir o mesmo nível de qualidade sonora que ouvimos em Munique. Sala? Seleção musical? Ambas, digo eu. A competência estava lá, mas faltou a magia.

Magico S7. Trouxeram tratamento acústico consigo, mas não foi suficiente. A sala tinha anca larga e bunda grande — e isso ouvia-se. Ainda assim, havia ali um som de grande qualidade, com a precisão e a densidade que se esperam da Magico. Apenas não completamente livre das amarras do espaço.

MBL 101 X-treme MkIII. As incríveis MBL 101 X-treme, agora em versão MkIII. Não sei exatamente qual foi o upgrade, mas não se perdia nada se tivessem tido mais cuidado na seleção musical. Não que as MBL não possam tocar rock. Podem. Mas o som estava tão alto que deitava chispas. O distribuidor austríaco precisa de falar com o distribuidor alemão para aprender como se faz. Ou com a Ajasom.

PMC e Dominique Fils-Aimé. Uma hora de paz budista no meio do bulício da feira. Dominique Fils-Aimé apresentou o seu último disco, gravado em Atmos multicanal. Antes de cada faixa explicou o seu processo de criação. Foi um daqueles momentos em que a música volta a ocupar o centro da conversa, sem ruído promocional à volta. Gravámos parte da apresentação, que será publicada na reportagem exclusiva da Ajasom.

ProAc Response DB1R. Um leitor pediu-nos para as ouvir. E nós cumprimos. A Response DB1 existe em duas versões: a DB1D, com tweeter de cúpula de seda, e a DB1R, com tweeter de fita. Foi esta última que ouvimos. Para uma coluna de dimensões tão reduzidas, a escala é surpreendente. Há palco, há corpo e há uma capacidade invulgar de projectar som para lá da caixa. O agudo traz muita informação, talvez informação a mais para alguns ouvidos, sobretudo em salas menos controladas ou com electrónica mais incisiva. Quem preferir uma apresentação mais macia poderá optar pela versão com cúpula de seda. Mas a gama média e o grave impressionam: a DB1R não joga em bicos de pés, domina o meio-campo como o Vitinha — discreta, inteligente, tecnicamente irrepreensível e sempre no sítio certo.

Prodigio Audio Vitrola. As melhores colunas electrostáticas que ouvi em Viena. Um prodígio, sem dúvida. Abaixo dos 50 Hz há pouco ou nada, mas, no resto, soam praticamente perfeitas. É verdade que não foram demonstradas no ACV, beneficiando, por isso, de um ambiente mais calmo e menos contaminado pelo ruído da feira. São de origem húngara. Não faço ideia se são distribuídas em Portugal, mas deviam ser. Ainda por cima são bonitas e têm elevado WAF.

Soulution e Alsyvox Caravaggio. Má escolha de colunas. Mais umas 'fitas' que nunca me convenceram, mesmo com amplificação acima de qualquer suspeita. Talvez porque vivi demasiados anos com Apogee. Talvez porque continuo à espera daquele equilíbrio impossível entre transparência, escala e corpo. Aqui, a promessa foi maior do que a emoção.

TAD. Tal como a Audio Note, as TAD parecem soar bem em qualquer terreno. E, tal como as Franco Serblin, foram um dos meus locais de repouso — dos ouvidos, entenda-se. Há marcas que não precisam de espetáculo para nos prender. Basta-lhes tocar música.

T&W. Colunas planares sem filtro, compostas por 12 módulos. Eis uma das surpresas do show: tocavam música. Não apenas som, não apenas tecnologia, não apenas conceito. Música. E isso, numa feira de alta-fidelidade, continua a ser mais raro do que devia. Notei uma ligeira vibração num dos módulos, que não afetou o desempenho geral. Vicissitudes dos transportes aéreos...

Thyvan. Não faço a mínima ideia de quem são. Mas, para mim — e para o Pedro Henriques — estas colunas tinham o melhor tweeter que ouvimos em Viena. E não só o tweeter. Havia ali uma frescura, uma limpeza e uma capacidade de desaparecer que nos apanharam de surpresa. Uma daquelas salas onde se entra sem expectativas e se sai a tomar notas.

YG Acoustics Sonja 3.3, com amplificação Ypsilon. Havia várias salas com colunas YG Acoustics em Viena. Esta ficava fora do ACV, num hotel próximo, e juntava um par de Sonja 3.3 a uma verdadeira artilharia grega da Ypsilon. E que artilharia. A Sonja 3.3 tem pelo na venta: não se limita a desenhar a música com precisão cirúrgica, também a empurra para a sala com escala, autoridade e uma tensão dinâmica que prende a atenção. Há nela aquela mistura rara de elegância e músculo, como quem fala baixo mas não precisa de repetir. Um sistema de grande classe, a lembrar que a alta resolução só faz sentido quando vem acompanhada de vida, corpo e intenção musical. Mereciam melhor sala e seleção de faixas.

Western Electric. Cem anos depois, continuam a reproduzir música como muito poucas colunas modernas conseguem. Há aqui uma lição de humildade para a alta-fidelidade contemporânea: nem tudo o que é novo é necessariamente mais verdadeiro. Às vezes, o tempo não envelhece a tecnologia; apenas confirma a sua razão de existir.

dCS Varèse, SME, Dan D’Agostino e Wilson Audio XVX + Subsonics. Uma companhia de artilharia audiófila de três milhões de euros, mais coisa menos coisa. Quando entrei, pensei que ia ouvir as Autobiography. Talvez por isso tenha ficado um pouco desiludido. Grande som, sem dúvida: escala ampla e profunda, ataque, corpo, extensão do grave a ameaçar a acústica da sala, e aquela dinâmica e coerência tonal, que são a identidade da Wilson Audio. Mas não foi o som que gostei mais de ouvir em Viena. E nem sequer estou a falar de Vivaldi ao vivo. Um sistema destes não pode falhar durante uma audição. A Imacustica mantém o recorde do melhor som que ouvi de um sistema D’Agostino/Wilson. Que tal um workshop em Portugal para os distribuidores europeus?...

Wilson Audio Alexx V, com amplificação VTL. Há muito tempo que não ouvia uma reprodução tão realista de Frank Sinatra. Não era apenas a voz; era a presença, o peso do corpo, a respiração, a sala à sua volta. Temos o registo para prová-lo, e será publicado na reportagem exclusiva da Imacustica.


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