Editorial

JVH na HifiNews

Capa da revista HiFiNews, Julho 2015

Se acreditarmos em nós, um pouco que seja, podemos ser tão bons como os melhores. Não apenas eu, mas todos os Portugueses a quem for dada a oportunidade de mostrar o que valem, em todas as áreas de actividade. Por vezes, o nome e a origem atrapalham um pouco, admito, sobretudo se formos avaliados com preconceito: lá pela lupa da xenofobia, cá pela inveja mesquinha.


O caso mais paradigmático é o de Roussado Pinto, que assinava as suas novelas policiais sob o pseudónimo Ross Pynn. E eu, jovem na altura, li-as quase todas, convencido de que ele era americano, até porque o espaço, o tempo e o modo da narrativa se desenrolavam nos EUA, cujo ambiente social descrevia na perfeição sem nunca ter visitado aquele país – eu pelo menos já terei lá ido uma 50 vezes, mas nem por isso os conheço melhor.


Roussado também escrevia fotonovelas, então muito na moda, assinando Edgar Caygill, com enorme sucesso, que nunca teve com o nome de baptismo.


Eu sempre assinei o meu nome, aka JVH para abreviar. Foi assim, quando em 1983 iniciei a minha carreira no CM (Suplemento Êxito), e continuou a ser quando aceitei o convite de João de Barros para escrever crítica áudio na Imasom, num Portugal ávido de conhecimento sobre hifi, que só nos chegava via Reino Unido: Hifi Answers, HiFi Choice, HiFi News…, pois eram poucos os que liam a Stereophile e a TAS, então ainda em formato de bolso.


Admito que me senti tentado a assinar Joe Henry só para ver a reacção dos 'suspeitos do costume' para quem o que vem 'lá de fora' é que é bom, na música como em tudo o resto. Mas nunca cedi à tentação. Seguiu-se a Audio, o Público e o DN, este durante 15 anos, no qual publiquei alguns dos meus melhores textos de temática audiófila, com incursões esporádicas na HIFiNews, à época dirigida por John Atkinson, e depois na Stereophile, para onde John entretanto transitou. A história é conhecida, pois já a contei aqui.


No Hificlube, que faz 15 anos, no dia 09 de Julho, o dilema era outro: publicar os artigos em português ou em inglês: that is the question? Sendo a língua franca do mundo, o inglês vai mais longe na compreensão universal, embora haja quem opte pelas ‘traiçoeiras’ traduções da Google: o Hificlube é, portanto, (mal) lido em 130 países, incluindo o Vaticano (espero que seja o Papa Francisco, pode ser que me abençoe…).


Optámos assim pelo Português, embora a página tenha sido programada para ambas as versões, porque uma das mais-valias do Hificlube era a qualidade da escrita, muito elogiada pelos leitores. A verdade, contudo, é que sempre que publico artigos originais ou reportagens em inglês as pageviews aumentam exponencialmente. A maior parte no estrangeiro, admito.


E logo os distribuidores se queixam que o objectivo é penetrar no nosso mercado, com o apoio da nossa língua, que é onde vendem os seus produtos. Muitas vezes os mesmos que gostam de exibir as medalhas da What Hifi. Ou que gabam as virtudes da Mono&Stereo ou da Six Moons que, tal como Ross Pynn, não são americanas, ao contrário do que pensam.


A primeira é eslovena e a segunda é suiça, e é assim uma espécie de sociedade das nações: Holanda, Polónia, Rússia, Austrália, Canadá – e também EUA - cujo editor principal Srajan Ebaen é um alemão, de origem croata, naturalizado americano. O único elo de ligação é a língua inglesa. Defender o que é nosso tem custos, só por isso o Hificlube continua a ser uma revista de um país periférico onde se continua teimosamente a escrever em Português. Por quanto tempo mais? Será que vale a pena?

A verdade é que uma crítica de JVH publicada na HifiNews, em inglês, parece ter mais ‘sabor’ ou ‘aroma’, a avaliar pelas reacções positivas, quando o autor é exactamente o mesmo que escreve no Hificlube e assina José Victor Henriques. Tal como na alta perfumaria, o frasco parece ser tão ou mais importante que o conteúdo e o autor…


Em baixo, podem abrir na página da Absolut Sounds-UK versões em pdf de dois artigos que publiquei recentemente na Hifi News. Em inglês, claro, what else? Como experiência foi interessante, e é a prova de que ‘tudo vale a pena quando a alma não é pequena’. Yes, we can!


Agora é tempo de zarpar para outras paragens, navegando sempre na caravela do Hificlube, com a Cruz de Cristo nas velas, guiado pela língua portuguesa, que é a minha pátria, dando novos mundos ao mundo. Eu não procuro os escolhos, são eles que se atravessam no meu caminho…


Como os navegadores de antanho, aportei brevemente numa ilha editorial no meio do vasto oceano do hifi. Adaptei-me depressa aos costumes, à cultura e à língua, mas volto sempre a este cantinho à beira mal plantado. Não pretendo colonizar ninguém, mas também não me deixo colonizar por quem sofre de tiques imperialistas retrógados.


Nota: por motivo de copyright da HiFiNews&RR, apenas é indicado o link para o sítio da Absolut Sounds que negociou com a revista os direitos de publicação online.


AUDIO RESEARCH GS PRE/150 in HifiNews Jan 2015


http://www.absolutesounds.com/pdf/main/press/HFNARC%20G%20Series1214.pdf


CONSTELLATION INSPIRATION PRE/STEREO 1.0 in Hifi News Jul 2015 


http://www.absolutesounds.com/pdf/main/press/CO_InspirAMP_HFN_July15.pdf


 


  

Capa da revista HiFiNews, Julho 2015