Editorial

Música é mais que som



“Without music, life would be a mistake.” Friedrich Nietzsche, Twilight of the Idols, Or, How to Philosophize With the Hammer


“One good thing about music, when it hits you, you feel no pain.” Bob Marley


“Music expresses that which cannot be put into words and that which cannot remain silent”Victor Hugo


“Those who dance are considered insane by those who cannot hear the music.” George Carlin


“If I were not a physicist, I would probably be a musician. I often think in music. I live my daydreams in music. I see my life in terms of music.”Albert Einstein


“After silence, that which comes nearest to expressing the inexpressible is music.”Aldous Huxley, Music at Night and Other Essays


“We are the music makers, and we are the dreamers of dreams.” Arthur O'Shaughnessy, Poems of Arthur O'Shaughnessy


Enfim, podiamos estar aqui todo o dia a reproduzir citações sobre música. Basta ir ao Google: estão lá aos milhares. O que se pode concluir desta simples amostra é que música é mais que som, e cada um vive-a à sua maneira, de acordo com as emoções, os sentimentos, as reacções que nele/a desperta.


A audiofilia é o culto da reprodução do que está para além do som que a ciência nos quer convencer que temos capacidade de ouvir, dentro dos limites que ela própria estabelece.


A polémica entre os objectivistas e os subjectivistas é antiga, e pode ser abordada por vários prismas: o dos cabos, por exemplo.


Há quem garanta que os cabos são a maior fraude do hifi. Até um cabide de arame esticado serve para transmitir o sinal eléctrico entre amplificador e colunas de som. As fortunas que se pedem por um metro de cabo composto por filamentos de cobre ou prata (ou ambos) “enfeitado” por revestimentos fantasistas é para a “ciência” um caso de polícia.


Contudo, há quem jure que o cabo tal ou tal lhe permite “ouvir” coisas, que estão muito para além do som que os computadores “ouvem” num laboratório. E quem diz cabos, diz válvulas, tipos de transdutores exóticos ou amplificadores famosos e caros. É um facto que muitas destas “diferenças” desaparecem num texto cego, uma experiência que nos levaria a outra discussão ainda mais polémica..


Mas e se eu lhe disser que os sons que compõem a música só fazem sentido quando ouvidos por todo o nosso ser, na sua integralidade, corpo e alma, “with eyes wide shut”, como no filme de Kubrik?


Há sistemas de som que “mexem connosco” e outros não, mesmo quando a “ciência” nos diz que são exactamente iguais, quer custem 100 ou 100 mil.


Porquê?


Porque nós somos todos humanos, mas nem por isso mais iguais, pois não “vibramos” à mesma frequência: depende da densidade óssea e da textura e peso dos orgãos internos, até da pressão arterial e do tipo de sangue. E da alma: que inclui a cultura e a sensibilidade; a dedicação e a disponibilidade; a experiência e a vivência.


Sabia que os pedais dos grandes orgãos de catedral reproduzem notas com frequências de 18Hz, porque o globo ocular tem uma frequência de ressonância de 19Hz e a visão se turva dando a sensação de êxtase ao ouvinte? Há quem afirme ter visto anjos pairando ao ouvir Bach numa igreja, e quem jure ter pairado com eles cantando hossanas...


E quando muitos pensavam que os audiófilos, que “ouvem o inaudível”, não passam afinal de maníaco-depressivos, obcecados por um hobby caro e sem remissão, porque se baseia numa ilusão, eis que a mesma ciência que os oprime provou:


- que é possível fazer levitar objectos reais com...sons!


- que cada frequência pode gravar no corpo e na alma um desenho diferente.


Ora, já podemos dizer com propriedade que os sistemas de som podem ser todos iguais mas há sistemas de som que desenham melhor que outros, têm um traço mais preciso ou, por outro lado, mais arte na pintura que fazem da realidade...


Ao fim de 30 anos de audiofilia aguda, eu estou “tatuado”, por dentro e por fora, dos pés à cabeça!


Nota: Escrevi isto a ouvir a ouvir uma Cantata de Bach gravada em DSD. Só agora que acabou, me dei conta que estive este tempo todo sentado. Era capaz de jurar que tinha levitado...


VIDEOS


Argonne National Laboratory

Three-Dimensional Mid-Air Acoustic Manipulation (Acoustic Levitation)

Experiências de efeitos de ressonância a diferentes frequências