Editorial

Regresso ao Ground Zero

Quando as Torres Gémeas ainda faziam parte da paisagem de NY. (Maio 2001)

Em Setembro de 2002, publiquei no DNA o texto abaixo, sob o título ‘Ground Zero’ cuja actualidade infelizmente se mantém, face aos acontecimentos recentes em Paris. Em 2015, regresso ao ‘ground zero para ver com os meus olhos e registar com a minha câmara a forma como a imaginação e a esperança, que eu vaticinara então, sararam as chagas do terror.

Ground Zero, NY Maio de 2002: onde antes estavam as Torres Gémeas, o vazio do terror, da angústia e da incredulidade. E também a esperança e a gratidão.

Ground Zero, NY Maio de 2002: onde antes estavam as Torres Gémeas, o vazio do terror, da angústia e da incredulidade. E também a esperança e a gratidão.

Vi as torres desmoronarem-se na televisão como um castelo de cartas, que a CNN baralhou e deu de novo, uma, duas, mil vezes, como se, à custa de ser repetida, a insuportável verdade se pudesse tornar mentira. Senti um desejo irreprimível, quase doentio, de ver para crer.


Lancei-me ao rio de pessoas, que percorriam em silenciosa peregrinação a via dolorosa de Fulton Street, para assim chegar mais perto do local do sacrifício ritual. Há flores, T-shirts com dedicatórias, fotografias e inscrições mil nas paredes e vedações. E lágrimas nos corações. Que as dos olhos secaram como as fontes de NY, por força do plano de poupança de água, como se a cidade também já não tivesse lágrimas para chorar por mais alguém. E há no ar um cheiro acre, que passados oito meses ainda nos arranha a garganta. Ou será da raiva? 


‘We will never forget’, lê-se num dos muitos cartazes.


 Como foi possível duas torres feridas de morte resistirem de pé até ao limite para caírem depois exangues sobre si próprias do alto dos seus mais de cem andares, sem arrastar consigo os prédios vizinhos? É a pergunta que nos assalta perante esta visão do inferno. Das torres já nada resta, pelo que são estes prédios, hoje vazios, que delimitam o palco da tragédia aos olhos dos visitantes; o inimaginável holocausto vivido por uma cidade que sempre soube receber no seu seio todas as raças, todos os credos, todas as culturas.


Em oito meses de escavações, foram removidas milhões de toneladas de escombros e, segundo as estatísticas, quase dois mil corpos queimados, estropiados, dilacerados, além de 20.000 (!) pedaços de outros que não foi possível identificar: judeus? árabes? negros? brancos?, todos alegadamente sacrificados em nome de Alá. Um Deus que, como o nosso, manda pregar o amor, a paz e a compreensão entre os homens. 


Pode haver muitas ideias de Deus; do Diabo só conheço uma: é a personificação do Mal. E esta chacina só pode ter sido obra sua. Por isso rezei: Pai nosso, que estais no Céu, livrai-nos do mal. Amén.’

Nave central da Igreja de St.Patrick, na 5ªAv em NY.

Nave central da Igreja de St.Patrick, na 5ªAv em NY.

Regresso ao ’Ground Zero’


No local exacto onde antes se erguiam as Torres Gémeas, foi construindo o ‘9/11 Memorial’, composto por duas enormes cascatas rectangulares em granito negro, inseridas num jardim de carvalhos, cujas folhas caídas no Outono formam um tapete fofo para os milhares de visitantes, e renascem todas as Primaveras, vestindo-se de verde que simboliza a esperança na redenção.


 

Do mesmo modo, a água que cai em permanência para dentro de um buraco negro no centro das maiores cascatas construídas pelo homem é de novo recuperada para voltar a cair - um movimento perpétuo, que simboliza a vida eterna.


A actual única torre gigante do World Trade Center, também conhecida como Freedom Tower, ergue-se agora ali, de novo imponente e desafiadora, qual sentinela atenta, sinalizando o local ao longe e protegendo de perto o conjunto arquitectónico de que faz parte ainda um Museu.


Quando tirei esta foto, vi de súbito um avião sobrevoá-la, que ficou registado na imagem, e senti um frémito misto de angústia e medo. Pensei que o sobrevoo da área estava proibido, afinal não está. E se…

Um avião comercial sobrevoando a torre do WTC1 traz-nos à memória acontecimentos terríveis.

Um avião comercial sobrevoando a torre do WTC1 traz-nos à memória acontecimentos terríveis.

No murete de protecção, estão gravados os nomes de todos os que tombaram em cada uma das torres, e ainda hoje se fazem homenagens, colocando-se uma rosa branca singela sobre o nome de um ente querido.

Uma rosa branca singela em memória de um nome entre 3000: Jeffrey Mark Dingle.

Uma rosa branca singela em memória de um nome entre 3000: Jeffrey Mark Dingle.

Em redor do memorial, a vida continua: dezenas de angariadores andam por ali à caça de turistas para excursões, enquanto os esquilos furtivos brincam no relvado do cemitério da Saint Paul’s Chapel, um monumento de séc. XVIII que, estando situada a pouco mais de 200 metros do ground zero escapou incólume da derrocada trágica, como por milagre.

O pequeno esquilo procura comida no relvado do cemitério, indiferente aos turistas que disparam sobre tudo o que mexe...

O pequeno esquilo procura comida no relvado do cemitério, indiferente aos turistas que disparam sobre tudo o que mexe...

A natureza encontra sempre forma de resistir ao mal que lhe tentam inflingir.

A natureza encontra sempre forma de resistir ao mal que lhe tentam inflingir.

As montras da 5ªAvenida

As avenidas de NY preparam-se já para a chegada do Natal

As avenidas de NY preparam-se já para a chegada do Natal

Entretanto, na festiva 5ªAvenida fazem-se os preparativos para o Natal, e as montras são em si um espectáculo de rua gratuito para os turistas, já que as compras, com o dólar perto de atingir a paridade com o euro, se limitam a meia-dúzia de bugigangas para as crianças.

Aliás, a roupa que se vende por lá é tão feita na China como a que se vende por cá. E convém ver também os preços nos menus dos restaurantes antes de entrar para evitar surpresas desagradáveis.

WOM, a grande montra do hifi de luxo em NY (ver reportagem em Artigos Relacionados)

WOM, a grande montra do hifi de luxo em NY (ver reportagem em Artigos Relacionados)

Neste contexto, a WOM Townhouse, no Soho, passa a ser uma visita obrigatória para todos os audiófilos que passem por NY (ver reportagem integral, seguindo os links abaixo). Só não se esqueça da marcação prévia, porque tal como nos restaurantes da moda, a lista de espera é longa…


Hifi and the City Episode 1: Luxury audio as guest star


http://www.hificlube.net/pt/artigos/noticias/world-of-mcintosh-new-york.aspx


Hifi and the City Episode 2: a special press conference with collective presentations of new products at the WOM Townhouse


http://www.hificlube.net/pt/artigos/noticias/world-of-mcintosh-new-york-episode-two.aspx


Hifi and the City - Episode 3 (and last): Eat, Listen and Love


http://www.hificlube.net/pt/artigos/noticias/world-of-mcintosh-new-york-episode-three.aspx

Quando as Torres Gémeas ainda faziam parte da paisagem de NY. (Maio 2001)

Ground Zero, NY Maio de 2002: onde antes estavam as Torres Gémeas, o vazio do terror, da angústia e da incredulidade. E também a esperança e a gratidão.

Nave central da Igreja de St.Patrick, na 5ªAv em NY.

Um avião comercial sobrevoando a torre do WTC1 traz-nos à memória acontecimentos terríveis.

Uma rosa branca singela em memória de um nome entre 3000: Jeffrey Mark Dingle.

O pequeno esquilo procura comida no relvado do cemitério, indiferente aos turistas que disparam sobre tudo o que mexe...

A natureza encontra sempre forma de resistir ao mal que lhe tentam inflingir.

As avenidas de NY preparam-se já para a chegada do Natal

WOM, a grande montra do hifi de luxo em NY (ver reportagem em Artigos Relacionados)