'Tour' das marcas ESOTERICO/SMARTAUDIO em exibição/demonstração no High End 2026, em Viena: Canor, Cyrus, Denon, Dual, Dynaudio, Electrocompaniet, iFI, Klipsch (com vídeo de live demo) e Pro-Ject.
CANOR
Virtus I4S e o DAC Verto D4S, com colunas EPOS ES28
A CANOR foi uma das boas surpresas no ACV: uma sala sem tiques de grandeza, mas com muita substância. A marca eslovaca apresentou a nova eletrónica Foundation Line, com o integrado Virtus I4S e o DAC Verto D4S, ambos com construção discreta e aquela estética sóbria, com vidros fumados e comandos táteis, que já começa a ser uma assinatura visual da casa.
DAC Verto D4S
Virtus I4S e o
Em demonstração, a combinação EPOS ES28 / CANOR i4s / DAC D4S mostrou uma abordagem muito direta: menos fogo-de-artifício, mais música. Havia ainda um segundo sistema com as FinkTeam SPOT e amplificação CANOR A3, confirmando que a CANOR não foi a Viena apenas para aparecer; foi para se fazer ouvir.
CANOR A3 com colunas Fink SPOT
A atividade da sala não se esgotou na audição principal. À porta, em modo estático, a CANOR mostrava também o prévio de phono Asterion V3, o DAC Verto D3 com controlo de volume, o pequeno mas ambicioso Crius H5S — amplificador de auscultadores, DAC e pré-amplificador, e ainda o protótipo do transporte de CD Gaia C40, previsto para 2027.
Canor. Exposição exterior. Asterion V3 e DAC Verto D3
Crius H5S
Ou seja: a CANOR não levou apenas produtos avulsos. Levou uma declaração de princípios.
CYRUS
Sala da Cyrus/Neat
A Cyrus apresentou-se em Viena com o 80 AMP, um amplificador de formato standard, deixando para trás a identidade de meia-largura, que a caracterizou durante décadas.
Cyrus 80 AMP
O 80 AMP é uma mudança importante para a Cyrus: 150 W por canal em Classe A/B, DAC ESS Sabre, BluOS, entradas digitais, analógicas, HDMI eARC, phono MM/MC, USB-B, XLR, saída de pré-amplificador e amplificador de auscultadores. Ou seja, não é apenas um amplificador integrado; é uma tentativa séria de concentrar num só chassis tudo aquilo que hoje se exige na eletrónica contemporânea.
DENON
Denon: exposição histórica
Num espaço dedicado ao universo HARMAN/Sound United, a Denon mostrou o passado e o futuro. Estavam lá muitos dos aparelhos que testei ao longo da minha já longa carreira, embora não tão longa como a da centenária marca japonesa.
Denon AVC A1H
Ao lado de um AVC-A1H aberto, quase em pose anatómica, para revelar o orgulho da engenharia da Denon do passado, a marca mostrou também a nova visão do caminho que pretende trilhar no futuro. E essa aposta mostra bem a importância que a Harman lhe confere no novo ecossistema de marcas, que inclui a Marantz.
Denon New Design Language
Denon New Design Language
Não eram propriamente novos modelos comerciais. Eram antes mock-ups conceptuais, objetos de estudo, ensaios de uma nova linguagem de design em gestação: superfícies claras, comandos reduzidos ao essencial, iluminação discreta e uma apresentação mais tátil, mais serena, mais integrada no ambiente doméstico, sob a designação geral Material Mastery.
Denon Material Mastery
Se o AVC-A1H aberto mostrava o velho orgulho da engenharia — dissipadores, placas, transformador e organização interna —, estes mock-ups mostravam outra ambição: a de fazer a tecnologia desaparecer visualmente, sem perder a sua identidade.
Aparentemente, ainda não são produtos acabados. É apenas a Denon a dizer-nos em voz baixa: é por aqui que queremos ir. O Pedro Henriques e eu achamos que estão no caminho certo.
DUAL
A Dual levou a Viena uma daquelas ideias que parecem simples até percebermos que são raras: um gira-discos automático com ambições sérias.
Dual CS629Q
O protótipo CS 629Q recupera a memória dos famosos Dual de tração direta e de operação automática, mas coloca-a no século XXI com controlo por aplicação, Bluetooth, seleção eletrónica de velocidades e função de pausa.
Dual CS 718Q
Não é apenas nostalgia bem embalada. É uma proposta curiosa para quem gosta de vinil e não tem vergonha de o reproduzir com conforto moderno. Um gira-discos que não obriga o utilizador a escolher entre o ritual e a comodidade. E isso, num mercado por vezes demasiado obcecado pelo purismo cenográfico, até tem a sua graça.
O lançamento está previsto para 2027 e, segundo algumas fontes, o preço avançado ronda os 1.800 euros.
A marca mostrou ainda o novo CS 718Q (foto acima).
DYNAUDIO
A Dynaudio não levou apenas as colunas para Viena; instalou-as num ambiente de floresta tropical japonesa. E já vamos ver por quê.
Dynaudio Symphony Opus One
O centro visual e conceptual foi a Symphony Opus One, um sistema imersivo de 186 cm de largura, 24 altifalantes, 1500 W de amplificação digital, processamento espacial próprio e grelha com 72 lâminas móveis de carvalho japonês.
É uma soundbar?
Tecnicamente, talvez. Mas a palavra ‘soundbar’ é curta para descrever um objeto que parece mais uma peça de decoração para casas onde o televisor já é mobiliário e o som não tem de pedir desculpa por existir e ser fundamental para o pleno usufruto da imagem.
Dynaudio Confidence 20i, 30i e 50i
A segunda frente foi a antevisão da nova geração Confidence i, com três modelos anunciados — Confidence 20i, 30i e 50i — e alterações importantes: novo tweeter Esotar 3i, nova lente DDC e crossover revisto.
A evolução parece discreta por fora, mas a marca dinamarquesa mexeu onde mais importa: tweeter Esotar 3i, nova lente DDC, waveguide específico para a 20i e crossover profundamente revisto.
Dynaudio, The Bookshelf
Dynaudio The Bookshelf, desenhada em Tóquio por Keiji Ashizawa, construída na zona de Gifu, no Japão, com madeira laminada trabalhada à mão, e depois afinada pela Dynaudio na Dinamarca. Tweeter Esotar 3 sem parafusos visíveis, médio-grave MSP de 18 cm e uma caixa com rebordos escultóricos que parece feita para ser tocada antes mesmo de ser ouvida.
Na prática, a Dynaudio apresentou duas leituras diferentes do futuro: uma para o high-end doméstico integrado e imersivo; outra para o audiófilo clássico que ainda se senta no sweet spot no escuro e espera que as colunas e a sala desapareçam de vez.
ELECTROCOMPANIET
A Electrocompaniet apareceu em Viena com a solenidade discreta dos noruegueses. Sem gritar. Sem encenar demais. Apenas com aquela segurança de quem sabe o que anda a fazer há muito tempo.
Sala da Electrocompaniet, com colunas TAD.
A estrela foi o novo pré-amplificador de referência EC 5, colocado no centro de um sistema composto por monoblocos AW 800 M e AW 300 M, o leitor de CD EMC 1 MKV, o streamer/DAC ECM 1 MKII e as colunas TAD-ME1TX, com cablagem AudioQuest.
O EC 5 é uma peça de topologia totalmente discreta, dual-mono, em Classe A, pensada menos para impressionar com funções e mais para desaparecer do sinal. É essa a velha ambição da Electrocompaniet: fazer eletrónica com peso, silêncio e continuidade musical, sem imposição. Agora levada a uma escala de referência.
A sala funcionou como sala de audição e demonstração de sistema completo, mais do que como simples montra de novidades.
Aliás, o EC 5 já nos tinha sido mostrado pelo seu criador em Munique 2025 — veja o vídeo acima.
iFi
A iFi esteve no seu habitat natural: no World of Headphones, onde o high-end cabe numa mochila, num bolso ou sobre a secretária.
A novidade da iFI Audio: iDSD GR2 DAC portátil
A grande novidade foi o iDSD GR 2, sucessor espiritual do xDSD Gryphon: DAC/amplificador portátil com novo chip Burr-Brown PCM1795, ecrã OLED tátil, Nexis, Bluetooth lossless, tecnologia K2HD da JVCKENWOOD e potência aumentada.
Mas a iFi não se ficou pelo portátil 'sexy'. Mostrou também o GO link Max 2 e acessórios dedicados, como a MagCase e a bolsa para o GR 2.
Relembro ainda a presença da família SilentPower, incluindo cabos de alimentação ativos. A marca continua a ocupar um espaço curioso: entre o audiófilo de secretária, o utilizador móvel exigente e o entusiasta que acredita que a alimentação elétrica também se ouve.
E não se ouve? Ouve-se, pois...
KLIPSCH
A Klipsch chegou a Viena em modo de aniversário. E quando a Klipsch celebra 80 anos, tem de haver festa.
E houve, pois.
Klipschorn 80th Anniversary Limited Edition
A peça simbólica foi a Klipschorn 80th Anniversary Limited Edition, limitada a 280 pares, com acabamento em Tigerwood, crossover ativo externo e uma releitura moderna do conceito original de Paul W. Klipsch. É uma coluna que pertence tanto à história do hi-fi como à liturgia americana do som grande, frontal e sem complexos.
Colunas ativas: The Fives II, The Sevens II e The Nines
Mas a sala não viveu só do monumento. A marca mostrou também as ativas The Fives II, The Sevens II e The Nines II, agora com eletrónica desenvolvida pela Onkyo, integração com Dolby Atmos e, nos modelos superiores, com Dirac Live.
Assisti à demonstração completa das Klipsch ativas, com música e som Atmos de cinema. O que vos posso dizer é simples: não são apenas colunas ativas — são explosivas. Por motivos de copyright, limitámos as faixas de música ao mínimo, assim como a experiência cinematográfica, mas garanto-vos que, quando assistirem a uma demonstração ao vivo, na Esoterico/Smartaudio vão ficar tão impressionados como nós.
KLIPSCH ACTIVE FIVES – SEVENS – NINES LIVE DEMONSTRATION
Houve ainda o regresso da Klipsch ao universo dos auscultadores com a série Atlas, incluindo os HP-2 e HP-3, previstos para a Europa no outono de 2026.
Klipsch Atlas Headphones
Foi, portanto, um ano de celebração e reinvenção: o passado na madeira nobre e na corneta; o presente nas colunas ativas; e o futuro na cabeça — literalmente, com auscultadores.
LAB12
LAB12 - Stratos Vichos
Passámos pela LAB12, onde estivemos à conversa com Stratos Vichos, que nos disse que a LAB12 não tinha, e cito, nada de novo, além dos cabos de potência, que eu, aliás, já estou a utilizar no meu ‘Mighty’, e no meio do bulício natural da feira, por qualquer motivo técnico, não fizemos a habitual gravação, no auditório improvisado da LAB12.
LAB12 - Novos cabos de potência
O sistema era composto pelo LAB12 Integre4 Mk2 Toroid como amplificador integrado, o LAB12 DAC1 Reference, o condicionador de corrente Gordian e cablagem própria LAB12 Connection Series. A fonte digital era um HiFi Rose RS130, as colunas eram as Sonus Faber Sonetto VIII G2 e o rack era um Solidsteel SC-5.
LAB12 Integré 4 Mk2 Toroid
O Integre4 Mk2 Toroid não é uma estreia absoluta de Viena: foi anunciado em 2024 como evolução do integrado LAB12, com 65 W por canal, arquitetura dual-mono, dois transformadores toroidais, KT150 de origem, compatibilidade com EL34, 6550, KT88 e KT120, sistema de bias integrado e ecrã OLED. Portanto, em Viena foi sobretudo uma demonstração de maturidade da versão MkII, não um lançamento mundial.
PRO-JECT
A feira da Pro-Ject
A Pro-Ject jogava em casa — ou quase, já que Viena fica a curta distância do seu universo industrial. No grande espaço do Level -2, a marca austríaca montou uma verdadeira feira dentro da feira: gira-discos Pro-Ject, E.A.T. e Verdier, braços Graham Engineering, eletrónica Musical Fidelity, colunas Guru e uma constelação de soluções compactas para quem ainda acredita que o vinil pode conviver com streaming, lifestyle e bom humor.
Destaca-se também o regresso da estética minimalista da série RPM, com os novos modelos RPM 1 Pro e RPM 3 Pro. Havia ainda várias edições especiais e artísticas, numa demonstração mais de cultura analógica do que de simples comércio, nomeadamente as novas edições limitadas Scorpions e Harley-Davidson.
RPM 1 Pro
Entre os destaques estavam assim os novos RPM 1 Pro e RPM 3 Pro, o vistoso Pro-Ject x Harley-Davidson (ver capa), a Scorpions Artist Collection, o RPM 6 Final Edition e a reedição da mítica La Platine Verdier, ressuscitada por Heinz Lichtenegger.
Pro-Ject Scorpions
A Pro-Ject fez aquilo que sabe fazer melhor: transformar o universo do vinil numa pequena cidade. Uma cidade com gira-discos, acessórios, edições especiais, novas linhas, música ao vivo e aquele ambiente de abundância analógica que, nos grandes certames, só Heinz Lichtenegger consegue montar sem perder o sentido comercial da coisa.
A grande surpresa analógica foi, porém, o Pro-Ject Debut Reference 12: o primeiro Debut com braço de 12 polegadas, uma espécie de democratização muito austríaca de soluções que, até há poucos anos, pertenciam quase exclusivamente ao território high-end.
Pro-Ject Debut Reference 12
Pre BOX RS2 Analogue - Amp BOX RS2
Entre o que também nos chamou a atenção esteve a nova eletrónica compacta: a Stream Box E e a Wireless Box E, ambas dentro do ecossistema streaming/multiroom da Pro-Ject, com base WiiM OS. A Stream Box E funciona como streamer/pré-amplificador digital compacto; a Wireless Box E permite levar sinal sem fios a colunas passivas.
O Hificlube já recebeu amostras de teste há algum tempo. Mas a análise foi interrompida pela reportagem da HIGH END 2026. Vão ter de esperar um pouco mais.
Pre BOX RS2 Digital - CD Box RS2 Tube - DAC BOX RS2
E depois havia a La Platine Verdier. Heinz Lichtenegger ressuscitou uma das lendas do vinil: prato de grande massa, suspensão magnética, motor externo, transmissão por fio e aquele aspeto industrial forte, feio e irresistível, a lembrar os Kuzma. O preço não tem nada de estilo Pro-Ject: 11.000 euros!
A Pro-Ject continua a provar uma coisa simples: o vinil já não é apenas uma fonte. É objeto, é ritual, coleção, decoração, memória e prazer tátil. E, em Viena, a marca jogou em todos esses tabuleiros simultaneamente.
La Platine Verdier: prato suspenso por efeito magnético.
A Pro-Ject também surgiu associada às colunas Guru e Tone, reforçando a ideia de um ecossistema completo: não apenas gira-discos, mas uma forma muito própria de viver o áudio.
Colunas GURU
Colunas TONE Factory













