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Editorial

Wilson Audio Autobiography: Um Segredo Mal Guardado

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Diz-se dos segredos que são coisas que se revelam a toda a gente, com a promessa de nunca os revelar a ninguém. Neste contexto, as Wilson Audio Autobiography foram o segredo mais mal guardado de sempre no mundo do áudio.

Em fevereiro, creio, recebi na caixa do correio um misterioso envelope negro classificado como ‘Confidencial’.

Lá dentro, vinha uma placa de acrílico, também negra, com um convite gravado a ouro, no qual a Wilson Audio me convidava amavelmente para assistir à apresentação das Autobiography, em Provo, no Utah, de 20 a 22 de abril, pedindo-me, cá está, para guardar segredo até informação em contrário – o que cumpri escrupulosamente.

Infelizmente, por razões pessoais, não me foi possível aceitar o amável convite para estar presente na ante-estreia das Autobiography, pelo que me mantive em silêncio, aguardando notícias.

Até que, no dia 22 de abril, fui informado de que alguém tinha quebrado o embargo, pelo que o Hificlube estava livre para revelar, urbi et orbe, toda a informação de que dispunha. E que acabou por ser publicada apenas no dia seguinte aqui, e no Facebook,claro, diretamente em inglês para evitar mais demoras. Nessa altura, as redes sociais já ferviam com vídeos, fotos e apresentações das Autobiography.

Não sei quem violou o embargo. Mas deu razão à ‘perceção’ de que jornalistas (e políticos) não são de fiar. 

Se calhar, esta quebra de sigilo até foi boa, porque todas as publicações, mesmo as que não tinham sido convidadas, correram a publicar tudo o que tinham disponível. Agora que a poeira assentou (vai levantar outra vez em Viena), aqui fica de novo a informação, agora em Português, já sem o selo de confidencialidade e novidade.

Autobiography: a escultura moderna que conta a história da Wilson Audio

As Autobiography são um projeto que transcende a simples noção de ‘coluna de referência’ para assumir o papel de manifesto tecnológico e emocional da marca fundada por David A. Wilson.

Concebidas como a expressão máxima de mais de 52 anos de investigação em alinhamento temporal, controlo de ressonâncias e reprodução musical de alta precisão, as Autobiography são hoje o modelo mais ambicioso alguma vez produzido pela empresa de Provo, Utah.

Com um preço anunciado nos Estados Unidos de 788 mil dólares por par (910 mil euros, em Portugal, se estiver interessado), as Autobiography posicionam-se acima das lendárias WAMM Master Chronosonic e Chronosonic XVX, inaugurando uma nova categoria na própria Wilson Audio.

São também as primeiras colunas ‘Statement’ totalmente desenvolvidas após o desaparecimento de David Wilson, em 2018, e o primeiro grande projeto de Daryl Wilson concebido para ultrapassar – mas não substituir – a era Chronosonic, ao mesmo tempo que a homenageia.

Visualmente, as Autobiography parecem esculturas cinéticas de precisão mecânica. A arquitetura é de cinco vias num arranjo M(MTM)M, combinando uma estrutura modular extremamente complexa com um novo sistema de alinhamento temporal mecânico que, segundo a Wilson, ultrapassa a precisão temporal alcançada pelas WAMM e XVX.

Cada módulo pode ser ajustado com extraordinária exatidão para garantir que todos os sons cheguem ao ouvido perfeitamente sincronizados, reduzindo o ‘smear’ (desfasamento) temporal e aumentando a coerência espacial e harmónica da reprodução.

O conjunto de altifalantes foi desenvolvido de raiz para este projeto. No centro, encontra-se o novo tweeter frontal CSLS (Convergent Synergy Laser Sintered), evolução direta da plataforma Convergent Synergy, agora com uma câmara traseira redesenhada e fabricada com técnicas avançadas de impressão e sinterização, destinada a dissipar energia interna e reduzir reflexões espúrias.

Nota: a sinterização é uma técnica metalúrgica que consiste em moldar peças sólidas a partir de pó metálico aquecido ligeiramente abaixo do ponto de fusão.

A gama média-alta utiliza dois altifalantes inéditos de 2 polegadas, concebidos para facilitar a integração do tweeter com os altifalantes de médios de maiores dimensões. Os dois médios PentaMag de 7 polegadas, agora equipados com cinco ímanes AlNiCo — em vez dos quatro usados na geração QuadraMag — que permitem dar ainda mais força ao motor, resultando em melhor linearidade e menor compressão dinâmica sob carga elevada.

Nas baixas frequências, a Wilson adotou dois woofers distintos, de 12 e 15 polegadas, desenvolvidos em simultâneo para atuarem como uma única entidade acústica. O sistema de carga permite alternar entre emissão frontal e traseira por meio de pórticos comutáveis, que modificam a resposta do binómio coluna/sala em cerca de 1,5 dB na faixa de 10 a 130 Hz.

Na traseira, existe ainda um tweeter de ambiência com cúpula invertida em fibra de carbono de grau aeroespacial, operando entre 6 kHz e 22 kHz, cuja intensidade pode ser regulada entre 0 e -40 dB para uma adaptação fina à acústica da sala e às preferências do utilizador.

Tal como seria de esperar de uma Wilson deste calibre, os crossovers são montados manualmente ponto a ponto, sem recurso a placas de circuito impresso, utilizando condensadores AudioCapX-WA de cobre e componentes internos Rel-Cap com tolerâncias de apenas 0,2%.

A construção recorre também à totalidade do arsenal de materiais exclusivos da Wilson — H-Material, V-Material e X-Material — complementados por fibra de carbono, alumínio aeronáutico, aço inoxidável, cobre e ouro. Os famosos Acoustic Diodes da marca são fornecidos de série.

As Autobiography impõem respeito: cerca de 206 cm de altura sem spikes, 55 cm de largura, quase 89 cm de profundidade e um peso de aproximadamente 372 kg por coluna. A resposta em frequência declarada estende-se dos 18 Hz aos 36 kHz (±2 dB), com sensibilidade de 89,5 dB e impedância nominal de 4 ohms, descendo a um mínimo de 2,1 ohms.

Mas talvez o aspecto mais significativo das Autobiography não sejam as especificações. As Autobiography são, sobretudo, um monumento erigido em memória da história da Wilson, uma síntese funcional de décadas de experiências iniciadas com as primeiras WAMM e continuadas ao longo de gerações de colunas que marcaram a história da alta fidelidade.

Mais do que uma simples evolução tecnológica, as Autobiography representam a tentativa de transformar meio século de memória sonora numa única obra definitiva. Será mesmo definitiva?

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