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A Pro-Ject chama-lhe Uni Box S3: um sistema tudo-em-um, com uma caixa de alumínio no formato Box Design, onde conseguiu meter tudo o que se pode exigir de um sistema de som doméstico moderno, por apenas 799 euros:
- Amplificador estéreo,
- Prévio de phono MM/MC
- DAC
- Streamer,
- HDMI ARC para televisão,
- Amplificador de auscultadores
- Streaming multiroom.
Falta-lhe alguma coisa? Sim, talvez um ecrã tátil. Mas o dinâmico patrão da Pro-Ject, Heinz Lichtnegger, defende que os ecrãs táteis são muito bons até falharem. E, segundo ele, falham muito. Assim, a aplicação Pro-Ject Home permite substituir o ecrã pelo telefone, com vantagens práticas, ao longo da vida útil do aparelho.
O painel frontal mantém a sobriedade habitual da série Box Design, mas é bastante informativo: à esquerda, o botão de standby é acompanhado por um LED azul que confirma que o aparelho está ligado e passa a piscar quando o mute está ativo; logo abaixo, encontra-se a saída de auscultadores de 6,3 mm.
Ao centro, domina o botão rotativo de volume, que atua sobre um potenciómetro analógico motorizado — e não sobre um controlo digital disfarçado —, podendo também ser comandado por controlo remoto.
À direita, dois botões permitem selecionar as oito entradas disponíveis, assinaladas por uma sequência de LEDs que identificam, de forma imediata, a fonte selecionada: phono, linha, digital, TV ou streaming.
No canto inferior direito, o botão Stream permite pausar e retomar a reprodução, enquanto o LED adjacente indica o estado do módulo de rede.
- Pisca rapidamente a verde durante o arranque;
- Pisca lentamente a verde quando o aparelho está pronto para configuração;
- Pisca lentamente a amarelo quando o Bluetooth aguarda emparelhamento;
- Alterna rapidamente entre amarelo e verde durante a ligação à rede Wi-Fi;
- Mantém-se verde fixo quando a ligação Wi-Fi está estabelecida;
- Permanece amarelo fixo em modo Bluetooth já emparelhado;
- Fica vermelho fixo em modo Aux-in;
- Alterna lentamente entre vermelho e verde durante uma atualização OTA ou durante a reposição das definições de fábrica.
Do LP ao ‘Streaming’
A Pro-Ject é, acima de tudo, um fabricante de gira-discos, e não se esqueceu de que muitos dos seus clientes continuam a ter no vinil a sua fonte privilegiada, e não apenas como um mero acessório simbólico, só porque o LP voltou a estar na moda.
No domínio digital, o aparelho oferece uma entrada coaxial S/PDIF, duas entradas óticas Toslink e uma entrada HDMI ARC, esta última destinada a integrar a televisão ao sistema principal sem recorrer a barras de som ou soluções paralelas.
O conversor interno é um Cirrus Logic CS4344, capaz de lidar com sinais de até 24 bits/192 kHz, que é também a resolução máxima das entradas digitais S/PDIF.
Tudo isto cabe, por milagre, numa caixa com 206 mm de largura, 55 mm de altura e 153 mm de profundidade — ou 176 mm, já contando as fichas — e pesa apenas 1,1 kg, excluindo a fonte externa de 20 V/3 A.
Analógico até ao Fim
A marca austríaca faz questão de sublinhar que os sinais recebidos nas entradas analógicas não são convertidos para digital no percurso normal de amplificação.
Ou seja, um gira-discos ligado à entrada phono, ou um leitor de CD ligado a uma das entradas de linha, segue por um circuito de pré-amplificação analógico até ao andar de potência, sem nunca passar por um conversor A/D.
Esta afirmação é tecnicamente relevante e ajuda a esclarecer uma confusão que já começou a circular em algumas análises publicadas online. O Uni Box S3 não utiliza um amplificador de potência de classe AB, como se lê em algumas revistas e fóruns.
A própria ficha técnica oficial da Pro-Ject identifica o circuito de amplificação como baseado no Texas Instruments TPA3221DDV, que é um integrado de Classe D com entrada analógica. A distinção é importante porque, ao contrário do que se pensa, Classe D não significa ‘amplificação digital’.
No caso do Uni Box S3, o sinal que chega ao chip de potência continua a ser analógico, embora seja a partir dele que se gera a ‘Modulação por Largura de Impulsos’ (PWM), que comanda o andar de saída. Contudo, não há, em todo esse percurso, conversão do sinal analógico para PCM nem processamento digital intermédio.
O Uni Box S3 combina pré-amplificação analógica com um andar de potência de Classe D (com entrada analógica), preservando intacto o sinal das fontes analógicas – e apenas destas.
O Uni Box S3 concilia, assim, a conveniência digital moderna com a filosofia clássica de respeito pela integridade das fontes analógicas.
O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes
Há apenas uma nuance: o aparelho também funciona como streamer e permite ainda enviar, pela rede, o sinal de qualquer entrada física para outros streamers compatíveis da Pro-Ject ou da WiiM, por meio da função de distribuição multiroom.
Neste caso específico, e apenas para efeitos de transmissão em rede, o sinal analógico tem naturalmente de ser convertido para um formato digital transportável.
With a Little Help from WiiM
O streaming é garantido pela plataforma WiiM OS, com controlo através da aplicação Pro-Ject Home, e inclui compatibilidade com serviços como Tidal, Tidal Connect, Spotify Connect, Qobuz, Amazon Music, Deezer e SoundCloud, além de rádio online.
A ligação de rede recorre ao Wi‑Fi 5 em 2,4 e 5 GHz. Há também suporte para Bluetooth, com os codecs SBC e AAC. Os comunicados de imprensa referem-se ao Bluetooth 5.0, enquanto o manual indica o Bluetooth 5.1. Para os leitores, o que importa é que funciona sem problemas. Mas menos bem que o Tidal Connect, pois claro.
A aplicação Pro-Ject Home acrescenta ainda funções de equalização, permitindo personalizar a resposta sonora do sistema. Trata-se de uma funcionalidade associada ao domínio digital e à plataforma de streaming, e não de um controlo de tonalidade analógico inserido no percurso das entradas de linha ou de phono.
Leal ao Vinil
A Pro-Ject é famosa pelos seus gira-discos. Assim, na mesma encomenda, fez questão de me enviar o novo Debut Reference 10 e o pré-amplificador phono Tube Box S3 Balanced a válvulas!
A minha coleção de LP é residual, por isso, em casa limitei-me a ouvir o Uni Box S3 como streamer e amplificador, e pedi ao Alberto Silva para montar o restante equipamento no Auditório da Esotérico, em Loures, onde também o podem ir ouvir sem compromisso, incluindo as colunas Pro-Ject: primeiro as Speaker Box 5E Carbon e depois as 12E Carbon.
Mas podem ficar já com uma amostra em vídeo do que vão ouvir lá:
Alberto Silva apresenta o sistema em demonstração
No auditório da Esotérico, se o sistema estivesse escondido atrás de uma cortina, ninguém adivinharia que custa tão pouco. O essencial da música está lá todo, sem truques nem rodeios. E o LP ‘Slow Train’ de Hans Theessink soou completo, sem estalos ou fritadeira. Mas foi a qualidade do ‘streaming’ de ‘Marais Maison’, de Bertrand Renaudin & Olivier Cahours, que me deixou impressionado, então já com as colunas-de-chão 12E Carbon, a verdade seja dita.
Plataforma Musical
O Pro-Ject Uni Box S3 não é um ‘Gaincard’ moderno, também não é um integrado Classe AB disfarçado, muito menos um sistema que digitaliza tudo à entrada para depois reconstruir a música no domínio do software. É um hub HiFi, compacto, de vocação contemporânea, que combina streaming e conectividade com uma secção analógica tratada com mais respeito do que é habitual nesta categoria. Só isso, o que não é pouco.
O Uni Box S3 apresenta-se como uma proposta de grande coerência conceptual: digital quando convém, analógico quando tem de ser.
Famous Last Words
Num mercado onde muitos tudo-em-um sacrificam a alma em nome da conveniência, o Uni Box S3 apresenta-se como uma proposta de grande coerência conceptual: digital quando convém, analógico quando tem de ser.
Para quem se queixa de que eu só escrevo sobre coisas caras, fica esta proposta acessível. Vá ouvi-la na Esoterico. No Grupo JLM. Ou na Imacustica.
Disponível em acabamento preto ou prata, o Uni Box S3 tem preço internacional recomendado de 799 euros. E é por esse preço que pode comprá-lo nas SmartStores.












