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PSB M4U1

PSB M4U1 Monza Red (foto de catálogo)

Basta dar aí uma volta pela internet para verificar que os auscultadores activos PSB M4U 2 estão muito bem cotados. Estas “cotações” são como as “sondagens” políticas e podem significar tudo, ou não significar coisa nenhuma.


Outras há que consideram os modelos activos da Bose imbatíveis. Depende muito da influência e do prestígio das marcas junto de certa comunicação social. E dos lobbies, porque também os há nos meios audiófilos.


Eu sou como o ministro Álvaro: não me deixo influenciar por lobbies, com a vantagem de não poder ser demitido, porque fui eu que me nomeei a mim próprio. Mas confesso que a amizade tem sobre mim alguma influência benigna.


Não ao ponto de escrever maravilhas sobre “coisas” que não prestam, só porque sou amigo do distribuidor, antes “esquivando-me” a escrever sobre “coisas” pelas quais não sinto empatia: auscultadores activos, por exemplo!


Em ambos os casos, já tive algumas surpresas, como não gostar de algo que pensava que ia gostar e viceversa. Tenho dúvidas, e engano-me. É a vida.

PSB M4U 1 - o voo do cisne branco (foto de catálogo)

PSB M4U 1 - o voo do cisne branco (foto de catálogo)

Contudo, os meus ouvidos não “emprenham” – passe a expressão – pelos lindos olhos de quem distribui o quê, como, quando e onde. As marcas vão e vêm como aves de arribação: desaparecem como apareceram, mantêm ou mudam de nome, de dono, de representante, até de projectista e, sobretudo, de fabricante, nesta era da “deslocalização” global.


Para mim continuam a ser o que são até ao dia em que deixam de ser o que sempre foram. Sem preconceitos. Sem juízos de valor prévios. Sem ódio ou rancor. Com amor ou desamor.


Tenho um lema antigo: evito escrever sobre “ruim defunto” ou sobre produtos que não me dão prazer ouvir. A vida é curta, o tempo é escasso e só a qualidade e beleza me inspiram ainda. Não faço fretes. Não escrevo por encomenda.


Sou fotógrafo de coisas bonitas, cronista de áudio highend, poeta de paixões duradouras. Assim, quando volto a ouvir um produto que testei há muitos anos, continuo a “revê-lo” –  e a rever-me – naquilo que escrevi. Talvez porque sempre escrevi só sobre o que queria, e não sobre o que queriam que escrevesse. Quem me conhece e aprendeu a ler a minha escrita, ao longo destes 30 anos, sabe que eu me pauto por um profundo sentido ético, e que isso se reflecte nas minhas conclusões.


Só assim foi possível manter viva durante décadas uma carreira de crítico de áudio, que exerci em todas as áreas da comunicação social menos na TV que, sendo imagem, é avessa ao som: na imprensa diária (Público, DN, CM), na imprensa especializada (Imasom, Audio) e na imprensa de lazer (Êxito, Notícias Magazine, DNA, Air Luxor (revista de bordo); e na XFM (rádio). Até na revista da Inatel, eu escrevi sobre áudio! E nunca cedi ao “populismo” dos editores: escreve aí sobre as coisas que toda a gente conhece e compra, pá! Muito menos agora que sou editor de mim próprio.


O primeiro beijo do highend


Foi João Cancela, da Esotérico, que me iniciou nas verdadeiras lides audiófilas, quando me convidou para ouvir na sua casa umas colunas Étude amplificadas por um Threshold Stasis, projectado por Nelson Pass, que acabei por comprar.


O meu gosto pelo áudio já vinha de longe, do tempo da tropa na Arma de Transmissões, e segui o percurso habitual na época: Pioneer, Quad 33/303..., mas esta primeira experiência no highend foi o ponto de viragem. O Threshold partiu para outras paragens, a nossa amizade ficou. Em 1983, publiquei no semanário Êxito, um teste sobre um amplificador NAD, distribuido pela Esotérico (ler a sequela de 2000 de um “Um som daNADo”, na DN Notícias sobre o NAD 317).


Apesar disso, estive longos períodos sem publicar testes de marcas da Esotérico: amigos, amigos...De repente, eis que este já é o terceiro, num curto espaço de 1 mês (ver Artigos Relacionados). O que mudou? Nada. Daí o disclaimer prévio.


Sempre tive com as Quad ELS uma antiga relação de amor-ódio que é uma inesgotável fonte de inspiração e prazer, e eu sou dos que gostam de voltar a lugares onde foram felizes. Já o teste do Wadia Intuition foi uma “cacha” jornalística em primeira mão sobre um produto revolucionário e o lançamento mais mediático da CES 2013. Curiosamente, uma e outro mudaram de dono, mas não de nome nem de distribuidor...


Um activista com alma de passivo

PSB no Highend Show de Munique. Em primeiro plano, à esquerda os M4U 2 (note selector); à direita os M4U 1 na cor Baltic Gray (foto Hificlube)

PSB no Highend Show de Munique. Em primeiro plano, à esquerda os M4U 2 (note selector); à direita os M4U 1 na cor Baltic Gray (foto Hificlube)

Carlos Amaral, da Esotérico, já me tinha proposto várias vezes testar o modelo M4U 2 activo, e eu “esquivei-me”, porque tenho a “fobia do activismo”, do político também, por certo injustificada neste caso. Isto apesar das recomendações da crítica internacional ao M4U 2 serem muito elogiosas.


Cheguei a ouvi-los no stand da PSB, em Munique, no Highend 2012. Achei-os “abafados” (muffled) e o grave soou-me algo “túrgido” e enfático. O isolamento do som exterior era, contudo, notável. Ou seja: cumpriam bem a sua função.


Curiosamente, ainda que em menor grau, achei os M4U 1, que até são “passivos”, também 'gordos', quando os ouvi este ano no mesmo stand. Agora que os estou a utilizar em condições domésticas, e constato que o equilíbrio tonal é excelente, ocorreu-me que nos “shows” há a tentação de “puxar” os graves para impressionar o “povão audiófilo”, do mesmo modo que os lojistas sabem que “puxar” a cor e o contraste vende melhor os televisores.

Talvez a culpa não fosse afinal do circuito activo dos M4U 2, e eu devesse ter antes feito um teste comparativo entre M4U1 e o M4U2, sob pena de estar a ser injusto. Deixo a sugestão para o leitor que esteja no mercado à procura de um bom par de auscultadores activos/passivos de 399 euros. A diferença de preço é de apenas 100 euros.


Os auscultadores activos são muito úteis quando se pretende “eliminar” o ruído ambiente: nos meios de transporte, por exemplo: metro, comboio, nas longas viagens de avião, etc.


Devem ter reparado que os jogadores de futebol trazem-nos colocados quando saem dos autocarros em dia de derrota para não ouvirem as bocas das claques. E os jogadores de poker utilizam-nos para se furtarem aos bluffs de boca, ao mesmo tempo que escondem os olhos por trás de óculos espelhados.


Já não os aconselho a peões, ciclistas e automobilistas. Não foi por acaso que a natureza nos dotou da capacidade auditiva para antecipar o perigo.


Ora eu acho pouco natural que o ruído ambiente seja, em termos simples, “escondido” debaixo do tapete, por um circuito alimentado por uma bateria, que gera uma frequência de cancelamento em inversão de fase (normalmente abaixo dos 75Hz). Ou seja, ele continua lá, o nosso cérebro é que é levado ao engano e não o processa.


E também não me agrada a ideia de que, quando acabam a pilhas, acaba também a música e o que fica é o...ruído exterior, que afinal nunca deixou de lá estar, tal como o défice público.


Muito inteligentemente, o PSB M4U 2 é dos raros modelos activos que funciona como passivo. E foi o sucesso desta capacidade de “desactivação” sem perda de qualidade de som que levou a PSB a lançar o M4U 1, mais leve e mais barato: apenas 299 euros.


Mas o M4U 2 vai ainda mais longe que toda a concorrência, pois tem dois modos de activação: com e sem cancelamento de ruído. Neste último caso, o circuito activo funciona como “turbo” e dá-lhe “estaleca”, quando utilizado com equipamento portátil de baixa potência. Portanto, em termos universais, o PSB M4U 2 será a “Melhor Escolha”; o PSB M4U 1 será a “Melhor Compra”, para utilizar jargão da whathifi?.


PSB M4U 1: music for you

PSB M4U 1 - Baltic gray dobrados (foto de catálogo)

PSB M4U 1 - Baltic gray dobrados (foto de catálogo)

À vista desarmada, o M4U 1 e o M4U2 são irmãos gémeos. Ambos são fabricados em policarbonato rígido e leve. O design é moderno e funcional e apresentam-se nas cores Black Diamond, Monza Red e Baltic Gray. As almofadas macias e confortáveis (fornecem um par sobressalente) de formato elíptico são supraauriculares (o que não é o mesmo que circumauriculares), são colocadas sobre as orelhas e nâo à volta delas, estão montadas numa suspensão giroscópica para se ajustarem aos ouvidos, e alojam altifalantes dinâmicos de 4 cm.


Os cabos simples ou com comutador (para iPhone/Blackberry et alia) são amovíveis e podem ser montados indiferentemente no canal esquerdo ou direito, facilitando a colocação do equipamento complementar de mesa ou portátil. Uma solução tão lógica quanto rara.

PSB M4U 1 - embalagem de cartão (foto de catálogo)

PSB M4U 1 - embalagem de cartão (foto de catálogo)

Na informativa embalagem de cartão, além dos auscultadores, cabos e adaptadores, está incluída uma bolsa semi-rígida de viagem. Eis um produto moderno, bem construído e bem apresentado, que justifica o preço sem reservas.


Utilizei-os com PC portátil, iPad, iCan, Meridian Explorer, MyDAC (ver teste) e o prévio McIntosh Mc2200.


Tempero de coluna de som

PSB M4U1 - perspectiva frontal (foto de catálogo)

PSB M4U1 - perspectiva frontal (foto de catálogo)

Paul Barton, da PSB, considera que a única forma honesta de um par de auscultadores soar como um par de colunas é “puxar” os graves para dar “efeito de sala”, corpo e naturalidade ao som. E talvez tenha razão. Não é por acaso que os Audeze LCD3, cuja reprodução de graves é superlativa, soam tão bem aos meus ouvidos - e não só. O amplificador iCan, por exemplo, tem um modo Xbass para contrariar os auscultadores anoréticos. Escusado será dizer que o M4U 1 não tem défice de graves e soa melhor sem a ajuda da... Troika.


Permito-me especular que, em Munique, os devem ter alimentado desnecessariamente com esteróides: os alemães gostam daquelas empregadas mamalhudas que nas cervejarias abraçam 10 canecas de Franziskaner de uma vez só, e caminham ao som da banda, seguras e não formosas, a entornar espuma sobre o farto peito, até chegar às mesas onde as esperam os convivas barrigudos entre cantos e vivas ao Bayern e a Merkel...


Os PSB M4U 1 são igualmente “peitudos” e têm um equilíbrio tonal muito semelhante aos Audeze LCD3. Ora este é o melhor elogio que lhes posso fazer, sabendo-se que considero os LCD 3 os melhores auscultadores que já ouvi. Não têm, claro, a mesma transparência, requinte harmónico, pureza tímbrica, inigualável musicalidade e elevado tecto dinâmico, que a transdução isodinâmica proporciona, e por isso mesmo custam uma pipa de massa, . Mas andam lá perto.


Agrada-lhe o som claro-escuro, aconchegante, envolvente, natural dos Audeze LCD 3, tão confortável nas longas audições que chega a ser viciante -  e não tem dinheiro para vícios? Então, o M4U 1 é a sua “droga” de substituição.


Os LCD 3 soam melhor, mas os M4U 1 custam 5 x menos e não soam 5 x pior, na justa medida em que a qualidade em áudio pode alguma vez ser quantificada.


What more can I say, guys? Live well and buy?!...


Preço: 299 euros


Distribuidor: Esotérico


 


 


  

PSB M4U1 Monza Red (foto de catálogo)

PSB M4U 1 - o voo do cisne branco (foto de catálogo)

PSB no Highend Show de Munique. Em primeiro plano, à esquerda os M4U 2 (note selector); à direita os M4U 1 na cor Baltic Gray (foto Hificlube)

PSB M4U 1 - Baltic gray dobrados (foto de catálogo)

PSB M4U 1 - embalagem de cartão (foto de catálogo)

PSB M4U1 - perspectiva frontal (foto de catálogo)