Reviews Testes

McIntosh MA352 Hybrid Amplifier – into the blue

McIntosh MA352 - side2.jpg

O novo amplificador híbrido MA352 da McIntosh combina o melhor de dois mundos: vácuo e estado sólido, sob o escrutínio luminoso de um belíssimo par de olhos azuis.

Os amplificadores McIntosh não precisam de apresentação, sobretudo os que têm olhos azuis, como este MA352, um amplificador integrado híbrido, que combina um andar de preamplificação a válvulas (2 x 12AX7A + 2 x 12AT7) com um andar de potência de estado sólido, que debita +200W/8 e +500W/4!...

Com uma história que começa em 1949, a McIntosh é das poucas marcas que anda cá há mais tempo do que eu, e parte dessa história é também a minha. E é uma história feliz.

Nota: os leitores com paciência para vasculhar no passado podem ler, no final desta crónica, em ‘Artigos Relacionados’, e/ou em formato pdf, vários escritos meus sobre a McIntosh e o sortilégio do  ‘som de olhos azuis’.

O novo MA352 é um amplificador integrado analógico (até tem um andar de Phono/MM: 50pF a 800pF de ajuste de capacidade), com entradas RCA e XLR, e nem uma entrada digital à vista. De natureza ’digital’ só vai encontrar os circuitos lógicos de controlo.

O que ‘dá nas vistas’, isso sim, são os icónicos vuímetros de agulhas, que dançam no tradicional palco iluminado de azul-marinho; e o reflexo das ‘torres de iluminação’ (protegidas por grelhas circulares) sobre o lago de inox polido: ora em tom de laranja, durante o aquecimento prévio (15 s); ora em verde kryptonite, quando em funcionamento.

Nota: os filamentos das válvulas continuam a ter o mesmo tom suave de amarelo quente, as cores-piloto laranja e verde são efeitos de LEDs (que podem ser desligados, perdendo a graça) e têm uma função cosmética, além de indicativa de estado: por exemplo, se o amplificador entrar em sobrecarga, os LEDs mudam de imediato de verde para laranja.

No painel frontal reclinado, além dos habituais botões rotativos de seleção de fontes (+Trim) e de volume; e de uma saída para auscultadores, a grande novidade está nos 5 botões mais pequenos de controlo de tonalidade, que funcionam quase como um igualizador gráfico, pois permitem ajustes no ganho de +/-12dB aos: 30Hz – 125Hz – 500Hz – 2kHz – e 10 kHz. Devem ser usados com parcimónia: + 1dB aqui, -2dB acolá, não mais do que isso.

Atenção: mesmo com todos os botões na posição zero, se ativar o circuito no controlo remoto, introduz um filtro rápido de passa-altas aos 15Hz, ideal para fontes analógicas (LP), pois controla a ‘dança frenética’ dos woofers, mas pode ‘roubar’ inadvertidamente alguma extensão às fontes digitais.

Nota: não sei se estes ajustes são extensivos ao circuito de amplificação para auscultadores, mas isso seria ouro sobre… azul.

Na melhor tradição americana, dos anos 60, o MA352 brilha (e pesa: 30 Kg) como uma Harley, tem escapes, perdão, dissipadores estilizados, que vistos de cima permitem ler o logótipo Mc da marca, e um preço de 10.350 €, consentâneo com a sua qualidade (de construção e de som), nada exagerado pelos atuais padrões do highend, onde 10 mil euros são peanuts. Aqui fica-se pelo menos com a agradável sensação de que se está a pagar o preço justo.

Nota: ver entrevista de JVH a A. Almeida e N Cristina aqui: https://www.facebook.com/HIFICLUBE.NET/videos/2689661328028386

O nosso primeiro encontro deu-se na ‘capela’ da Ajasom, na Damaia, tendo como testemunhas o António Almeida e o Nuno Cristina, que dirigiu o ritual da audição.

Como é apanágio da McIntosh, fiquei encantado com a qualidade do som (não me importava nada de ter um MA352, e a minha mulher concorda, só de ver os vídeos…):

potência suave, total ausência de distorção audível, transparência, detalhe sem arestas vivas, neutralidade, com grave controlado e seco, vozes e instrumentos solo bem projetados (apesar da opção por um ligeiro corte aos 500Hz), a partir de um palco amplo com mais conteúdo ‘atmosférico’ do que é habitual nos modelos McIntosh não-híbridos, mesmo os de génese valvular.

É claro que para o resultado final muito contribuiu a vasta parafernália de equipamento associado, embora a minha experiência tenha permitido ‘isolar’ o contributo fundamental do componente em análise.

Aqui fica a lista de todo o equipamento, que me foi enviada pelo Nuno Cristina, e que está disponível para audição, bastando fazer uma marcação prévia:

Amplificação

  • McIntosh -MA352 – PVP-10.350.0€

Colunas

  • Vivid Audio Kaya 90 – PVP-22.800€
McIntosh MA 352, amplificador integrado híbrido

McIntosh MA 352, amplificador integrado híbrido

Vivid Audio Kaya  90, uma questão de estilo

Vivid Audio Kaya 90, uma questão de estilo

Fonte Digital

  • Servidor – Innuos Statement – PVP – 11.000.00€
Innuos Statement, a afirmação de Portugal no mundo do áudio highend

Innuos Statement, a afirmação de Portugal no mundo do áudio highend

  • Streamer (end point) Sotm – SMS200Ultra com entrada de relógio 10Mhz –PVP 1.680.00€
  • Switch de rede SNH-10G com placa de relógio interna e entrada de relógio 10Mhz – PVP  2.040.00€
  • Relógio 10Mhz SCLK-OCX10– PVP – 4200.00€
SoTm, uma questão de alma digital

SoTm, uma questão de alma digital

  • DAC Nagra Tube DAC – PVP – 36.250.00€
Nagra CD/Tube DAC

Nagra CD/Tube DAC

Fonte analógica

  • Gira Discos Air Bearing – Holbo –PVP  6500.00€ (inclui braço tangencial)
  • Agulha de gira-discos MC – Lyra Delos PVP 1.600.00€
  • Unidade de phono – MoFi electronics -Studiophono – PVP 299.00€
Holbo, gira-discos air bearing com braço tangencial e célula Lyra Delos

Holbo, gira-discos air bearing com braço tangencial e célula Lyra Delos

Alimentação elétrica

  • Unidade de alimentação a baterias – Stromtank S2500 Quantum – PVP  21.800.00€
  • Cabos de corrente – Shunyata
Stromtank S2500 Quantum

Stromtank S2500 Quantum

Diversos:

  • Tratamento acústico – ASI
  • Rack -Bassocontinuo Linha ARGO 2.0 Versão três prateleiras Side by Side.
  • Cabos de coluna Kimber Kable linha select
  • Cabos de interligação analógicos – Kimber Kable Linha Carbon
  • Elevadores de Cabos Shunyata Dark Field

Será que o MA352 se comportaria da mesma forma num contexto diferente? Sem o Stromtank, por exemplo? Não sei, embora estivesse (muito) tentado a trazê-lo para casa para experimentar (ainda não desisti da ideia…).

Mas não quis roubar aos leitores o prazer de fazerem eles próprios as suas audições (nas mesmas exatas condições em que eu as fiz, e até com os mesmos discos) e as insubstituíveis experiências pessoais em ambiente doméstico, se o pretenderem comprar, o que eu aconselho sem reservas.

Por pouco mais de 10 mil euros, não conheço nenhum amplificador com um grau tão elevado de desempenho acústico (e visual!).

Audição crítica

O tipo de som que se ouve durante horas, sem vontade de criticar...

O tipo de som que se ouve durante horas, sem vontade de criticar...

Da muita e variada música que ouvi e registei, sobretudo em LP, que incluiu o extraordinário concerto de Keith Jarret, em Colónia, também em streaming da Tidal, via Innuos Statement (um server de excecional qualidade), para comparação A/B directa, selecionei esta ‘St.James Infirmary’, do álbum Satchmo Plays King Oliver, muito utilizado em demonstrações audiófilas porque, além da transparência, tem um nível de detalhe e presença, e um ataque dinâmico fantásticos.

O McIntosh MA352 e o restante equipamento associado resuscitaram Armstrong. Ora oiçam, e imaginem pela amostra como terá soado o original na sala:

LP vs Streaming

Outra experiência curiosa foi poder comparar LP e Streaming, algo que os leitores também podem fazer, reproduzindo o vídeo abaixo do mesmo excerto de What a Shame, interpretada por Patricia Barber, primeiro em LP depois em streaming.

É inegável que, mesmo com um equipamento analógico modesto, em termos de preço (o andar de phono da Mofi custa apenas 299 euros), relativamente ao preço do Statement, o LP tem um som mais orgânico e transparente.

Mas a diferença é cada vez menor, e será que vale o ritual de 'tira-o-disco-da-capa', ‘põe-o-disco no prato‘, ‘limpa-o-disco’, ‘baixa-o-braço’, ‘sobe-o-braço’, ‘limpa-a-agulha’, vira-o-disco’…? A acreditar na crónica 'Arte Analógica' que publiquei originalmente no DN/DNA no 'século passado', parece que sim...

Ocasiões houve, contudo, em que o streaming foi o preferido de António Almeida. Com Keith Jarret em MQA a 24/96, up sampled para 4 x DSD pelo Nagra, por exemplo…

Curiosamente, os ‘censores’ do YouTube deixaram passar o som do LP, mas mostraram-me o amarelo com o registo 'ao vivo' do som digital. Será outra matriz?...

Vá à AJASOM e descubra por si próprio.

McIntosh MA352 side2

McIntosh MA 352, amplificador integrado híbrido

Vivid Audio Kaya 90, uma questão de estilo

Innuos Statement, a afirmação de Portugal no mundo do áudio highend

SoTm, uma questão de alma digital

Nagra CD/Tube DAC

Holbo, gira-discos air bearing com braço tangencial e célula Lyra Delos

Stromtank S2500 Quantum

O tipo de som que se ouve durante horas, sem vontade de criticar...

Ao Eduardo Rodrigues - contém episódio da visita à McIntosh

Artigo originalmente publicado no DN/DNA em 30/07/2004


AbsoluteSounds950x438
Publicidade