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Reviews Testes

B&W CM10 - 2

B&W CM10 (auditório da Viasonica durante o teste tecnicoauditivo de JVH)

A CM10 cumpre integralmente o difícil objectivo proposto pela Bowers&Wilkins de oferecer o conceito CM com design PM e tecnologia Nautilus.


Se a Nautilus original é um Fórmula 1, a Nautilus 800 D Series é a equipa de rally da B&W; e a CM os utilitários topo de gama, que aproveitam as inovações dos modelos de alta competição, da qual a CM10 é o modelo sport coupé, com a performance de um carro de rally e o conforto de um utilitário de luxo. E é descapotável!

De facto, o “10” distingue-se de imediato dos outros modelos da gama CM pelo tweeter montado no topo em “espaço aberto”, inspirado na série Nautilus 800. E não é só no design, é também na tecnologia do “tubo de absorção” da radiação traseira.


Será, então, a CM10 uma PM1 “de-chão”?


Não, porque o custo seria proibitivo para este escalão de oferta, e iria entrar no território outrora ocupado pela 804S.


É então uma CM9 com 3 altifalantes de graves?


Também não. O corpo da coluna tem a mesma altura da CM9, embora seja um tudo nada mais funda, mas a B&W aproveitou aqui a colocação do tweeter nas águas-furtadas para hospedar mais um woofer no 3º andar. Para maior estabilidade, a estrutura é montada numa base rectangular mais larga, com spikes ou pés de borracha (que não foi utilizada durante o teste).


A CM10 apresenta-se em duas versões folheadas em madeira natural, e nas cores branco acetinado ou preto piano. Os acabamentos são de altíssimo nível.


A CM10 é filha da mãe Nautilus, do pai CM e prima da PM1


Houve que aceitar alguns compromissos no dote de casamento, claro: o tweeter, por exemplo, só é “Nautilus” na concepção. Os materiais nobres (e caros), como o carbono do anel de suspensão da PM1 e o actual diamante da cúpula da série D, foram substituídos pelo mais prosaico (e barato) alumínio, tanto para o cone (mais fino) como para o anel.

As monitoras PM1, no auditório 3 da Viasonica c/ amplificação Pathos

As monitoras PM1, no auditório 3 da Viasonica c/ amplificação Pathos

A unidade FST de médio-graves em kevlar é a mesma utilizada na CM9. Mas, tal como o tweeter, está montada numa caixa privada de ressonância (hélas, sem tubo de transmissão/absorção Nautilus), fixada no painel traseiro por uma vara (KEF style), com parafuso de aperto e desacoplamento mecânico por elastogel antichoque, cujo efeito benéfico no som é evidente: tanto na clareza da dicção, como na descodificação da complexidade dos enunciados verbais e das tramas instrumentais.


A aplicação destas duas inovações de génese “Nautilus”, só por si, justificaria a diferença substancial de preço, em relação à CM9.


Por outro lado, sendo três os woofers de papel/kevlar, a amplitude do movimento de pistão dos altifalantes necessária para uma dada pressão sonora é menor, logo há menos propensão para produzir distorção e temos um som mais limpo também nos graves.


Paradoxalmente, a inclusão de mais um altifalante e o maior volume interno disponível nem por isso parece conferir maior extensão à resposta da oitava inferior, apenas mais autoridade, controlo e ataque, o que já não é pouco.


É aqui, aliás, e apenas aqui, que a “10” denuncia ser descendente da família CM, que foi concebida para utilização em ambiente doméstico (a grelha não-amovível de protecção do tweeter contra dedinhos inquisitivos é outro sinal); e não para aplicações profissionais de estúdio, ou para prazer musical e gáudio de amadores avançados, como as Nautilus 800.

A Viasonica é a única loja em Portugal que tem em exposição todos os 'cromos' da Série Nautilus D

A Viasonica é a única loja em Portugal que tem em exposição todos os 'cromos' da Série Nautilus D

Houve assim um evidente cuidado em não permitir que a resposta em frequência fosse lá demasiado “abaixo” para evitar o conflito entre o binómio unidades-de-graves/tubo de carga reflex e os modos de ressonância típicos da salas de estar reais, produzindo o sempre desagradável e temido efeito de “boominess”, que empastela a desejada definição e articulação dos graves, além de roubar claridade e transparência aos registos médios.


Porque, de resto, no que diz respeito ao desempenho do “médio-agudo”, a CM10 não renega a sua costela da família 800 Nautilus, sobretudo da tia 803, com a qual é muito parecida, revelando excelente integração social e cultura musical.

As Nautilus 803, no auditório principal da Viasonica com amplificação Classé e tendo como fonte o novo DAC/Streamer da Marantz

As Nautilus 803, no auditório principal da Viasonica com amplificação Classé e tendo como fonte o novo DAC/Streamer da Marantz

Permitam-me, contudo, uma constatação, fundada tanto na audição subjectiva como na medição objectiva.


Ao contrário de outras grandes marcas de colunas, que têm um “som próprio”, que as caracteriza, e as identifica com o “gosto pessoal” de quem as concebe (e de quem as compra), a B&W parece fazer gala em “temperar” o som de cada gama de forma diferente, tendo em conta o seu público-alvo e o tipo de utilização previsível, apesar de meios técnicos e laboratoriais (ver Parte 1: Introdução) que lhe permitiriam facilmente obter em ambiente anecóico respostas em frequência ultralineares e idênticas para todas as gamas.

Prof. John Dibb, o guru da B&W (Steyning UK, 1999)

Prof. John Dibb, o guru da B&W (Steyning UK, 1999)

Mas eu lembro-me do Prof. John Dibb me ter dito, meio a brincar, meio a sério:


- “Agora que o Peter Fryer já lhes mostrou como os computadores “vêem” a música, vamos mostrar-lhes como os humanos ouvem música. É que nem sempre estão de acordo, pois the taste of the pudding is in the eating...”


As colunas B&W são todas bons exemplos da aplicação desta filosofia:


As 800 Nautilus exibem normalmente um ligeiro ênfase na zona de presença, conferindo-lhes a proverbial riqueza de pormenor, tão apreciada por profissionais e amadores que dispõem de matrizes e registos de som de elevada qualidade e querem ouvir tudo o que está no disco, até mesmo o que não devia lá estar, ou talvez por isso...


A gama CM – e a CM10 não é excepção, embora seja a mais luminosa, transparente e alegre do grupo – é um pouco mais discreta na zona de presença para tornar agradável a audição de uma multiplicidade de gravações heterogéneas na qualidade, como sucede em ambiente doméstico, onde tanto podemos ouvir um excelente CD ou LP (ou DVD!) como um ficheiro via Spotify ou iTunes ou um video manhoso do You Tube.


O que me surpreendeu foi o facto de as CM10 terem demonstrado à saciedade que têm, de facto, genes das Nautilus no seu ADN - não é apenas marketing.


À medida que eu ia subindo na qualidade e resolução dos ficheiros áudio que utilizei na audição, que atingiram o ponto muito alto com DSD128 e DXD (a 382kHz!), as CM10 soaram cada vez mais nítidas e musicalmente coesas e integradas, levando-me a “carregar no pedal” quase que inconscientemente, o que é sempre um bom sintoma de baixa distorção audível.

Detalhe das CM10 com o Wadia Intuition em baixo à esquerda

Detalhe das CM10 com o Wadia Intuition em baixo à esquerda

Não sei se é porque o tweeter nos mira lá de cima alcandorado no topo da coluna, a verdade é que temos a sensação de mais ar a circular à sua volta - os olhos também ouvem...


Contraditoriamente, quando ouvi as CM10 com CD, o palco parecia estar “lá em baixo”, como se eu estivesse sentado no 1º balcão.


Já com ficheiros de alta resolução, a imagem ganhava plasticidade e adaptava-se como um camaleão acústico ao género musical e/ou local de gravação. E passei a ouvir as vozes a pairar num plano acima do tweeter, algo que normalmente só se obtem a outro nível de preço.


Servindo-lhes música clássica e big bands em alta resolução, o palco abriu-se esplendoroso, muito para lá dos limites laterais das colunas e com boa ilusão de profundidade, permitindo-me ignorar o obstáculo visual da parede e espreitar até lá ao fundo bem iluminado do palco.


Recebi recentemente dois ficheiros DSD-puros de música de jazz gravado em estúdio por uma editora especializada japonesa, cuja reprodução no auditório da Viasonica transformou as CM10 numas Nautilus 803. Já ouvi cantar melhor Lush Life (Linda Rondstadt, por exemplo), mas nunca ouvi um som tão “lush in my life”. É a melhor gravação ao vivo em estúdio que já ouvi.


As CM10 não descem aos patamares telúricos da oitava inferior, mas os graves são mais que suficientes para uso doméstico, como provou a audição de Le temps passé, de Michel Jonasz, com bojardas de 40Hz que pareciam as ondas do canhão da Nazaré.


Sobretudo, os graves são muito articulados e com boa definição: o contrabaixo na abertura de Besame Mucho, de Xiomara (PCM 176,4kHz), deixou o João Paulo surpreendido pelo ataque, definição e articulação. E a voz quente dela derretia-se nos nossos ouvidos como chocolate negro.


Utilizar um subwoofer aqui seria um sacrilégio, só admissível para salas muito grandes ou aplicações AV, embora com a clara consciência de que a quantidade pode ser inimiga da qualidade: não adianta de nada chover no molhado...


Os engenheiros da B&W esforçaram-se para encontrar o equilíbrio justo na resposta de graves (ver medições no final). Não estrague o que tanto custou a conseguir, please.


Tanto as vozes masculinas com as femininas são reproduzidas com naturalidade e inteligibilidade.  A voz dos homens ganha “projecção” com o “empurrãozinho” patente nos mais 3dB de resposta aos 300Hz; e a voz das senhoras é aspergida com um spray de 4dB de perfume aos 2kHz. Em nenhum dos casos temos, contudo, a sensação de uma “presença” forçada.


Quanto à sibilância está controlada graças à opção por um decréscimo de cerca de 3/4dB no patamar entre os 5kHz e os 7kHz.


É óbvio o conhecimento da fisiologia da audição humana pelo departamento técnico da B&W, onde os engenheiros vão temperando o som no computador e provando depois a música no auditório, até estar no ponto.


Os pianos podiam ter um pouco mais de textura e peso específico? Admito que sim. Mas isso implicaria compensar a ligeira depressão aos 500Hz, por certo à custa de alguma transparência e claridade, que eu não dispensaria. É aquilo a que se chama um trade off aceitável, numa coluna com estas características e a este preço. Para ter tudo: corpo, textura e densidade sem perda de transparência, vai ter de pagar muito mais.


E a CM10 é tão rápida a denunciar colorações da gravação como é honesta a reproduzir registos de excelência. Apreciemo-la tal como ela é.


Como dizia um humorista brasileiro, a propósito de Bruna Lombardi, uma modelo de grande beleza: “a única coisa que eu mudava nela, era ela para meu apartamento...”.

As CM10 em acção, tendo como fonte highend um...PC portátil!...

As CM10 em acção, tendo como fonte highend um...PC portátil!...

Não culpem, pois, as CM10 pelos males a montante, e apreciem o que elas têm para oferecer a jusante, na confluência dos afluentes dos seus dois canais de águas límpidas no mar imenso de música que se espraia à sua frente, ora manso e luminoso ora violento e belo.


E deixe-se ficar por ali até o sol se pôr no horizonte, às 19H00, que é quando fecha a loja da Viasonica...


A audição das CM10 é uma experiência audiófila, recomendada pelo HIFICLUBE, nas condições aqui descritas, ou nas condições e com o equipamento complementar a definir pelo leitor, em colaboração com a VIASONICA.

Condições de audição:


Na audição das CM10 foram utilizados ficheiros áudio digitais PCM (44 até 384k!) e DSD (64 e 128 via Dop), com recurso a um portátil Asus, Media Player J.River e o excelente Wadia Intuition 01 DAC/amp.


Preços:


B&W CM10: 3 600 euros


Wadia Intuition 01: 7 500 euros


Para mais informações: VIASONICA

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Medições: the taste of the pudding is in the eating


Nota: (sem valor científico, apenas indicativo e obtidas em condições reais de audição e não-laboratoriais)

As CM10 analisadas no auditório 2 da Viasonica por JVH

As CM10 analisadas no auditório 2 da Viasonica por JVH

Após uma agradável audição informal a 3 de Fevereiro, na presença do José Filipe e da sua equipa, de que fazem parte o João Paulo e Carlos Algarve, seguiu-se a visita técnica a 17 do corrente mês, já com todo o equipamento necessário para uma avaliação mais objectiva. A que se seguiu uma longa audição privada de todos os géneros musicais.


A primeira audição já me tinha dado pistas que as medidas vieram a confirmar. Por acção da engenhosa “passagem de testemunho” entre as unidades activas de graves e a carga passiva da solução reflex adoptada pela B&W, a resposta de graves, ainda que limitada em extensão, acaba por ser razoavelmente linear na acústica de uma sala real.


Estabeleci a base de referência da bass-decade nuns sólidos 200Hz (que dão estaleca à percussão!), embora se verifique uma pendente suave, mais lenta e regular abaixo dos 125Hz, e mais rápida abaixo dos 60Hz, com uma depressão cavada por cancelamento aos 50Hz.


Vamos então à quantificação das “passagens de testemunho” entre unidades activas e sistema passivo de carga reflex e do respectivo equilíbrio de forças, com a ressalva de que o que se ouve conta mais que os números:


Aos 200Hz, quando o FST em kevlar entra oficialmente em funções, a acção do tubo reflex está praticamente anulada; aos 125Hz, o sistema reflex tem uma contribuição modesta de -17dB relativa aos altifalantes de graves; -6dB aos 80Hz e -2dB aos 60Hz. No conjunto activo/passivo, a resposta aos 60Hz é de -6dB relativa aos 200Hz, modesta mas aceitável.


Abaixo dos 60Hz, o tubo de carga ganha protagonismo, verificando-se um equilíbrio perfeito de “output” aos 50Hz (-12dB relativo aos 200Hz), em oposição de fase com o woofer inferior, que resulta no consequente cancelamento parcial de fase que, por coincidir com a frequência de ressonância típica de uma sala com estas dimensões, acaba por ser benigna (pois evita a ocorrência do efeito de boominess).


Aos 40Hz, invertem-se os papéis, e a saída do tubo reflex é de +6dB em relação à dos altifalantes de graves ainda que -8dB relativa aos 200Hz.


Aos 31,5Hz, medi um “pico” de 19dB na saída do tubo aos 31,5Hz, que se deve à turbulência (bem controlada e sem efeito de sopro), mas como a resposta dos altifalantes de graves está já em queda (-16 dB relativa aos 200Hz), o que podia tornar-se “boomy” sente-se como “grunt”, que é exactamente o que se pretende: denotando assim alguma capacidade de “rosnar” na presença de muito baixas frequências.


Aos 25Hz a resposta do conjunto unidades/tubo é residual (-20dB relativo aos 200Hz). Mas isso é frequente mesmo em colunas com o dobro do volume interno. De frisar ainda que nenhuma sala pequena tem espaço suficiente para os comprimentos de onda envolvidos em frequências tão baixas.


Notável como aquilo que parece “bumpy” (aos altos e baixos) num gráfico, acaba por resultar assim numa resposta “in-room” com boa linearidade e uma pendente suave e regular. Well done, guys!...


O altifalante de médios FST está bem activo aos 200Hz e até acima dos 3,5kHz (um risco assumido), pautando-se como o verdadeiro carregador de piano das CM10.


Muita da coerência tímbrica e da boa reprodução de vozes deve-se, portanto, ao trabalho da excelente unidade de kevlar, que cobre praticamente 80% dos sinais com conteúdo musical. Como sempre acontece com altifalantes de médios com este diâmetro, estes tornam-se direccionais à medida que a frequência sobe, pelo que alguma variação na “altura” da imagem, dependendo da posição de escuta, pode dever-se ao divergente padrão da resposta polar do binómio médio-tweeter, e à exigência de actividade do FST para lá da zona de conforto nas altas frequências para não sacrificar o desempenho do tweeter.


O tweeter é, aliás, extremamente linear e bem comportado, pelo menos até onde foi possível medi-lo, e parece funcionar quase como um supertweeter: dou de barato que a sua resposta vai muito para além da banda áudio, daí a boa sensação de ar e espaço.


Não disponho de meios técnicos para medir a resposta em fase, mas a complexidade do filtro divisor das forças em presença pressupõe a utilização de amplificação complementar imune a descidas abruptas de impedância na banda áudio.


Por outras palavras: sirva-se a CM10 acompanhada por um bom amplificador a transístores com razoável potência e corrente de sobra. A Viasonica propõe como acompanhamento, além do Wadia Intuition 01, a McIntosh e a Classé.


Por outras palavras ainda: se as CM10 não lhe agradarem não mude de colunas, mude de amplificador ou de fonte...


B&W CM10 CHEZ VIASONICA – Parte 1: Introdução

B&W CM10 (auditório da Viasonica durante o teste tecnicoauditivo de JVH)

As monitoras PM1, no auditório 3 da Viasonica c/ amplificação Pathos

A Viasonica é a única loja em Portugal que tem em exposição todos os 'cromos' da Série Nautilus D

As Nautilus 803, no auditório principal da Viasonica com amplificação Classé e tendo como fonte o novo DAC/Streamer da Marantz

Prof. John Dibb, o guru da B&W (Steyning UK, 1999)

Detalhe das CM10 com o Wadia Intuition em baixo à esquerda

As CM10 em acção, tendo como fonte highend um...PC portátil!...

As CM10 analisadas no auditório 2 da Viasonica por JVH


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