Reviews Testes

B&W CM10

B&W Nautilus (Highend 2005, Munique)

Ai dos povos, sem história! Ai das marcas, sem cultura e tradição. A tecnologia é importante mas não resolve tudo. O marketing agressivo é uma solução de curto prazo. É possível enganar algumas pessoas durante algum tempo, mas não todas as pessoas o tempo todo.


A B&W tem história, cultura, tradição. Na era da globalização, o dinheiro não tem pátria. E a maior parte das grandes marcas britânicas - as americanas também - são propriedade hoje de grandes grupos financeiros estrangeiros. Que alteram a estrutura accionista, mas mantêm a tradição, que dá prestígio à marca, e lhes garante o retorno do investimento no projecto, no desenvolvimento tecnológico, na investigação e na modernização dos meios de produção.


E também no marketing inteligente, claro. Convidar jornalistas em ocasiões especiais, por exemplo, como o lançamento de modelos revolucionários, para ir à fábrica ver “como se faz”, sem esconder nada e respondendo a todas as perguntas, faz parte dessa praxe.

O projecto Nautilus nasceu em 1993, então sob a batuta do génio residente, Laurence Dickie, agora da Vivid. A B&W Nautilus original é uma coluna extraordinária, diferente de tudo o que tinha sido concebido antes. A Nautilus, que esteve exposta na Expo 1998, no pavilhão do Reino Unido, utiliza o princípio da corneta invertida para absorver a onda traseira em inversão de fase; ou seja, tubos de transmissão cujo comprimento é relativo à distância necessária para a completa formação da onda produzida pelos altifalantes de médios e agudos.

Concha do molusco cefalópode Nautilus (obtida no Museu Britânico, no âmbito da apresentação das B&W Nautilus 800 D)

Concha do molusco cefalópode Nautilus (obtida no Museu Britânico, no âmbito da apresentação das B&W Nautilus 800 D)

Se fosse direito, o tubo dos graves teria de ter 3 metros de comprimento!, assim optou-se por enrolá-lo em forma de caracol, imitando o Nautilus (daí o nome), um molusco cefalópode, cuja estrutura interior da concha segue rigorosamente a “golden ratio”, a fórmula divina descodificada na sequência de Fibonacci.


Um dia voltarei a este interessante tema, que prova que a natureza e o homem foram concebidos mediante um projecto matemático de um Ser Superior.

Dr. Peter Fryer, no laboratório acústico de Steyning

Dr. Peter Fryer, no laboratório acústico de Steyning

Em 1998, a B&W lançou a Nautilus 800 Series, que é um misto da 801 Matrix e da mãe Nautilus. Em 1999, o ano em que Mike Gough passou a dirigir a produção, visitei o laboratório de “embriões” acústicos de Steyning, também conhecido por Universidade do Som, onde conheci Peter Fryer, o engenheiro que introduziu a interferometria e a velocimetria laser-doppler na análise computorizada do desempenho dos altifalantes. O doppler também é hoje muito utilizado nos exames ao coração, portanto tem lógica...

Auditório da B&W, construído numa capela do séc. XVII, em Steyning (1999)

Auditório da B&W, construído numa capela do séc. XVII, em Steyning (1999)

Tive também o prazer de conhecer John Dibb, que dirigiu a audição das B&W Nautilus 801, com amplificação Mark Levinson, num auditório construído no interior de uma capela dos séc. XVII, com paredes sólidas em tijolo e pedra.

Seguiu-se a visita à fábrica de Worthing, no Sussex, a maternidade onde nascem as colunas B&W, que me deixou encantado, sobretudo pelo ambiente de trabalho.

O video oficial mostra em pormenor o trabalho de construção das B&W Nautilus, já na versão D (Diamond).


Abbey Road e a memória dos Beatles

A famosa passadeira de peões de Abbey Road

A famosa passadeira de peões de Abbey Road

Do roteiro londrino da visita, fazia obrigatoriamente parte uma visita aos estúdios Abbey Road, onde gravaram os Beatles, e cumpriu-se mais uma tradição: atravessar a estrada na famosa passagem de peões da capa do álbum do mesmo nome.

No estúdio de edição, mistura e produção são utilizadas colunas B&W (Nautilus 800 D, actualmente).

Abbey Road Studios (Londres 1999)

Abbey Road Studios (Londres 1999)

A um canto, ainda lá estavam o amplificador Marshall utilizado pelos Beatles e a bateria de Ringo Starr, embora, neste último caso, eu ache que era mais lenda que realidade...

Amplificador de guitarra a válvulas Marshall, utilizado pelos Beatles (Londres, 1999)

Amplificador de guitarra a válvulas Marshall, utilizado pelos Beatles (Londres, 1999)

Bateria (alegadamente) utilizada por Ringo Starr (Abbey Road Studios, 1999)

Bateria (alegadamente) utilizada por Ringo Starr (Abbey Road Studios, 1999)

Como curiosidade também, vejam ainda na foto abaixo as estranhas e angulares B&W Matrix 800 originais (2008), que sucederam às Matrix 801, cujo design, esse sim, está na base das actual série 800, e que tinham sido colocadas no estúdio, onde normalmente gravava a London Symphony Orchestra, para reproduzir, na mesma acústica, as matrizes em bruto feitas na véspera, antes da edição em estúdio.

Abbey Road, vista do grande auditório/estúdio de gravação. Em baixo as estranhas B&W 800 Matrix.

Abbey Road, vista do grande auditório/estúdio de gravação. Em baixo as estranhas B&W 800 Matrix.

As Matrix 800 pareciam ter sido desenhadas por Picasso, após uma noite de boémia, e eram tão feias que a sua imagem foi aparentemente banida da história da marca. Eu pelo menos não as encontro em lado nenhum, no respectivo site oficial...


Uma longa relação de respeito mútuo


Ao longo de 25 anos, muito mais escrevi e publiquei sobre a Bowers&Wilkins, nomeadamente a apresentação, em Londres, da série Diamond; e inclusivé em video, como este obtido no stand da B&W, na Feira de Las Vegas CES 2010:

Aliás, um dos videos com mais visionamentos publicados no Hificlube (+ de 100 mil!) tem como “vedeta” principal as B&W 800 D, alimentadas por electrónica McIntosh, na apresentação da Viasonica, no Audioshow 2011:

Nota: na caixa especial (no topo da página à direita), sob título “JVH e as B&W” podem abrir no formato pdf alguns originais de reportagens e testes publicados no DN/DNA, assim como em “Artigos Relacionados”.


A fama e o prestígio dão muito trabalho


Esta introdução pareceu-me importante para o leitor ganhar consciência de que as B&W CM10 não “cairam do céu”: são fruto de uma herança histórica, cultural e genética.


E o meu longo envolvimento com o hifi - e a B&W por inerência de função - permite-me ter uma perspectiva mais global e integrada do potencial relativo das CM10, por comparação subjectiva com outros produtos equivalentes da mesma marca e da concorrência; e do seu valor absoluto em termos de performance/qualidade/preço.


O objectivo último é que não seja mais um “teste”, no qual se começa por transcrever a brochura (os críticos anglosaxões fazem copy paste, nem precisam de traduzir, lucky bastards...), seguindo-se meia-dúzia de lugares comuns, a que se chama opinião, para obsequiar o distribuidor e “embalar” o leitor.

A audição crítica, cuja reportagem será publicada na Parte 2 deste artigo, ficou agendada, logo após o Audioshow 2013, e pauta-se como o início de uma nova abordagem do Hificlube: ouvir os equipamentos no seu habitat natural.

Ou seja, neste caso, num dos auditórios da Viasonica, onde eu já tinha também registado outra actuação das CM10 com electrónica AMR, numa reportagem exploratória das novas instalações no Areeiro (ver Artigos Relacionados).

O sistema complementar desta vez foi escolhido por mim, girando à volta do Wadia Intuition 01, que qualquer leitor ou potencial comprador pode experimentar também, retirando-se assim da equação: a sala e o sistema do crítico, que pode ter uma influência determinante no resultado final, sem contraditório, pois eu não convido ninguém para o meu estúdio privado, embora não dispense levar a minha discografia de alta resolução e o equipamento técnico auxiliar da análise subjectiva.


No final, os leitores são convidados a deslocarem-se à Viasonica para fazerem a sua própria audição pessoal com os seus discos preferidos, e a tirarem as suas próprias conclusões, com este ou outro equipamento complementar da sua preferência.


Nota:


B&W CM10 CHEZ VIASONICA – Parte 2: Audição 

B&W Nautilus (Highend 2005, Munique)

Concha do molusco cefalópode Nautilus (obtida no Museu Britânico, no âmbito da apresentação das B&W Nautilus 800 D)

Dr. Peter Fryer, no laboratório acústico de Steyning

Auditório da B&W, construído numa capela do séc. XVII, em Steyning (1999)

A famosa passadeira de peões de Abbey Road

Abbey Road Studios (Londres 1999)

Amplificador de guitarra a válvulas Marshall, utilizado pelos Beatles (Londres, 1999)

Bateria (alegadamente) utilizada por Ringo Starr (Abbey Road Studios, 1999)

Abbey Road, vista do grande auditório/estúdio de gravação. Em baixo as estranhas B&W 800 Matrix.