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Raidho D-1 - teste auditivo

Raidho Acoustics D-1: um diamante multifacetado

Confesso que estive para publicar este artigo em inglês, que parece ser condição sine qua non para se ser citado 'lá fora', como Roy Gregory, da Audio Beat, Jeff Fritz, da Ultra Audio, Jonathan Valin, da The Absolute Sound, ou Alan Sircom, da Hifi+, cuja opinião positiva sobre a Raidho é destacada na brochura da marca.


Até tinha pensado na 'lead': first and lasting listening impressions, um jogo de palavras que fica sempre bem numa citação, e se pode traduzir livremente por 'primeiras e duradouras impressões de audição'. Convenhamos que já não soa tão bem. O mesmo se pode dizer dos discos: os que contêm apenas 'sons' soam, passe a redundância, sempre melhor que os que contêm apenas 'música'.


Mas Delfim Yanez é um espírito livre. E uma audição na sua companhia significa ouvir música que não se ouve em mais lado nenhum.


Vou pois tentar escrever sobre as Raidho D-1 o que os meus ilustres colegas não escreveram em lado nenhum, até porque não dominam o Português...


Antes que me acusem de que o advérbio de modo 'provavelmente' já foi incluído no 'lead'de abertura como estratégia para não me comprometer, e poder assim escrever o mesmo num próximo artigo sobre outro monitor qualquer, deixem-me esclarecer – sem negar que isso possa vir a acontecer - que a ressalva apenas se deve ao facto de 'haver outros monitores no mercado que eu nunca ouvi', e de o D-1 (com suportes de design dinamarquês) custar cerca de 20 mil euros (!), pelo que à partida tem a obrigação de ser um produto excepcional para justificar um preço tão elevado.


O Raidho Acoustics D-1 é um monitor excepcional em tudo: desenho, inovação, concepção, construção, materiais e qualidade de som.

Delfim Yanez posa com o sistema: Esoteric X01 (CD), G0 (clock), Pass X 350.5 (amp), Raidho D-1 (colunas). Nota: prévio passivo.

Delfim Yanez posa com o sistema: Esoteric X01 (CD), G0 (clock), Pass X 350.5 (amp), Raidho D-1 (colunas). Nota: prévio passivo.

E justifica-se pedir tanto dinheiro por um par de colunas minimalistas? Eis uma resposta que só uma audição privada, nas instalações da Delaudio, em Carnaxide, seguida de uma experiência doméstica com o seu próprio equipamento complementar e na acústica da sua sala, lhe poderá dar, caro leitor, partindo do princípio optimista de que dispõe dos meios financeiros exigidos, não só para as comprar mas também para as acolitar com electrónica compatível.


Se for só para as ouvir, pode fazer como eu: desloquei-me à Delaudio para uma prolongada sessão auditiva crítica, na companhia de Delfim Yanez, que não me cobrou nada por isso.


Raidho Acoustics D-1

Raidho D-1 (foto de catálogo)

Raidho D-1 (foto de catálogo)

As D-1 e as C-1 (mais baratas) são almas gémeas. Foram concebidas no mesmo óvulo tecnológico, e por isso são idênticas em tudo: nas dimensões, no peso e nas especificações, e utilizam os mesmos altifalantes montados num duplo painel independente de alumínio espesso: um médio-grave de 115 mm e um tweeter-de-fita (ribbon).


O médio-grave tem um motor patenteado, no qual se substitui o tradicional magneto único por uma engenhosa estrutura circular aberta de pequenos ímans montados numa configuração push-pull, que lembra uma estação espacial e garante um movimento de pistão perfeito, eliminando erros de linearidade e distorção dinâmica.

Uma engenhosa estrutura circular aberta de pequenos ímans montados numa configuração push-pull, que lembra uma estação espacial

Uma engenhosa estrutura circular aberta de pequenos ímans montados numa configuração push-pull, que lembra uma estação espacial

O tweeter é composto por uma membrana com apenas 0,02 gramas, na qual foi gravado um padrão condutor, que depois se cola como se fosse uma etiqueta sobre uma 'cama' de ímans de neodímio, reproduzindo os agudos sem distorção ou coloração, por ausência de ressonâncias, ao não armazenar energia, até porque a massa é quase inexistente, vibrando por efeito do campo magnético e da modulação do sinal no labirinto de condutores.

Montagem do tweeter nas Raidho D-1

Montagem do tweeter nas Raidho D-1

De facto, não é um verdadeiro ribbon. Por princípio técnico, os ribbons são constituídos por fitas de alumínio suspensas apenas no topo e na base. O ribbon da Raidho é do tipo selado, e aproxima-se mais dos quasi-ribbons. É uma película ultrafina e leve, do tipo dos diafragmas de mylar das colunas electrostáticas, tornada condutora pela teia metálica (grafite?) gravada na sua superfície.

Raidho D-1, som de qualidade universal com design dinamarquês

Raidho D-1, som de qualidade universal com design dinamarquês

O que distingue as D(iamante)-1 do modelo C-1 (mais barato) é o altifalante de médio-graves, cujo cone é igualmente leve mas 100 vezes mais rígido, por meio de vaporização de iões de carbono puro (correspondente a 1,5 carates de pó de diamante!) sobre a cobertura cerâmica idêntica à do cone utilizado nas C-1, ao qual se segue um banho de grafite para lhe dar aquela cor cinza-hightec.


Só o tratamento com diamante faz o preço disparar 8 mil euros em relação às C-1!...Um 'só' que é tudo, porque quando se compara já não é possível voltar atrás.


O filtro divisor 'divide' as frequências mas 'partilha' democraticamente a corrente entre ambas as unidades no ponto de corte (3kHz), daí que seja impossível distinguir de ouvido qual o papel que cada um desempenha. Falar aqui em 'junção' é, pois, mais correcto que em 'corte'.


Quer, então, dizer que o cliente paga uma pipa de massa por uma operação de cosmética, só porque 'diamonds are a driver’s best friend'?


Ao reduzir distorções, ressonâncias e colorações até um ponto raramente conseguido, a Raidho deixa-nos libertos perante a música, que surge do negrume do nada, do vácuo do silêncio.


Assim, se é verdade que as leis da física impedem que as D-1 se batam no campo macrodinâmico com colunas de banda larga, como as D-3, pois falta-lhes o 'chão' da oitava inferior, em termos microdinâmicos são o monitor de mais elevada resolução que ouvi até hoje. Basta substituir um componente, mudar um cabo para elas denunciarem de imediato o que se passa a montante.


Audição crítica

Raidho X-1 micro monitor com amplificação Plinius e fonte Esoteric X-07

Raidho X-1 micro monitor com amplificação Plinius e fonte Esoteric X-07

A audição começou com um aperitivo, um verdadeiro amuse bouche: Esoteric X-07 e amplificação Plinius.


Quando a voz de Mayra Andrade surgiu pairando no espaço negro do estúdio que se abriu à minha frente até me arrepiei! Seguiu-se um coro infantil cantando 'Anthem' da banda sonora de Fernão Capelo Gaivota, com narração de Neil Diamond.


Era possível distinguir cada uma das vozes, apesar da semelhança dos timbres e a afinação do coro, e o contraste com o corpo de barítono da voz do narrador:


                                Transcend, purify, glory...


O ecumenismo discográfico de Delfim não cessa de me surpreender. A soprano Claire Lefilliatre soou pura e etérea, com sugestões de mezzo-soprano, sobre uma cama de pétalas de percussão esotérica, cortesia de Joël Grare, e a vibração do bronze dos sinos de Istambul a fechar o espectáculo. Eu avisei que Delfim não é um daqueles 'demonstradores' que só passa sons perfeitos com aprovação audiófila.

Raidho D-1: um palco estereofónico com a precisão e o detalhe da cartografia militar.

Raidho D-1: um palco estereofónico com a precisão e o detalhe da cartografia militar.

Mas nada me podia preparar para o que estava para vir. Nem mesmo a audição das C-2.1, nesta mesma sala (Artigos Relacionados: Raidho Acoustics na Delaudio), e as fabulosas D-3.1, que a Delaudio mandou vir expressamente para apresentar no Audioshow 2014.


Tamanho nem sempre é argumento, e aparentemente é mais fácil optimizar uma duas-vias. Assim, as D-1 são, na minha humilde opinião, o epítome da Raidho Acoustics.


Dos Verdes Anos, de Carlos Paredes, a Genesis vintage, ouvi de tudo. Não é só a vibração hipnótica das cordas da guitarra, afinada um tom abaixo da guitarra lisboeta: Lá, Sol, Ré, Lá, Sol, Dó, que as D-1 reproduzem de forma exemplar, é também o dedilhar dos arpejos, o afago deslizante do glissando, o vibrato, o stacatto que no caso da guitarra coimbrã é quase um martellato, originalmente com o objectivo de projectar melhor o som nas escadarias da Universidade e nas serenatas ao ar livre, e cuja escala maior (pelo menos mais uma oitava) permite demonstrar toda a incrível técnica do mestre e a emoção que a sua música produz em nós.


Foi preciso o Sonho da Noite de Sabbat, da Fantástica, com Claudio Abbado, e na Carmina, dirigida pelo grande Eugen Jochum, para as D-1 denunciaram a sua verdadeira dimensão de mini monitor, com as percussões e os 'metais pesados' a revelarem-se menos 'malignas' que a intenção do compositor e a vontade dos intérpretes, apesar de tudo envergonhando muitas colunas de banda larga que confundem graves com gordura.


A precisão no posicionamento das imagens no amplo espaço habitado pelos músicos e o fantástico Coro da Ópera de Berlim, com perfeita definição de timbres e relações espaciais, tornam o ouvinte num espectador privilegiado, tal a sensação de realidade.


No Sabbat, nunca ouvi a alucinação do pizzicato paródico do Dies Irae com este detalhe e recorte no tempo e no espaço.

Delfim Yanez, um homem feliz, com uma causa a defender: a importância do tempo na reprodução musical

Delfim Yanez, um homem feliz, com uma causa a defender: a importância do tempo na reprodução musical

Delfim Yanez tem uma filosofia muita própria sobre a importância do tempo correcto e da gestão dos silêncios na música (Artigos Relacionados: Plinius Hautonga), também patente na sua aposta firme nos cabos Black Sat (Artigos Relacionados: O cabo que veio do espaço) e na quase obsessiva importância que dá aos relógios de rubídio na eliminação do jitter, essa praga do áudio digital.


Basta ouvir as Raidho para compreender que encontrou agora na área das colunas de som a resposta que faltava às inquietudes temporais, mesmo sabendo-se que é o representante de marcas com pergaminhos como a Monitor Audio e a Magnepan (ver também em Artigos Relacionados), que curiosamente, ou talvez não, utilizam também ribbons para reproduzir os agudos...

Raidho Acoustics D 1: um diamante multifacetado

Delfim Yanez posa com o sistema: Esoteric X01 (CD), G0 (clock), Pass X 350.5 (amp), Raidho D-1 (colunas). Nota: prévio passivo.

Raidho D-1 (foto de catálogo)

Uma engenhosa estrutura circular aberta de pequenos ímans montados numa configuração push-pull, que lembra uma estação espacial

Montagem do tweeter nas Raidho D-1

Raidho D-1, som de qualidade universal com design dinamarquês

Raidho X-1 micro monitor com amplificação Plinius e fonte Esoteric X-07

Raidho D-1: um palco estereofónico com a precisão e o detalhe da cartografia militar.

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