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Magico M6 - 1ª audição formal na Imacústica

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Em 2015, Alon Wolf veio a Portugal para apresentar na Imacústica as Magico M Project (ver M Project Magical Tour ). Alon apresentou as ‘Pro’ aka ‘eMperor’ como um ‘concept–car’ de produção limitada (apenas 50 pares), que seria a base para o desenvolvimento de novos produtos da marca.

Alon Wolf, na apresentação das M Project, na Imacústica - Lisboa ( Novembro de 2015)

Alon Wolf, na apresentação das M Project, na Imacústica - Lisboa ( Novembro de 2015)

O par então único em demonstração já não saiu de Portugal, e está hoje na posse de um dos 50 felizardos em todo o mundo, que se podem gabar de ter um produto exclusivo ao seu serviço audiófilo.

Claro que, no mundo do áudio, a ‘exclusividade’ é sempre relativa, salvo algumas excepções, como as Sonus faber Ex3ma, da qual se fabricaram 30 pares e depois deitaram o molde fora, ou melhor, destruíram-no à marretada, com a imprensa internacional como testemunha. Eu estava lá, e fiz este registo vídeo como documento de prova:

Mauro Grange destrói o molde da Ex3ma à marretada with a little help from Michael Fremer

Neste caso, as ‘Pro’ não foram utilizadas como molde, mas antes como plataforma de desenvolvimento, primeiro das M3, que Alon apresentou também pessoalmente na Imacústica em 2016 (ver ‘Magico M3 – a festa da música na Imacústica - LX’), o único dos três modelos que não têm a particularidade de ter o tweeter montado entre o médio e o primeiro altifalante de graves, alegadamente por ser mais baixa, segundo revelou Alon.

Agora chegou a vez das M6, o mais recente dos três modelos que marcam o ritual de passagem da Magico das caixas em alumínio sólido para os painéis laterais em fibra de carbono com reforço interno e painéis (frente, traseiro, topo e base) de alumínio maciço, depois de em 2004 ter lançado no mercado as Magico Mini em madeira, seguindo-se a Série V, entretanto descontinuada.

De notar, a caixa da unidade de médios em forma de corneta invertida, muito semelhante à ‘cabeça’ das B&W 800 Series.

De notar, a caixa da unidade de médios em forma de corneta invertida, muito semelhante à ‘cabeça’ das B&W 800 Series.

A Magico M6 é uma elegante escultura em forma de hexaedro, de linhas redondas, com cinco altifalantes numa configuração de 3-vias (3 unidades de graves, médio e tweeter) montados numa placa sólida de alumínio (baffle interno) sobre a qual é colocado um espesso painel frontal externo, arredondado e firmemente ligado ao painel traseiro por 10 varas (tensores) de alumínio, que aumenta a relação solidez-peso por um factor de 60 vezes.

Alon afirma que esta construção do tipo monocoque se baseia no desenvolvimento dos cockpits dos carros de Fórmula 1 e nos aviões de combate F-35, baixando o peso, aumentando a rigidez e eliminando as vibrações, as ondas estacionárias e o efeito de difracção.

As M6 estavam montadas na nova base MPOD de 3-pontos de apoio para maior eficácia no desacoplamento com o chão da sala e uma maior ilusão visual de leveza e aerodinâmica (ver fotos).

As Magico M já não apresentam a música com pinceladas de tons frios, pelo que optei também eu pelos tons quentes para as representar fotograficamente.

As Magico M já não apresentam a música com pinceladas de tons frios, pelo que optei também eu pelos tons quentes para as representar fotograficamente.

O tweeter de 28mm com diafragma de berílio e diamante é a última versão do desenvolvido para as M-Pro, assim como a unidade de médios de 15 cm e as três unidades de graves 27 cm, com cones de grafeno concebidos com recurso a nanotecnologia.

Filtro divisor 'Elliptical Symmetry Crossover' das M6

Filtro divisor 'Elliptical Symmetry Crossover' das M6

O filtro divisor é um Elliptical Symmetry Crossover, com condensadores Mundorf e foi concebido para conciliar a largura de banda com a linearidade de fase.

Primeira audição formal das M6

Curioso como, não sendo a primeira vez que as ouvi, as M6 soaram na Imacústica-Lisboa como se fossem uma autêntica novidade para mim, com amplificação Dan D'Agostino Progression, que conheço bem (ver testes que publiquei na Hi News aqui e aqui).

Eu explico porquê: as M6 foram apresentadas em estreia europeia, no Highend 2018, em Munique. Mas, como quase sempre acontece nas salas do lado poente do MOC, a qualidade do som que se fez ouvir ali nos primeiros dias não justificava a tecnologia de ponta utilizada nas colunas, nem o preço superior a 200 mil euros, apesar da excelência da fonte analógica, um Kronos Sparta, e a parafernália de electrónica Soulution, ambos acima de qualquer suspeita, diga-se.

De facto, as coisas melhoraram bastante no último dia, Domingo, como relatei na reportagem, de que podem ver o conteúdo integral da 'Selecção Imacústica' aqui:

'Magico M6 com amplificação Soulution. Demasiado poder de fogo (no grave) para uma sala que vibrava e tinha um som próprio. É o problema das 'avaliações' em condições de audição precária. Mas, no Domingo, o som estava já no ponto, na medida em que isso é possível no MOC (Alon fez algumas afinações), como se prova pela audição do vídeo com som directo, cujo baixo é tenso, intenso e extenso.' JVH in Highend 2018

As M6, tal como as ouvi em Munique, no Highend 2018.

No conforto da Imacústica - Lisboa

As Magico M6 bem acompanhadas por dCS Vivaldi One e D'Agostino Progression prévio/monos, no auditório principal da Imacústica.

As Magico M6 bem acompanhadas por dCS Vivaldi One e D'Agostino Progression prévio/monos, no auditório principal da Imacústica.

Paulo Soares acompanhou-me nesta aventura audiófila na qual se ouviu música sem um critério pré-definido, tendo o CD como suporte único. Não se tratava de um teste, mas apenas de uma audição 'tira-teimas', depois da relativa desilusão de Munique.

Abrimos com 'Air', dos Klazz Brothers & Cuba Percussion, com um piano semi-electrificado mas limpo e claro, passámos sem cerimónia para a guitarra de cordas de nylon, de Antonio Forcione, acompanhando a voz de cordas de linho natural e sensual de Sabina Sciubba, Te vojo bene assai, do álbum 'Meet me in London', e fomos por ali fora com as ambiências electrónicas de Zero-G, Mysterious Places, de Dreaming Cooper, e os tambores Kodo, de Daraijin, que as M6 reproduzem com autoridade e impacte atmosférico.

Quando chegámos a uma selecção em CD registada por mim para testar os Progression, já estava em território bem conhecido. Mas já não teria sido necessário ouvir Casta Diva' pelas três sopranos: Bartoli, Gheorgiu e Callas:

Casta Diva, che inargenti

Queste sacre antiche piante

A noi volgi bel semblante

Senza nube e senza vel

Ou 'I'm confessing that I love you', pela voz quente, romântica regada a uísque e tabaco de Dean Martin, para concluir 3 coisas óbvias:

que a imagem da M6 é fabulosa, tanto na profundidade como, sobretudo, na lateralidade, com um palco amplo, que se abre bem para além dos limites físicos das colunas;

que a linearidade e coerência de fase é de tal ordem que parece controlada por DSP, e nos permitiu divertir bastante a comparar fase absoluta e relativa. E ainda há quem diga que não se ouve a diferença. Pois, experimente com as M6 e vai perceber de imediato o que é a fase absoluta;

que o tweeter é fabuloso e a sua ligação empática com a unidade de médios reproduz as vozes com uma presença e realismo que só ouvi em colunas de corneta, como as Magico Ultimate III , que custam 600 mil dólares!

Nota: em 2014, depois de uma também breve audição das Ultimate III, em Munique, escrevi isto de um fôlego sobre elas, que se aplica em grande parte às M6:

'The Ultimate III loudspeaker system sounded powerful yet graceful; dynamic yet controlled, fast and furious on thunderous drum percussion, yet gingerly magical when it was summoned to show the distinctive percussive character of piano; and considering the complex meanders of the human voice, both female and male, it could also sound emotionally gentle, yet defiant and confident, even boldly daring at times but always composed, without undue sibilance or fricative emphasis. Be it your fix of preference either perfect intonation or intelligibility, the Ultimate III has it all in spades while effortlessly revealing the true tone and phrasing of the accompanying instruments.'

que a secção de graves é como um cavalo puro-sangue, que precisa de quem o saiba 'montar' numa 'sala' capaz de lhe dar o espaço e a liberdade para dar alas ao seu poder e velocidade, ou como dizem os americanos: sometimes it can sound like too much of a good thing...

Ou ainda como diz outro americano, Donald Trump, tudo isto pode não passar de fake news, pelo que o melhor é levar meia-dúzia de discos seus para ouvir pessoalmente na Imacústica-Lisboa este fabuloso sistema de 'meio-milhão', no qual só as M6 custam mais de 200 mil. Não vai ter muitas oportunidades destas, até porque já há candidatos para as comprar...

Nota: Tal como sucedeu com as anteriores 'M', é provável que Alon Wolf marque presença na Imacústica ainda este ano para falar sobre a sua última obra-prima. E não só ele...

 

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Alon Wolf, na apresentação das M Project, na Imacústica - Lisboa ( Novembro de 2015)

De notar, a caixa da unidade de médios em forma de corneta invertida, muito semelhante à ‘cabeça’ das B&W 800 Series.

As Magico M já não apresentam a música com pinceladas de tons frios, pelo que optei também eu pelos tons quentes para as representar fotograficamente.

Filtro divisor 'Elliptical Symmetry Crossover' das M6

As Magico M6 bem acompanhadas por dCS Vivaldi One e D'Agostino Progression prévio/monos, no auditório principal da Imacústica.