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Innuos ZENith MkII

Innuos ZENith MkII: 'ripa', arquiva, organiza e distribui a sua biblioteca digital de música

O ZENith é o que na gíria informática se designa por um ripNAS: ‘ripa’ CDs em poucos minutos, armazena-os, organiza-os e disponibiliza-os na sua rede doméstica, com ou sem auxílio de um computador, desde que esteja ligado por cabo ao seu router. Basta um smartphone ou um tablet com uma App compatível (iOS ou Android) para ter acesso à sua música. O ZENith é o seu Spotify privado, com o qual, aliás, também é compatível, assim como a Tidal e outras.

Até aqui nada de especial. O que não falta por aí são servidores e leitores de rede até de preço mais em conta, como o Melco N1-A, que utiliza discos rígidos; e o Cambridge Azur 851N, sem capacidade de armazenamento (ver Artigos Relacionados), que cumprem com eficácia a função de distribuir música desmaterializada, organizada e pronta a servir com qualidade audiófila.

Mas o ZENith MkII vai um pouco mais longe, no cuidado com que elimina todas as fontes de ruído para garantir um som mais puro, nomeadamente a fonte de alimentação linear tripla para evitar ‘contágio’ interno entre secções; saída USB de baixo ruído, portas Ethernet LAN/Streamer isoladas e filtradas; e o que é mais raro: a utilização de discos Samsung 850 Pro SSD de 1 ou 2 terabytes, em vez dos mais ruidosos discos rígidos.

A versão XXL chega aos 4TB! Os custos sobem em flecha em função da capacidade de armazenamento, pois os SSD são caros (ver preços no final do artigo). Os modelos Innuos da linha de entrada ZEN são bem mais baratos, pois utilizam discos rígidos, tal como a maior parte da concorrência, aliás.

Cópias perfeitas em poucos minutos

'Last but no least', tem uma 'drive' Toshiba que permite copiar CDs, ‘ripar’ se preferir, em poucos minutos (em formato FLAC, por defeito), além de ‘sacar’ toda a metadata com a informação sobre o disco, que fica imediatamente ao seu dispor por ordem alfabética de álbum, artista, compositor e faixas, tudo em pastas organizadas por qualidade (com compressão, CD-quality ou Hi-Res). Se não gostar da organização automática, pode editar a seu gosto.

Quando a metadata não cumpre os requisitos do sistema operacional, as cópias são colocadas em ‘quarentena’ para que o usuário possa completar ou corrigir a informação.

O ZENith propõe ‘backups’ automáticos a cada 50 CDs adicionados à biblioteca, como medida de segurança.

Nem sequer precisa de estar online para fazer cópias. Coloca-se o disco na ranhura, espera-se uns minutos e já está. O mecanismo depois ejecta o disco automaticamente para se poder introduzir outro e outro. Deste modo, é possível copiar toda a sua colecção num curto espaço de tempo, sem ter de recorrer ao computador que, como se sabe, não é propriamente um ambiente ‘asséptico’, em termos eléctricos, e pode afectar, ou melhor, afecta mesmo, a qualidade do som.

O ZENith é totalmente silencioso, porque não utiliza ventoinhas nem discos rígidos, com excepção, claro, de quando está a ‘ripar’ e, mesmo assim, é discreto.

Compatível com todos os formatos, incluindo MQA!

Para os actuais fãs do download em detrimento do suporte físico, é possível transferir toda a sua biblioteca de ficheiros via Ethernet do seu PC, disco rígido externo ou NAS para o ZENith, que aceita todos os formatos áudio conhecidos: WAV, AIFF, FLAC, ALAC, OGG Vorbis, AAC, MP3, DoP (DSD over PCM). E pode reproduzi-los também via USB até 32 bit/384 kHz, DSD256, se o seu DAC o suportar; incluindo MQA!, desde que possua um DAC compatível como o Meridian Explorer V2 (ver Artigos relacionados).

Quanto ao streaming inclui a Tidal e a Spotify, desde que tenha uma assinatura Premium (e também estações de rádio e podcasts). E ainda: aplicações multi-room sem fios, ligado como um NAS a sistemas conhecidos da Sonos, Naim Mu-so (ver Artigos Relacionados), Denon, HEOS; e via UPnP com leitores de rede de outras marcas como a Naim, Linn e Auralic. Nota: nenhuma destas aplicações foi testada.

Mas, pergunta agora o leitor, quem é a Innuos e como é que o ZENith MkII veio parar ao Hificlube?

Sinceramente, eu não conhecia a Innuos, circunstância pela qual me penalizo publicamente, talvez porque, embora a empresa tenha a sua actividade na área da electrónica de consumo e entretenimento, fabrica sobretudo equipamentos de base informática. Não por acaso, foi o meu filho Pedro Henriques, o nosso informático residente, que me chamou a atenção para a Innuos.

'Made in Algarve'

A verdade é que o ZENith tem na sua génese uma preocupação de qualidade audiófila, o que é raro nesta área e o qualifica assim para ser testado por nós, e é também, pasmem!, de origem portuguesa!

A Innuos é uma empresa algarvia, praticamente desconhecida entre nós, e fortemente implantada na Europa, nomeadamente no Reino Unido. A Innuos faz o circuito da ISE, Integrated Systems Europe, que não é a área do Hificlube (enviaram-me um simpático convite para a ISE2017).

Mas também esteve representada no HighEnd 2016, em Munique. E eu aqui volto a penalizar-me por ter passado ao lado da que seria talvez a única marca nacional presente. Mas este ano não falho a visita! Prometo.

Salve os seus CDs!

O Innuos ZENith MkII chegou cá numa altura em que eu andava em arrumações e muito indeciso sobre o que fazer com centenas de CDs, que tenho guardados em caixas a degradarem-se, agora que aderi ao streaming da Tidal e ao downloading da HD-Tracks. Sim, porque ao contrário do que foi prometido, o CD não é ‘perfect forever’, e tenho alguns discos cheios de buracos na metalização. Por enquanto, o sistema de correcção de erros vai dando para os ultrapassar sem ‘soluços’. Mas à medida que o tempo passa…

Assim, nada melhor que fazer rapidamente cópias (legais) de todos os CDs antes que seja tarde. É pena o ZENith não ‘ripar’ também SACDs. Mas o modelo ZEN+, por exemplo, ‘ripa’ Blu-ray, mesmo em 3D. A Innuos bem podia ter transformado o ZENith num ‘ripador’ universal, fica a sugestão para o MkIII. Embora eu entenda que o vídeo não tem cabimento num modelo de características audiófilas puras, a verdade é que eu também tenho na minha colecção Blu-rays Pure Audio - áudio de alta resolução sem imagem, portanto.

FLAC ou WAV eis a questão

As cópias de CD são feitas por defeito em FLAC (sem compressão), um formato livre alegadamente 'lossless', embora a 'bitrate' seja de cerca de metade do CD original: entre 600 e 800 Kbit/s contra os 1100/1400 Kbit/s. De notar que é possível configurar o ‘dashboard’ do ZENith (disponível em my.innuos.com), que detecta imediatamente a presença de um qualquer modelo da Innuos na rede, para ‘ripar’ o CD para WAV em vez de FLAC.

Mas em WAV a metadata nem sempre é compatível com sistemas periféricos como o Sonos, por exemplo, ou não tem informação suficiente para activar o sistema operacional de catalogação, além de que ocupa o dobro do espaço no disco.

Se tem paciência para editar o arquivo, pois as cópias vão passar a ir para ‘quarentena’ em maior número, ‘be my guest’.

De qualquer modo, não consegui notar diferença substancial entre original e cópia FLAC, embora por (de)formação profissional eu prefira WAV a FLAC. Mas a cópia FLAC feita assim é tão fácil e prática como virar hamburgueres na grelha, e está logo pronta a servir.

Quanto à cópia de ficheiros áudio previamente carregados num computador ou disco externo, é possível que o ‘arquivador’ se depare com alguns problemas de organização, dependendo da metadata disponível, circunstância em que, para facilitar a transferência, o melhor é descarregar esses ficheiros todos para a pasta ‘Unsorted’, onde não vão ficar organizados automaticamente, mas podem ser editados depois.

Hélas, o ZENith acabou por não ficar por cá tempo suficiente, pelo que o projecto de arquivo geral da minha biblioteca digital fica adiado - mas não cancelado.

O disco do ZENith MkII vinha já carregado com centenas de discos em qualidade CD; e umas dezenas de ficheiros em alta resolução, que eu utilizei no teste auditivo, além dos dois discos que ‘ripei’ para testar e utilizei depois para comparar cópia e original num Oppo BDP95EU.

'The taste of the pudding'

O Innuos ZENith MkII foi ouvido primeiramente com ligação LAN ao meu PC via 'router', tendo utilizado a App da JRiver como leitor e o DAC Chord Hugo. O som fluiu sem hiatos, com informação do disco, da resolução efectiva e respectiva 'bitrate'.

A qualidade do som pautou-se dentro dos parâmetros habituais para uma ligação NAS via Ethernet: bom sentido rítmico, agradável reprodução de espacialidade, tons sem coloração excessiva e timbres correctos sem grandes desvios ou dureza aparente. Ninguém diria que não se está a ouvir o CD original.

Controlo remoto via App no smartphone

Para utilização via USB, vai ter primeiro de descarregar (e pagar) a App iPeng9 (8,99 €) para iOS, ou Orange Squeeze ('you gotta love this name') para Android, que custa 5,49€ na Google Play, para se poder comandar remotamente o ZENith.

Ambas as Apps são decalcadas no Logitech Squeezebox Controller, entretanto já descontinuado, mas como a Innuos corre internamente o Logitech Media Server a compatibilidade é total.

Continua, claro, a precisar de um DAC, amplificador e colunas. Neste caso, como não está a utilizar Windows Media Player não precisa de instalar qualquer drive, porque o sistema operacional de base é Linux. Mas tem de fazer uma configuração simples inicial para estabelecer a ligação.

No meu caso, utilizei o já referido DAC Chord Hugo HD (ver Artigos Relacionados), um McIntosh MHA100, na dupla função de amplificador estéreo para atacar um par de Sonus Faber Concertino e um par de auscultadores planar-magnéticos de alta resolução Hifiman HE1000.

Nota: a ligação coaxial é possível por meio de um adaptador USB/Coax como o M2Tech HiFace (ver Artigos Relacionados), que além de transmitir o sinal faz 'upsampling'.

Na ligação directa via USB do ZENith o som de uma maneira geral ganhou verdadeiros contornos audiófilos: mais sólido, focado, tonal e timbricamente mais verosímil, dependendo muito da qualidade do seu DAC.

ZENith toca música 'de memória'


A arquitectura de base Quad-core Intel CPU e 8GB RAM permite ao ZENith não só gerir a vasta biblioteca, como ainda ‘tocar música de memória’, isto é a partir de um ‘buffer’, cuja influência benéfica na qualidade do som é audível, e a que também não é alheio o facto de ter sido eliminado da equação um PC ruidoso entre o ZENith e o DAC…

Em termos estéticos, o Innuos ZENith MkII é apenas mais uma caixa negra. Um mostrador LCD ou OLED com 'touchscreen' iria ficar muito bem no painel frontal, mas faria disparar o preço e as apps para smartphone são uma solução alternativa universalmente disponível, prática e bem mais barata.

Operacionalmente, cumpre todas as promessas do fabricante de versatilidade, compatibilidade, estabilidade - e ‘user-friendliness’, isto se as cópias cumprirem os requisitos operacionais.

Sonicamente é sumarento (textura, dinâmica e riqueza harmónica) e doce (timbres correctos sem dureza aparente) como as laranjas do Algarve.

Well done, Innuos!

Nota importante: a Innuos vende os seus produtos através da Net em todo o mundo. Mas para quem prefere um atendimento personalizado mais próximo tem como revendedor autorizado em Portugal o Grupo JLM/Absolut Sound&Video.


Modelos e preços:
ZENith STD 1TB €2699
ZENith XL 2TB €3499
ZENith XXL 4TB €5399

Para mais informações:
Innuos
Grupo JLM



Innuos ZENith MkII: 'ripa', arquiva, organiza e distribui a sua biblioteca digital de música