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Hegel Rost

Hegel Röst, em exposição estática no Highend 2016, Munique

O Röst foi apresentado de forma discreta (leia-se estática) no High End 2016. De uma marca que, normalmente, veste de negro os seus modelos, a novidade era o branco, Dois tons de branco, aliás, o do painel frontal e o do caixa, para lhe dar mais volume e profundidade visual.

O branco está na moda, em especial nos países nórdicos, de tal forma que eu já tinha publicado um artigo específico sobre este tema, na reportagem do High End 2012, sob o título ‘A Whiter Shade of Pale’, que podem ler aqui, especulando eu, então, se não seria uma representação filosófico-cultural do significado de ‘pureza’.

Estranho era que a Hegel, sendo nórdica, não seguisse o exemplo dos seus pares, tanto mais quando optou por lhe dar o nome de Röst, que significa voz, som ou inflexão vocal em norueguês. De facto, com este modelo, a Hegel pretende demonstrar que tem uma ‘voz’, uma palavra a dizer, no contexto da modernidade audiófila.

Hegel Röst ligado à rede fazendo streaming a partir de um NAS.

Hegel Röst ligado à rede fazendo streaming a partir de um NAS.

A foto acima e as seguintes foram obtidas por mim na Ajasom, numa primeira incursão em território nórdico, quando da apresentação das colunas Audiovector QR Series, com amplificação Hegel.

O Röst deixou-me, logo na altura, uma excelente primeira impressão (e as primeiras impressões são sempre as mais duradouras), pelo que, logo que houve oportunidade, fui buscá-lo para um test-drive em condições domésticas, desta feita na companhia do meu filho Pedro Henriques, que tardou mas chegou e se interessa agora mais pela ‘res audiophila’, talvez porque, cada vez mais, o áudio e a sua área específica de formação informática estão cada vez mais próximas, ao ponto de se confundirem, por vezes.

De facto, o Röst não é apenas mais um amplificador integrado, pois combina num chassis único e elegante um amplificador integrado clássico (75W/8 ohms), um DAC de alta qualidade (limitado a 192/24 e sem compatibilidade DSD), um streamer (UPnP/DLNA e AirPlay) e um amplificador de auscultadores (saída para jacks de 6,3mm) herdada do H160. Pode, por exemplo, fazer streaming da Tidal via BlueUpnP para Android ou AirPlay para Apple. O elegante mostrador OLED com caracteres brancos em fundo negro contribui para a funcionalidade discreta. E o controlo remoto em alumínio maciço confere-lhe ‘European status’, embora seja fabricado na China, de outro modo não seria possível esta qualidade por teste preço

É possível, claro, ligar-lhe outras fontes analógicas e digitais com a cablagem tradicional, incluindo USB (96/24) O circuito de potência utiliza a tecnologia SoundEngine, que é uma variante moderna da tecnologia feedforward, desenvolvida nos anos setenta pela Quad para emular as vantagens da Classe A num amplificador de Classe A/B sem as desvantagens da pouca eficiência e de excesso de calor dissipado.

O Röst apenas aparentemente é uma evolução cosmética do integrado H80, pois foi buscar a tecnologia de conversão D/A e o andar de saída aos modelos de topo H160 e H360. Mas foi mais longe ainda, pois a tecnologia patenteada SoundEngine, utilizada no andar de saída de todos os amplificadores Hegel, é agora 50% mais potente, aumentando ainda o factor de amortecimento para o dobro, ou seja:2000!, que já de si era muito elevado, e é também um outro factor, desta vez distintivo, da Hegel.

Hegel Röst atacando um par de Audiovector QR1, igualmente brancas e puras.

Hegel Röst atacando um par de Audiovector QR1, igualmente brancas e puras.

O que isto significa na audição é que o Hegel Röst é praticamente imune à realimentação electromagnética das colunas de som, controlando o grave com pulso de ferro, que soa ‘tenso, intenso e extenso’, muito para além da potência declarada, desde que com colunas adequadas e o potenciómetro para lá das 12 horas.

Numa primeira análise, o som do Röst é leve e seco – sem nunca roçar o clínico-forense – muito limpo e vivo, com extrema claridade e elevada transparência com boa reprodução do ‘decay’ e da ambiência, excelente diferenciação tímbrica e notável textura para um amplificador integrado.

Não é um daqueles amplificadores ‘carnudos’, com uma volumetria de palco exagerada e uma imagem ‘bigger-than-life’, mas tem ‘cojones’, uma expressão bem meridional. Contudo, todo ele é delicadeza, elegância e ‘boa educação’ nórdica. O traço é fino mas preciso e dinâmico, bem delineado, mantendo o sinal ‘na linha’, passe a expressão, com boa resposta transitória e um sentido rítmico a que não é alheio o controlo do grave.

Pouco a pouco, percebemos que aquilo que parece faltar não é, passe a aparente contradição, uma ‘omissão’ mas uma ‘adição’.

Ou seja, até agora habituámo-nos à ideia de que só os superamplificadores têm capacidade para segurar os ‘woofers’ pelos colarinhos, obrigando-os a seguir obedientemente o sinal áudio. Mas o Röst, com os seus ‘modestos’ 75W, tem, contudo, um elevado – e inusitado - factor de amortecimento (‘damping factor’: 2000!) que não deixa os ‘woofers’ manifestarem-se na ausência de sinal. Digamos que têm aquilo que há duas décadas só era possível com um Krell, por exemplo, e centenas de watts: ‘the stop and start factor’. Não há sinal, não há som. Ponto final. E eis que aquela coloração atribuída à vibração extemporânea dos cones desaparece como por milagre.

Hegel Röst em boa companhia (Nagra e Audiovector) no Auditório 2 da Ajasom

Hegel Röst em boa companhia (Nagra e Audiovector) no Auditório 2 da Ajasom

Que, depois disto, o Röst ainda nos ofereça a versatilidade e funcionalidades exigidas pela vida moderna de ligação ao mundo da música desmaterializada, ou seja, digital, só não é apenas mais um bónus, porque a qualidade da conversão D/A se bate com o que de melhor se produz actualmente, incluindo a Nagra, dentro dos limites dos 192/24 PCM! Isto por um preço de cerca de 2 500 euros…

Se pretende operar uma mudança de paradigma na sua vida audiófila, e está cansado da ‘mesmice’ franco-anglo-saxónica, viaje até mais a Norte, lá na Noruega, onde a Hegel lhe oferece a oportunidade de ‘ouvir’ a maravilha de uma aurora boreal digital espelhada num pequeno floco de neve.

Vá ‘vê-la’ e ouvi-la hoje, ao vivo, no auditório da Ajasom, na Damaia.

Para mais informações:

AJASOM
Praceta José Régio, 8A
Damaia de Baixo
2720-330 Amadora
Telefone: 214748709
Telemóvel: 963929510
Fax: 214751367
Email: ajasom@ajasom.net

Hegel Röst, em exposição estática no Highend 2016, Munique

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Hegel Röst em boa companhia (Nagra e Audiovector) no Auditório 2 da Ajasom