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Nagra HD DAC

Nagra HD DAC: assalto ao forte do estado da arte

A principal vantagem de ser crítico de áudio é a facilidade de aceder aos ‘test-drive’ de novos modelos, cuja qualidade e preço os coloca apenas ao alcance de alguns privilegiados com dinheiro e bom gosto para o gastar.

Quando ouvi o HD DAC/HD AMP em Munique a alimentar as Alexia, fiquei logo e ouvido alerta. Havia ali algo de revolucionário na filosofia Nagra que, à falta de melhor expressão, designarei por ‘musicalidade com precisão suiça’.


A Nagra parecia ter conseguido ali a simbiose justa entre a abordagem científica e a perspectiva holística do prazer musical. Quando a oportunidade surgiu, telefonei ao António Almeida, da Ajasom, e no dia seguinte tinha o HD DAC à minha disposição para ‘dar uma voltinha’, enquanto o McIntosh MHA-100 ficava na garagem.

Quis o destino que a Ajasom represente em Portugal duas da mais icónicas marcas do áudio mundial: Nagra e McIntosh, cujo design é inconfundível, não só entre si, mas sobretudo em relação à concorrência da qual se distingue pela imagem.


Sobre o MHA-100 já publiquei nestas páginas um teste completo a que podem aceder na secção Reviews/Testes ou em ‘Artigos Relacionados’. Em Setembro, será ainda publicada uma segunda apreciação, desta feita para inglês ler, na revista HIFICRITIC.


O que aqui se publica hoje sobre o Nagra HD DAC não é, pois, um teste formal e definitivo, como o do MHA-100, mas antes o ‘relatório minoritário’ de uma experiência auditiva gratificante, recomendável e recomendada.


Nagra HD DAC

Nagra HD DAC + PSU MPS

Nagra HD DAC + PSU MPS

O rosto deste DAC tem as mesmas feições dos últimos modelos Nagra, desde o Jazz a válvulas ao Melody a transístores, embora o corpo seja mais longo. Aliás, sendo essencialmente de estado sólido, ou não fosse um conversor digital, o HD é também um prévio e um amplificador de auscultadores e, na boa tradição da marca, utiliza uma válvula no circuito analógico do andar de saída.


Embora tenha a sua própria stock PSU, nesta visita chez JVH fez-se acompanhar por uma sólida fonte de alimentação múltipla externa MPS, que fornece em separado tudo o que são necessidades de corrente das secções ‘digital’ e ‘analógica’, até quatro componentes Nagra, indo ainda mais longe com a opção por alimentação pura por bateria, que foi a que utilizei. E para não deixar nada ao acaso, as bases VFS anti-vibração faziam parte da encomenda.


O meu headamp de referência é o McIntosh MHA-100 – e continua a ser, mesmo depois da visita do Nagra HD DAC – eu sou pela estabilidade (financeira, política, sentimental e audiófila). Contudo, o MHA-100 tem algumas limitações no plano digital, nomeadamente a incompatibilidade com ficheiros DXD e DSD nativos.


O HD DAC não só resolve com facilidade 384kHz e DSD128, como tem uma arquitectura interna de 72 bit! Mas não se fica por aqui: faz upsampling por default de tudo o que entra para DSD 1-bit a 5,8MHz, graças a um circuito concebido por Andreas Koch, da Playback Designs, numa variante também utilizada por Ed Meitner (ver Artigos Relacionados), isto sem recurso aos 1-bit chip, que a Sony deixou de produzir, apenas com programação registada numa FPGA, seguindo o exemplo do que Robert Watt faz com o PCM na Chord.


Como a evolução do digital é imparável, o HD DAC tem ainda prevista a possibilidade de ‘modernizar’ no futuro o firmware via download para um simples cartão SD.


Não vou perder tempo com as funções dos botões: os que estão inseridos em janelas circulares são graficamente óbvios e o botão pressão/rotativo faz o resto com a ajuda do mostrador luminoso.


O HD DAC, que nesta breve experiência utilizei apenas como headamp/USB DAC, dá-se melhor com auscultadores dinâmicos, como os excelentes McIntosh MHP-1000, com os quais fazem uma dupla de altíssima definição e musicalidade (a valvulazinha faz maravilhas!) com bom controlo sobre o grave mas sem excesso de damping. Os Sennheiser HD800 podem ser aqui também uma boa alternativa.


Com os planar magnéticos, como os Audeze e, sobretudo, os Hifiman HE-1000 (teste será publicado em breve no Hificlube e na revista Hificritic) eu mantenho a minha preferência pelo mais ‘sumarento’ MHA-100 - talvez o segredo resida nos autoformers… (ler McIntosh MHA-100: ‘O céu é o limite’)


No plano digital, não há dúvida que estamos perante o ‘estado da arte’, sobretudo para quem é adepto fervoroso do som DSD. Neste particular, bate-se com modelos da Playback Designs (por razões óbvias) da EMM Labs (também por razões óbvias) e até da dCS, por razões menos óbvias e surpreendentes, pois apesar do preço elevado (cerca de 20 000 euros) é bastante mais barato, por absurdo que este preço lhe pareça.


Nota: Para mais informações e marcação de uma audição personalizada contacte a Ajasom (clique em Distribuidor em Destaque para aceder à página e aos contactos).

Nagra HD DAC: assalto ao forte do estado da arte

Nagra HD DAC + PSU MPS