Editorial

Meridian Explorer 2

Meridian Explorer 2, o primeiro DAC compatível com MQA, mediante instalação de firmware ainda não disponível

Mais vale um pássaro na mão que o MQA a voar?...Foi o que eu pensei, quando me decidi a escrever algo sobre o novo Explorer 2, antecipando-me à disponibilidade no mercado de ficheiros áudio codificados em MQA (ver Artigos Relacionados), mesmo sabendo que é - vai ser - este o principal factor de distinção face à concorrência próxima.


E digo vai, porque, neste momento, segundo me informou amavelmente a Meridian, o Explorer 2 ainda não é compatível com MQA. No futuro, e logo que haja ficheiros disponíveis, será simultaneamente disponibilizado o firmware respectivo:


The Explorer² does not currently have the ability to playback MQA files, the ability to do so will come in the form of a firmware update when supporters of our MQA technology actually make files available. As we will not be making the files ourselves, unfortunately we are not in a position to supply them to you, even for testing purposes.


Sendo assim, o Explorer 2 aparentemente não viria acrescentar nada ao que o excelente Explorer 1 já oferecia em termos de desempenho, se exceptuarmos a sua função, por enquanto inactiva, de 'descodificador' de ficheiros MQA 'encapsulados'.


O formato Master Quality Authenticated anuncia-se como a 'descoberta da roda digital', ao permitir comprimir o tamanho de um ficheiro áudio sem comprimir a informação e, deste modo, facilitar o armazenamento, partilha e transmissão de música em alta resolução por meio de streaming na internet.


Há, aliás, já duas empresas de conteúdos áudio, que 'assinaram' contrato de distribuição de ficheiros MQA com a Meridian: Tidal e 7Digital, ambas com presença em Portugal.


Acontece que, por razões legais, de copyright e outras de natureza técnica, isso não vai acontecer tão depressa quanto eu desejaria. E apesar de todos os meus esforços, nem a Meridian, nem a Ajasom, a sua representante oficial, me forneceram uma musiquinha que fosse codificada em MQA, para eu poder aferir das potencialidades do novo formato (talvez em meados de Março, informa-me A.Almeida).


E a Tidal também já me informou que, quando for, será:


At this time we do not have a public timeline as to when MQA content will be available on TIDAL. However, we will be making a large public announcement when it is available via our website, newsletter, and social media pages on Facebook and Twitter.


Mas quem resiste a ter um brinquedo, e não brincar com ele? Isto apesar de eu dispôr de outros excelentes modelos como o Hugo e o iFI DSD, ambos mais caros e também mais completos em termos de especificações.


Enquanto o MQA vem e não vem, o Explorer 2 revelou-se como um verdadeiro upgrade ao Explorer original: mais potência, mais qualidade de som, provavelmente em resultado da nova baixa de impedância de saída e do filtro 'apodising' (sem 'ringing' prévio).


O Explorer 2 situa-se agora, em termos de qualidade de som, entre o iFI Micro DSD e o Chord Hugo, revelando ter as virtudes de controlo, ataque e definição do primeiro e o som mais 'carnudo' e orgânico do segundo. Dos modelos 'dongle' (a tradução é penduricalho, mas soa mal em Português...) é, neste momento a referência absoluta.


Continua a ter algumas limitações em relação ao Micro e ao Hugo, no que diz respeito à resolução máxima de 24-192 e à proverbial incompatibilidade da Meridian com DSD, mas é muito mais barato e portátil, e já sabemos o que Bob Stuart pensa do DSD.


Além de que, segundo ele, o MQA vai colocar um ponto final na guerra dos 'Hertzs'. Se o ficheiro original for a 384kHz é assim que vai ser reproduzido. Esperemos para...ouvir.


Entretanto, na esperança de que a Tidal estivesse prestes a lançar o MQA, inscrevi-me e, para já, não há qualquer dúvida quanto à superior qualidade do 'streaming' (qualidade CD) em relação à Spotify (qualidade MP3). E o Explorer 2 permite ouvir na perfeição essas diferenças que são, sobretudo, de textura, mas também de ritmo.


É incrível como a mesma faixa pode ter um 'balanço' diferente, não apenas tonal mas temporal, numa comparação A/B imediata entre Tidal e Spotify. Admito, contudo, que para quem ouve música no telefone e afins a Spotify serve perfeitamente.


Mas o que me suscitou o desejo de partilhar esta 'primeira impressão (digital)' foi a audição do som de 'Birdman' com o binómio Explorer2/oBravo HAMT-1: da perfeita inteligibilidade dos diálogos e vozes e sons off, cujo realismo me levou a pensar, na cena de abertura do filme, que alguém estava a tentar ligar-me no Skype, às diferentes acústicas de interior e exterior da bateria, que tem no filme a função moderna do antigo coro grego, que sublinha o caminho do herói para a tragédia final, tudo soou como se eu estivesse debruçado numa janela a ver passar a vida lá fora. Notável!


Que venha o MQA: o aperitivo abriu-me o apetite...


 

Meridian Explorer 2, o primeiro DAC compatível com MQA, mediante instalação de firmware ainda não disponível