2011

Axpona Audio Show 2011_ New York

Axpona Audio Show 2011_ New York
AXPONA NEW YORK SHOW 2011
 

 
 
Axpona é um nome feio para um show de áudio, o dito show também não merecia mais. Se alguma coisa valeu a pena em NY foi o... Nobu Show. Ah, pois, desculpem, o Hificlube é uma página de audiofilia e não de gastronomia. Deve ser a minha veia epicurista a manifestar-se com a idade...
 
O Axpona Show de NY foi uma iniciativa de última hora, integrada na CEWeek, que se realizou em Nova Iorque, de 20 a 25 de Junho, com o apoio da Stereophile e da Home Theater, ambas revistas do mesmo grupo. Só assim se explica o relativo fracasso da inciativa. Felizmente, não fui lá de propósito, e aproveitei para tirar proveito da mais cosmopolita das cidades do mundo.
 




Restaurante Pastis (Chelsea, District Market NYC)




No Nobu (japonês) e no Pastis (francês), come-se divinamente sem ter de vender a alma ao diabo. Aliás, feita a conversão em euros, come-se mais barato em NY que em Cascais...

Se a economia americana está em crise, então eu não sei o que é crise. Ou seja: sei, e quem não sabe depressa vai aprender a lição, nos próximos anos em Portugal. Quem mamou na porca da política já engordou o suficiente para se aguentar no inverno da vida. E somos nós, agora, que vamos ter de pagar o enterro do tio, que deixou a herança europeia à sobrinha, que gastou tudo e fugiu para o Brasil, quando ele caiu à cama doente...


Crise=oportunidade



Mas as crises económicas nunca afectaram a venda de produtos de luxo.  No áudio, vai haver sempre quem tenha capacidade financeira para flutuar no mar encapelado do highend. Vai ser ser assim também com os carros e as moradias de luxo. E os bons restaurantes. E a roupa de marca. Ou pensavam que era só o Sócrates que se vestia em NY?...

Se ao menos os Portugueses acreditassem nas suas próprias capacidades, talvez a situação se invertesse rapidamente. Dos shows nacionais a que assisti, nos últimos anos, até o de Aveiro foi superior ao de Nova Iorque. Juro.


Estranhos e conhecidos



É verdade que só passei por lá na sexta-feira, antes da abertura oficial ao público. Não vi, nem ouvi nada que justificasse sequer fazer esta reportagem. Mas os meus leitores merecem tudo, incluindo trocar um passeio no Central Park por um passeio nos  corredores do Affinia Hotel.
 

Apesar de terem sido apresentados alguns produtos de qualidade, nenhum deles é novidade para os leitores regulares do Hificlube, exceptuando um ou outro modelo de marcas menos conhecidas em Portugal: as colunas Linkwitz, Davone e Mark Neumann, por exemplo.
 
 



JVH c/ Andrew Jones 





As TAD, por exemplo, com o inefável e simpático Andrew Jones, estavam a tocar muito bem, e assisti à melhor reprodução de sempre de Avatar em 3D, sem perda de luminosidade e com um efeito de relevo extraordinário, eu diria mesmo inacreditável, com recurso a D-Box Technologies, Digital Projection (Uau! que super projector 3D!), Audio Design Associates, Stewart Filmscreen e colunas Totem. As cadeiras mecânicas eram da Design NS  e moviam-se ao ritmo da acção. Gosto pouco daquela tremideira toda, tipo turbuçência de avião. Se tivesse que ver o filme integral saía de lá agoniado, mas como foram só 5 minutos, enfim...
 






Andrew optou por deixar os amplificadores a válvulas Atma-Sphere só para vista, e optou por electrónica TAD, servindo-se do fabuloso acervo de ficheiros digitais do seu Mac Book Air para nos dar música.









E que música! As Compact Reference CR-1 chegaram bem para as encomendas.
 
 
 

Axpona NY: sala da AIX
 
 
Também em 3D,  com imagem JVC e som Thiel assisti na sala da AIX ao registo de um quarteto de cordas. A AIX diz que é o futuro. A feliz conjugação da imagem 3D e do som multicanal dá outra...eh...dimensão à audiofilia... 











A  imagem que vêem aqui tem o desfasamento típico do 3D visto sem os óculos de correcção. Com os óculos o efeito holográfico era bem real, embora menos espectacular que o de Avatar: a diferença entre realidade e fantasia. A fantasia ganha sempre, claro.

 






As Revel Studio? Estavam a tocar bem com os ML. Só faltava lá o Jorge Gaspar...
 
 


Outras grandes marcas: AR, Wilson, Krell, Magnepan? Nicles. A Pass fez par com a KEF, numa apresentação confrangedora. Se o Delfim tivesse lá ido, desancava-os. A Pass toca muito melhor no Tagus Park do Isaltino.


 

Audio Power Labs 833 TNT
  
 
Do outro mundo mesmo, admito, são os amplificadores Audio Power Labs, a tríodos de aquecimento directo 833C, que me prendaram em NYC, se não com o melhor som, pelo menos com as melhores fotos (ver abertura da reportagem). Mas estes eu já os tinha mostrado antes em acção em Las Vegas.
 
 



Não assisti à demonstração da Steinway-Lyngdorf, porque ainda não estava o sistema montado. Mas valeu a pena lá ir, porque foi um momento de boa disposição. Entrei na sala com a minha esposa, e uma das meninas presentes olha para o meu badge, vê lá escrito Hificlube-Press, e dispara:


- Olá, vocês são do Hificlub da Escandinávia?, devia estar à espera deles, pensei.


- Diga lá, você acha-nos com cara de escandinavos?, perguntei eu.


Well, not really, confessou ela, numa avaliação mais atenta da nossa óbvia meridionalidade.


Foi uma risada geral.


 

Banda negra de street music tocando na 5ª Av. em Nova Iorque
 
 
A verdade é que não há, aquém ou além-mar, nenhum sistema de reprodução electrónica de som e imagem que consiga bater em realismo a própria...eh...realidade de um happening de street music ao vivo, com uma alegria contagiante, numa praça perto do Central Park, interpretado por uma família inteira afroamericana (até um bebé de meses levaram no berço...) tudo por um punhado de dólares, lançados pelos transeuntes para dentro de um chapéu. Por cá, não precisavam de suar tanto, viveriam do rendimento mínimo de inserção...
 
 


A partir daí, tudo no áudio ganha uma nova relatividade, e o crítico toma consciência de que a linguagem, quantas vezes hiperbólica, é apenas uma forma de compensar as limitações do mundo de som virtual que ele próprio habita e no qual se movimenta e compraz. Quando se escreve: just like the real thing, a afirmação deve ser entendida como: “relativamente próximo da realidade”, o que já não é nada mau.


Aliás, os políticos também nunca querem dizer bem aquilo que de facto dizem e que, às vezes, negam ter dito, por muitoo nobres que sejam...


 AFFINIA HOTEL- MANHATTAN
 
O show realizou-se no Affinia Hotel-Manhattan, que estava em obras, e havia 22 salas e 72 marcas. Não terei visitado todas, admito. Várias dedicavam-se à venda de discos e acessórios. Vi na May Audio uma edição da XRCD a 192kHz/32-bit, o que quer que isso signifique, pois pareceu-me um simples CD e não um Blu-ray (ou seria um DVD?), da Linda Rondstadt, pelo qual pediam 80 dólares! É pá, 80 biscas por um CD, que eu posso importar na HDTracks fazendo o download por 15 dólares ou menos. C’mon guys...

A maior parte das salas estava às moscas, com o ar condicionado no máximo (estes tipos são loucos por air-conditioning!). Com raras excepções (a Linkwitz e a MBL, por exemplo), o som estava bem alto, talvez para compensar o barulho do ar gelado que me soprava aos ouvidos.


Contados por alto, isso sim, andariam por lá, na sexta de manhã, meia-dúzia de membros da press, a avaliar pelos badges pendurados ao pescoço, e alguns audiófilos avulsos, que pareciam ter tido ordem de soltura de um lar de terceira idade nas proximidades.


E ainda os nossos distribuidores se queixam da falta de visitantes jovens nos nossos shows... Admito que a coisa tenha melhorado da parte da tarde e no Sábado. Mas aposto que não foram lá mais de 1000 pessoas, até porque era fisicamente impossível: com as salas pequenas, os corredores apertados e os elevadores (optaram pelo 8º e 9º andares!), mesmo com 500 visitantes já teria sido um pandemónio.
 
 







Verdadeiro pandemónio registava-se durante o dia, na 5ª Avenida e no Central Park, e na Times Square, durante a noite, com dezenas de milhares de pessoas a andar de um lado para o outro como borboletas tontas em busca de luz.


Em NY, o pessoal não quer saber de hifi para nada. Metade parece divertir-se saindo à rua para ver a outra metade. E também fiquei com a estranha sensação que metade de cada uma dessas metades são gays, a avaliar pelo número de casais do mesmo sexo a passear de mão dada. Compreende-se: foi a semana da grande decisão. Lá como cá, agora os casais gays já podem contrair matrimónio. Houve festa rija nas ruas de NY e manifestações de sinal contrário com ultras religiosos a ameaçá-los com o inferno - e a polícia no meio, mais divertida que preocupada.



Obama também lá foi, não por causa da polémica gay, mas numa acção de angariação de fundos para a campanha - e havia centenas de cops na rua. Com esse, sim, estavam eles muito preocupados.
 



E querem saber qual foi a loja mais cheia que vi? A da Apple. Porque tem internet à borla e os turistas andavam lá todos a brincar com os iPads 2 e os iPhones 4. Vinha um tipo no meu avião que comprou um Mac dos grandes. Foi agarrado, na alfândega, claro - os iPads2, esses, passaram às dúziasn as malas das senhoras...


Assim estivesse o ambiente do Axpona (refiro-me à Apple, não à festa dos gays...). Espero que o Axpona NY 2012 tenha a dignidade que o áudio highend merece. NY merecia um show como o de... Lisboa.


Aqui se completa a reportagem possível do Axpona 2011:




BELCANTO/JOSEPH AUDIO

 


John Stronczer não estava lá. Mas estava o próprio Jeff Joseph. Simpático como sempre. As pequenas Pulsar pulsavam impulsionadas por amplificadores Belcanto Ref.500 (Classe D). Ar condicionado a soprar para acompanhar o sopro de um orgão de catedral. Acabei por ficar eu próprio na fotografia (no espelho) para fazer prova de vida...
 
 
CHANNEL D







                            Rob Robinson_Channel D_ Pure Music





Estavam a tocar as mesmas colunas Pulsar que na BelCanto, aqui com amplificação Hegel H20. Mas o segredo estava na fonte: um computador Apple com software Pure Music. O DAC era o inacreditável novo Playback Designs que aceita todas as resoluções até 384kHz via USB. Mais: aceita sinais DSD puros directos também via USB. Cuidado: isto é altamente viciante!

 
 



Mas deixem que seja Rob Robinson a explicar a vantagem das fontes digitais puras, mesmo quando o sinal original tem origem no...LP. 

DAVONE/AMR


 


As Davone Ray são dinamarquesas, logo escandinavas, ao contrário de nós, e bem mais feias que as ditas de carne e osso. 











Mas olhem que, com amplificação Absoluta (?) e fonte digital (ficheiros digitais lidos por Purist NAS) tocam melhor do que parecem...
 

EGGLESTON WORKS


 


Já tiveram distribuição entre nós durante o boom do highend, mas depois desapareceram. É uma boa marca americana, um pouco para o carote: as colunas Andra III custam 25 000 dólares.



Nota: You Tube entende que o Hificlube estaria a violar direitos de autor, ao publicar na reportagem da Axpona, NYC, o video da sala da Eggleston/Rogue, durante 30 ou 40 segundos, quando a empresa responsável pela apresentação do sistema, num local público, estava a tocar uma faixa dos Dire Straits quando eu entrei. Atenção: não fui que utilizei a faixa do disco, o que se ouvia era o som ambiente dentro da referida sala. Autorizavam-me a manter a imagem mas sem som. O tempo do cinema mudo foi há 100 anos, e se alguém tem de pagar os direitos de utilização é o distribuidor da Eggleston e da Rogue. Só faltava agora era ouvir-se a voz de um tipo qualquer a conversar em fundo, e ele exigir direitos de autor. Tenho até um caso em que se ouve distintamente uma pessoa presente a peidar-se ruidosamente durante uma apresentação- será que o Hificlube também teria de pagar direitos?...

O som, neste caso,  estava tão bom que eu acho que era boa publicidade grátis ao Dire Straits, mas enfim...Claro que no You Tube estão milhões de faixas integrais e de videos de concertos, incluindo dos Dire Straits, e incluindo esta faixa, com som execrável, mas pronto, pode ficar com a taça: não há som, não há video: delete!
 
 

 
EMOTIVA
 
 






Não me lembro de já ter ouvido a Emotiva. Não sei quem são, de onde vêem e para onde vão. Mas os preços dos diversos componentes entre os 500 e os 1000 dólares soaram-me bem aos ouvidos...
 
 

 
 
 
E mesmo as colunas de 3 vias não ultrapassavam os 1 300 dólares. Ora convertam lá isso em dólares, oiçam o breve video e façam as vossas contas.
 
 
 

LEGACY








 
 
O nome Legacy e o aspecto artesanal podem levar a pensar que se trata de mais um produto da velha guarda americana. Mas olhem que não.
 
 

 
As Legacy são activas e aceitam sinais digitais a 24bit-192kHz, além de adaptarem a resposta ao meio ambiente.




 

LINKWITZ ORION-4
 








Um coluna esquisita com um som bem interessante. Concebida pelo mágico Siegfried. 









Aberto, limpo, muito natural. Faltava-lhe talvez poder e autoridade. Alimentação Bryston. A fonte era também desconhecida para mim: Auraliti L1000 (server) com conversão MSB.
 

MARK NEUMANN


 


De seu nome Coliseum XLS. Também de tamanho XLS era o negro enorme que estava aos comandos. O que é quer ouvir? Jazz, blues, soul, anything else? Eh, pá, ponha aí qualquer coisa que soe a música, estou farto de ouvir hifi. 











O tipo sabia o que era música. As XLS tinham um som poderoso, muito aberto e com um ritmo bem afroamericano.

MBL


 


A tocar baixinho, baixinho. Não sei se estavam como medo que o ananás nos rebentasse na cara. Mas foram simpáticos: devem ter visto Lisboa no meu badge e puseram a tocar música brasileira: as close as it gets, guys (eles aindam pensam que Portugal é um país da América do Sul...).
 
 





No registo video o som saiu muito bem, limpo e agradável. Fonte Linux. Vão por mim: os suportes físicos já eram... 

NAPA





Se o show já tinha pouco de highend, isto então era demais. O sistema todo custava 500 dólares! Mas a família oriental que nos recebeu era uma simpatia e de uma educação realmente highend, incluindo as crianças que invadiam o palco sonoro.



 


Como o nome indica a Napa deve ser da Califórnia. Mas é a China que espreita as oportunidades na América....


NIGHTINGALE









Com fonte Raysonic e colunas Concentus CTR2, as válvulas da Nightingale aparecem em tudo o que é show. A equipa é italiana e muito simpática, com uma boa atitude de vendas e recebe muito bem.
 






 
O som estava um pouco duro, mas o sistema ainda estava em fase de afinação. Estão desculpados, até porque a emoção estava lá...






UNISON
 

 

 
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O som do Unison S6 estava uma delícia com colunas Opera Grand Callas. Só tenho as fotos, sorry guys. A bateria da câmara finou-se, e eu fino aqui a reportagem do Axpona NYC 2011. Para o ano há mais? Nestes moldes, tenho fundadas dúvidas que a experiência se repita. Espero bem que sim. Não pelo que vi e ouvi, mas pelo que comi no Nobu: rock shrimp tempura and sea bass with black bean sauce. Aquilo é música para o meu estômago delicado...



From NYC with love: José Victor Henriques, Editor _ www.hificlube.net

 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


Axpona Audio Show 2011 New York