2009

Rui Borges E Os Mistérios Do Uno





Rui Borges e Os Mistérios do Uno
 





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O ALFAIATE DO SOM
 
Um dia chamei-lhe alfaiate do som. Porque Rui Borges fabrica gira-discos por medida. E também porque melhora o “corte” dos gira-discos fabricados pelos outros. Outra imagem que me ocorreu na altura foi a do médico veterinário a quem as pessoas levam os animais de estimação doentes.

Em Janeiro de 2004, publiquei no DNA uma crónica com o relato da minha visita à Delmax, onde o Rui exercia então o seu ministério – ou será mistério?...


Como o tempo voa, meu Deus! Talvez seja por isso que ele é tão importante na reprodução de música. Permitam-me recordar um excerto de “Arte Analógica”, publicado em 2003, que podem ler na integra clicando sobre o título:


“No LP a música é representada pelo tempo de actuação de uma bailarina que evolui em pontas de diamante sobre a superfície ondulante do disco ao ritmo de 33 rpm, no espaço limitado pelo raio de acção do braço.  


No CD, tal como nos relógios digitais, o tempo musical é apenas uma representação numérica. Nos gira-discos, é o espaço percorrido pelo braço (ponteiro) que determina o tempo: o que passou e o que ainda falta passar.  


Enquanto no analógico o tempo existe em função do espaço, no digital só o tempo existe - daí a importância da precisão do «clock» e os efeitos perversos do «jitter» na performance dos leitores-CD.”


Ora o tempo, em si, sem a componente espaço, não passa de uma abstracção. Ao determinar o tempo musical em função do espaço, o gira-discos tornou-se, paradoxalmente, um objecto de arte intemporal. O CD foi lançado no mercado com o arrogante slogan «perfect sound forever». Passados apenas 20 anos, está prestes a ser substituído pelo Super Audio CD e pelo DVD-Audio. Com ele cai também o mito da eterna juventude. O LP vai continuar vivo: pode envelhecer, gastar-se, curvar-se; pode até a voz perder claridade, o catarro insinuar-se no discurso. Et pour cause, soará sempre mais natural, mais humano. Pura analogia?»


Embora a crónica de reportagem “O Alfaiate do Som” esteja disponível no Arquivo do Hificlube, o respectivo pdf da página do DNA continua a ser um dos mais requisitados pelos leitores.
 
Esta ideia de atenção, de carinho, de autêntico desvelo social, de missão, sobretudo, é recorrente quando se fala no Rui. Como se tivesse sido colocado na Terra pelo deus analógico para preservar a memória do LP. Talvez porque o CD tenha sido obra do diabo!...

Num mundo material, o Rui vai ter sempre dificuldade em integrar-se: são poucos os grandes artistas reconhecidos em vida. E é por isso que resolvi publicar esta special feature no âmbito do Still Vinyl, com direito a crónica personalizada. Para que o mundo saiba que, em Portugal, há um homem com tanta confiança naquilo que faz que revela as entranhas dos seus gira-discos como quem exibe obras de arte.


Na reportagem virtual do Audishow 2008 (virtual porque pretendia ser uma tomada de posição) escrevi:


“Que mais posso dizer do Rui Borges? Parece alimentar-se do ar e da música, como os seres celestes, que sendo alma negam o corpo. O Rui faz sons por medida que caem sempre bem a todos os ouvintes: sem pregas nem rugas, com costuras perfeitas e tecidos harmoniosamente ricos de texturas complexas e requintadas. Com as Amati reescreveu pela pena da Audio Research a Ars Amandi na alcova circular do seu gira-discos, onde voluptuosos violinos e guitarras eléctricas giraram sem discriminações sociais, porque todos os artistas são filhos de Deus. De um Deus maior, no caso do Rui...”


No Still Vinyl só temos de substituir Audio Research por Demidoff (que me soa a válvulas) e Amati por Xavian Mediterranea. Quanto ao UNO não é mais que a extensão do próprio Rui Borges.


DO UNO AO PRIMO



Na outra sala, pontificava o RB Primo que o Rui passou a descrever: é o passo seguinte na evolução do Uno.








Rui Borges e o... Primo



Nota: para ouvir o Primo clique 
aqui e faça scroll down até ZenAudio.







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