2007

Still Vinyl After All These Years

Still Vinyl After All These Years
AJASOM

 
Desta vez gostei mais das Meridian activas. Também é verdade que me sentei na sweet spot (até me foi oferecido amavelmente o comando). A sala era enorme e estava engenhosamente dividida por uma parede de painéis acústicos negros. As colunas são de banda muito larga e sempre que o grave descia lá abaixo, este esgueirava-se por trás dos painéis e voltava desfasado e túrgido como um convidado que chega tarde ao casamento.





 
Reencontrei Brel, ne me quitte jamais pas, apesar dos estalos; e Solti à frente da Orquestra da Royal Opera House, Convent Garden, num LP da Victor RCA, genericamente intitulado Venice, com prelúdios e aberturas de óperas famosas: La Traviata, Semiramide, L'Italiana in Algeri, etc.
 

 
Sinceramente fiquei encantado com a reprodução do disco, mesmo sabendo que o sinal analógico do Wilson Benesch estava a ser digitalizado a 24/96. Não ouvi dureza, não ouvi compressão e deliciei-me com a delicadeza dos agudos. Até o grave se portou bem com este disco. Bravo, Maestro Solti!  
 
AUDIOMANIA


 


Que me perdoem os audiomaníacos, em especial One-O-Six, sempre simpático e genuinamente empenhado nas coisas do áudio. Mas havia (há) algo de errado com estes caracóis. Tanto com CD (e eu conheço bem o Reimyo CDP777) como com LP o som não tinha nem corpo, nem substância, nem imagem. Ouvi compressão geral (não se deve confundir som alto com dinâmica) e distorção evidente no canal direito. Cheguei até a pensar que uma das secções (a de médios-altos) estaria ligada em inversão de fase relativamente às restantes, uma vez que o altifalante faltoso no Porto terá sido substituído, suponho.  


Willie Nelson não soa assim anémico, nem mesmo nas minhas Sonus Faber Concertino. E também não percebi porque não aproveitaram a profundidade da sala para afastar um pouco mais as colunas dos ouvintes. Até por uma razão muito simples: as Nautilus precisam de algum distanciamento para integrarem no espaço as 4-unidades e soarem coesas. Assim, estamos a ouvir 4-altifalantes por canal, e ainda por cima só um canal, se tivermos o azar de nos sentarmos fora da sweet spot. Estes caracóis foram (mal) afinados apenas para um ouvinte, daí o forte “toe-in” - os outros limitavam-se a molhar o pão no caldo. Se calhar o pessoal da fila de trás teve mais sorte. Que tenha saído tanta gente de lá de olhos arregalados não me surpreende: a parafernália highend impressionava, de facto. Sorry guys, better luck next time...

DELAUDIO


 





Finalmente ouvimos as Platinum 100. Aqui para nós não são umas 300 mais pequenas. Nem se espera que o sejam. E a razão é simples: com apenas duas unidades, o tweeter de fita é obrigado a trabalhar numa zona do espectro quase proibitiva, e perde-se alguma delicadeza, quando para compensar a volumetria da sala se sobe o volume.
 
 


 
Mas valeu a pena passar por lá para ouvir Yves Montand
 



e, sobretudo, Johnny Hodges, com a Orquestra de Bill Strayhorn,
 



 
ou Kenneth Gilbert no Das Wohltemperierte Klavier, de J.S.Bach,
 





 
num sistema bem temperado com um Roksan Radius no topo.


EXAUDIO

 
 


 
É bom saber que há marcas que nunca morrem nem nos cobram preços pela hora da morte, como a Dual. E nos ajudam a ouvir os mortos como se estivessem vivos: Coltrane, por exemplo. Isto apesar das ATC me terem soado um pouco crispadas e tensas para não dizer duras.


INTERLUX
 


 Do Carlos Henriques espera-se sempre algo de irreverente, como um sistema a tocar menos mal num hall de passagem para outras paragens. VPI, Cyrus e umas colunas novas da Arcus. O andar Phono tem nome de MAR e é tão português como as lágrimas que lhe dão o sal.



 
 E depois há sempre na Interlux aquele ambiente especial na fronteira entre o hifi e a decoração.
 

POLIFER





 
 Sou tão amigo do João Velez que gostaria de só poder dizer maravilhas das salas onde o encontro. Hélas, nem sempre é possível. Mestre van den Hul achou por bem colocar as Dynaudio de esguelha para domesticar os modos da sala. É um direito que lhe assiste. Mas de tal forma o fez que só havia uma cadeira na sweet spot. Uma vez lá sentado, o cérebro não conseguia evitar a sensação de que algo estava “torto” naquele som. Eu consegui a abstrair-me mas o esforço foi tão grande que não me entusiasmei. E depois as Burmester B25 são tão melhores que as Dynaudio que até dói...

 

 
Contudo, sabe sempre bem entrar numa sala e ver de novo Ella Fitzgerald. Mesmo quando não canta, encanta...
 

 
E o Transrotor Fatbob é transcendental...
 

SUPPORT VIEW

 

 
 Ver Paulo Cardoso, um comercial pragmático puro e duro, a promover giradiscos da ProJect

 







e amplificadores a válvulas single ended da Fat Man, é a prova de que nunca é tarde para ganharmos o céu dos audiófilos. But there he was, and he seemed happy too...
 


 
 E aquela IPod Dock a válvulas é deliciosa
 

TRANSOM





 
De longe o melhor som do Still Vinyl. Apesar da sala viva, do zumbido persistente do sistema eléctrico do hotel e de o Rui apostar mais no CD que no LP. Soou-me tudo bem: um som coeso, cheio, orgânico, inteligível, dinâmico e poderoso. Dos “blues” da terceira idade gravados pela genial loucura de Mark Levinson “himself” até à bateria de Max Roach. Uau! o som do ar dentro dos timbalões a tentar fugir ao castigo das peles parecia mesmo real...
 

 


 
E o LP dos Three Blind Mice tocado no Linn só prova que cego é todo aquele que não quer ouvir e surdo o que ouve apenas com os olhos...

ZEN AUDIO





 
A melhor demonstração de sempre do Miguel (ver video). Com praticamente o mesmo equipamento utilizado no Highend 2006, onde o desanquei forte e feio, ouvi um Messias reproduzido por um computador (!), embora interpretado por seres humanos que me deixaram feliz por pertencer à mesma raça que tantos desgostos nos dá. Somos de facto capazes do melhor e do pior. Até de nos aproximarmos de Deus para lhe pedirmos que nos purifique. And He shall purify...
 





Well done, Miguel: fabulosa imagem estéreo no plano da profundidade. Tal como o Messias, o Lyngdorf afinal também purifica o som...

Still Vinyl After All These Years