2007

Hifishow 2007 - Parte 3: Cabasse, Gamut E Wilson Audio



CABASSE
Sala da Domus Center: Cabasse


A minha relação com a Cabasse vem de muito longe, dos tempos idos dos anos 80, quando ia anualmente a Paris, em peregrinação às Journées de la Haute Fidelité, como repórter da revista Imasom. Fui sempre recebido com simpatia e hospitalidade. Lembro-me que um dia me senti mal, porque com a excitação de ver e ouvir tudo, me tinha esquecido de almoçar, e madame Cabasse, qual mãe preocupada, serviu um bouffet de queijos regados a St. Emillion para me levantar o ânimo. E resultou!
Assisti também à estreia mundial das maravilhosas Atlantis, inspiradas no Oceano Atlântico, que banha as costas da Bretanha, onde se situa a fábrica da Cabasse.


A hospitalidade da Cabasse só tinha paralelo na coragem da suas comparações entre música ao vivo e a reprodução imediata do registo feito in loco através de colunas da marca.


A Cabasse foi dos primeiros fabricantes do mundo a apostar nos sistemas trifónicos (satélites+subwoofer), baseando-se nos estudos do grande Siegfried Linkwitz, uma das minhas referências técnico-culturais, que se generalizou (e degradou) depois com o sistema Bose Acoustimass.


A Cabasse foi também das primeiras a apostar comercialmente nos satélites esféricos com altifalantes concêntricos, sendo que La Sphère, a sua obra máxima, que eu considerei como o Melhor Som da CES2006, utiliza o único altifalante SCS, Source à Cohérence Spatiale, tetra-axial do mundo com unidade de graves incluída!


No HighEnd 2006, de Munique, voltei a ouvi-las, agora já com os suportes definitivos, e não fiquei tão deslumbrado, talvez porque o efeito surpresa tinha passado, ou porque a amplificação e a afinação (a sala?) tinham mudado.
Cabasse TC23


As Baltic II Evolution apresentadas em Lisboa são uma versão mais modesta - se é que se pode considerar modesto um par de bolas de 10 000 euros! - com base na famosa unidade activa tri-axial TC23, com um limite de extensão na oitava inferior do espectro de 80Hz, pelo que precisa, hélas, do apoio de um “subwoofer”, numa configuração trifónica clássica.
Ouvinte atento na sala da Domus Center


Não é este o tempo e o espaço para discutir as vantagens e desvantagens de uma tal implementação, mas antes o de ilustrar por palavras (e fotos) o que vi e ouvi na sala da Domus Center em duas visitas demasiado breves.


No Sábado, fiquei com a sensação que algo estava errado na relação entre o “sub” Altura Largo e as Baltic II. O Largo, fazendo jus ao nome, monopolizava a imagem estéreo e centrava, é o termo, em si, as atenções, entrando em território alheio e roubando o palco às Baltic. Nível de saída? Frequência de corte? Talvez, pois não me parece que as Cabasse tenham sido prejudicadas pela fonte/amplificação da Advance. Se há algo de que não sofro é de preconceito audiófilo. Os Advance podem ser fabricados na China, mas falam bem francês (ver teste aqui)
Cabasse Altura Bahia e Baltic II Evolution


No Domingo, embora me tivessem garantido que nada tinha sido alterado, já gostei mais do tom e do timbre, ou talvez porque era Diana Krall que fazia as honras da casa. Quando entrei, cheguei a pensar se seriam as Altura Bahia que estavam a tocar. Nos “shows”, a tentação de “puxar” pelos “subs” é grande. Noutra sala, com outra afinação (e com mais tempo do que uma simples visita de médico), estou certo que teria ficado mais bem impressionado, pois o potencial está lá: quem criou La Sphère sabe o que faz. Vive La France!


GAMUT


Devido a uma má gestão do tempo, não pude repetir a visita à Pestanaudio, no Domingo, e bem assim a todos os distribuidores do 1º andar. Comecei pelas salas cá de baixo, e depois subi no elevador até ao 2º andar por engano. Ora, se em Las Vegas eu mal tenho tempo para respirar, a jogar em casa ainda é pior, porque os contactos pessoais aumentam exponencialmente: distribuidores, leitores, amigos, conhecidos, enfim, não se pode virar as costas às pessoas, e eu tenho sempre prazer em ouvi-las e conversar com elas.


No Sábado, percorri todo o 1º andar, numa visita relâmpago, prometendo voltar no Domingo. Quando dei por mim, já passava das 19H30 e the show was over.Sorry, guys.
Sala da Pestanaudio Gamut


O pouco tempo que passei na Pestanaudio foi quanto bastou para perceber que estava perante um sistema de som de alto gabarito: num quarto apertado com as colunas Gamut Phi 7, alimentadas pelo novo integrado DI 150, a pouco mais de um metro da cadeira onde eu me sentei, encostadas às paredes laterais, ouvi, melhor, vivi ali blues com alma e verve de concerto ao vivo.
Amplificador integrado Gamut DI 150


O som estava alto mas agradável e sempre ob controlo, o acoplamento acústico com a sala era excelente e a integração das múltiplas unidades surpreendente, mesmo a tão curta distância. Assistiu-se a uma verdadeira ilustração sonora do famoso artigo de Martin Colloms Pace, Rhythm and Dynamics.


WILSON AUDIO DUETTE
Sala da Imacústica: Wilson Duette+Krell Evo 505/FBI


O Luís Campos já me tinha apresentado este concerto em antestreia nas novas instalações da Imacústica. Entretanto, ouvi as Duette em várias circunstâncias sem nunca ficar deslumbrado (em especial no Highend, de Munique) e testei o conjunto Krell Evo 505/Krell FBI para o Hificlube. Não havia ali nada de novo, portanto.
As Duette no seu pedestal


Nova foi a opinião muito positiva com que saí de lá. Apesar de me ter sentado na primeira fila, e de as Duette terem sido colocadas razoavelmente afastadas uma da outra, numa sala com mais volume de ar do que a aparente capacidade das Duette para o movimentar, a verdade é que o som resultante era cheio, encorpado, natural, tridimensional, sem agressividade ou dureza, com apenas o tradicional lower-mid touchda Wilson.


Se as Duette estivessem escondidas atrás de uma cortina acusticamente transparente ninguém adivinharia que se tratava afinal de uma coluna concebida para ser colocada numa... estante!


A voz de Rachelle Ferrell Live At Montreux tinha excelente presença e projecção, assim como a dinâmica natural da voz e guitarra de Friend'N Fellow, que ouvi ao vivo em Munique.


Gostei, aliás, mais da exibição das Duette, no Villa Rica, que a das Watt Puppies 8, na FIL. Não têm a mesma extensão e poder no grave e a imagem é menos focada e um pouco mais limitada em altura, de resto soou-me desta feita mais coerente e musical.
Passeando no palco sonoro


De tal forma que, durante a actuação de Bobby McFerrin e Yo-Yo Ma, quando um dos presentes se levantou da cadeira e entrou no palco sem pedir licença para espreitar o que lá se passava (tal era a sensação de presença física dos músicos, suponho), estive quase para lhe gritar: Cuidado, não tropece no violoncelo do Yo-Yo, homem!...


Só faltou Harry Belafonte At The Carneggie Hall: good show, good show…