2005

Linn Chakra: Ioga E Áudio



Na década de 80, a Linn era sobretudo conhecida pelo famoso gira-discos analógico LP12, que ainda hoje está em produção na sua enésima versão, e de que há pelo menos uma centena de orgulhosos proprietários em Portugal, segundo o último censo oficial.



Tal como Ivor, in illo tempore, estes audiófilos inveterados defendem a superioridade do analógico em relação ao digital, leia-se do LP vs CD. Mas essa é uma polémica já gasta - ainda que fácil de demonstrar a todos menos os que são surdos porque não querem ouvir - e eu não vou entrar por aí hoje.


Tal como certos políticos da nossa praça, Ivor Tiefenbrun evoluiu no sentido contrário das teses que antes defendia e aposta agora fortemente na tecnologia digital, ainda que, no seu íntimo, Ivor prefira o LP como suporte musical por excelência.


Contudo, Ivor é, acima de tudo, um empresário de sucesso, que não confunde gostos pessoais com pragmatismo comercial, pautando-se como um exemplo a seguir pelos empresários portugueses, que se recusam a modernizar as suas fábricas e depois choram sobre o leite derramado, maldizendo os chineses.


Com o investimento massivo de fundos comunitários, Ivor transformou a Linn de uma empresa familiar quase artesanal numa das mais modernas do Reino Unido e foi várias vezes galardoado pelo governo britânico com prémios de excelência empresarial, sendo a Linn apontada como modelo a seguir pela indústria britânica: a aposta na formação de pessoal e o investimento no desenvolvimento tecnológico colocou a Linn no topo da indústria de áudio mundial, e fabrica hoje produtos para áudio e vídeo com design moderno e tecnologia de ponta em instalações modernas e equipadas com sofisticado equipamento informático de apoio à produção e emprega dezenas de jovens engenheiros.


Ivor tem consciência de que não pode competir com a produção em massa de produtos acessíveis com base em mão-de-obra barata. Quem leu um artigo meu intitulado «Choque tecnológico» sabe que é também essa a minha opinião: formar, investigar, inovar e acrescentar valor, eis o caminho.


Ivor optou por reforçar ainda mais a boa imagem de marca da Linn e manter a áurea de exclusividade, agora já não com base na sobranceria audiófila dos anos 80 decorrente da sua condição de «guru», mas na política de preços, que são mais elevados que os de produtos congéneres, e na forma de comercialização, algo tradicionalista e elitista; ou seja, os produtos Linn não se vendem em qualquer loja de hifi, e muito menos em hipermercados ou através da Internet. O apoio ao cliente é personalizado e os pontos de venda são seleccionados não em função do volume de facturação mas da dedicação. O grau de exigência em relação às condições de demonstração é também elevado, obrigando o distribuidor e os poucos revendedores autorizados a investir em espaços dedicados exclusivos da marca dentro das suas lojas. Ivor nunca gostou de misturas. Os seus críticos mais acérrimos dizem que é para evitar a comparação, Ivor defende-se dizendo que é antes para evitar a confusão de marcas num mesmo espaço, além de que sempre considerou que a presença de colunas inactivas numa mesma sala afectam a performance das colunas activas em demonstração, pois os altifalantes, em especial os de graves, vibram produzindo sons não-relacionados com o processo musical em curso e roubam assim impacte e claridade à reprodução.



ACTA NON VERBA
Linn Chakra 4200


A Transom, que distribui em Portugal os produtos Linn, apresentou recentemente em estreia nacional o novo amplificador Linn Chakra, que no léxico do ioga é um dos sete «pontos de poder/energia» do corpo humano, na sua loja junto à condenada praça de touros de Cascais, onde vai nascer um gigantesco complexo habitacional. E com a colaboração de Andreas Manz, o embaixador itinerante da Linn, pôs em prática a técnica de demonstração de marca-única com base na audição comparativa de excertos curtos de música reproduzida na circunstância por um sistema composto por leitor-Universal 2.1, prévio Exotik e colunas Ninka, sendo que apenas alternavam os amplificadores Linn 2250 e o novo Linn Chakra (todos os modelos Linn têm a particularidade de ter a letra «K» no nome).


Thomas Saheicha, Director de Vendas e Marketing da Linn, que se deslocou propositadamente a Portugal para esta apresentação, explicou que «Chakra» não é apenas um novo modelo de amplificador da Linn, é também uma nova tecnologia patenteada de amplificação que pode ser retroaplicada a outros amplificadores da marca, como é o caso do Klimax «Chakra» 500 Twin.


A tecnologia de amplificação Chakra utiliza uma curiosa topologia híbrida no andar de saída: monolítico/bipolar. Quando as necessidades de corrente são baixas, a amplificação fica a cargo dos transístores monolíticos, maximizando a velocidade e a linearidade em detrimento da potência; para as necessidades de corrente elevada entram os bipolares em acção. O segredo parece estar na técnica patenteada de transição. A fonte de alimentação é comutada, no cumprimento da legislação europeia de redução de ruído na rede de energia eléctrica. O que significa também que temos mais potência com menos dispêndio de energia a partir de amplificadores peso-pluma. A linha Chakra é composta pela séries 100, sendo que 100 se refere à potência, e o primeiro número: 2 100, 3 100, etc. ao número de canais; a série 200 segue a mesma lógica numérica.


Embora a audição tivesse sido breve e a exigir uma nova experiência, logo que os modelos de produção estejam disponíveis (Abril/Maio), não há dúvida de que a nova tecnologia confere mais lucidez, claridade e foco à gama média, e torna o grave e o extremo agudo muito mais definido. Uma tecnologia a seguir com atenção.


TRANSOM


Nota: para mais informações: 21 460 06 00