2003

Audioshow 2003: O Voto Feminino



O SORTILÉGIO DO LP



O Melhor: VINIL, VINIL, VINIL



Fiquei impressionadíssima com os sistemas de 'gira-discos' presentes. Não sei se eram melhores ou piores do que os do ano passado, porque desses já não me lembro, (factor muito comum a quem não domina estas coisas do áudio,é esquecer-se do nome dos sistemas topo de gama inatingíveis) mas que eram o melhor do certame deste ano, isso eram de certeza - na minha opinião claro.


O meu favorito era o sistema da Viasónica: Clearaudio, Ayre, Avalon. Adorei o prato transparente com o braço fixo. Já agora aproveito para dizer que esta era a sala com a minha decoração favorita (decoração é outra das minhas paixões, junto com o áudio e a informática). A ideia dos quadros na parede com a iluminação indirecta resultou maravilhosamente, apesar de eu achar que os quadros poderiam ter umas cores menos garridas e serem um pouco mais discretos.


Impressionada fiquei também com o sistema da Imacustica: Michell (outro prato que adorei), Áudio Research, Krell e ProAc. Aqui a minha atenção foi para a performance das ProAc D80. Não sei se era da acústica da sala que servia muito bem o tipo de coluna ou a feliz combinação de componentes, mas a verdade é que nunca pensei que umas ProAc soassem tão bem.



Por falar em acústica das salas, parece-me que deste sempre um dos problemas do audioshow, foi enfiar material com 'capacidades gigantescas' em salas demasiado pequenas. Este ano, apesar de tudo, as coisas estiveram um pouco melhores. Por exemplo, a Alfida conseguiu uma sala de dimensões razoáveis para colocar as JMLab Nova Utopia e Chord, e ainda bem que assim foi senão teria sido uma desgraça. É que mesmo naquela sala de dimensões razoáveis, havia graves a mais para o meu gosto. Não sei bem como explicar, mas ha uma espécie de ressonância pelas paredes (que me causa dores de cabeça) quando se põe colunas com enorme capacidade de graves em salas pouco espaçosas.


Acho que essa foi a razão porque não fiquei muito impressionada com a performance das JMLab Utopia que todos os especialistas dizem ser tão fantásticas. Esperava melhor. O ambiente da sala também não ajudou nada. Que pobreza!


Por último e ainda em relação ao áudio também gostei do sistema North Star, Amphion, apresentado pela JMAudio.


Em relação ao sistema da Viasónica, quero dizer que com a excepção do dia em que todos os anos visito o audioshow, não ouço vinil há mais de quinze anos, pelo que todos os anos não deixo de me impressionar com a qualidade de som produzida pelos 'pratos' apresentados. O meu entusiasmo de aprendiz é tão grande que até trouxe um catálogo da Pro-ject para estudar em casa, e não pude deixar de sorrir quando li neste a expressão 'Go analogue in the third millenium'. Fantástico!


Ah é verdade, entretanto quando consultei o site, vi que havia pelo menos mais um audiófilo que gostou deste sistema, ainda que o tenha colocado no 4º lugar das suas preferências. Menos mal, pelo menos fez-me sentir melhor.


Por último, quero comentar sobre a implicância que a maioria dos seus leitores/admiradores, que se consideram 'audiófilos puros' têm em relação à IMAGEM: AV, Plasmas, Surround e etc. Desde quando é que uma coisa tem de eliminar a outra? Quer dizer que quem gosta de áudio não pode gostar de cinema? E será que pode gostar de ler ou de ir ao teatro?


'Cinema em casa' ainda é cinema, ou não? Pessoalmente devo dizer que não troco o cinema 'fora de portas', numa grande sala, pelo cinema em casa. Mas também reconheço as vantagens de poder assistir, calmamente instalada no meu sofá, àquele filme que tanto quis ir ver, mas que por esta ou aquela razão, acabei por perder. E o que dizer dos magníficos DVDs musicais em DTS e DD(mais de metade da minha colecção) que nos trazem para o conforto do lar, aquele magnífico concerto do nosso artista preferido, que já mais veremos actuar no nosso país? Ou aquela fantástica ópera que jamais pisará os nossos palcos? E aquele sensacional musical da Broadway que nunca veremos em teatro algum do nosso país? Ora francamente, digo e repito, VIVA O DVD! VIVA O DVD!


No entanto, concordo inteiramente que deveria haver uma separação total entre as demonstrações de áudio e imagem. Se por razões financeiras, não é possível dois certames separados, pelo menos não se deveria misturar no mesmo andar do edifício, áudio e cinema. Dada a barulheira ensurdecedora que as demonstrações de cinema fazem. Como aconteceu com a demonstração de SACD da Sony. Era quase impossível conseguir-me concentrar, com o barulho que vinha da sala ao lado. Compreendo que os demonstradores nos queiram transmitir, por exemplo, o que é estar no meio de um campo de batalha, mas se eu quisesse ficar surda pela explosão de uma mina, alistava-me no exército. Com tanto barulho, apenas me atrevi a dar uma espreitada aos universais, DVD-2900 da Denon e ao 757 Ai da Pioneer.



O Pior: O enorme calor, quase insuportável, que se fazia sentir em quase todas as salas.


Marisa Martins