2002

Gente Feliz Com Lágrimas: Audioshow 2002 , Parte Iii



Paulo Cardoso e a tecnologia NXT da Mission

Paulo Cardoso (Corel) realçava com óbvia satisfação perante um visitante as vantagens domésticas, tanto em termos de espaço como decorativos, da tecnologia NXT das colunas Mission.


Mais convencionais mas ainda mais pequenas as Acoustic Energy Aego P5 (Mercaudio). Depois de se reduzir o som a um papel subalterno, eis que se tenta agora reduzir o tamanho das colunas à mínina expressão. E não se pode exterminá-las? No futuro talvez a solução seja ionizar o ar dentro da sala e excitá-lo depois: imersão total. E letal.


Havia excepções, claro. As enormes Snell Reference, por exemplo. Estreia absoluta. O Francisco, da Luz e Som, não se poupou a esforços, alternando Pat Metheny com o Tigre e o Dragão. Sinal dos tempos. Com amplificação Rowland, as Snell impuseram a sua lei. Enquanto, as belas válvulas dos Audion e as tão estranhas quanto belas cornetas da Avantgarde faziam figura de corpo presente perante tal manifestação de força. Novidade: as Piega C2. Aqui para nós: as C40 que ouvi em Las Vegas são fabulosas. Pena não terem vindo também. As C2 são a versão acessível, na forma elíptica, que não no conteúdo.


Luís Pires, uma imagem vale mais que...?

Ninguém escapou ao sortilégio do vídeo. Nem Luís Pires, da GP, um audiófilo praticante: K.D. Lang soou bem através das QLM Signature (frente) G3 (atrás) e 2xC3 ao centro, com electrónica Primare, apesar da acústica de pavilhão da sala cúbica.

A famíla Cremona, da Sonus Faber

Guilhermino Pereira (Imacústica) um fundamentalista pragmático (e simpático) serviu-se dos Audio Research para dar as boas vindas à família Sonus Faber Cremona agora completa. Dentro da sala, o som era no máximo agradável, o cheiro (tinta?) no mínimo insuportável. Louvo o sentido de dever de Guilhermino que aguentou estoicamente os três dias. Deve ter saído dali directo para a desintoxicação.


A mística do SACD

Intoxicado mas com os graves dos subwoofers dos vizinhos estava Rui Vicente, da Sony. As vozes etéreas de Sacred Feast em SACD multicanal ressoavam na capela do Trinity College e, ao longe, ouvia-se ameaçador o trovão do Senhor dos Anéis. Para quando um SACDShow exclusivo? O SACD merece mais.


Monitor Audio+TAG+Dream Vision

«É preciso dar ao povo o que o povo quer. Experimentei passar um excerto de um disco fabuloso que tenho aqui. Foi-se tudo embora. Exibo o Gladiador, e ninguem arreda pé», justifica-se Delfim Yanez, Delaudio. Os inefáveis Eagles soaram igualmente bem com electrónica topo de gama da TAG McLaren e colunas Monitor Audio. MA Silver

Foram, contudo, as deliciosas MA Silver One alimentadas a biberão por um TEAC CR-L600 (fonte comutada) que mais me agradaram. Uma surpresa (barata!) a exigir apreciação urgente.TEAC Nostalgia

Curiosidade: um rádio TEAC da série Nostalgia, igualzinho ao da minha avó mas com... leitor-CD.


Como fotografar um estado de espírito? A Digisom sentou-nos a todos num anfiteatro às escuras para meditar. Rodeados de objectos de arte audiófila expostos sobre almofadas. E de sete (!) raras colunas Sonus Faber Guarneri: «Foram emprestadas pelos nossos clientes para esta instalação única de cinema em casa», revelou João Pedro. Esta relação mútua de respeito e amizade com os clientes é o resultado de uma certa forma de estar no mercado. Que dá frutos.Ou talvez não...


Alberto e as BW802

Pelo intimismo da média luz, optou também o Alberto/Artaudio para demonstrar as BW802 alimentadas por electrónica Classé. Ao ouvir Shirley Horn, ocorreu-me que Diana Krall também a deve ter ouvido muito. Por contraste, João Rodrigues preferiu o espectáculo de luz e cor de «Feet of Flame» para demonstrar as potencialidades do sistema AV Arcam/Mirage. Ao lado, a NAD expunha silenciosamente os seus modelos.


As Linn Komri chegaram a Portugal via Espanha - a Linn é agora Ibérica (e não seremos nós todos «ibéricos» como o pata negra?) -, depois de Ivor Tiefenbrun, «himself» as ter apresentado a Sons em Las Vegas (ver em Reportagens CES, Las Vegas 2002.


José Filipe (Viasónica) e António Almeida (Ajasom) jogaram em dois tabuleiros: AV e áudio puro. Ganhou o áudio, de caras. A instalação Martin Logan/Krell sofria de má afinação do subwoofer. Um conselho geral: com música, desliguem-nos! Diana Krall não precisa de mais peito...


A beleza única dos Nagra

E as Vandersteen/EAD idem com graves inflacionados, João Paulo dixit. Mas já gostei do ambiente de recato onde se exibia o conjunto Audio Physics/Audio Analogue Maestro e do luxuoso par Avalon/Nagra (o processador apresentado em Las Vegas já chegou!) em especial a sala engalanada de luzes suaves. Cá fora a Zélia vendia discos audiófilos da Chesky. Suavemente. Sorridente.


Vítor Torres, um audiófilo puro e duro

Vitor Torres, o proverbial leitor-desconhecido, aproximou-se de mim, identificou-se e mostrou-me uma fotografia da sua aparelhagem com o carinho de um avô exibindo a beleza dos netos: amplificador Musical Fidelity, colunas Sonus Faber Piano Grand, centenas de LPs. «Fui eu próprio que montei um braço SME neste gira-discos Technics do meu filho...», gaba-se com orgulho. «Tenho todos os seus artigos, desde o nr. 1 da revista Audio até ao último DNA. Você consegue transcrever por palavras a emoção da audição. Quando recentemente ouvi os amplificadores a válvulas Octave na loja da Atitude, foram as suas palavras que me ajudaram a compreender melhor o prazer que sentia...».


É por isso que eu escrevo, é para eles que eu escrevo, é por eles que eu escrevo sobre áudio.


Nota: Insira «reportagem» no campo pesquisa para navegar pelo mundo do Hificlube