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Reviews Testes

Pass HPA-1 – o amplificador de auscultadores definitivo

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Pass Labs HPA-1 é um pré-amplificador e amplificador de auscultadores analógico puro, criado para resistir à passagem do tempo.

Nota: review also available in English here

Conheci Nelson Pass em Las Vegas. Terei falado com ele mais duas ou três vezes, no decorrer da CES, quando da apresentação de novos amplificadores à imprensa. Fazia-me lembrar David Crosby, que aos 80 anos continua ativo no mundo da música.

Crosby compõe e interpreta música; Pass tem 70 anos e tentou toda a vida reproduzi-la no limite da perfeição – técnica e artística.

Sim, porque a filosofia de Nelson Pass é a de que, na música, o que se ouve prevalece sobre o que se mede. E um amplificador é tanto melhor quanto mais simples for o seu circuito elétrico. Se possível, com um único transístor, como o First Watt: o primeiro watt é o que mais conta num amplificador.

O amplificador de auscultadores Pass HPA-1 não é tão radical na sua abordagem. Mas também dispensa tudo o que foi considerado excedentário, incluindo a configuração dual-mono e a correspondente saída balanceada.

Analógico é para sempre

E, claro, também não tem um DAC integrado. Tudo o que é digital torna-se obsoleto num par de anos. Ora o HPA-1 é um modelo analógico puro de 2016 e a Pass não está sequer ainda a pensar no HPA-2. Isto porque foi concebido e construído como uma declaração de princípio: o HPA-1 é o amplificador de auscultadores da Pass. Ponto.

…Tudo o que é digital torna-se obsoleto num par de anos; o HPA-1 é um modelo analógico puro…

Curiosamente, o HPA-1 não foi desenhado por Nelson Pass, nem por Wayne Colburn, mas por Jam Somasundram, que veio da Cary Audio, e a quem foi dado todo o tempo necessário para construir o amplificador de auscultadores perfeito.

HPA-1 (interior): placa de circuito principal assinada por Jam Somasundram

HPA-1 (interior): placa de circuito principal assinada por Jam Somasundram

Um amplificador é tão bom quanto a sua fonte de alimentação

Somasundram começou por construir o HPA-1 como um prévio de linha, com um amplificador toroidal três vezes maior do que o exigido pelo circuito, colocou-o dentro de uma gaiola de Faraday e dotou a fonte de alimentação de 40.000 uF de capacidade e de regulação por componentes discretos. Tudo para garantir o patamar de silêncio exigido pela audição com auscultadores.

Outra das exigências do projeto era a capacidade para alimentar todo o tipo de auscultadores com impedâncias entre 15-600 ohms, sendo para isso necessário garantir tensões de pelo menos 24V.

Somasundram optou por utilizar J-Fet no andar de entrada e Mosfet no andar de potência de acoplamento direto, montados em dissipadores independentes, num circuito integralmente discreto e com apenas o mínimo necessário de realimentação negativa.

O andar de saída é fortemente polarizado em Classe A (aquece bastante), melhorando assim as prestações ao nível da linearidade e da distorção.

Medidas notáveis

As medidas são de facto notáveis, embora Somasundram tenha revelado que o resultado da audição prevaleceu sempre sobre o da medição.

Assim, a resposta em frequência é totalmente plana dos 20Hz-200Kz (banda muito larga), com o potenciómetro (Alps) no máximo, e mantém-se plana na banda áudio, com o potenciómetro na posição de meio-dia. Também aqui teria sido possível obter melhores resultados laboratoriais com o volume regulado eletronicamente, mas o Alps deve ter ‘soado’ melhor.

A separação entre canais (superior a 120dB) é fantástica para um circuito que não é dual-mono. A presença de distorção de 2ª harmónica deve ter sido propositada (ainda assim abaixo dos -80dB, logo não audível) talvez para conferir ao som um módico de ‘eufonia’ valvular, sendo que a 3ª harmónica e todas a componentes de ordem ímpar estão abaixo dos -120dB.

As especificações não são tudo, diz-nos Jam Somasundram, que gosta de ‘afinar’ o som dos seus produtos jogando com a polarização, a realimentação e a escolha de componentes, que não têm de ser necessariamente ‘premium’.

HPA-1 - painel traseiro (foto cortesia Pass Labs)

HPA-1 - painel traseiro (foto cortesia Pass Labs)

O HPA-1 é também um excelente prévio, muito simples, com apenas duas entradas RCA e, claro, a saída de prévio, que podem ser comutadas no painel frontal com botões de pressão com leds-piloto azuis controlados por um micro-processador.

Quando se comuta para Preamp, o amplificador de auscultadores desliga automaticamente.

Aquecimento global

O botão de potência está localizado atrás, e a Pass sugere que o deixe sempre ligado. Por duas razões: não tem de esperar os cerca de 20 segundos de tempo de ativação, durante o qual o led azul pisca; nem os 60 min. recomendados para que o HPA-1 aqueça e atinja o pico da performance. Claro que os americanos não pagam a eletricidade ao preço que nós pagamos…

O painel frontal de alumínio maciço, com o logo Pass gravado, é dominado pelo enorme botão do controlo de volume, ainda aumentado pela moldura concêntrica de alumínio preto.

…os americanos não pagam a eletricidade ao preço que nós pagamos…
HPA-1 - pormenor do painel frontal (foto cortesia Pass Labs)

HPA-1 - pormenor do painel frontal (foto cortesia Pass Labs)

A ficha de entrada para o Jack de 6,3mm (única) é uma Neutrik do tipo profissional. Para retirar o Jack tem de carregar na pequena alavanca vermelha. A ficha não fica bonita no painel, mas é fiável e a melhor ligação possível para os auscultadores. 

A construção é robusta do tipo cofre-forte, com placas de alumínio de 4mm apertadas com parafusos de aço sextavados sobre cantoneiras em L. Isto não é um brinquedo, é uma coisa séria, que dá gosto possuir. Para a vida.

Aliás, basta retirar a tampa e espreitar lá para dentro para perceber que a Pass não brinca em serviço.

Nome de família

Pass Labs HPA-1- o miolo, vendo-se os circuitos discretos dos canais direito e esquerdo e, em cima, a fonte de alimentação.

Pass Labs HPA-1- o miolo, vendo-se os circuitos discretos dos canais direito e esquerdo e, em cima, a fonte de alimentação.

A Delaudio, que distribui a Pass em Portugal, pede 4.450 euros por esta obra de arte industrial audiófila. Por este preço, há muitos amplificadores de auscultadores que oferecem DAC (obsoleto ao fim de dois anos) saídas balanceadas e igual potência. Mas não é um Pass. E, no mercado highend, o nome de família tem muita importância.

O Pass cativa-nos para seguir o processo musical em curso, com autoridade, gravitas, e uma gama média cremosa (os Mosfet são o melhor substituto das válvulas) suportada pela inexcedível qualidade da reprodução das frequências baixas, com um pano de fundo de silêncio de breu. O detalhe é apresentado de uma forma requintada: revela tudo com finesse no espaço de um palco sonoro natural e verosímil. Tonalmente, é neutro um tudo nada sobre o quente.

…o detalhe é apresentado de uma forma requintada: revela tudo com finesse…
Pass Labs HPA-1 - (foto cortesia Pass Labs)

Pass Labs HPA-1 - (foto cortesia Pass Labs)

Se investiu três ou quatro mil euros num par de auscultadores planar magnéticos de topo, como os Audeze, Hifiman ou Meze Audio, ou uns Focal Utopia dinâmicos, deve a si próprio o prazer de os ouvir alimentados por um Pass HPA-1.

Permita-me dar-lhe algumas dicas da Tidal:

  1. Adam Naas, You Should Know (Brothers and Sisters)

Prepare-se para ouvir um baixo sintetizado poderoso e profundo que nunca se sobrepõe à voz soprada e gutural de Adam Naas.

  1. Betty Lavette, Things Have Changed

Betty canta a música de Bob Dylan, num disco para ouvir até ao fim. Quem sabe nunca esquece. E a banda de apoio ajuda a reescrever Dylan no departamento de ritmo. A gravação não é perfeita e julgo ouvir distorção aqui e ali. Mas acho que é propositada para assim obter um som mais cru. As interpretações são de perder o fôlego. Todas elas.

‘What Is It You Wanted’, com Trombone Shorty, é uma obra de arte e, claro, ‘The Times They are A-Changin’. Também Betty Lavette parece ter resistido à passagem do tempo, que não passa por ela como por nós, comuns mortais.

Ouvi-la cantar com um par de Hifiman HE1000, alimentados pelo HPA-1, via Roon/Tidal, com um DAC Chord Hugo 2, é uma experiência rica e inesquecível.

  1. Oiça David Crosby (o sósia de Nelson Pass) em ‘For free’ num dueto com Sarah Jarosz. Oh, como as vozes soam humanas, naturais, sublinhadas pelas notas do piano sobre as pétalas de veludo do baixo.

Dei-lhe 3 dicas, aposto que vai querer uma dúzia, porque o som do Pass HPA-1 é guloso. Irresistível. Não é possível parar de ouvir. Já que vai deixá-lo sempre ligado, olhe aproveite. Só ganha com isso.

Pass HPA-1, prévio e amplificador de auscultadores

Distribuidor: Delaudio

Preço: 4.450 euros

HPA 1 headphones 2 LS

HPA-1 (interior): placa de circuito principal assinada por Jam Somasundram

HPA-1 - painel traseiro (foto cortesia Pass Labs)

HPA-1 - pormenor do painel frontal (foto cortesia Pass Labs)

Pass Labs HPA-1- o miolo, vendo-se os circuitos discretos dos canais direito e esquerdo e, em cima, a fonte de alimentação.

Pass Labs HPA-1 - (foto cortesia Pass Labs)


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