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McIntosh MHA200 – ‘Bonsai HeadAmp’

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Um amplificador da McIntosh a válvulas por 4.000 euros, exclusivamente dedicado para ouvir música com auscultadores. JVH esperou décadas por ele – e não podia estar mais feliz.

Uma árvore ‘bonsai’ não é geneticamente modificada para ser anã. A ‘bonsai’ tem todas as características da árvore original que lhe deu origem, apenas foi podada durante anos, ou mesmo décadas, com a paciência de Buda, para não crescer mais que até um determinado tamanho, que corresponde em centímetros ao número de homens necessário para transportar a árvore adulta original, sendo-lhe atribuído um nome conforme a classe a que pertence.

Com uma pegada de 15 x 23 cm, e apenas 13 cm de altura, o MHA200 entra na categoria de ‘Bonsai Komono’, embora não sejam precisos 13 a 15 homens para transportar o MC275 original...

De facto, conhecendo o MHA200 apenas pelas fotografias, fiquei surpreendido quando o tirei da caixa: ‘Que coisa tão gira, e tão pequenina…’. Já o peso é substancial para o tamanho: 4,8Kg, o que significa que vale quase o seu peso em ouro: 4.000 euros!

Nos EUA, onde quem ganha 100 mil dólares por ano é considerado pobre, o MHA200 custa 2.500 dólares, o que o torna numa pechincha para um produto desta qualidade.

Quem sai aos seus…

Foto oficial de família: à esq. a mãe MC1502; à dir., o pai, MC275 (versão Mk VI). Cortesia McIntosh.

Foto oficial de família: à esq. a mãe MC1502; à dir., o pai, MC275 (versão Mk VI). Cortesia McIntosh.

… o MHA200 é filho do icónico MC275, e ‘sai à mãe’, de seu nome MC1502…

O MHA200 é filho do icónico MC275 e ‘sai à mãe’, de seu nome MC1502. Nunca conheci a mãe, mas visitei o pai em Binghampton, e tive uma longa relação de amizade com o primo de estado-sólido, o MHA100, agora já na versão MHA150, bastante mais caro (7.800 euros) mas também mais completo: amplificador de auscultadores e de colunas com DAC integrado e vuímetros de agulhas em fundo azul McIntosh.

Sobre o MHA100 podem ler aqui a análise em inglês que publiquei na revista HiFiCritic, em Agosto de 2015. O MHA150 é basicamente igual, apenas com um DAC melhorado.

Um pouco de história

O MHA200 é, como todos os McIntosh, ‘proudly made’ em Binghampton, que fica a duas horas de autocarro do centro de Nova Iorque. Eu sei, porque já lá estive a visitar a fábrica, quando foi lançado o modelo comemorativo do 25º Aniversário. É verdade, ando nisto há muitos anos…

McIntosh 275 50Th Anniversary (o teste de JVH está disponível no Hificlube.net)

McIntosh 275 50Th Anniversary (o teste de JVH está disponível no Hificlube.net)

Em 2014, lançaram o modelo comemorativo do 50º Aniversário, que analisei num longo teste a não perder, que podem (re)ler clicando sobre o título ‘McIntosh MC275 50 Th Anniversary: ‘Magic Time’, no qual revelo tudo: a história da McIntosh e do MC275, a mirabolante visita à  fábrica de Binghampton, uma descrição técnica simplificada da tecnologia Unity Coupled, criada em 1949 e utilizada ainda hoje no MHA200, e um vídeo no qual Gordon Gow himself explica de viva voz como funciona o circuito ’Unity Coupled’.

Nota: Vou (re)publicar ambos para facilitar a vida aos que querem tudo na ponta dos dedos.

Aliás, tudo o que eu escrevi há sete anos sobre o MC275 50th Anniversary se aplica ao MHA200: o som da voz é inconfundível, o prazer de a ouvir também. Permitam-me transcrever dois pequenos excertos, só para os incentivar a ler o todo:

O MC275LE  reconciliou-me com a crítica áudio, quando o ânimo já me vai faltando, numa época em que as pessoas passam o pouco tempo livre nas redes sociais e estão-se nas tintas para o áudio (mais ainda para as válvulas!), tendo encontrado no Facebook a vacina eficaz contra a audiofilia crónica de que eu padeço sem remorso;

O MC275LE reconciliou-me com a vivência musical quotidiana, arrancando-me da letargia do futebol e da política mórbida de sofá, e fez-me sentir saudades do tempo em que ainda tinha a capacidade de me emocionar com a música.

… o MHA200 é o ‘Mini Me’ – um clone miniatura - do MC1502, e tem o ADN do MC275...

Simplicity itself

McIntosh MHA200, um objeto de coleção e de paixão, por 4000 euros.

McIntosh MHA200, um objeto de coleção e de paixão, por 4000 euros.

O MHA200 foi concebido como amplificador de auscultadores. Ponto final. Não tem DAC nem Streamer integrados. E é o único HeadAmp no mundo com tecnologia Unity Coupled push-pull, suportada pelos transformadores de saída.

Nota: ver em baixo o que é a tecnologia Unity Coupled.

Utiliza dois triodos duplos 12AT7, no primeiro andar de ganho; e outros dois 12BH7, no andar de potência. Embora utilize um circuito push-pull funciona 100% em Classe A (ler no final sobre a tecnologia Unity Coupled).

Quando se liga, os leds que iluminam as válvulas de verde kryptonite piscam durante o aquecimento, e fixam-se depois, indicando que estão prontas para nos dar música, e o led vermelho de standby apaga-se.

Nota: Não se esqueça de desaparafusar a grelha para retirar a proteção de espuma das válvulas.  Se não gosta das válvulas verdes estilo Hulk, e prefere a tonalidade âmbar natural, eu acho que não é possível desligar os leds. E ainda bem, porque se for como no MC275 50Th Anniversary, válvula que se porte mal leva com o led vermelho e tem de ser substituída. É bom saber isso.

Tem saídas não-balanceadas (jack 6,3mm) e balanceadas estéreo (XLR de 4 pinos)  e Mono dir/esq (XLR de 3 pinos) que, em desespero de causa, até podiam ser utilizadas para atacar um amplificador externo, mas não é essa a sua função. As saídas estão todas ativas – não há seletor. Pode ligar 3 auscultadores em simultâneo - o sonho de qualquer crítico de áudio.

MHA200: painel traseiro, entradas RCA e XLR. Entrada para corrente de setor só compatível com cabo IEC 8.

MHA200: painel traseiro, entradas RCA e XLR. Entrada para corrente de setor só compatível com cabo IEC 8.

No painel traseiro, tem entradas exclusivamente analógicas RCA e XLR (balanceadas) para receber o sinal de uma fonte externa (leitor CD, DAC, andar de phono, etc.).

Pode ainda ser ligado a outros componentes McIntosh para ser ativado/desligado em conjunto. Ao fim de um tempo sem sinal (30m), desliga-se automaticamente para poupar as válvulas, no que deve ser a única concessão à modernidade eletrónica.

Não há bela sem senão

A ligação à corrente de setor faz-se com um cabo de ficha tipo 8 (IEC C8), o que não lembra a ninguém, num amplificador desta qualidade, e me impediu de utilizar cabos de corrente Siltech.

Já sei que há quem advogue que os cabos são todos iguais, mas tendo-os eu, porque não posso usá-los?

O controlo de volume também justifica alguns reparos. Vejamos:

No teste utilizei o meu DAC Hugo 2, como fonte principal, além de um leitor-Universal Oppo BDP95EU, com saídas balanceadas.

Quando o volume pode ser regulado na fonte (Hugo2), a McIntosh aconselha a manter o botão de volume do MHA200 na posição central (Unity Gain).

Contudo, para garantir um volume adequado para os HE1000, é preciso rodar o botão do Chord Hugo 2 muito para lá da cor púrpura (tensão de saída  superior a 3V), o que deixa o MHA200 pouco confortável: com 5V na entrada a distorção é audível.

O ideal é manter o volume do Hugo 2 fixo no nível de linha (3V) e subir o volume no MHA200. Aí, sim, sem problemas até níveis de suicídio auditivo. Nunca ouvi um amplificador com tanta potência. Não a declarada (500mW) mas a efetiva, a que se ouve. 

Mesmo com os Hifiman HE1000, que são pouco sensíveis, e o Chord Hugo 2 como fonte, nunca passei da 1 hora no controlo de volume, embora a tentação fosse grande, porque apetece ouvir cada vez mais alto.

Com o Oppo como fonte (2V) e ligado ao MHA200 por cabos balanceados Siltech, a festa começa depois da 1 hora da tarde, ou pelas 12h30, dependendo da sensibilidade dos auscultadores que utiliza.

Mas cuidado: o potenciómetro parece um cavalo à solta, dê-lhe rédea e ele dispara com o freio nos dentes!

Nota: da posição zero até à posição central das 12 h (Unity Gain), o potenciómetro funciona apenas como atenuador, e é apenas adequado para auscultadores intra-auriculares de elevada sensibilidade.

É um clássico puro, com a aceleração de um Tesla!...

Estes são os únicos aspetos negativos que encontrei no melhor e mais potente amplificador de auscultadores a válvulas que já tive o prazer de ouvir. Por outro lado, é o menos versátil. É um clássico puro, com a aceleração de um Tesla!...

Não tenho aqui um par comigo, mas atrevo-me a dizer que o MHA200 deve ser o único amplificador de auscultadores capaz de alimentar os Hifiman HE6 SE, que têm um adaptador  para os ligar diretamente às saídas para colunas dos amplificadores!

…os 500mW debitados pelas válvulas são como os 500 cavalos de um motor a diesel…

Os 500mW debitados pelas válvulas são como os 500 cavalos de um motor a diesel: levam tudo à frente, mesmo o mais difícil dos auscultadores planar magnéticos, mas com o conforto e o luxo de um Mercedes Maybach. Só precisa de deixar o motor aquecer um pouco.

Jogo de impedâncias

MHA200:  painel frontal. Tem saídas não-balanceadas (jack 6,3mm) e balanceadas estéreo (XLR de 4 pinos)  e Mono dir/esq (XLR de 3 pinos) . Botão standby/On, seletor de impedâncias e controlo de volume.

MHA200: painel frontal. Tem saídas não-balanceadas (jack 6,3mm) e balanceadas estéreo (XLR de 4 pinos) e Mono dir/esq (XLR de 3 pinos) . Botão standby/On, seletor de impedâncias e controlo de volume.

O MHA200 tem um botão seletor de impedâncias: 32, 100, 250 e 600 Ohm. Selecione a posição mais adequada aos auscultadores que vai ouvir.

No meu caso, eu utilizei um par de Hifiman HE1000, cuja impedância nominal é de 35 Ohm. Portanto, optei por colocar o seletor nos 32 Ohm.

Com o seletor nos 100 Ohm, o volume de som dos Hifiman 1000 sobe pelo menos 4dB.

Nota: para poder comparar impedâncias vai ter de ajustar o volume.

Mas não é só isso, o caráter do som muda também: nos 100 Ohm, há um melhor controlo dos extremos de frequência, que ganham tensão sem afetar muito a extensão; e a gama-média ganha mais presença; ou seja, os intervenientes musicais parecem aproximar-se mais da boca do palco, sobretudo os vocalistas e solistas. De uma maneira geral, o som fica mais seco e definido, mas menos eufónico.

Contudo, no decorrer do teste logrei detetar uma vaga sensação de que a maior claridade aos 100 Ohm foi ganha à custa de mais nasalidade nas vozes, já de si nasaladas, como as de Keb Mo ou Mighty Sam MClain. Ou será que é nos 100 Ohm que o MHA200 conta toda a verdade?

Thanks to You, McIntosh

Em Thanks To You, a voz de Boz Scaggs soa mais definida com 100 Ohm, mas o substrato de grave que sublinha toda a canção a traço grosso parece perder em extensão, em relação aos 32 Ohm, o que ganha em tensão. A escolha é sua.

O mesmo se passa com You Did the Crime, do álbum Blues Is Alive And Well, um blues bem esgalhado, por Buddy Guy, com a colaboração de Mick Jagger, esse mesmo!, na harmónica…

‘Cognac’, em que Buddy Guy se faz acompanhar à guitarra por Keith Richards e Jeff Beck (que dupla!), ganha ataque e drive com os 100 Ohms, mas o som fica um pouco mais espalhafatoso.

Com os HE1000, os 100 Ohm parecem ser uma opção muito válida, mas aos 250 Ohm, por exemplo, o volume volta a subir +4dB mas perde qualidade e soa algo comprimido. Portanto, não se afaste muito da impedância nominal dos seus auscultadores.

Houve um caso em que preferi de caras a opção por 100 Ohm: no duelo entre Billy Cobham (bateria) e Grover Washington (sax tenor) em Coming Atractions, do álbum Picture This, que parece um ‘jogo de apanhada’ entre saxofone e bateria, arbitrado pelas teclas, e exige por isso tensão e ataque. De tal maneira, que chegamos ao fim da faixa extenuados.

Isto deve-se, porventura, ao facto de a impedância declarada dos Hifiman (35 Ohm) ser nominal, variando com a frequência, logo os 100 Ohm talvez sejam um melhor denominador comum em toda a banda.

MHA200: o segredo do som reside nos dois transformadores de saída Unity Coupled exclusivos da McIntosh (à esq.). À dir. o transformador toroidal de baixo ruído AC/DC.

MHA200: o segredo do som reside nos dois transformadores de saída Unity Coupled exclusivos da McIntosh (à esq.). À dir. o transformador toroidal de baixo ruído AC/DC.

Nada como experimentar

Portanto, faça as suas próprias experiências, com o seletor na impedância nominal, um ponto acima; ou abaixo, no caso de auscultadores com impedâncias elevadas.

Quando se cansar da brincadeira, deixe o seletor na posição que mais lhe agrada com os seus auscultadores, e esqueça o botão.

Já com os Sonus faber Pryma, cuja impedância nominal é de 32 Ohm, eu preferi ouvir sempre com o seletor nos 32 Ohm, pois nos 100 Ohm o som parece perder transparência, embora toque mais alto também. Talvez porque os Pryma não são tão transparentes como os Hifiman 1000, ou então é nos 100 Ohm que essa diferença é mais óbvia...

Igualizar ou não igualizar, eis a questão

Ao contrário do MHA150, o 200 não tem ajuste de graves. Mas pode sempre utilizar o igualizador paramétrico do Roon. Isto, claro, se toda a música que vai ouvir passar pelo Roon. O JRiver também tem igualizador paramétrico.

Os Hifiman dão-se bem com uma boa pitada de graves e rédea curta nos agudos; e os Pryma, que já têm um grave algo enfático, só precisam de um cheirinho na zona de presença da gama-média, além de outras pequenas correções em ambos de frequências específicas.

Isto de uma maneira geral, porque os pavilhões auriculares estão para os auscultadores como as salas para as colunas de som. E depois ainda há os gostos pessoais…

Uma coisa eu lhe garanto: os desvios tonais e tímbricos não podem ser assacados ao MHA200, que só não é absolutamente neutro, porque tem o som dourado das válvulas. One gets what one pays for…

Nota: Claro que, quando testo e comparo auscultadores e/ou amplificadores, como é aqui o caso, a análise é feita com base no som dos auscultadores, tal como vieram a mundo. Nas audições por puro prazer afino-os ao meu gosto pessoal.

MHA200 com grelha de proteção das válvulas. O brilho verde é efeito de leds e não da incandescência das válvulas, claro...

MHA200 com grelha de proteção das válvulas. O brilho verde é efeito de leds e não da incandescência das válvulas, claro...

Tube swapping

Há ainda outra forma de ‘afinar’ o som ao seu gosto: substituindo as válvulas 12AT7 por versões equivalentes de outras marcas: Telefunken ECC801S, Mullard CV4024, etc. O som das válvulas de origem satisfaz-me plenamente, pelo que sugiro que as mantenha no seu lugar, até porque são mais baratas. E foi com elas que a McIntosh fez o ‘voicing’ do MHA200…

O MHA200 é o melhor amplificador de auscultadores a válvulas que já ouvi. Não sei se é o melhor do mundo – até ou(ver) é o melhor do meu pequeno mundo!

Faz-me lembrar o pai, Mr. MC275 LE, sobre cujo som escrevi:

A primeira sensação é a de presença e transparência... reproduz os metais de forma explosiva e realista; as vozes soam limpas, presentes e naturais e as cordas têm a mistura ideal de açúcar e resina... é surpreendentemente dinâmico...correcto em termos tonais... sem ser velado ou gorduroso... não enfatiza certas zonas do espectro em detrimento de outras... justo equilíbrio entre presença e recato...'.

Não tenho mais nada a acrescentar, a não ser que o filho tem a mesma voz do pai.

A audição do MHA200 não é uma sugestão – é uma obrigação.

E termino com uma citação de Oscar Wilde:

‘We live in an age when unnecessary things are our only necessities.’  

  • Produto: McIntosh MHA200 - amplificador de auscultadores
  • Preço: (desde) 4.000 euros
  • Distribuidor: AJASOM

 

Unity Coupled (descrição técnica simplificada)

  • O circuito Unity Coupled é uma variante patenteada de topologia «ultralinear», na qual a malha de realimentação se obtém pela ligação de diferentes enrolamentos do primário ao cátodo e à placa (ânodo) que contribuem em partes iguais.
  • Na topologia «ultralinear», a malha de realimentação depende do desacoplamento parcial do cátodo, ligando a grelha por meio de uma resistência de valor moderado a uma tomada do mesmo enrolamento primário, aproveitando assim alguma potência útil, e jogando com a proximidade à placa para garantir um modo quasi-tríodo; ou então ao rail de alta tensão para obter os benefícios de maior potência no modo-pêntodo.
  • A topologia Unity Coupled serve-se de enrolamentos primários bifilares, cuja proximidade garante um melhor acoplamento magnético e elimina a distorção de «corte» ou transição dos meios ciclos.
  • Com o circuito dividido em partes iguais (50/50) pelo cátodo e pela placa e a malha de realimentação com base nos primários bifilares, o andar de saída está permanentemente equilibrado e dispensa ajuste de polarização.
  • Sendo um amplificador push-pull, o MC275 comporta-se quase como um circuito em Classe A, no qual um dos fios do enrolamento do primário de cada canal é ligado através da fonte de alimentação à placa e ao cátodo de uma das válvulas responsável por amplificar o meio-ciclo positivo e o outro do mesmo modo à válvula que amplifica o meio-ciclo negativo, eliminando-se a interferência magnética gerada pelo núcleo (core flux), na ausência de corrente alterna durante a transição entre ciclos e o consequente pico de distorção.
  • O circuito funciona quase como um sistema de vasos comunicantes. Quando a tensão do cátodo (filamento) da válvula condutora sobe, a tensão do ânodo (placa) desce. Na outra válvula verifica-se exactamente o oposto (push-pull). Ao ligar via transformador a grelha do cátodo de uma válvula cuja tensão sobe à placa da válvula oposta cuja tensão desce na exacta proporção, a tensão da grelha de ambas as válvulas mantém-se igual e estável, e o ajuste de polarização deixa de ser crítico: se uma válvula pifar substitui-se por outra igual e está pronta a tocar.
  • Nas versões mais recentes, como o MC275 VI 50Th Anniversary, o terceiro fio do enrolamento trifilar dos primários é ligado às placas do seguidor de cátodo, obtendo-se assim uma largura de banda de 100 000 ciclos. Absolutamente genial!...
  • O MC275 tem o habitual padrão de distorção de 2ª harmónica (-70dB), contudo muito inferior ao típico amplificador a válvulas, sobretudo nas baixas frequências, e é o único que eu conheço capaz de reproduzir ondas quadradas perfeitas tanto a 1kHz como a 10kHz com excelente tempo de subida e sem “overshoot”. Notável também é a baixa impedância de saída e o consequente factor de amortecimento (passou de 14 para 22 no 50th Anniversary).

 

Mas para terminar em jeito de homenagem, deixem que seja o próprio Gordon Gow a explicar em 10 minutos aos mais interessados como funcionava o circuito Unity Coupled original, num video cortesia da Audio Classics:

McIntosh MHA200 capa

Foto oficial de família: à esq. a mãe MC1502; à dir., o pai, MC275 (versão Mk VI). Cortesia McIntosh.

McIntosh 275 50Th Anniversary (o teste de JVH está disponível no Hificlube.net)

McIntosh MHA200, um objeto de coleção e de paixão, por 4000 euros.

MHA200: painel traseiro, entradas RCA e XLR. Entrada para corrente de setor só compatível com cabo IEC 8.

MHA200: painel frontal. Tem saídas não-balanceadas (jack 6,3mm) e balanceadas estéreo (XLR de 4 pinos) e Mono dir/esq (XLR de 3 pinos) . Botão standby/On, seletor de impedâncias e controlo de volume.

MHA200: o segredo do som reside nos dois transformadores de saída Unity Coupled exclusivos da McIntosh (à esq.). À dir. o transformador toroidal de baixo ruído AC/DC.

MHA200 com grelha de proteção das válvulas. O brilho verde é efeito de leds e não da incandescência das válvulas, claro...


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