Editorial

O estado da Crítica por JVH

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Uma das críticas feitas aos críticos é a de que todas as críticas (perdoem-me a aparente redundância) são positivas. É tudo bom. Será?

Os críticos defendem-se como podem, alegando que o material que testam é previamente selecionado entre aquilo que mais lhes agradou numa primeira audição informal e que mandam para trás o que não atinge os ‘mínimos olímpicos’.

Eu próprio já utilizei este argumento muitas vezes, porque corresponde à verdade, até porque evito perder tempo com produtos que não me dão prazer ouvir.

Mas mesmo na crítica há graus de ‘positividade’ que são aparentes no texto, como uma maior ou menor preferência do crítico pelo produto em teste.

Há leitores que me mandam emails particulares, perguntando: li a sua crítica, agora diga lá o que é achou realmente…

Eu só tenho uma opinião. É a minha e vale o que vale.

Mas baseia-se em milhares de horas de audição dos melhores (e dos piores) equipamentos de áudio do mundo, e eu ofereço-a gratuitamente aos leitores para a utilizarem como entenderem. Quem dá o que tem…

Há quem diga que é uma opinião como outra qualquer, e ainda por cima pouco isenta, porque os críticos são agentes infiltrados, como se a indústria áudio fosse a indústria farmacêutica, que inunda o mercado com medicamentos que fazem mal à saúde e têm efeitos secundários.

Calma. Um amplificador é apenas um instrumento que nos permite ouvir música. E é disso que se trata apenas: música. E cada qual toca a que sabe e quer. Ora, ‘Música é mais do que som’, é algo que nos transcende.

Mas, tal como na pintura, há muitas formas de olhar para um quadro. E há pessoas que olham para um quadro (sobretudo arte moderna) e não veem lá nada e outros veem lá tudo!

E depois há os que nos ensinam a ver. Dou um exemplo:

Do programa cultural da apresentação mundial à imprensa das Sonus faber Ex3ma*, que decorreu em Vicenza, em 2014, fazia parte uma visita à exposição de pintura: verso Monet, Storia del paesaggio dal Seicento al Novecento.

*Nota: reportagem integral aqui 

Vi parte da exposição sozinho e, naturalmente, gostei mais de uns quadros do que outros. Depois, integrei-me ‘clandestinamente’ num grupo de jovens acompanhados por uma guia com conhecimentos enciclopédicos de pintura, que falava um italiano tão límpido que não perdi uma palavra. 

E ela fez-me ver a luz. Explicou em detalhe as técnicas de perspetiva, dos pincéis, das telas, dos pigmentos das cores, da representação e das formas de captar a luz, e eu passei a ver nos quadros coisas que nunca tinha visto antes.

É isso que eu tento: ajudar os leitores a ver o Som na tela da música. Depois cada um ouve com os ouvidos que Deus lhe deu…

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