Reviews Testes

Chord Mojo

Convite da Chord para o almoço de lançamento do Mojo, no restaurante Hutong, no 33º andar da Torre Shard (ao fundo na foto).

1.O segredo


Robert Watts, o génio da tecnologia de conversão digital, que foi o primeiro a defender a vantagem da programação por medida de processadores de elevado poder de computação no coração dos DACs, em lugar dos mais vulgares ‘chips’ pré-programados, do tipo pronto-a-vestir utilizados pela concorrência, deu a entrevista que podem ver no vídeo abaixo, por altura da apresentação do Chord Dave, o mais sofisticado DAC desta famosa escuderia digital britânica, onde explica com relativo pormenor o que é a FPGA, Field Programable Gate Array.

Depois da entrevista, John Franks, o patrão da Chord, chamou-me à parte, e mostrou-me em segredo o que Rob Watts tinha na manga para o Natal dos audiófilos: um brinquedo chamado Mojo, então ainda só o ‘miolo’ sem a caixa, cujo preço rondaria os 500 euros, aproveitando alguma da programação e tecnologia desenvolvida para o DAVE que custa 20 vezes mais!


Rob explicou-me o novo conceito de portabilidade sem pôr em causa a elevada performance, ao nível de DACs 20 vezes mais caros, segundo ele. Seria uma versão em miniatura do Hugo (ver teste em Artigos Relacionados), com a mesma função de conversão de sinais digitais e amplificação de auscultadores alimentado a bateria de longa duração e carga rápida. For your eyes only. No photos, and no news yet, please. Cumpri.


2. O convite

Ora isto foi em Maio, e no início de Outubro recebi no correio o convite acima exposto. O Mojo ia finalmente ser lançado com pompa e circunstância, numa festa de arromba, com almoço de oito pratos, no Hutong, um restaurante asiático gourmet, que fica no 33º andar da Torre Shard, a mais alta de Londres.


3. O presente

A prenda da Chord chegou antes do Natal e não resisti: abri-a!

A prenda da Chord chegou antes do Natal e não resisti: abri-a!

Por razões pessoais, não pude estar presente, mas John Franks enviou por correio o presente acima exposto. Claro que não esperei pelo Natal para o abrir.


4. A Mona Lisa

É mais fácil ver a diferença entre uma obra prima e um esboço Tosco que ouvi-la...

É mais fácil ver a diferença entre uma obra prima e um esboço Tosco que ouvi-la...

Além de fotos em alta resolução e o pdf com a descrição técnica do Mojo, que podem ler em inglês (no topo da página à direita), John Franks incluiu na pen que me enviou o ficheiro em power point que utilizou na apresentação na torre Shard. Um dos quadros – literalmente – é o que está exposto acima, no qual se pretende ilustrar que a verdadeira arte não está ao alcance de qualquer ‘pintor digital’, mesmo que trabalhe sobre uma ‘tela’ FPGA, porque nem todos se chamam Rob Watts.


De facto, há sons que são uma caricatura do original.


5. O Mojo

Eis o Mojo em toda a sua 'mobile joy'!

Eis o Mojo em toda a sua 'mobile joy'!

O Mojo, cujo nome é o acrónimo de ‘Mobile Joy’, apresenta-se vestido de alumínio aeronáutico negro (cor única) ultra resistente, com 3 botões redondos e proeminentes, um para ligar/desligar e dois juntinhos para volume +/- , que se iluminam com todas as cores do arco-íris para nos informar sobre o volume (do mínimo das cores quentes ao máximo das cores frias do espectro visível do arco íris acima do infravermelho e abaixo do ultravioleta) e a frequência de conversão do sinal: de 44,1kHz (vermelho) a 768kHz! (violeta), passando pelo laranja (48Khz), verde (96Khz), azul (192Khz), etc, à medida que se sobe, indicando a cor branca a presença de sinais DSD, segundo o mesmo código do Hugo (ver teste), embora o Mojo vá (pelo menos no papel) até DSD256. É ainda compatível com os formatos PCM; WAV; AAC; AIFF; MP3 e FLAC e com todos os smartphones e music players.


O Mojo também não oferece os ‘filtros de ambiência’ e a capacidade Bluetooth do Hugo que, aliás, eu nunca utilizo. Em algum lado tinham de cortar para reduzir o preço para 1/3.


Atenção: se ao ligar o Mojo, pressionar simultaneamente ambos os botões de volume, estes ganham uma cor azulada/violeta, o que significa que o nível de saída está algures nos 2V, ideal para o ligar a um prévio ou amplificador externo (via cabo jack/duplo RCA) no qual possa regular o volume. Nestas circunstâncias, não ligue os auscultadores, ou pode vaporizá-los e aos seus tímpanos.


Com 8 x 6 x 2 cm, o Mojo pesa 180 gramas (mais pesado que a concorrência da Meridian, Cambridge, etc, - ver testes na secção Reviews/Testes) e tem ar de poder ser utilizado pelos marines em campo de batalha, incluindo o teste do tanque de guerra a passar-lhe por cima a que um crítico alemão sujeitou o Hugo com sucesso (o vídeo está no You Tube).

As entradas USB Micro e coaxial (jack de 3,5mm, cabo fornecido) vão ambas até aos 768Khz/32-bit – já igualados mas até agora nunca ultrapassados – explorando as potencialidades do processador Xilinx Artix 7.


A entrada óptica fica-se pelos 192Khz/24-bit. A outra entrada USB Micro é para carregar a bateria: 4 horas de carga (e não 10 como consta no descritivo) dão para uma autonomia de 10 horas de música, dependendo muito do tipo de auscultadores e frequência de amostragem. Nota: o Mojo aquece bastante quando em carga, e fica morno ao fim de umas horas de funcionamento. Pode carregá-lo e ouvir música ao mesmo tempo mas a carga completa vai demorar mais tempo.

As saídas resumem-se a dois jacks de 3,5mm para auscultadores. Ao contrário do Hugo não tem saídas RCA. Mas pode ligá-lo ao sistema hifi por meio de um cabo jack/duplo RCA (não fornecido).


A potência disponível depende da carga a alimentar. Apenas 35mW sobre 600ohms, mas 720mW sobre 8 ohms! A impedância de saída é de 75 mOhms, o que em teoria os torna praticamente imunes à carga a alimentar. Contudo, soaram sempre melhor com auscultadores dinâmicos e intra-auriculares que com os Hifiman HE-1000, que são planar magnéticos (carga puramente resistiva). Opte pelos Sennheiser, por exemplo, que são do mesmo distribuidor TopAudio/JLM.


Nota: com Windows tem de instalar o Asio Driver 1.05. Se utiliza o Windows 10 opte por Kernel streaming no J.River21.


6. Mojo vs. Hugo

O Mojo dá nova vida aos auriculares, e pode alimentar dois pares simultaneamente para partilhar a sua música com a namorada...

O Mojo dá nova vida aos auriculares, e pode alimentar dois pares simultaneamente para partilhar a sua música com a namorada...

O objectivo do Mojo não é, em última análise, substituir o Hugo na sua dupla função de portable/desk DAC headamp, mas permitir uma melhor ‘relação física’ com o telefone e outros mídia móveis, iPods, iPads, tablettes diversos, PC portáteis e afins, logrando reproduzir uma qualidade de som com auscultadores intraauriculares, para os quais foi optimizado, que não está minimamente ao alcance de produtos fabricados em série com ‘chips’ no andar de áudio comprados ao quilo. Mas a tentação de o comparar com o Hugo é irresistível.


Testei o Mojo como DAC-headamp1000, a minha referência actual). Com intraauriculares, os resultados são absolutamente fantásticos. Ponto. Muito bem também com os Focal. Já os Hifiman parecem ser areia a mais para a camioneta do Mojo. Aqui o Hugo tem uma palavra a dizer.


Mas o Hifiman HE-1000, cujo teste publiquei este mês em língua inglesa na revista HIFICRITIC, de Martin Colloms e Paul Messenger (a HIFIMAN vai passar a ser distribuída pela Imacustica) precisa de muito mais ‘músculo’ para dar o seu melhor.


Passei à fase seguinte. O Mojo como DAC, utilizando a minha referência McIntosh MHA100 (ver teste) como amplificador de auscultadores. O la la! Embora eu continue a ter um fraquinho pelo Hugo, o Mojo, sobretudo ‘puxado’ para 786Khz-32-bit pelo J.River 21, reproduziu o streaming da Tidal e ficheiros originais de alta resolução até 384Khz e DSD128 a roçar a perfeição portátil.


Talvez por erro meu, má fortuna ou amor ardente, nunca consegui que reproduzisse DSD256. Mandei um email a Rob Watts, mas ainda não obtive resposta. A verdade é que eu sou só tenho meia-dúzia de ficheiros DSD256, mas pronto, fica a ressalva.

Mojo: 1/3 do tamanho e do preço e (quase) a mesma qualidade de som.

Mojo: 1/3 do tamanho e do preço e (quase) a mesma qualidade de som.

Quais são as diferenças mais óbvias entre o Mojo e o Hugo em termos de som?, pergunta o leitor.


O Hugo tem um som mais encorpado, redondo, mais relaxante. Era capaz de jurar que o pano de fundo é mais negro, e também mais transparente o ar que se respira no palco até lá chegar. O Mojo tem mais informação no agudo – é mais explícito que o Hugo - e há mais claridade no palco, uma luminosidade que favorece a audição de pequenos detalhes; a gama média é sólida e compacta, com um grave seco e tenso.


O sentido de ritmo é o seu ponto mais forte, fruto da notável articulação do grave, e a resposta dinâmica é muito boa, portando-se à altura dos pergaminhos da Chord com material complexo.


O Hugo custa 3 vezes mais mas não soa 3 vezes melhor, as diferenças, aliás, são mínimas, logo podem ser arrumadas na categoria de ‘gosto pessoal’ (o meu, por exemplo). E não se pode levar o Hugo no bolso, embora o Mojo não seja propriamente ideal para meter no bolso das jeans


Se o que procura é maior portabilidade e a mesma suprema qualidade da conversão digital Chord para ouvir música através de auscultadores, sobretudo intraauriculares e dinâmicos de todo o tipo: ‘get your Mojo working’.


Chord Mojo is a major technical achievement, something to be expected coming from Rob Watts. The price however is a nice surprise considering what it can do vis-à-vis the competition. Mojo looks and sounds solid, delivering in the process all the edges and curbs that make music pleasant, exciting and moving, both emotionally and rhythmically. Mojo is the ‘best-buy’ product ever to come from Chord and the best sounding portable DAC on the market today.


Nota: em breve o Mojo estará disponível na Absolute Sound and Video e através do distribuidor oficial Grupo JLM. Procure os contactos na nossa secção de Distribuidores. Informe-se.

Convite da Chord para o almoço de lançamento do Mojo, no restaurante Hutong, no 33º andar da Torre Shard (ao fundo na foto).

A prenda da Chord chegou antes do Natal e não resisti: abri-a!

É mais fácil ver a diferença entre uma obra prima e um esboço Tosco que ouvi-la...

Eis o Mojo em toda a sua 'mobile joy'!

O Mojo dá nova vida aos auriculares, e pode alimentar dois pares simultaneamente para partilhar a sua música com a namorada...

Mojo: 1/3 do tamanho e do preço e (quase) a mesma qualidade de som.