Editorial

A ressurreição do LP

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Pro-Ject, edição comemorativa dos Beatles

Pro-Ject, edição comemorativa dos Beatles

Quase trinta anos depois a Sony volta-se para o LP.

Nada que eu não tivesse previsto, embora fosse um dos primeiros a adoptar o CD em Portugal. Logo em 1983, quando poucos ainda sabiam o que era o disco compacto, já eu editava no semanário ‘Êxito’ uma secção com o título ‘Compacto’ que, como o nome indica, se dedicava exclusivamente à crítica de CDs, cuja maior polémica foi eu ter tido acesso a um CD de Amália antes da própria EMI, o primeiro a nível mundial, editado no Japão, não sei por que artes. A qualidade era excelente, e eu ainda tenho o disco, que tinha o dobro da espessura de um CD normal.

Quando a EMI anunciou finalmente um CD de Amália, que nunca mais saía, publiquei então um artigo com o título ‘EMIntira’ e a coisa esteve preta, pois eles queriam obrigar-me a pedir desculpa, e não acreditavam que eu tinha já um CD de Amália.

Mas não demorou muito para que se começasse a perceber que o anúncio da morte do LP tinha sido muito exagerado.

Agora, a Sony que deixou de produzir vinil em 1989, que na década de setenta chegou a atingir os 200 milhões de cópias, anda à procura de engenheiros reformados para voltar à produção, quando concluiu que a única fábrica de LPs em actividade, a Toykasei, não tinha mãos a medir.

Claro que estamos a falar de apenas meia-dúzia de milhões de cópias vendidas em todo o mundo, mas já se fala de um negócio de pelo menos 1 bilião no futuro.

Não é à toa que marcas como a Panasonic ressuscitaram o Technics SL-1200 (o meu primeiro gira-discos) e que a Pro-Ject, depois de uma travessia no deserto digital, teve de aumentar a fábrica na Áustria.

Aliás, basta ter visitado o HighEnd Show de Munique, nos últimos 10 anos, para perceber que o LP – e o gira-discos analógico – está bem vivo, e recomenda-se.

Quando, num artigo intitulado ‘Arte Analógica’ eu escrevi que o LP continuava vestido de negro para assistir ao funeral do CD, pensavam que era brincadeira. Não é não. No futuro, vamos ter apenas o ‘streaming’ e o LP. ‘Mark my words…’.

Mas se foi daqueles que deitaram fora os LPs, alguns de valor histórico, não faça já o mesmo aos CDs e SACDs, pois vai voltar a arrepender-se. Isto são modas. E os actuais leitores CD e DACs ‘sacam’ música (eu não disse sons) dos discos que antes só era possível com uma boa célula e um LP.

Pro Ject Sgt.Peppers Drum2

Pro-Ject, edição comemorativa dos Beatles