2010

Ground Control: O Mistério Da Ria De Aveiro



Não, não é o famoso hit de Space Oddity, de David Bowie (1969), mas arrisca-se a ser um sucesso também. Ground Control é o mais recente tweak da AudioPrism. Lembram-se da polémica da CD SpotLight, com a qual a AudioPrism propunha que se pintassem as bordas dos CD de verde para absorver os “restos” de luz do laser que se perdiam no interior do disco em alta rotação e provocavam jitter? Publiquei até um artigo de humor na famosa última página negra da revista Audio a brincar com esta história da carochinha, que afinal tinha bases científicas.


E do mais recente CD Blacklight, um estabilizador fosforescente, que exposto à luz brilhava como uma imagem da nossa senhora de Fátima, daquelas que os turistas compram para colocar na mesa de cabeceira e me deixavam aterrado, à noite na cama, quando eu era miúdo?




Pois, desta vez, a AudioPrism acertou no jackpot com o Ground Control. É de todos os acessórios da AudioPrism, que eu já testei, o que tem resultados mais óbvios para qualquer pessoa.


Que o digam alguns dos importadores e visitantes do recente Highend, de Aveiro, que tiveram o privilégio de assistir às minhas experiências secretas com o novo tweak da AudioPrism.


A minha intenção, ao levar comigo algumas amostras para Aveiro, foi apenas científica, e não comercial. Como diz o tipo da banha-da-cobra, eu não fui lá para enganar ninguém, até porque era também a minha primeira experiência com o Ground Control. E o facto de ter sido feita em público - e com o público - ajudou-me a acreditar que não era eu que estava a ouvir coisas.


Aquilo tem de facto um efeito positivo (e reversível!) no som das colunas: o foco, a definição e o silêncio de fundo melhoram audivelmente. Mas afinal o que é o Ground Control?  


O acessório, que se vende nos modelos Standard e Gold, apresenta-se nas versões forquilha, banana e RCA. As duas primeiras colocam-se no borne negativo das colunas e/ou dos amplificadores e a RCA numa qualquer entrada (negativo também) do prévio ou integrado. As minhas experiências dizem-me que só as versões para coluna/amp produzem um efeito imediatamente audível.


Aparentemente, não passa de banha da cobra. Como é que uma forquilha na ponta de um anel de fio magnetizado de transformador, muito fino (num loop com 40 metros!) revestido de tecido, pode alterar – para melhor – o som de uma coluna? Beats me, really, guys!


Bom, talvez não passe afinal um filtro RF. A Audioprism diz que é uma terra virtual, eu diria antes uma terra-de-bolso, que se pode levar para todo o lado. Para o Hotel Melia, por exemplo, onde com tanta electrónica ligada à rede, uma referência de terra limpa pode produzir efeitos benéficos. As vozes ficam mais claras e fáceis de entender, o grave ganha contornos e o palco sonoro relevo. Tudo parece ficar mais definido no espaço.




Cá em casa tenho uma vara de dois metros de cobre enterrada no quintal. Com uma terra desta qualidade, o Ground Controlnão devia fazer qualquer diferença. E, de facto, não faz a mesma diferença que todos nós ouvimos em Aveiro. Mas num prédio de apartamentos na cidade...


A Audioprism apenas comercializa a invenção, cujo autor é Bud Purvine, o conhecido fabricante dos transformadores O-Netics, que colaborou com a McIntosh na época áurea dos amplificadores a válvulas.


Na secção Media, os leitores podem abrir um pdf com a explicação mais ou menos científica mais ou menos comercial do funcionamento do Ground Control. Para quem não domina o inglês, posso adiantar que o GC é uma tentativa bem sucedida para emular a velha referência de terra em estrela, que se utilizava antigamente nos amplificadores a válvulas, e que os novos amplificadores dispensaram a contar com a terra que a companhia de electricidade nos fornece nas nossas tomadas: uma autêntica esponja de lixo electrónico tóxico que pode estar montada a quilómetros da nossa casa...




Em Aveiro, experimentei o GC nas colunas Monitor Audio, nas TAD, nas Focal Diablo e nas Sonus Faber. Com todas elas os resultados foram positivos (atenção: a banana ou forquilha é montada apenas no negativo de ambas as colunas) e foram de tal modo audíveis que o Delfim Yanez e o José Filipe queriam comprar-me logo ali os acessórios.


Na sala da Imacústica, montei o GC nos amplificadores da Devialet. Todos os presentes ouviram diferenças para melhor. O Luís Campos estava fora de si e pediu mesmo licença para dizer uma asneira, que lhe foi concedida, mas não utilizou por pudor. Ou como deixou escapar há uns anos na rádio em directo um conhecido locutor: cum c*******, senhores ouvintes!...


Mais definição, mais controlo, mais espaço, mais silêncio, mais informação. E basta retirar os acessórios para tudo voltar para trás, o que significa que estão lá a fazer alguma coisa...


Os preços andam entre os 150 e os 250 dólares. Não é preciso alterar nada, soldar nada, pelo que não perde a garantia das colunas. E eu acho que quem resolver importar isto (ou comprar directamente), pode dar-se ao luxo de fazer uma campanha de “experimente hoje, pague amanhã”, porque isto primeiro estranha-se, depois entranha-se...


A diferença não é tão óbvia que eu arriscasse o meu pescoço num teste cego. Mas se houver interessados em distribuir esta “magia negra”, eis os contactos:


AudioPrism


Bryan Collet


bcollett@earthlink.net


info@audioprism.com


E, já agora, digam que vão da minha parte. Juro que não tenho qualquer percentagem que não seja no prazer acrescido que vão ter com os vossos sistemas e a consciência do meu dever de audiófilo cumprido...   Teste da SixMoons Teste da Stereo Times