2009

Viasónica: Fim De Semana Audiófilo

Viasónica: Fim De Semana Audiófilo
Diz o povo com razão que não há fome que não dê em fartura. A aristocracia do áudio mundial, veio passar férias a Portugal e escolheu dois hotéis de luxo: o Hotel Palácio (Audioshow) e o Vila Itália (Viasónica). Finalmente, não tive de me deslocar à montanha, foi a montanha que se deslocou até mim. Em vez de 15 horas de avião, só precisei de 15 minutos de carro.

Na sexta e no sábado, andei pelo Hotel Palácio. No Domingo, fui ao Vila Itália, a convite do José Filipe, ouvir uma tal “senhora gorda”. Atendimento personalizado, ambiente requintado, som bem afinado, ouvinte repousado.




dCS Scarlatti, Halcro dm 8/58/Morel Fat Lady



Sobretudo as Morel Fat Lady, que já me tinham sido apresentadas informalmente em Las Vegas. Fonte: dCS Scarlatti, amplificação Halcro dm8/58, cabos Transparent.

A Morel não lhes chamou gordas por o serem. Também não são propriamente esbeltas, ou bonitas sequer. Mas cantam divinamente. O tweeter é excelente, e lembra o som único do plasma frio. Uma coluna equilibrada, pouco colorida, com elevada resolução e baixa distorção. Ao meu lado, sentou-se Ferreira Rocha, um insígne audiófilo, que trazia consigo a Sinfonia 14 de Shostakovich, uma verdadeira prova de obstáculos para qualquer coluna de som. A “gorda” safou-se bem com apenas uma ligeira fífia numa nota alta do soprano e saiu sob estrondosa ovação mental de ambos. O baixo soou poderoso e profundo com a gravidade exigida pelo tema: a morte. A partitura é tão exigente nos registos médio-altos e altos que já ouvi colunas sucidarem-se por menos...


De resto, fiquei rendido aos atributos da Fat Lady. Diz-se que “the show is not over until the Fat Lady sings”, e esta recordou-me a grande Montserrat Caballé.






O reencontro com os Halcro também foi emocionante. Já se passaram alguns anos desde que testei os dm58 (teste disponível no antigo Hificlube) mas mantenho tudo o que disse, e de que recordo aqui um excerto:

O que é paradoxal nos Halcro é o facto de a equação musical não se resolver com subtracções: os sons ouvem-se melhor individualmente e continuam a fazer sentido em conjunto. Discos em que o oboé e a flauta pareciam sofrer de uma desagradável modulação no agudo soaram como se a estrutura harmónica tivesse sido milagrosamente reconstituída e o agudo recuperasse o suporte original das frequências médias.


O José Filipe acompanhou-nos depois numa visita guiada à sua colecção de arte privada, exposta e em demonstração em outras salas do magnífico hotel de charme que, envergonho-me de o dizer, sendo nado e criado na zona, não conhecia.


Três salas, três sons diferentes, sendo que as duas salas mais pequenas, ainda assim belissimas, tinham uma característica comum: um ligeiro reforço do grave com consequente perda de definição (sobretudo depois de ter ouvido as Fat Lady) no médio grave. Nada de grave, passe a aparente contradição.
 


Emm CDSA/DartZeel 8550/Martin Logan Spire (ver video em Media)


Optei por cortar dois pontos no controlo de 50Hz das Spire (teste disponível no novo Hificlube) e, depois de uma adaptação mental às novas condições na acústica e nas características de dispersão das colunas de painel, apreciei com prazer a excelente performance do trio EMM CDSA/DartZeel CDT8550/Martin Logan Spire.




dCS Puccini/Ayre KX-R/MX-R/Jm Lab Focal Scala Utopia EM




Já as JM Lab/Focal Scala Utopia da nova série “vertebral”, soaram-me, essas sim, um pouco anafadas. A tecnologia EM pode resolver essa situação com alguma facilidade pelo que se tratou de uma questão de afinação – ou de gosto pessoal. Nem sempre as tabelas se substituem aos ouvidos. Curiosamente, dependia muito da gravação, pois ouvi faixas numa 2ª audição que estavam no ponto (de rebuçado) e exibiam uma gama média harmonicamente opulenta e de extrema naturalidade. O resultado era muito melhor na “sweet spot”como seria de esperar - o ponto de focagem da “lente de convergência” das Scala Utopia. A imagem tinha escala e volumetria e a distribuição horizontal entre colunas não tinha um único “buraco” na estrutura. Fabuloso. Uma coluna a descobrir a dois – junto ao mar...


Todo o restante equipamento estava ao nível do luxo requintado e algo exótico da sala: amplificação Ayre KX-R/MX-R e fontes dCS Puccini c/ master clock externo.
 


 

Havia ainda uma sala de cinema em casa com sonorização Martin Logan, na qual só entrei (todos os lugares estavam ocupados) para fazer a foto da praxe.
 



A sala de exposição tinha vista para o mar e era também um regalo para a vista, mas deixo que as fotos falem por si como num menu de um restaurante gourmet.








 


 








No topo da página podem abrir o vídeo de um curta entrevista, na qual José Filipe, da Viasónica, expõe as razões que o levaram a optar por não participar no Audioshow. E compreende-se, pois as suites duplex ainda disponíveis no Hotel Palácio não tinham as condições ideais para demonstrar equipamentos de áudio com estas características. Por mim, agradeço esta lufada de ar fresco, literalmente, e o ambiente de silêncio e conforto do Vila Itália, que facilita imenso o trabalho de reportagem. E depois o mar, o mar imenso a perder de vista...
 
Quando eu morrer voltarei para buscar
os instantes que não vivi junto do mar 
              Sophia de Mello Breyner, Mar, Poesia I

 
Pelo menos estes instantes vivi-os em vida...
 
 
 

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Notas:
 
1) Todos os vídeos foram registados como uma câmara SONY HDR-SR11, Full-HD 1080. Foi utilizada a mínima resolução possível, e os vídeos posteriormente comprimidos em formato ASF, pelo que a imagem não faz justiça à excelente qualidade da imagem HD possível de captar com esta câmara. 


2) Nestes registos vídeo foi utilizado o microfone interno da câmara, e não o microfone especial que utilizei em todas as gravações no Audioshow (esqueci-me dele no carro, sorry), pelo que o som poderá não ter o mesmo nível de resolução e, sobretudo, ambiência.


Viasónica: Fim De Semana Audiófilo