2007

Meridian F80




Nos anos 60, um amigo meu fez furor na Costa do Estoril com um Fiat 500 descapotável, que o pai, engenheiro mecânico de profissão, tinha artilhado com um motor mais potente, dando banhadas a automóveis com outro pedigree ao arrancar dos semáforos em grande velocidade. Ninguém queria acreditar que aquilo fosse possível: dos 0 aos 100 em alguns segundos!

Foi também sob este lema de que tamanho não é argumento que o F80 se apresentou em Lisboa, ou não fosse uma parceria entre a Meridian e a Ferrari, cujo emblema do “Cavallino Rampante” ostenta orgulhosamente na grelha frontal. A Ferrari participou neste projecto como o nome, as cores (vermelho, amarelo, negro prateado e branco) e os materiais compostos de plástico e metal derivados dos utilizados nos Fórmula 1 e nos modelos topo de gama; a Meridian fez o resto: sintonizador AM/FM/DAB, leitor-CD/DVD, 3 amplificadores de 80W (Classe D?), para os canais frontais e o “sub” traseiro, os altifalantes de liga de metal (alumínio e magnésio) e, claro, os famosos circuitos de processamento digital desenvolvidos a partir da vasta experiência com colunas activas.

O F80 é fabricado em Huntingdon, no Reino Unido, e não na China (estes orgulhos nacionalistas custam-nos os olhos da cara...) e anunciam-se já edições limitadas com decorações mais ou menos sofisticadas - em pele, por exemplo - explorando o sucesso comercial do Tivoli, na linha da Swatch.




Como sempre, António Almeida, família e colaboradores receberam-nos com hospitalidade e simpatia, tendo a evolução das fontes musicais sido ilustrada com a exibição de algumas obras de arte da sua colecção particular: caixas de música, uma grafonola e um rádio dos primórdios da telefonia.

A apresentação em inglês da Escócia foi ilustrada por Russell com imagens projectadas, a que se seguiu uma breve sessão de perguntas e respostas e a audição de alguns excertos de faixas registadas em CD. Não se ouviu rádio - uma contradição nos termos, pois trata-se de um rádio-de-mesa AM/FM/DAB (a RDP2 emite em FM/DAB) - e eu não quis insistir muito nisso, não fosse o motivo ser a má qualidade da recepção no local.

Admito que nunca ouvi um rádio “tão pequeno e com tanto peito”, como canta Rui Veloso, embora o efeito estéreo sofra naturalmente com a curta distância entre altifalantes. A compensação DSP da “largura de palco” pareceu-me ter algum efeito positivo na tonalidade (mais encorpado); enquanto a melhor separação instrumental se observou no sentido da profundidade aparente, e não tanto na largura, algo que espero ter oportunidade de tirar a limpo numa audição exaustiva e privada. Seja como for, a má impressão deixada em Munique, numa apresentação de feira, em campo aberto, desvaneceu-se logo ao primeiro som, embora mantenha algumas reservas quanto à estética, art déco ou não. O F80 pode parecer um brinquedo mas não brinca em serviço.

Na função para que foi concebido: proporcionar entretenimento musical total, incluindo vídeo (composto e S-VHS), se não portátil pelo menos transportável, o F80 está numa classe à parte e não tem concorrentes - nem na qualidade nem no... preço: 2 700 euros!

Foi você que pediu um rádio Ferrari?...