2006

Tower Records: A Torre Ruiu




De todas as 89 lojas Tower, a mais emblemática talvez fosse a de Sunset Boulevard, em Hollywood, onde uma pessoa podia estar a comprar discos de artistas que podiam estar ali também ao seu lado a comprar discos de outros artistas (ou os seus próprios para ajudar nos charts…). Quando não davam mesmo concertos na loja, tal como se faz agora na FNAC.



O catálogo da Tower era mais completo que o da antiga Biblioteca de Alexandria que, reza a lenda, tinha cópias de todos os livros escritos na Antiguidade. Também não deviam ser muitos, porque escrever em papiro leva o seu tempo.



E é de tempo e dinheiro que se trata aqui também. Os jovens estão-se borrifando para uma loja elitista que vendia os discos mais caros que todas as outras só porque podiam chocar com alguma vedeta no corredor. Em especial, quando o disco que querem está à distâncias de um click. Além de que estacionar na “Sunset” é quase impossível.



A rede de restaurantes Planet Hollywood também apostou no chamariz de os clientes darem de caras na mesa ao lado com Clint Eastwood ou o velho Arnold “Schwarz”. E se é verdade que eu, um dia, em NY, ia a passar em frente quando o Clint ia a sair, essa hipótese tornou-se cada vez mais remota, quase tanto como acertar no Euromilhões. E, no fundo, o que as pessoas querem é comer bem e barato. Resultado: ruiu tal como a Tower. Só não foi um extermínio total, porque as T-Shirts do “Planet” são um bom contraponto para quem já tem as do Hard Rock Café.



As grandes editoras discográficas devem estar muito arrependidas de ter deixado cair o LP. O CD tornou-se um verdadeiro cavalo de Tróia. Deu-lhes dinheiro e glória mas trazia no bojo a tragédia…