2005

Highend 2005: Dave Wilson Em Carne E Osso



A vivenda onde está instalada a 'Life Like'


Dave Wilson, da casa Wilson Audio, como se diz na gíria da moda: casa Dior, casa Versace, etc., não gosta lá muito de misturas. É muito raro vê-lo em «shows», embora no primeiro Entertainment Show de Nova Iorque, em 2002, cuja reportagem os leitores têm já disponível no Arquivo, tenha levado a família em peso.



Em Las Vegas, refugia-se com a esposa e o filho no Hotel Mirage, e quem quiser que vá lá em peregrinação. Não é uma questão de vaidade mas de qualidade. Quando considera que as condições para demonstrar os seus produtos não são as melhores, apresenta-se “hors-concours”. Foi o caso desta vez em Munique.


Ricardo Franassovici, que também se deslocou a Munique, telefonou-me, encontrámo-nos na sala da Audio Components, onde entre outras iguarias, se desmonstravam as Martin Logan Summit, pela primeira vez na Europa, e se exibiam Halcros, Mark Levinsons, Thetas e McIntoshs, e apresentou-me a quem de direito que me convidou para a “vernissage” exclusiva das Alexandria com amplificação Halcro, que metia “cocktail” e umas coisitas para “picar”, nas instalações da “Life Like”, a melhor loja de “highend”de Munique.
Aspecto da fachada com anúncio da 'Life Like'


Por mim dispenso os “patês”, os camarões e o “champagne”, que me faz gases, mas não é todos os dias que podemos assistir a uma demonstração conduzida por David Wilson “himself” com a proverbial classe que o caracteriza. E é aproveitar agora porque é óbvio que Dave está a preparar a sucessão a avaliar pela forma como vai ensinando tudo o que sabe da arte de demonstrar ao filho.
Dave Wilson dirige a orquestra no auditório principal da 'Life Like'


A primeira coisa que distingue Dave Wilson é a elegância: sempre impecávelmente vestido. Depois é o suave tom de voz e a clareza do discurso, acompanhado por gestos significativos das mãos e com um sorriso constante de puro prazer de quem gosta daquilo que faz. Apesar de ter atingido um estatuto de topo na sociedade audiófila das nações, Dave nunca é arrogante ou acintoso, embora defenda a sua sardinha como todos os fabricantes, e seja óbvio que aceita as críticas com diplomacia mas não concorda com elas.



A audição breve abriu com Doug McLeod, que é também um dos meus favoritos para me ajudar a analisar o ataque transitório das cordas da guitarra e a colocação e presença da sua poderosa voz de barítono. Nada a dizer: McLeod surge de pé, “bigger than life” mas é assim mesmo que o registo foi feito. A voz potente e gravilhenta ressoou na sala tratada. Quando ataca as cordas de metal, o instinto de sobrevivência faz-nos retesar os músculos do corpo em resposta ao impacte.



Seguiu-se uma peça para piano e cordas de um concerto de Chopin, que corporizou o instrumento na sala, com perfeita distinção e integração dos harmónicos com origem nas cordas do piano, na madeira do corpo do instrumento e o efeito dos pedais. Soberbo.



Depois um excerto da banda sonora de “Green Mile” com um palco gigantesco, “huge” para utilizar a expressão de Dave Wilson.



Mas foi com os tambores japoneses «Kodo» que as Alexandria provaram à saciedade que são colunas de banda muito larga. Se tem problemas nos graves das Alexandria, procure a causa noutro lado, nomeadamente na qualidade da alimentação de sector que fornece a seiva eléctrica aos seus amplificadores, nada que não se resolva com um circuito exclusivo de 30 amperes ou um Isotek Titan (ver Artigos Relacionados). Ouve-se, e sobretudo sente-se, o ar dentro dos tambores reclamar quando a pele percutida com violência o comprime sem remorso, e depois o som diferente com a longa cauda de reverberação da expansão vitoriosa em resposta à agressão. Eu estava na primeira fila e acabei por apanhar por tabela...



Quando Dave me perguntou a minha opinião respondi-lhe apenas: “eu já estava convencido antes de entrar...”



Nota: os leitores podem informar-se sobre as novas Wilson Duette na reportagem sobre a CES 2005. (Ver Artigos Relacionados)