2005

Ces 2005 - Dn/parte 2: A Beleza Das Colunas



Desta prática resultam por vezes objectos estranhos que não se enquadram nas nossas referências de coluna de som: um paralalepípedo mais ou menos rectangular com altifalantes aparafusados num dos lados. São objectos raros e caros que nem semprem cumprem as promessas de fidelidade interna, externa e eterna, e de tão estranhos chegam a ser chocantes. Mas a visão de paraísos acústicos exóticos não deve impedir o leitor de retirar o máximo prazer de colunas que parecendo convencionais utilizam tecnologias de ponta, e cumprem plenamente a sua função.



É esta dicotomia entre a posse e o desejo impossível de concretizar que torna a paixão pela altafidelidade numa busca incessante por algo que provavelmente não existe: a perfeição sonora. Mas que alguns estão mais próximos do que outros de a alcançar, disso não restem dúvidas...



WHARFEDALE DIAMOND 9

Representa aqui a coluna convencional. A Wharfedale, tal como outras marcas europeias concorrentes, aproveita a «deslocação fabril para oriente» para fabricar um produto com acabamento soberbo a um preço imbatível. Na maior parte dos casos, o consumidor não precisa de mais do que um simples «diamante» para ter todo o som de que precisa para ouvir música e bandas sonoras de filmes em DVD. Ao amor e uma cabana, junta-se agora um par de colunas Wharfedale. E veja a prole crescer até ao desejado sistema 5.1.



ACOUSTICAL ART FLOW

Simboliza a ruptura (e não me refiro à canalização) da tradição das quatro tábuas de pinho. Harvey Lee, o seu criador (assina todas as obras) chama-lhe arte moderna. Se as visitas ficarem chocadas com o mau cheiro desta música de esgoto, saiba que Harvey é doutorado em Tecnologia Audio pela universidade de Manchester. Portanto, não é uma merda qualquer...



METAL SOUND DESIGN MOON II

Quem pensou que estamos perante mais uma «chinesice», não anda longe da verdade. O seu criador é Yu Kuk Il, da Universidade de Hong-Kong. Mas a MoonII não é apenas mais um delírio zen para explorar a credulidade ocidental, é antes uma obra prima da metalomecância aplicada ao áudio. E, tal como o leitor-CD da Shanling, é um sinal de que o gigante acordou. A Moon II tem um som de grande qualidade audiófila e foi galardoada com um Audio Innovations Award 2005. Se considerarmos que as outras duas companhias audiófilas galardoadas foram a Thiel e a Krell, fica-se com uma ideia razoável do que o futuro nos reserva.



MCINTOSH XLS

É um ícone da América, o símbolo do engenho e arte alicerçado na tradição «made in USA». Numa coluna de som, o tweeter, por ser o mais pequeno, é o que mais sofre. Para aumentar a eficiência, a resistência ao calor e o ângulo de dispersão, há quem opte por dois tweeters. Mas os engenheiros da McIntosh descobriram que interferem no padrão de dispersão um do outro criando zonas «surdas». Três tweeters não resolvem o problema porque criam descontinuidades. Então, por mero acaso, concluiram que, juntando 3 tweeters em-fase a dois fora-de-fase, se obtém uma dispersão polar linear de 170º. A doçura dos registos agudos em qualquer ponto da sala fala por si - literalmente.