2005

Ces 2005 - Dn/parte 2: A Pureza Das Fontes



Vinte anos depois do lançamento do CD, e com os novos formatos SACD e DVD-Audio na corrida para a sucessão, o LP continua a tentar fabricantes e a atrair audiófilos em todo o mundo. Há quem diga que tudo não passa de nostalgia; há quem diga que não é que o inevitável retorno ao bom senso auditivo (como Ivor Tiefenbrun, da Linn, sempre defendeu); ou quem pense que a arte é fundamental em todas as actividades humanas e os gira-discos, tal como os relógios analógicos, sendo mais plásticos, no sentido físico e escultural do termo, é mais fácil criar a partir deles objectos artísticos que suscitem o desejo de posse.



O gira-discos Basis Work Of Art é um bom argumento do que se acaba de escrever, algo que o leitor-CD Shanling CDT300 logo contraria.



Entre estes dois pólos extremos, há modelos aparentemente mais prosaicos mas de grande sofisticação electrónica cujo objectivo é reproduzir na perfeição o conteúdo dos discos sem distracção visual mantendo assim o equilíbrio entre os sentidos. Em todos os casos, são modelos que estão para as «fontes» convencionais como os Fórmula 1 para os automóveis utilitários. Mas é nestas experiências limite que se colhem os ensinamentos que permitem reproduzir bom som com leitores-CD de 100 euros, de marcas como a Arcam, Denon, NAD, Rotel, Sony, Teac, etc.

BASIS WORK OF ART

Simboliza a concretização do sonho a qualquer custo. O highend é isso: sonhos a preço de pesadelos. Armando Conti demorou 10 anos a desenvolver este projecto que se fundamenta em princípios inatacáveis da física e da mecânica, sem, contudo, deixar de ser uma obra de arte. Felizes os que a podem comprar por cerca de 50 000 dólares, pois a suspensão hidráulica, a estabilidade incondicional do motor, o prato, o braço e o poder do vácuo para «desempenar» os discos devolvem ao LP o lugar cimeiro na reprodução electrónica de música.



SHANLING CD-T300


É a bandeira da produção chinesa que ameaça tornar-se a curto prazo numa potência tecnológica: eram aos milhares os chineses em Las Vegas. A China começou, tal como o Japão do pós guerra, por oferecer mão-de-obra barata. Daí passou para a cópia descarada: a contrafacção de produtos não se verifica so na indústria têxtil, nos mercados asiáticos vende-se hifi europeu e americano fabricado fora de horas em fábricas OEM. Agora na China já se produz arte audiófila com um toque original, um pouco kitsch, é certo, mas bela apesar de tudo. O CD-T300 utiliza «chips» americanos e válvulas russas e tem o som quente que resultou do fim da guerra fria.



ARCAM SOLO

Representa aqui o poder do consumidor no mercado audiófilo europeu. Aqui já não é o criador que impõe a sua lei a qualquer preço. O SOLO é leitor-CD, sintonizador e amplificador. Tudo-num-só. Com um design moderno, sóbrio e digno. Porque há quem exija qualidade sem ocupação abusiva de espaço ou obrigação de hipotecar a casa.



ACCUSTIC ARTS SURROUND-PLAYER 1

A Alemanha andou demasiado tempo a reboque do Reino Unido e dos EUA. Agora emancipou-se e quer provar que o facto de ter sido berço de alguns dos maiores compositores da humanidade não foi um acaso histórico. O Accustic Arts One oferece tudo o que os outros oferecem: compatibilidade CD/SACD/DVD-Audio/DVD-Video, por uma fracção do preço. Mas ostenta orgulhosamente na lapela a chancela «handmade in Germany». E isso vindo de um país que fabrica o Mercedes e o BMW é mais do que um simples «slogan»...