2005

Audioshow 2005: Opinião Dos Leitores 7



ANTÓNIO ROCHA


Primeiro de tudo os meus agradecimentos pelos excelentes artigos publicados semanalmente no DN, que são imperdíveis.


Como era referenciado, no suplemento deste fim-de-semana, junto o meu modesto contributo relativamente à AudioShow deste ano:


Um dia na AudioShow


Embora não sendo um novato neste tipo de eventos, posso dizer que foi a primeira vez que visitei a AudioShow no ISCTE e, habituado que estava ao Hotel Alfa, estranhei um pouco… preferia as instalações deste último mesmo com a exiguidade das salas - quartos - era mais intimista.


Desde a minha última visita a este certame, que houve uma grande evolução em termos de imagem mas, se falarmos em som, penso que não se vislumbra um progresso em termos quantitativos/diversificados mas sim qualitativos.


Se falarmos do analógico então o cenário fica mais “preto”. Como apreciador do analógico, e sempre atento às últimas novidades nesta área, fiquei um pouco desiludido com os poucos sistemas presentes sempre brilhantes pela espectacularidade, não só em temos estéticos mas, também e muito principalmente, pelas soberbas prestações.


Não sendo um cidadão diferente dos demais, já me estou a habituar aos novos formatos e, como tal, já possuo também um sistema AV e neste aspecto a AudioShow deste ano brindou-nos com muitos e bons aparelhos nesta área, pena que numa só sala convivam sistemas puros de áudio e multicanal, o que na realidade não é uma boa política, sendo por vezes difícil de nos concentramos num ou noutro.Não especifico marcas de som e de AV mas agradou-me, dentro de determinadas condicionantes, o certame deste ano.


Com tão parcas demonstrações deste tipo, se exceptuarmos uma ou outra empresa do ramo que, quando lança um novo produto, nos convida para assistir ao seu lançamento, é de louvar este tipo de iniciativas para ficarmos por dentro do que é novidade.


É tudo o que apraz dizer sobre o que vi e ouvi no AudioShow 2005.


António Fernando de Oliveira Rocha


ANTÓNIO FERRO


Antes que nada, muito bem pela iniciativa, esta é a minha reportagem
do Audioshow 2005, tendo em conta a minha pouca experiência neste
'habitat', no entanto irei fazer dentro dos possíveis algumas considerações.


Penso que no global o show esteve em 80 por cento preenchido com o que a maioria esperava dele. No entanto, e ao contrário daqueles mais 'envenenados', é capaz de ter existido uma ausência de qualidade e quantidade nos produtos.


Penso que, pelo que ouvi nas salas, para o meu 'taste' esteve muito bem. No entanto, detestei salas como a Transom com o seus Linn, adorei as Vivid, os Audionets, etc. Penso que o Show devia ter sido segmentado em vários escalas €€€€, isto porque já incorporaram o AV nisto.


O que quero dizer é que a grande maioria das pessoas gostam de ver os Top End das marcas, mas muitas das que lá estavam, outros assim como eu não temos a mínima hipótese de lá chegar. Considero que as marcas poderiam ter-se esforçado em equipar algumas salas com equipamento a soar de preço médio, isto para cativar novos ouvidos... E também para aqueles que por vezes falam de que não notam a diferença entre uns ferros de 1 000€ a um de 10 000€.


No entanto, espero que continuem com o Show, e espero que as críticas sejam mais bem assimiladas de maneira positiva.


António Ferro



LUIS PARENTE


Vivid Audio
Talvez a experiência mais marcante dos meus últimos
audioshows.


É me difícil explicar por palavras o que senti cada
vez que entrei na sala da Ajasom (e foram bastantes vezes,
sendo talvez, juntamente com o sistema
VonSchweikert/Naim, aquele que me provocou, a cada
nova visita, comentários mais consistentes em relação
ao desempenho do sistema). As únicas palavras que me ocorriam de cada vez que as
Vivid Audio cumpriam a sua função, e isto
independentemente das condições e do local de onde as
ouvia, eram: correcção e encantamento. Correcção, tanto no sentido de vocalizar de um modo
fiel e verdadeiro o sinal eléctrico que lhes era
entregue, como também no sentido do requinte e
educação com que essa mesma função era realizada.
Encantamento no modo como me prendiam a atenção para
aquilo que transmitiam, isto apesar do facto de a
música que estava a tocar ser ou não a da minha
preferência. Um pouco como aquele avô que todos nós
tivemos e que, conseguia de um modo muito especial
manter-nos enfeitiçados, e em suspenso, com as
histórias que nos contava, independentemente do
interesse das mesmas ou do número de vezes que já as
tínhamos ouvido. Não me lembro de, enquanto as ouvia,
ter pensado em graves, agudos, gama-média, palco,
dinâmica, transparência, focagem e todos os outros
termos tão caros ao audiófilo que há em nós, pelo
simples facto de o som que delas emanava ser tão
equilibrado e coerente, completo e emotivo. Fiquei mesmo com a ideia de que, se algum dia encontrar as sereias das histórias infantis, o seu enfeitiçante
canto só poderá ser algo de parecido com a música que
as Vivid Audio me proporcionaram. Cheguei mesmo a pensar, já depois de as ter escutado e longe do
seu feitiço, que um pouquinho mais de
rebeldia e irreverência, enfim, um pouco mais de
'picante' (assim ao jeito da lindíssima colaboradora
que iluminava o stand da Esotérico), e então sim!, teria
encontrado o meu Nirvana em termos de áudio. Como será que se comportariam com a música tensa e
negra dos Massive Attack, a alegre irreverência de uns
Morcheeba ou Moloko, ou uns blues eléctricos de Lucky
Peterson?...



Delmax



Quase toda a gente referiu a Delmax como um dos pontos
positivos deste audioshow 2005. Quem conhece o Rui e a Carla sabe que com o seu bom
gosto musical, a sua simpatia e especialmente, a
experiência e o amor à causa demonstrado pelo Rui, o
sucesso só não surgirá por mera infelicidade. Sempre que me sinto cansado ou violentado nas andanças
do Audioshow, sei que posso passar pela sala da Delmax
para retemperar forças, ouvindo boa música num sistema
bem escolhido e afinado, ou dando dois dedos de
conversa com o Rui e a Carla.


LinnPela primeira vez gostei de ouvir um sistema LINN

De que fazia parte o venerável LP12. Som pouco audiófilo, para os cânones habituais (palco
pouco defenido, focagem e transparência algo
deficientes), mas com um sentido de ritmo, uma coesão
sonora e uma 'joi de vivre' perfeitamente viciantes
(reconheço que a boa escolha musical, baseada em LPs
normais e não audiófilos, seleccionada pelo 'bife'
amalucado (no bom sentido) pode ter ajudado).


Von Schweikert Audio


Também pela primeira vez gostei de ouvir um sistema
com amplificação Naim


Ao contrário do que muita gente referiu, foi o facto
de o som estar demasiado alto que me levou a prestar
atenção aquelas colunas. Apesar do volume, conseguiram dar conta do recado, o
que diga-se, não era para todas. Com muitas outras
colunas teria saído da sala com as mãos nos ouvidos. Numa sala demasiado estreita para as suas dimensões,conseguiram mostrar um bom palco sonoro, uma excelente
dinâmica, um registo grave pujante e físico e um som
ao mesmo tempo encorpado, arejado e controlado. Numa
palavra, autoritárias. Fiquei com curiosidade de ouvir as pequenas VR-1 com o
meu velhinho Audiolab 8000S. Será que é desta que vou
reformar as minhas fiéis Epos 11?...


Luis Parente


HENRIQUE SOTIRY


Escrevo-lhe para lhe dar nota de algumas impressões sobre o último Áudioshow, impressões essas que serão sempre subjectivas, até porque cada cabeça sua sentença. Assim, a primeira impressão que me ficou foi que, globalmente, a qualidade média do que se ouvia nos variados stands, mesmo naqueles mais dedicados à imagem, era melhor quando comparada com a dos últimos anos. Julgo que a explicação para esse facto assentará sobre duas vertentes: a primeira é a qualidade média a montante e a jusante dos aparelhos dedicados ao áudio puro e, principalmente, os dedicados mais à imagem (ex.: sistemas de colunas, monitores e projectores) e a qualidade visual e sonora dos DVD's reproduzidos; a segunda, e reporto-me só a Sexta-feira, porque infelizmente uma pedrita no rim impediu-me de ir no Sábado e no Domingo, o som era quase sempre não-agressivo, no sentido literal e de não muito alto, isto em todos os stands, ninguém ou quase ninguém quis agredir os vizinhos do lado, e logo, por tabela os visitantes.



Não “gostei”, e este não “gostei”, tem que ser lido com muito cuidado, de alguns sons muito “audiófilos” e, ainda por cima, muito caros. Passo a explicar, tal como alguns enófilos se queixam relativamente ao vinho que se produz por esse mundo fora estar todo a parecer-se, devido à utilização de castas Francesas e processos semelhantes de vinificação em adega, num outro registo mas com algumas semelhanças, acho que se está a abusar de um som que me dá sempre um sentido de grandiloquência, de maior que a realidade, noto, nota-se bem esse facto por exemplo em registos de um pequeno grupo a acompanhar uma voz solista, seja ela masculina ou feminina, em que as vozes e os instrumentos ficam demasiado reais demasiado guturais, e isto é a minha opinião, a opinião de quem já assistiu a muitos concertos ao vivo e a muitos ensaios. Para mim, o exemplo maior do que atrás referi, era o stand da Imacústica com as Wilson Audio Alexandria.



Gostei muito mais, das poucas vezes em que as ouvi, das Sonus Faber a que você foi convidado para assistir ao lançamento mundial. E garanto que não é por elas terem algumas semelhanças físicas com as minhas Infinity K-9, é que elas soam-me mais calorosas mais humanas, é claro que nas Wilson é tudo grandioso, profundo imenso e, por vezes, na minha opinião, frio, seco, talvez excessivamente analítico (aqui um aparte que eu espero que não o transcreva, isto na hipótese de transcrever alguma parte do meu texto, para evitar que alguém se sinta ofendido, ou me julgue como um despudorado de um convencido, que eu espero não ser, chato, isso sei eu que sou, agora nariz empinado e emproado do tipo convencido, espero bem que não o seja...



Bom, aqui vai o sacrilégio: as Wilson Audio são tão boas, tão boas, que por vezes me parecem aqueles travestis que são tão femininos, tão femininos, e tão cheios de maneirismos femininos que acabam por se tornar “caricaturas por excesso” das mesmas. Talvez o problema esteja na soma das partes. Em áudio nem sempre bom, mais bom, é igual a muito bom, ou melhor, e neste caso, muito bom ou mesmo óptimo, mais óptimo, dá acesso ao paraíso do audiófilo.

Não gostei, ou melhor, não fiquei totalmente convencido com o som das VIVID


Também não gostei, ou melhor, não fiquei totalmente convencido com o som das VIVID vindas da África do Sul, que pessoalmente me cativaram pela qualidade aparente (e real de construção) e pelo lado estético. O problema, e foi nesta sala que eu mais tempo despendi em audição, foi que, e talvez a culpa seja minha e da minha memória auditiva, passaram discos que eu conhecia bem de os ouvir em minha casa, como por exemplo a Patrícia Barber (note-se que cheguei a casa e fui logo tirar dúvidas, pondo-me a ouvir o disco dela com o volume mais alto do que é habitual, tentando reproduzir as condições em que a tinha ouvido no Audioshow). Assim, dizia eu, (h)ouv(e)i qualquer coisa de espacialidade e de palco muito recuado, que lhe deram um tom mais “adocicado”, etéreo/esotérico, do que em minha casa, e que reforçaram por excesso um som e uma voz que de facto, neste disco, (de que infelizmente não me lembro o nome) tem qualquer coisa de etérea e esotérica, claro que, volto a frisar, esta é a minha opinião, que a mim, e só a mim, responsabiliza, mas a verdade é que em minha casa o som do disco e a voz da Patrícia, sem perderem o lado etéreo/esotérico e um palco sonoro largo e com os instrumentos bem definidos, me pareceu que o som era menos esvoaçante e o palco sonoro menos aberto e recuado.
Três vivas ao Delfim e Vive La France!!...


O Delfim trouxe-nos uns bombons pré-Natalícios, qual Rei Mago, que, e não só no meu entender, brilharam tanto estética como acusticamente e, principalmente, na relação preço/qualidade devido ao seu preço muito contido. É que isto de comprar uns pseudo Mcintosh pelo preço de um qualquer integrado feito por marcas de grande consumo Japonesas, não é para qualquer um, definitivamente excelente som e excelente visual. Por isso, três vivas ao Delfim e VIVE LA FRANCE, e já agora vivas também para os Chineses. O que eu já antevejo infelizmente é o problema do nacional-snobismo, veja-se o caso da Vincent, que merecia muito mais atenção e muito melhores vendas.



As Audiovector pareceram-me muito apelativas em termos estéticos com um stand muito bem defendido e um bom som “audiófilo”, sem mais. - Ah perdão, já me esquecia, um conceito tecnológico que permite futuras evoluções, e isto para além de outros trunfos tecnológicos escondidos, vide sub-grave escondido na base perdoe-se-me a redundância.



Os nossos vizinhos da “Areia” impressionaram como sempre não só por terem um bom som, e agora também boa imagem, como pelo apurado sentido estético e de bem receber, que é seu apanágio. Este ano com ajuda preciosa das Usher, nova representação, que são visualmente magníficas, construídas na China Nacionalista, salvo erro. Sobre o som ainda não tenho opinião formada, mas a verdade é que acho as Vincent topo de gama com algumas semelhanças com elas. Os gira-discos Funk pareceram-me/parecem-me uma boa aposta.



Já agora o que é que se passa com o importador nacional da Musical Fidelity? Com uma grande gama de produtos, sendo que muitos são interessantissimos e originais, sem que o preço seja assustador na maior parte dos casos, com uma apresentação magnífica e, por vezes, sem concorrência directa. Mas há outros que também faltaram à chamada...


NOTA: Já agora e num aparte, três das últimas modas de alguns gurus do áudio que ainda cá não chegaram: há um amplificador Grego híbrido, enorme qual templo grego e bonito também (eu, e já agora, tenho uma costela Grega por parte do meu avô que casou com uma Espanhola em Portugal e por cá ficaram até morrerem); um amplificador a baterias Alemão, veja-se o último número da Absolut Sound, a fazer 280/WATTS RMS por canal; e umas estranhíssimas e altas colunas italianas que pessoalmente acho muito bonitas. O nome dos amplificadores são: o Grego escreve-se na nossa grafia YPSILON, escrito em Grego é “Grego” para mim, e isto apesar de um avô Grego, mas que infelizmente morreu antes de eu nascer. O Alemão é o ASR - EMITTER II, e as colunas são as BOLZANO VILLETRI, em qualquer dos casos vale a pena passar um bocado os olhos pelos seus sites, o site das colunas Italianas não é fácil de consultar mas julgo que é recompensador pelo menos em termos estéticos.


Henrique José Mendes Sotiry


Nota 1 :Textos e legendas (editadas pelo Hificlube) da responsabilidade de leitores identificados, fotos meramente ilustrativas JVH/HIFICLUBE