2004

O Farol De Alexandria



Na página da Imacústica, está o convite expresso:


Durante o mês de Setembro, viva uma experiência única: traga os seus discos preferidos (e um amigo também) e sonhe, durante uma hora, na companhia de um dos melhores sistemas do mundo:


Wilson Audio Alexandria X-2


Audio Research Reference 600 MKIII


Audio Research Reference 2 MKII


Audio Research CD-3MKII




Panorâmica do auditório principal da Imacústica


Aproveitei o convite e fui ao Porto. Levei discos e um amigo também (o meu filho Pedro). Não, que não estivessem já lá muitos amigos: o Manuel, o Luís e o Sérgio, que me acompanharam na maratona auditiva; a amável comitiva feminina composta pela São, a Sofia e a bem-comportada Beatriz de quatro anos; e o Guilhermino e o Sancho (long time no see), que tive o prazer de voltar a encontrar no Redondo, o restaurante onde almocei carapaus fritos, rodovalho grelhado, regado com um copo (bom, dois...) de verde e rematado com um café (eh...dois também...) e um delicioso «Matateu» (eh... vários...), um «biscoito» de amêndoa torrada, côco e mel. Nada de «digestivos», que eu não brinco em serviço.


Hélas, este não é o tratamento VIP (que incluiu um passeio guiado à Invicta) reservado a todos os que aceitam o convite da Imacústica para ouvir as Alexandria. Mas tudo o resto está à sua inteira disposição, ou seja: um sistema milionário e único no país, música e simpatia.


A verdade é que eu já não ia ao Porto há uns cinco anos! A vergonha é que eu nunca tinha ido à Ribeira e à Foz! Nem alguma vez tivera comido uma «Francesinha» (honi soit...). E não fora o facto de as Alexandria estarem de partida para a Madeira no fim de Setembro, onde vão ser oficialmente apresentadas a 9 de Outubro, talvez eu não tivesse ido ainda desta vez, apesar da inexcedível hospitalidade com que sou sempre recebido pelo Manuel e pela São.


O meu primeiro contacto com as Alexandria foi em Munique, numa audição demasiado breve para ser conclusiva (ver Artigos Relacionados: Megateste de colunas). E a hipótese de as vir a testar em minha casa é nula, por razões óbvias de logística, espaço e...dinheiro. Não podia, pois, perder a oportunidade, tanto mais que as Alexandria não vão estar no Audioshow (!!), privando assim os exigentes audiófilos de Lisboa de um «concerto» memorável.
Os convivas no acto de audição no patamar do highend


PRIMEIRA SURPRESA


A Imacústica é uma loja eclética, há lá de tudo, incluindo marcas da concorrência. Para o Manuel Dias, um concorrente não é um adversário. Ao lado das suas ProAc, exibem-se as Monitor Audio ou as Tannoy. O cliente quer um Musical Fidelity, um Rotel, um rádio Tivoli? Ei-lo. O Krell Showcase é um sonho? Lá está a realidade possível de um AV da Denon. E os plasmas do nosso (des)contentamento. «Hoje a nossa sobrevivência baseia-se nos nichos de mercado. Nos chamados produtos «de grande audiência», como é o caso dos plasmas, só posso bater as megalojas no atendimento personalizado e no serviço pós-venda, nunca no preço, a margem é demasiado pequena». Apesar do pragmatismo, o Manuel por vezes ainda se deixa levar pelo sentimentalismo: «As Visonik foram as minhas primeiras colunas. Vi-as em Munique e resolvi importá-las. E não me arrependi: o preço é concorrencial e a construção alemã excelente. Estou muito satisfeito».


O PATAMAR DO HIGHEND

Passámos à fase seguinte: aquilo a que o Manuel chama o «patamar» do highend. Um sistema composto por um par de Sonus Faber Concerto Grand Piano Home, que podem (ou não, com era o caso, ver foto) ser acolitadas por um «subwoofer» Gravis. Na amplificação, a surpresa do PrimaLuna Prologue Two, com válvulas KT88. Como fonte, o Copland CDA-823 Leitor de CD, 24-bit/192kHz, saída balanceada e single-Ended. Cabos: Nordost.
PrimaLuna Prologue Two
Prologue Two e Copland CDA-823 (duas novidades em Portugal)


Um som cheio, encorpado, amplo, prenhe de riqueza harmónica com aquela «atmosfera» acústica que sempre foi o sortilégio das válvulas. Quando me reformar quero ter um som destes em casa. Porque nos envolve naquele doce enleio de pantufas e lareira e nos obriga a deixar o espírito crítico à porta, qual gabardina salpicada de preconceitos e chapéu de chuva a pingar conceitos audiófilos sem sentido, como se nos dissessem: deixa a vida lá fora, vive a (tua) vida cá dentro; esquece o som ouve apenas a música.


Continua (ver Artigos Relacionados)