2004

Dilema: Theta Generation Viii - Parte Ii




Theta Gen.VIII (em cima)+ Compli


Só agora me decidi a publicar as minhas notas. Tudo porque é cada vez mais difícil justificar num jornal diário o preço de milhares de euros que os americanos pedem por estes equipamentos, quando já se anuncia na televisão um leitor-DVD por 88 euros, fabricado nos confins do Oriente, é certo, por trabalhadores em regime de semiescravatura, com componentes comprados ao quilo, mas ainda assim funcional: toca os discos e reproduz os filmes, tal qual o «Compli»...


Com a mesma qualidade? Provavelmente sim, pelo menos para a maior parte das pessoas que não dispõem de equipamento complementar (projector, monitor de televisão, amplificador AV, colunas, etc.) à altura das circunstâncias, leia-se, com resolução suficiente, e o bom gosto (dinheiro) e cultura audiovideófila capaz de lhe fazer justiça. Eu, que tenho à minha disposição os conhecimentos e os utensílios necessários à busca das pequenas diferenças, que são, em parte, a justificação para a diferença... de preço, não tenho desculpa.


Hélas, a Theta, ao nível do áudio digital, já não dá aquelas «banhadas» de antigamente nos seus pares - e agora refiro-me aos do mesmo campeonato - , que a colocavam num patamar à parte. Continua a ser superlativa, claro, noblesse oblige. Mas ainda me lembro da primeira vez que ouvi um conversor Theta: caiu-me o queixo tal a evidência de superioridade. Hoje não creio que o Gen.VIII seja assim tão claramente superior ao Chord DAC64, por exemplo, que utilizei como modelo comparativo, na reprodução em dois canais estéreo (o multicanal - DVD_Audio, SACD, etc. -, sem ligação digital de alta resolução, depende fundamentalmente do «Compli» e isso fica para outra ocasião).



Com CD, utilizando o «Compli» como transporte, o Theta ganha, sem dúvida, na definição, recorte e claridade das notas do piano, o que perde na «corporização» do instrumento em si; ganha na tensão e extensão do grave, o que perde na «visceralidade rítmica»; ganha no «enfoque» fino dos pormenores da imagem estereofónica, o que perde na «verosimilhança física» da presença em palco dos diversos intervenientes. Digamos, como se diz agora nas entrevistas da TV a cada duas palavras (também na versão «digamos assim»), que o Theta Gen. VIII dá mais protagonismo à arvore que à floresta, apenas para utilizar uma imagem filosófica tão gasta quanto eficaz. Tudo depende do ponto de vista do potencial comprador, claro. Tal como no dilema do ovo e da galinha, o que está primeiro para si: a árvore ou a floresta? E uma floresta é uma entidade colectiva ou um conjunto de árvores distintas?


Poder-se-á daqui concluir que se chegou ao fim do caminho na evolução do CD e do DVD - e nem mesmo a Theta consegue já ir mais longe? Será o Blu-ray a resposta para o formato do futuro? Ou o LP?...


O Theta Generation VIII e o «Compli» chegaram-me às mãos na sua versão mais básica: isto é, sem a «facilidade» de o Gen. VIII ser utilizado também como prévio (fixed level) e sem o cordão umbilical digital de alta resolução da versão artilhada. Kalman Rubinson (Stereophile) e Jason Victor Serinus (Secrets of Home Theater and High Fidelity), por certo com mais propriedade e conhecimento, consideraram o Theta Generation VIII o suprasumo do áudio digital (testes disponíveis na Internet). Eu acho que vou aproveitar as lacunas para sair airosamente da situação lançando as culpas sobre o mordomo...


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