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Prof. Bento Coelho (IST) comenta artigo de JVH

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A propósito do artigo “Audio Research I/50 – as válvulas ao poder”, o Hificlube.net recebeu um longo e deveras interessante comentário do Prof. Bento Coelho, o maior especialista nacional em Acústica, onde aborda temáticas polémicas como medição vs audição.

Na sua página de Linkedin, pode ler-se que J.Luis Bento Coelho é Professor do IST e Diretor da Acusticontrol, Cons. Eng. Acústica, Lda, com a seguinte formação académica:

  • University of Pitesti, Romania, Doctor Honoris Causa
  • Institute of Sound and Vibration Research, Univ. So'ton, UKInstitute of Sound and Vibration Research, Univ. So'ton, UK, Doctor of Philosophy (Ph.D.), Acoustics
  • Institute of Sound and Vibration Research, Univ. Sot'on, UKInstitute of Sound and Vibration Research, Univ. Sot'on, UK, Master's degree, Sound and Vibration
  • Instituto Superior Técnico, Master of Engineering (M.Eng.), Electrical and Electronics Engineering

O Prof. Bento Coelho é também audiófilo e leitor do Hificlube.net, o que nos dá muita satisfação e orgulho.

Comentário do Prof. Bento Coelho:

Nota: o texto foi editado, com aprovação prévia do autor, sendo os títulos e sublinhados da responsabilidade de Hificlube.net

Li o seu artigo “Audio Research I/50 – as válvulas ao poder”, que é muito interessante, e mostra realmente a situação para quem gosta de música. A questão da dicotomia entre medição técnica e audição é um velho paradigma destes temas da acústica, pois a audição é talvez o nosso sentido mais complexo e também menos explorado.

Perceção sonora e realidade

Na verdade, para nós a realidade é a nossa perceção da realidade e a perceção sonora não é apenas o que saiu do aparelho auditivo, da mesma forma que não será o que sai de qualquer microfone que se use para medir um fenómeno sonoro.

…a informação que juntamos para construir o que “ouvimos” é muito mais do que conseguimos medir…

E o que se pode medir são apenas grandezas que conhecemos de modelos que “tentam” reproduzir tão de perto quanto possível essa realidade. E só se mede o que é mensurável e detetável pelos equipamentos.

No entanto, a informação que juntamos para construir o que “ouvimos” é muito mais do que conseguimos medir. É por isso completamente utópico estar a dar primazia aos resultados das medições, isso será apenas parte da questão. 

Ouvidos mais sensíveis que instrumentos

Como sensores, os nossos ouvidos têm capacidades de deteção e de discriminação que os nossos melhores instrumentos não têm. E o nosso cérebro tem capacidades de processamento de múltiplas e micro informações sonoras que são muito mais abrangentes e complexas do que os “simples” aparelhos que construímos.

…os nossos ouvidos têm capacidades de deteção e de discriminação que os nossos melhores instrumentos não têm…

Admito, pois, que haverá muitos processos cognitivos que ainda desconhecemos e que contribuem para o que percebemos. Penso que será outra utopia dissecar completamente os mecanismos que nos configuram a emoção sonora. Cada vez mais próximo, mas ainda longe… será o eterno paradigma do ser humano na sua procura pelo conhecimento.

Medição vs Audição

Lembro-me de, quando tive uma série de alunos que quiseram fazer os seus trabalhos de final de curso a construir colunas de som, e a quem foram fornecidos os elementos de base todos praticamente iguais.

A avaliação final passava pela otimização das curvas de resposta (medidas na câmara anecóica) e por audição por um painel de 3-4 pessoas.

Então, foi muito interessante verificar que algumas colunas com curvas impecáveis soavam menos bem do que outras com curvas piores; e os subsequentes ajustes nas frequências dos cross-overs nos diferentes altifalantes ou nas caixas a serem feitos para otimizar a audição.

…colunas com curvas impecáveis soavam menos bem do que outras com curvas piores…

E claro a discussão das influências das diferentes harmónicas mensuráveis vs audíveis, dos tempos de resposta por frequência etc. etc. Mas mais uma vez era a discussão dos termos do modelo que conhecemos.

Psicoacústica 

A psicoacústica é um campo muito complexo e disseca à exaustão os sinais sonoros, mas que é difícil não considerar quando a componente humana do processo do som e sua audição estão em causa. E no caso da audição musical isto é fundamental.

Os aparelhos de reprodução tentam apenas simular a situação de espetáculo musical real, e quem leva isso a sério e não quer apenas ouvir uma musiquinha pode ser muito exigente.

Não gostaria de estar a discutir a questão das dissonâncias, distorções ou outras do mesmo tipo, pois se inserem no conjunto de características de complexidade de deteção que transmitem informação ainda que a nível micro e que podem ou não contribuir para o que ouvimos, mas que em princípio contribuem.

Evolução contínua

Repare que, se esta discussão tivesse lugar há meia dúzia de décadas, sem dúvida que os termos seriam outros pela evolução extraordinária havida nas áreas da electroacústica que se traduziram numa grande evolução também nas exigências do audiófilo.

Sem dúvida daqui a umas tantas décadas terá havido outra grande evolução. Da mesma grandeza? Duvido, mas sem dúvida que haverá. E iremos sempre discutindo o que ouvimos ou não, o que conseguimos reproduzir ou não, e sempre no sentido de trazer para o sinal reproduzido e que chega aos nossos ouvidos, o que foi detetado pelos microfones originais. O que à primeira vista pode parecer fácil, mas é tudo menos isso.

J.Luís Bento Coelho

Prof., DHC, IIAV Fellow

 

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