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2010

Ao Meu Amigo Mário Bettencourt Resendes

Ao Meu Amigo Mário Bettencourt Resendes



Mário Bettencourt Resendes (foto DN, direitos reservados)




Fui durante 15 anos colaborador do DN. Sempre na área do “Som”. Quase sempre com o Mário como director. Sendo um defensor convicto do jornalismo substantivo, nunca me fez sentir um colaborador acessório, que escrevia sobre fait-divers audiófilos e “roubava” páginas a cores ao elitismo cultural do DNA. Pelo contrário, incentivou-me, apoiou-me e pediu-me muitas vezes opiniões sobre qual a melhor forma de apreciar a música de que tanto gostava. Fui eu que lhe sugeri o equipamento de som.

E, quando Mário Bettencourt Resendes defendia algo ou apoiava alguém, fazia-o com tal determinação, veemência mesmo, a raiar a exuberância física do proverbial murro na mesa, que não deixava margem para dúvidas, a quem ousasse contrariá-lo, sobre qual era a sua decisão definitiva e inapelável.


Paradoxalmente, era uma pessoa que irradiava serenidade, fundada não na personalidade calma do ilhéu, mas na profundidade das suas convicções moldadas pela vasta cultura e pelo cosmopolitismo. Mário era um homem com mundo. E talvez por isso compreendesse melhor o país que outros que o não tinham.


O jornalismo deve muito a Mário Bettencourt Resendes. E os audiófilos perderam um director que lhes concedeu uma tribuna privilegiada num jornal de referência, durante mais de uma década. Tantos anos quantos lutou contra o cancro ao qual nunca se rendeu. Como nunca se rendeu aos interesses económicos e políticos. Já não há directores destes. Já não há jornais destes.


Amigo Mário, descansa em paz, agora que a velha metáfora audiófila da música celestial se tornou finalmente realidade para ti.


Ao Meu Amigo Mário Bettencourt Resendes


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