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Meridian Explorer II USB DAC - follow up

Meridian Explorer

Quanto maior é o sucesso, maior é a exposição pública e a probabilidade de ser amado por uns e criticado por outros. Em Portugal, isso acontece muito a quem tem sucesso na vida. Há quem lhe chame inveja, ciúme, ou pura dor-de-corno.


No mundo do áudio, há produtos amados pela crítica, que não vendem; e outros que a crítica desdenha e que vendem bem, normalmente porque são bons e baratos, ou porque apesar do preço elevado têm excepcional qualidade e enorme prestígio.

Depois, há os eleitos de que toda a gente parece gostar, incluindo a crítica, e vendem muito bem. É o caso do Meridian Explorer, um DAC/USB para auscultadores, que também pode ser utilizado como um DAC/prévio para alimentar um amplificador.


O Hificlube testou e gostou (o teste original pode e deve ser lido nos Artigos Relacionados). Terminei o teste, aliás, expressando o desejo de poder experimentar o Explorer com auscultadores de topo com os Audeze LCD 3, porque fiquei com a clara impressão de que os Focal Spirit One, apesar da boa relação qualidade/preço, não eram “homens” para levar o Explorer ao limite da sua performance, como se tornou óbvio quando o experimentei com um par de auscultadores Ultrasone Edition 8.


Entretanto, passou alguma água debaixo da ponte, e logo apareceu o chamado “desmancha-prazeres”. Tyll Herstens, da Inner Fidelity, mediu a impedância de saída do Explorer e concluiu o que já se sabia: era demasiado elevada (cerca de 50 Ohms), pelo que poderia afectar o desempenho (nível máximo, por exemplo) de alguns auscultadores, sobretudo os auriculares portáteis de baixa impedância.


Ora, isto não era novidade para a Meridian, pois era esse mesmo o objectivo. A Meridian fez, contudo, a vontade aos audiófilos, e o “novo” Explorer passou a ter uma impedância de saída de apenas 5 Ohms. Mas claro que não era por acaso que o Explorer I (a designação é minha) tinha um impedância mais elevada.


Como o ouvinte “on-the-go” tem a natural tendência para ligar e desligar os auriculares, sem se preocupar primeiro em baixar o volume de som, o andar de saída do mini-amplificador ficava assim mais protegido contra curto-circuitos. E se há coisa de que os distribuidores (e fabricantes) não gostam é de reclamações de avaria por 'abuso de uso', que são sempre difíceis de dirimir.


Por outro lado, a impedância mais elevada reduz também o nível máximo do som e protege assim os ouvidos dos jovens incautos, que hoje, aos 30 anos, já estão surdos (os 120dB de algumas discotecas também ajudam à festa, literalmente).


Mas há mais: dá corpo aos graves dos “supositórios” (+ impedância = - damping)  e torna o som mais “tolerável” no agudo, logo o som é mais agradável de ouvir com os pequenos auriculares de enfiar no ouvido – e não só.

O Meridian Explorer veio revolucionar a qualidade do som dos portáteis

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Na minha última visita à Ajasom, Nuno Cristina emprestou-me amavelmente (estão sempre esgotados) um Explorer de 5 Ohms para eu “ouvir” a diferença.


Sem querer entrar em polémicas ou análises demasiado técnicas, eu creio que o leitor, que comprou um dos primeiros Explorer (igual ao que eu testei - ver Artigos Relacionados), o que quer saber é se deve trocar o Explorer I pelo Explorer II. Reparem que a Meridian nem se deu ao trabalho de lhe mudar a designação. Portanto, se está a gostar do Explorer I, deixe-se estar como está, que está bem.


Dou-lhe um exemplo: os Focal Spirit One, que utilizei no teste, soam mais “brilhantes” com a nova versão. Se não tivesse cá os Audeze LCD 3 teria optado pelo Explorer I. É certo que tocam mais “alto” com o II, mais isso é algo que vai poder corrigir também com o novo firmware da Meridian, sem precisar de mudar para o II (já lá iremos).


O resultado depende mais da linearidade de fase e da curva de impedância (em função da frequência) dos auscultadores que do Explorer II. It takes two to tango...


À Meridian nunca lhe passou pela cabeça que um produto tão acessível se tornasse num ícone audiófilo, e fosse utilizado pelos críticos para alimentar auscultadores 10X mais caros. Daqueles esotéricos, que “gostam” de andares de saída com impedâncias muito baixas (o ideal até seria 1 a 2 Ohms) e potência q.b.

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Em poucas palavras, uma impedância mais baixa garante mais “potência” (tensão) e aumenta substancialmente o “factor de amortecimento”, tornando o grave mais tenso e articulado, sobretudo com cargas reactivas. Não é tanto assim com cargas resistivas, como é o caso dos Audeze LCD 3, que são isodinâmicos (ver teste nos Artigos Relacionados). Mas admito que uma impedância mais baixa também favorece a linearidade da resposta em toda a banda áudio da maior parte dos auscultadores convencionais.


A performance do duo Explorer II/Audeze só foi ultrapassada com um amplificador dedicado como o Auralic Taurus, o que é extraordinário, se considerarmos a diferença de preço e tamanho e o facto de o Taurus funcionar em Classe A pura!


Mas, como, ao contrário do outro, eu às vezes tenho dúvidas, que me perdoe o Tyll Herstens, se eu “achar” que a instalação do novo firmware V 1349 (disponível gratuitamente na página da Meridian) teve tanta ou mais importância no resultado final que a redução de impedância.


O firmware V1349 não só permite subir substancialmente o volume do som, quando se utilizam auscultadores menos sensíveis, como desactiva todos os controlos de volume do computador e do Media Player, ficando o Meridian USB Control Panel como master único.


Mas há mais: o novo Meridian USB driver V 1.67 corrige o péssimo controlo de volume do Windows a níveis muito baixos, e permite ainda alterar uma “coisa estranha” do Explorer: ficava sempre ligado! Agora pode optar por deixar sempre ligado ou desligar automaticamente quando o sinal cessa durante algum tempo.


Tal como os navegadores Portugueses do passado glorioso, o Meridian Explorer permite-nos navegar hoje por mares nunca dantes navegados de potência sonora, com mar calmo a 44, 1kHz ou ondas até 192kHz.


Para isso só precisa de mudar a vela, não tem necessariamente de mudar de caravela...


 


 

Meridian Explorer

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