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Martin Logan Balanced Force

Martin Logan Balanced Force 210&212 subwoofers

Há anos que tento (fazer) entender os subwoofers - sem grande sucesso, diga-se. Já li (e escrevi) tudo o que era possível, desde estudos técnicos complexos a artigos ligeiros em versão popular na revista DN/Notícias (abrir pdf 'Um problema grave') e também no CM, para que toda a gente pudesse obter os melhores resultados do que afinal não passa de um add-on (acrescento) para corrigir o pecado original das colunas não reproduzirem todo o espectro sonoro audível.


Nota: abrir pdfs em “Arquivo morto sobre coisas vivas”.

Ao contrário do supertweeter que reproduz frequências que ninguém ouve, o subwoofer ouve-se – e bem – ou, no pior dos casos, sente-se: quando os tímpanos desistem, o vil esqueleto substitui-os vibrando em consonância. E a roupa que temos vestida também: até as pernas das calças drapejam ao vento...


Quem já ouviu música numa coluna de banda larga fica viciado. O problema é que, normalmente estas colunas também são “largas” no tamanho e no preço. O “sub” tornou-se assim um “aditivo” para colunas de banda limitada, monitoras ou “satélites”, como forma de compensar com uma única coluna a falta da oitava(s) inferior nas outras duas.


A teoria era a de que as frequências graves estavam registadas em mono nos LP, até porque, de qualquer modo, são omnidireccionais, logo um altifalante chega para os dois canais estéreo.


Nasceu assim a trifonia: 2 satélites+sub, de que o exemplo mais popular foi o Bose Acoustimass 5 Series 1, que ouvi pela primeira vez em França, num show qualquer há 25 anos. Dois minisatélites, compostos por dois cubos sobrepostos, montados num contentor às escuras, faziam um chavascal surpreendente, até que alguém acendia a luz e nos mostrava o “caixote dos graves” escondido a um canto.


A performance acústica era surpreendente, a qualidade musical sofrível, até porque o “sub” tinha de entrar por ali acima até aos 150Hz e a sua presença era facilmente detectável. Mas havia quem engolisse que aquele som todo vinha dos mini satélites aparafusados na parede como candeeiros.

Sonus Faber Snail (ao fundo): a primeira criação de Franco Serblin. Em primeiro plano as Sonus Faber Extrema.

Sonus Faber Snail (ao fundo): a primeira criação de Franco Serblin. Em primeiro plano as Sonus Faber Extrema.

Baseada no mesmo princípio, foi a primeira coluna do saudoso mestre Franco Serblin: as Snail, de que há um exemplar em Arcugnano, que eu fotografei, quando visitei a fábrica por ocasião da estreia mundial das Stradivari (clicar para abrir reportagem em 5 Partes).


Nem de propósito: para a semana volto lá para mais uma estreia mundial ainda não revelada. Acho que adivinhei o que vai ser, mas não digo nada por enquanto para manter o suspense.


Há dezenas de variantes deste princípio, que ainda hoje se utiliza abundantemente no áudio doméstico (e nas discotecas, por exemplo), e todas elas se inspiraram num artigo publicado, em 1978, por Siegfried Linkwitz (que tive o prazer de conhecer pessoalmente em Las Vegas) na revista Wireless World London, intitulado: “A Three-Enclosure Loudspeaker System (with active delay and crossover)”, que os mais corajosos e tecnicamente dotados podem ler aqui.

Com o advento do “surround”, o princípio manteve-se, apenas se multiplicaram os satélites, embora haja sistemas também com múltiplos “subs”. A experiência mais fantástica a que já assisti foi com o Krell Master Subwoofer e a equipa LAT, em NY, em 2001 (abrir pdf Especial NY 2001). Dan D’Agostino tinha montado um sistema de meio milhão de dólares, que exigiu uma alimentação de corrente eléctrica especial e atingiu picos de mais de 100dB! Até se sentia o vento na cara...


Tanto a imagem do Faroudja FDP como o som eram impressionantes, sobretudo a imagem para os padrões de 2001, pois em 10 anos a imagem video evoluiu mais que o áudio.

JVH ELS One: painel electrostático Schackman, montado sobre um sub de linha-de-transmissão Bailey, com um supertweeter piezzo eléctrico no topo.

JVH ELS One: painel electrostático Schackman, montado sobre um sub de linha-de-transmissão Bailey, com um supertweeter piezzo eléctrico no topo.

Mas houve algo que muitos tentaram e todos falharam, eu incluído: “casar” um “SUB” como uma “ELS”. A Gradient quase que conseguiu esse desiderato com o SW63. Mas o que funcionava melhor com as Quad ELS63 ainda era o Celestion EqDipole subwoofer criado para o sistema 6000. Mesmo assim, os estragos eram maiores que os resultados.


O problema dos “subs” dipolares” é que a onda frontal e traseira estão em oposição de fase e com frequências, cujo comprimento de onda é muito longo, cancelam-se mutuamente, o que obriga a injectar muita potência ou a utilizar altifalantes do tamanho de alguidares para evitar “baffles” do tamanho de portas. E depois há a questão da textura do som que é muito diferente.

JVH e as ML Monolith, no Festival de Música da Póvoa de Varzim, numa apresentação de música gravada, com a colaboração da Imacustica. Nota: foi há tantos anos que é melhor nem me lembrar quantos...

JVH e as ML Monolith, no Festival de Música da Póvoa de Varzim, numa apresentação de música gravada, com a colaboração da Imacustica. Nota: foi há tantos anos que é melhor nem me lembrar quantos...

A Martin Logan tentou tudo ao longo de décadas para ultrapassar esta limitação da transdução electrostática, bem patente nas CLS originais, por exemplo. E como nem toda a gente podia ter umas Statement E2 com subs dedicados (abrir pdf ML Statement E2), Gayle Sanders optou pelas colunas híbridas com grande sucesso, tal como eu já tinha tentado uns anos antes com relativo sucesso.


Durante anos acompanhei a carreira de Gayle Sanders (hoje afastado da companhia que criou) e testei colunas Martin Logan para diversas publicações. Na caixa “Arquivo morto sobre coisas vivas”, pode abrir vários pdfs com artigos do DN.


Por curiosidade, verifico agora que todos os artigos foram publicados em Abril do mesmo ou diferentes anos. Talvez por ser Primavera. E não é que estamos quase em Abril outra vez...


Entretanto, no Highend 2007, a Martin Logan apresentou em segredo as CLX. David Allen que só me permitiu fotografá-las com um pano preto por cima, com a promessa (cumprida um ano depois no Highend 2008) de me deixar ser o primeiro a fotografá-las (ver pdf ML Summit Follow-Up).

As CLX pela primeira vez em demonstração activa no Highend 2008, Munique

As CLX pela primeira vez em demonstração activa no Highend 2008, Munique

Tendo sido apresentadas como sendo de “banda larga”, as CLX, apesar da incrível transparência acústica e física, sofriam ainda de algumas limitações abaixo dos 50Hz, que nenhum subwoofer até agora conseguiu resolver sem estragar.


A Martin Logan informa-me agora via Imacustica que os novos subs Balanced Force ultrapassam finalmente todas as dificuldades, com recurso à tecnologia digital, não apenas na amplificação (a Classe D é particularmente eficaz nas baixas frequências), mas porque o processamento e filtragem digital é feita à medida de cada coluna de som específica: basta fazer o download do filtro passa-baixas respectivo.

ML Balanced Force são bipolos e não dipolos, o único cancelamento é ao nível da vibração da caixa: forças opostas equilibram-se

ML Balanced Force são bipolos e não dipolos, o único cancelamento é ao nível da vibração da caixa: forças opostas equilibram-se

Lá vou ter de pedir ao Manuel Dias para montar as CLX com os Balanced Force 212 no auditório principal da Imacustica/Lisboa para ouvir o milagre da multiplicação dos graves, nas suaves ondas do lago transparente do som electrostático, que tem vindo a cair em desuso, com excepção dos auscultadores.


Será que vamos ter o melhor de dois mundos: o fogo dinâmico e a transparência electrostática de que se fala nos livros sagrados do Graal Sónico?


Para mais informações: IMACUSTICA


 

Martin Logan Balanced Force 210&212 subwoofers

Sonus Faber Snail (ao fundo): a primeira criação de Franco Serblin. Em primeiro plano as Sonus Faber Extrema.

JVH ELS One: painel electrostático Schackman, montado sobre um sub de linha-de-transmissão Bailey, com um supertweeter piezzo eléctrico no topo.

JVH e as ML Monolith, no Festival de Música da Póvoa de Varzim, numa apresentação de música gravada, com a colaboração da Imacustica. Nota: foi há tantos anos que é melhor nem me lembrar quantos...

As CLX pela primeira vez em demonstração activa no Highend 2008, Munique

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