audioshow2013

Audioshow 2013 - Parte 6

O imponente sistema Gryphon montado na Sala Lusitano II

Este fabuloso sistema Gryphon já tinha sido exibido na Elitexpo, em Madrid, com grande sucesso. Na altura tive oportunidade de entrevistar Flemming E. Rasmussen, que falou de si e da sua concepção de som highend, como veículo para a fruição da verdadeira música. Mas foi em Lisboa que o Gryphon logrou ter finalmente espaço para voar alto e mostrar as garras.

Quando entrei na Lusitano II, estava escuro (a sala, não o som), e ocorreram-me de imediato à memória imagens do filme Prometheus, de Riddley Scott. A solidez metálica, a cor negra do sistema e o design clássico-futurista só conferiam ainda mais realismo ao meu cenário imaginário. Eram os deuses astronautas?...


Não é por acaso que a Gryphon, uma empresa de tecnologia áudio de ponta, se inspira na mitologia grega e cultura clássica para nomear alguns dos seus produtos: Athena, Pandora, Antileon, Poseidon.


Foi, aliás, porque Prometeu ousou roubar o fogo a Zeus para o dar à humanidade, que este criou Pandora, a primeira mulher, dotada de grande poder, beleza e sensualidade, mas cuja função era afinal atormentar os homens, com os demónios que trazia num caixa que, uma vez aberta, já não podia ser fechada. Não há almoços grátis...

A minha analogia com o filme Prometheus não é apenas visual. Havia também aquela sensação intimidante de se entrar num mundo diferente, estranho e desconhecido, para muitos dos visitantes, pese embora aqui a simpatia bem humana dos anfitriões Miguel Carvalho e António Domingos.


Após a primeira reacção de surpresa, as pessoas sentavam-se, ouviam música e o que antes era estranho entranhava-se lentamente, ao sentir o poder, beleza e sensualidade do som.


A UAE abriu a Caixa de Pandora e o “demónio”, que agora nos atormenta a todos, é o preço do conjunto Pandora/Mephisto/Trident II: 350 mil euros! (com boa vontade, vá lá, incluindo já o server Aurender W20, o full MSB Signature/Diamond IV e o fabuloso gira-discos Unico, de Mestre Rui Borges).


Acompanho desde o início a carreira da Ultimate Audio, que em boa hora se associou à Audio Elite para criar a UAE, tornando assim possível dinamizar o panorama áudio nacional que, no conjunto dos principais distribuidores, e contrariando a crise económica, tem representadas entre nós todas as grandes marcas de hifi e highend audio mundial.

As Gryphon Atlantis

As Gryphon Atlantis

Gryphon  Mojo

Gryphon Mojo

Na sala anexa, a UAE tinha ainda em exibição estática dois outros conjuntos Gryphon mais “modestos”, mas ainda assim de grande qualidade e preço a condizer:

Outra perspectiva do sistema Gryphon na sala Lusitano II

Outra perspectiva do sistema Gryphon na sala Lusitano II

Com orquestras clássicas e eventos operáticos, a sensação de poder, presença e dinâmica era avassaladora. E a Big Band de Harry James soou big, indeed!...

Harry James Big Band, More Spluttie, please!

A Sala Lusitano II é ampla e de elevado pé direito, com uma reverberação longa, mas controlada, no limite do possível dadas as circunstâncias, pelo técnico Marcelo Tavares, com painéis absorventes e reflectores.


Nota: Vi por lá com enorme prazer o Prof. Bento Coelho, do IST, doutorado em acústica e processamento de sinais, com quem tive a honra de colaborar durante um ano, nas medições de colunas em câmara anecóica, nos primórdios da revista Audio original, de boa memória, que teria aqui uma palavra a dizer sobre o assunto.


As Trident II são enormes e multivias e, apesar da curvatura, precisam de algum distanciamento do ouvinte para funcionarem como uma point source virtual a partir de uma line source.


A plateia estava montada a uma distância confortável e, dispondo de amplo espaço para respirar, as Trident II recriaram um palco sonoro do tipo IMAX, que era tanto mais impressionante quanto mais numerosos fossem os efectivos instrumentais.

Le Nozze di Figaro –atto 4


Scena V


Barbarina
Oh ve' che brava gente! A stento darmi un arancio, una pera, e una ciambella.
Per chi madamigella?
Oh, per qualcun, signori:
già lo sappiam: ebbene;
il padron l'odia, ed io gli voglio bene,
però costommi un bacio, e cosa importa,
forse qualcun me'l renderà... son morta.
(fugge impaurita ed entra nella nicchia a manca)


Scena VI
Figaro con mantello e lanternino notturno,
poi Basilio, Bartolo e truppa di lavoratori


Figaro
È Barbarina... chi va là?


Basilio
Son quelli
che invitasti a venir.


Bartolo
(a Figaro)
Che brutto ceffo!
Sembri un cospirator. Che diamin sono
quegli infausti apparati?


Figaro
Lo vedrete tra poco.
In questo loco
celebrerem la festa
della mia sposa onesta
e del feudal signor...


Basilio
Ah, buono, buono,
capisco come egli è,
(Accordati si son senza di me.)


Figaro
Voi da questi contorni
non vi scostate; intanto
io vado a dar certi ordini,
e torno in pochi istanti.
A un fischio mio correte tutti quanti.
(Partono tutti eccettuati Bartolo e Basilio.)


Scena VII
Basilio e Bartolo


Basilio
Ha i diavoli nel corpo.


Bartolo
Ma cosa nacque?


Basilio
Nulla.
Susanna piace al Conte; ella d'accordo
gli die' un appuntamento
che a Figaro non piace.


Bartolo
E che, dunque dovria soffrirlo in pace?


Basilio
Quel che soffrono tanti
ei soffrir non potrebbe? E poi sentite,
che guadagno può far? Nel mondo, amico,
l'accozzarla co' grandi
fu pericolo ognora:
dan novanta per cento e han vinto ancora.

O mesmo se pode dizer de algumas produções de estúdio do tipo “bigger than life”: uma gigantesca e emocionante bola de sabão transparente e colorida desenvolvia-se a partir de um plano atrás da linha das colunas, e envolvia o ouvinte num amplexo acústico, nomeadamente o espectacular coro gospel de vozes negras masculinas que, hélas, só registei parcialmente com o microfone da camcorder, num dos videos “panorâmicos”, cuja qualidade de som não é representativa e pretendem apenas mostrar o 'ambiente'.


Que um sistema desta envergadura consiga reproduzir também captações puristas, com vozes e instrumentos em tamanho natural, adaptando a dimensão do palco sonoro, em função da gravação e do seu conteúdo, é um requisito sine qua non para justificar o seu elevado preço.


Eu creio que os registos digitais a 94kHz/24bit, que efectuei in loco, reflectem bem todas as características acima enumeradas, embora não passem de um fac simile do que em si já é à partida uma interpretação pessoal (do engenheiro de som), técnica (microfones, formato de gravação/reprodução analógico/digital), ou comercial (produtor/editora) da realidade.


O Gryphon é um animal mitológico, um poderoso misto de leão e águia: a ficção que ultrapassa a realidade em... realismo. Goste-se ou não, o que se ouviu ali é a imagem acústica fiel do que está no disco ou ficheiro digital reproduzida em ecrã gigante.


E termino citando Aristóteles: a Arte é uma imitação da Vida.

Nota: O Hiclube agradece a colaboração dos protagonistas e dos figurantes deste blockbuster.

O imponente sistema Gryphon montado na Sala Lusitano II

As Gryphon Atlantis

Gryphon Mojo

Outra perspectiva do sistema Gryphon na sala Lusitano II