2012

Portugáudio - Parte 3 - Sons Esotéricos Em Ambiente Gótico: Luís Pires E Jon Stanza

Portugáudio - Parte 3 - Sons Esotéricos Em Ambiente Gótico: Luís Pires E Jon Stanza

 
Portugáudio 2012, Santarém: sala LP/Stanza
 







Se há algo de que me posso orgulhar, ao longo da minha carreira de 30 anos de crítico de áudio, é de ter ajudado a “dar à luz” muitos sons, contribuindo como consultor ou apenas “opinador” profissional, para apontar caminhos ou abrir portas, cá dentro e lá fora. Nem sempre com bons resultados, é certo, porque a maior parte não “vingou” na selva audiófila onde impera a lei do mais forte, que nem sempre é o melhor.
 
Nota: ver em Media pdf da reportagem do LisbonShow, que publiquei na HiFi News, quando era Editor de Audio da revista Imasom, já na altura dando relevo a construtores nacionais. 
 

Diz o povo com razão que, quem dá o que tem, a mais não é obrigado, sobretudo quando o principal obstáculo à comercialização tem um nome: made in Portugal. E esse estigma é tão forte no estrangeiro como entre nós. Grande parte do valor de um equipamento áudio está na imagem de marca. E não me refiro à “imagem estereofónica” mas ao poder do logotipo, que chega a ter “som próprio”...
 








JVH ELS ONE, a minha primeira coluna híbrida: tweeter piezzoeléctrico, painel electrostático Schackman, unidade KEF G200 montada numa linha-de-transmissão Bailey





Quando, por ironia do destino, me tornei crítico de áudio, na sequência de ter ganho um prémio de crítica (ver pdf HiFiNews award_JVH em Media), que abriu as portas do meu humilde estúdio a equipamentos de som com os quais nunca poderia competir, já não fazia sentido perder tempo a “queimar os dedos” com o ferro de soldar.

Tive a partir daí a felicidade de poder conviver com alguns dos melhores construtores e técnicos do mundo e de aprender muito com eles, de trocar impressões com outros críticos internacionais e de me corresponder com nomes míticos da cena audiófila mundial, dando opiniões e apontando soluções. Mas nunca me esqueci das minhas origens de artesão autodidata.


Talvez por isso sempre apoiei os que ainda hoje se aventuram a amassar com suor o seu próprio pão. E estou sempre disposto a dar o meu parecer, que pode ter o valor de uma simples opinião pessoal, ou o parco incentivo do limitado peso institucional do HIFICLUBE.NET, a que alguns amavelmente atribuem importância; e outros preferem ignorar, sobretudo quando eu não gosto do que oiço e tenho a coragem de o afirmar, o que não significa falta de respeito e consideração pelo esforço de quem dedicou uma vida a concretizar o sonho de um “som perfeito”.











Só nesta sala, estavam dois construtores cuja carreira eu acompanhei de perto. Sobretudo, Luís Pires. Mas também João Grácio aka Jon Stanza, que há muitos anos teve a amabilidade de me consultar sobre um dos seus prévios agora numa versão muito mais sofisticada (ver foto abaixo).
 
 


 
Stanza con Legno


 
 
Na altura, incentivei-o a continuar os seus esforços, mas entretanto Grácio desapareceu do meu radar, até o encontrar agora como rosto da electrónica Stanza. Uma agradável dupla surpresa: reencontrar um jovem promissor e conhecer a sua obra mais recente.



 







Luís Pires é um amigo de longa data, e segui a sua carreira bem mais de perto. Desde o tempo em que participou no projecto das HARPA Lusitana, que o levou das catacumbas do forte S. Filipe a Las Vegas, numa jornada memorável de promoção de Portugal até às mais recentes Alphama também apresentadas na CES (ver vários pdfs sobre as Harpa em Media).
 
 



 

As Alphama são uma bela homenagem à alma da guitarra portuguesa, e Luís Pires merecia ter tido melhor sorte, porque saber não lhe falta, apesar de ter sido o único cujos méritos lograram atravessar o Atlântico.


Eu pelo menos fiz tudo o que estava ao meu alcance para que isso acontecesse, incluindo publicar um artigo na Stereophile sobre a apresentação das HARPA Lusitania (ver pdfs em Media), e divulgar a apresentação das Alphama na CES de Las Vegas junto dos meus contactos internacionais:

 
 

CES10 Alphama by Luís Pires



 
Mas, hélas, diz-se do mar que nos separa da América que muito do seu sal são lágrimas de Portugal...
 


Escreveu Voltaire que les beaux esprits se rencontrent. De facto assim é: Luís Pires e João Grácio juntaram temporariamente as suas obras primas para tocar Take Five de Dave Brubeck, um dos grandes momentos da Portugáudio. Apesar da acústica de uma sala cúbica, o som era tudo menos “quadrado”. Gostei. E se ouvirem o som do video com uns bons auscultadores também vão gostar:
 

 


PORTUGÁUDIO 2012 - LUIS PIRES&JON STANZA



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